Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Esta é a história do dia da Rádio Observador: todos apresentamos sintomas de burnout?

Cria, cria, cria e cria. E comecei a sentir que estava num ponto em que pareciam areias movediças, que quanto mais lutava, mais me enterrava, que quanto mais queria, mais frustrado ficava. Acho que o momento de viragem é quando eu percebo claramente que estou a fazer mal a mim próprio.

Gustavo Carona é médico intensivista e aqui, em entrevista ao programa do Observador Labirinto, em janeiro deste ano, assumia o que passou devido a uma situação de burnout. É um entre muitos milhares de casos, entre os que estão diagnosticados e os não diagnosticados, que temos atualmente em Portugal. Um estudo mostra que 80% dos trabalhadores em Portugal apresentam pelo menos um sintoma desta doença mental. Como podemos identificar e combater o burnout? Vou conversar com Tânia Gaspar, psicóloga e autora deste estudo do Laboratório de Ambientes de Trabalho Saudáveis. Ao longo deste episódio, vamos ouvir pequenos excertos de entrevistas ao médico Gustavo Carona, à eurodeputada Marisa Matias e ainda à apresentadora de televisão Fátima Lopes. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vinda, professora Tânia Gaspar.

Olá, Ricardo. Obrigada pela oportunidade.

Já vamos às conclusões deste estudo. Primeiro, importa perceber o que é o burnout. Como é que define o burnout? Que doença é esta?

O burnout é uma doença complexa. O sintoma essencial é a exaustão psicológica e física, mas no fundo, temos que entender o burnout numa perspetiva global. A pessoa, por um lado, tem sintomas físicos de cansaço, exaustão.

A ter sintomas desses gêneros de não conseguir controlar, por exemplo, as pernas ou os braços, ou achar que estava toda dormente, ou ficar bloqueada e não conseguir andar porque tinha medo de não ter equilíbrio e de cair. Isto é tudo surreal, porque acaba por dominar depois todas as ações, todos os dias, todos os movimentos.

Tem alterações a nível do estilo de vida, deixa de conseguir dormir, tem alterações na alimentação. A nível relacional também, começa a ficar mais intolerante, a ter mais dificuldades nas relações interpessoais, a ficar mais irritadiço. Também a nível cognitivo e mnésico, tem mais dificuldades de concentrar, a nível da memória, a nível do planeamento das tarefas. É uma doença que vai afetar a funcionalidade da pessoa, tanto a nível psicológico, como físico, como social. E muitas vezes as pessoas acabam por não se aperceber da doença e só se apercebem já numa situação mais grave.

Com esses sintomas todos que acaba de descrever, conseguimos identificar pelo menos um nas nossas vidas. E tenho a certeza que quem está a ouvir, nessa altura, está a pensar: "Bom, eu já senti isto, se calhar mais do que uma vez". E o seu estudo conclui que 80% dos trabalhadores apresenta pelo menos um destes sintomas, é isso?

Exatamente. A pergunta é nos últimos quatro semanas. Não é uma situação pontual da pessoa ter dormido mal, de ter uma situação pontual de cansaço. Aliás, o burnout é uma condição de estresse laboral crônica, ou pelo menos continuada. Não é um momento em que a pessoa, por exemplo, tem uma entrega pontual para fazer. Não, é haver um momento continuado.

Ou seja, não é uma tarefa que nos esgota naquele instante, mas é algo que perdura.

Exatamente. E depois, muitas vezes as pessoas pensam que o burnout está só associado ao excesso e à sobrecarga do trabalho. E essa questão não se fica só assim. Muitas vezes tem a ver com outras questões no trabalho, com dificuldades de relações laborais, com insatisfação, com a pessoa estar desmotivada, com estar a fazer um trabalho que sente que tem mais competências ou tem competências diferentes e não gosta daquilo que está a fazer. No fundo, é continuamente a pessoa estar numa situação laboral que lhe provoca estresse, e o estresse não é só a agitação e o excesso. O estresse é provocado por outras situações desconfortáveis que a pessoa sente que não tem controle, sente que não consegue mudar, e isso vai lhe dando realmente todos estes sintomas e podendo vir a ter burnout.

O estudo também demonstra que mais de metade dos inquiridos reconhece pelo menos três desses sintomas. Isso é um número muito alto?

É um número bastante elevado. Efetivamente, os três sintomas que nós estamos a falar têm a ver com tristeza, irritabilidade e exaustão. São realmente fatores claros e expressivos, e a pergunta remete para as últimas quatro semanas. Não é uma situação da pessoa naquele dia estar assim, mas sim que num período longo acumula essas três emoções negativas. É algo que nos preocupa. Nós compreendemos que este burnout também pode ter vindo a aumentar com a situação de pandemia, com a situação da sociedade. Temos após uma pandemia, a seguir temos uma guerra na Europa, a seguir temos uma recessão econômica, e todas estas alterações têm efeito nas pessoas a nível individual, mas depois também têm a nível da própria sociedade e das organizações.

Os médicos, nomeadamente aqueles que trabalham em especialidades fisicamente exigentes, como é o meu caso, nos cuidados intensivos, têm um bocadinho a cultura de durões. Dar a parte fraca não é algo que esteja muito aceito naquilo que é a nossa cultura.

No fundo, a situação de estresse é algo que, por exemplo, em muitas profissões, é inerente. Há profissões, por exemplo, de emergência, de lidar com situações muito difíceis, doenças oncológicas, etc., em que a pessoa todos os dias está face a situações de estresse.

E quantos destes sintomas são necessários para concluir que há um diagnóstico?

Este nosso instrumento não é um instrumento clínico de diagnóstico. Nós temos sintomas, que são sintomas de risco, e depois o diagnóstico teria mesmo que ser feito por um especialista numa análise aprofundada de cada caso. Mas de qualquer forma, a união destes três sintomas é suficientemente preocupante para nos alertar para que esta situação da gestão do estresse e do burnout nas nossas empresas é algo que é uma prioridade e que deveremos realmente todos juntos intervir. Mas o diagnóstico terá depois de ser feito caso a caso com um especialista na área da psicologia ou da psiquiatria para poder conseguir ver se a pessoa reúne os critérios todos para um diagnóstico.

E quantas pessoas foram ouvidas neste estudo?

Este estudo incluiu 1829 profissionais a nível nacional, foram organizações de todo o país e também de vários setores de atividade, da área da saúde, da educação, dos transportes, da área social, da área do comércio. Temos aqui realmente, embora não seja um estudo representativo, mas é um estudo ilustrativo, uma vez que inclui uma realidade nacional bastante diversa.

E há alguma área mais penalizada do que outra?

Sim, o nosso estudo permite fornecer às organizações o índice de risco, na qual nós apresentamos nas várias dimensões da organização, quais são as áreas que estão boas, ou seja, que têm um ambiente de trabalho saudável, quais são as áreas que têm uma situação de risco moderado, em que deverá haver uma intervenção de alguma maneira rápida, e depois temos áreas de intervenção prioritária. E num modo geral, as organizações da administração pública foram aquelas que se revelaram com maior risco, com mais número de risco moderado e elevado, seguidas pela área da saúde, dos transportes e aquela que no nosso estudo se revelou melhor, foi a da área do comércio e do retalho. Conseguimos identificar que existem setores de atividade que reúnem mais riscos, seja pela sua atividade profissional, seja também pelas próprias condições de trabalho e toda a flexibilidade e as exigências e os valores que os próprios profissionais valorizam atualmente.

Já voltamos à conversa com a psicóloga Tânia Gaspar, do Laboratório de Ambientes de Trabalhos Saudáveis. Temos ainda de falar sobre o que podemos e devemos fazer para prevenir e combater esta doença.

Em 1980, um avião da TAP com 83 passageiros a bordo é desviado para Madrid.

Entrou por ali dentro e apontou-nos a arma.

Mas o sequestrador, que tem uma arma carregada apontada aos pilotos, não é um pirata do ar comum. Chama-se Rui, vive no Feijó e só tem 16 anos.

Levo uma pistola, que o meu pai tem. Então, mas traz a pistola e de facto mostramos a pistola.

Este é o Piratinha do Ar, uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Margarida Vila Nova, e a banda sonora original é de David Fonseca. Pode acompanhar todas as semanas no site do Observador, nas plataformas de podcast e no YouTube. Um novo episódio a cada terça-feira. Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Honda Automóveis.

Voltamos à conversa com Tânia Gaspar, do Laboratório de Ambientes de Trabalho Saudáveis. Professora, o burnout, por aquilo que estava a explicar, não afeta só empregados de escritório. Afeta todas as profissões ou há umas que ainda conseguem passar ao lado?

O burnout pode afetar as várias profissões. E depende também de um conjunto, de um conjunto social, da organização e do próprio profissional. Ou seja, pode haver situações em que a própria pessoa, na mesma circunstância, num período da sua vida poderá desenvolver o burnout e noutro não, consoante também as suas capacidades e as suas competências para gerir o estresse que está a ocorrer. Existem profissões que têm um maior risco, existem efetivamente aquelas profissões que têm um maior desgaste, um maior confronto com o estresse, com situações difíceis, com exigências cognitivas, emocionais, esses profissionais acabam por ter um maior risco. No entanto, o que nós verificamos é que, por exemplo, no caso da administração pública, muitas vezes o seu burnout está associado, por exemplo, às suas tarefas, à dificuldade de ter autonomia, muitas vezes a não estar a fazer um trabalho que gosta e que sente que tem um impacto, que está a utilizar as suas competências numa área que conhece e tem conhecimento. Mas muitas vezes não é só aquilo que se pensa, que o burnout é a pessoa trabalhar muito, trabalhar em excesso, mas também às vezes trabalhar em áreas que não vão contribuir para o seu desenvolvimento pessoal e para o seu desenvolvimento profissional numa perspectiva continuada.

E há particular incidência nas chefias? Eu pergunto isso porque culturalmente as chefias não podem dar parte fraca, não é? Não podem dar sinais de fragilidade e a doença mental ainda é vista muitas vezes como um sinal de fragilidade.

Sim, o nosso estudo tem uma componente quantitativa e qualitativa e, portanto, a parte qualitativa foi muito interessante para compreender esse maior risco das lideranças e das chefias. Porque muitas vezes as lideranças estão entre a pressão da administração e da gestão para os resultados e para os objetivos da própria empresa e, por outro lado, também assistem às dificuldades e às exigências dos profissionais. E têm que fazer aqui uma mediação, que nem sempre é fácil, porque elas próprias muitas vezes nem concordam com tudo o que a administração impõe, mas é o seu papel, de alguma maneira, passar a informação e fazer o trabalho que é exigido. Estes profissionais têm elevados níveis de estresse E muitas vezes acabam por não ter o apoio e o desenvolvimento de competências, seja a nível da formação, seja a nível do coaching, para poderem saber gerir estas situações e atuarem da melhor maneira. Nós ouvimos os profissionais e sabemos bem o que um profissional quer de um líder. Quer uma pessoa que inspire, quer uma pessoa que apoie, quer uma pessoa que valorize, que esteja ao lado da pessoa quando é para resolver as situações, que dá uma maneira de ter recompensas pelo seu trabalho, pode ser recompensas não financeiras, como elogios, alguma autonomia, valorização. No fundo, há aqui uma exigência da liderança e de ambas as partes, e muitas vezes a liderança não tem as condições para concretizar. Penso que será uma área de intervenção prioritária, tanto pelos nossos dados quantitativos como pelos dados também qualitativos.

E quem apresenta estes sintomas, o que deve fazer? Abrandar, parar, desde logo procurar ajuda, imagino.

Claro. A questão é essa, as pessoas, por um lado, devem ter o maior autoconhecimento para conseguir identificar estes sintomas o mais precocemente possível. Ou seja, o melhor e ideal é mesmo não chegar a ter estes sintomas.

Claro.

A pessoa ter esta guarda, este autoconhecimento e quando isto começa a surgir, começar a parar, avaliar a situação. Há duas questões muito importantes. Por um lado, é a autorregulação, que é a pessoa conseguir fazer uma gestão das suas expectativas e daquilo que quer fazer, porque muitas vezes as pessoas dizem: "Mas eu não posso deixar de trabalhar, eu não consigo".

Exato, é só mais um bocadinho, é só mais este e-mail, só mais este telefonema.

Exatamente. Nós na clínica sentimos muito que as pessoas, a primeira questão é: eu não posso, eu não consigo, como é que vai ser se eu tiver que parar? As pessoas não põem essa hipótese. O fato é que depois se não o fizeram, vão acabar por ter que o fazer de uma maneira mais abrupta.

Mas noto que disse parar e não abrandar.

Depende da altura em que a situação é detetada. Se a pessoa numa fase mais moderada dos sintomas, basta a pessoa fazer uma pequena paragem, recuo, fazer uma reorganização das suas prioridades, fazer a tal questão da autorregulação. O que é autorregulação? É nós estabelecermos um objetivo a longo prazo, mas conseguirmos ser mais flexíveis na forma como o vamos atingir. E por vezes há situações em que a pessoa imagina que eu tenho que acabar um trabalho hoje, mas se não conseguir, paro, vou fazer outra coisa e amanhã retomo. Esta questão da sensação da urgência vai realmente contribuir muito para o estresse e para o burnout. E por outro lado, procurar suporte social, e isto é uma cultura que nós devemos desenvolver. O trabalho de equipe e o suporte social, seja no local de trabalho, seja também com a família e com os amigos, é algo que ajuda muito a pessoa a conseguir gerir as situações de estresse e poder depois arranjar uma maior capacidade e apoio para ultrapassar as dificuldades.

Todos estarmos atentos a todos, é isso.

Ou seja, esta questão da sensibilização. As empresas podem ter uma intervenção mais universal.

Exatamente, o que devem fazer as empresas?

Da parte das empresas é ter esta questão do bem-estar e da saúde mental como em todas as políticas. Não haver uma atividade avulsa, só um workshop, um webinar, mas estes temas da saúde mental, do potencial da pessoa, da necessidade de haver um bem-estar e uma articulação entre a vida de lazer, pessoal, familiar e vida laboral, é algo que deve estar nas várias políticas e nos vários programas da organização. Depois, começar com ações mais universais, ou seja, para toda a organização, através de ações de sensibilização, falarmos sobre estes temas, sobre os sintomas, o que poderá fazer para prevenir, como é que a pessoa poderá cuidar de si própria e como é que poderemos ajudar os outros. Tudo numa perspetiva de prevenção, sem haver ainda a situação de estresse continuado e burnout. Depois temos uma intervenção mais específica em grupos de maior risco, como falamos há pouco das lideranças, mas há outros grupos de risco, como por exemplo, pessoas que estão a fazer o atendimento ao público ou pessoas que trabalham nos serviços de urgência. Há determinadas funções que acabam por ter um elevado risco a nível do burnout e do estresse, porque não é só a sua situação, também tem que se confrontar muitas vezes com situações difíceis da outra parte, da parte do cliente ou do utente, e acabam por precisar de ter estratégias mais eficazes de fazer o seu trabalho e de gerir também as suas emoções. Também as lideranças e outras áreas que cada organização identifique como prioritárias. E por fim, ações mais específicas em pessoas que já tenham efetivamente sintomas moderados e elevados e que precisam de um trabalho psicoterapêutico. Queria só aqui salientar que é importante as empresas também perceberem na reintegração da pessoa com burnout. Ou seja, a pessoa tem burnout, depois ou tem alta, há aqui uma readaptação.

O regresso deve ser complicado, deve ser difícil.

Exatamente. E muitas vezes, o que acontece e não pode acontecer? É a pessoa voltar para o mesmo. Ou seja, voltar exatamente para a mesma circunstância, muitas vezes até com alguma dificuldade de relação com os colegas e com as chefias, porque esta questão do estigma e da saúde mental, embora esteja muito mais aliviada, ainda continua a ser um fator.

Claro.

E a pessoa volta e realmente tem que haver uma alteração.

As pessoas não podem esperar que a recuperação de um burnout ou de um princípio de burnout seja de novo um estalar de dedos, porque não vai acontecer. Não há milagres.

Tem que haver um apoio progressivo da pessoa, a pessoa retomar progressivamente para se sentir mais confiante, porque uma pessoa quando tem burnout, muitas vezes acaba por ficar com a autoestima mais baixa, com mais dificuldade de confiar na sua capacidade de trabalho, com mais medo, porque há situações tão graves, tão intensas, que a pessoa acaba por ter medo de voltar a ter a mesma situação. Nós temos que ajudar os profissionais e ter um plano. Há empresas multinacionais mais desenvolvidas que têm mesmo um profissional da psicologia que tem a função de reintegrar pessoas que tenham tido baixa por motivos de saúde mental. Porque este processo, para não voltar a acontecer exatamente o mesmo, é um processo que tem que ser específico e tem que se ter uma intervenção cuidada.

Mas muitas empresas dirão que não têm capacidade financeira para isso.

A questão da capacidade financeira tem a ver com as prioridades. E, por outro lado, também este trabalho em rede é fundamental. Poderá haver protocolos com entidades externas, nomeadamente, por exemplo, entidades da área social, que têm consultas de psicologia e de outras áreas a preços muito mais acessíveis. E existindo um protocolo entre a empresa e estas áreas sociais, acaba por ser benéfico para ambas as partes. Por um lado, a empresa consegue apoiar os seus profissionais com um custo menor e, por outro lado, a entidade social também acaba por ter apoio para desenvolver as suas atividades. Além disso, toda a área do Serviço Nacional de Saúde, ao nível das urgências e dos cuidados de saúde primários, estão também cada vez mais atentos e com mais oportunidades de poder dar resposta a estas áreas. Tem que haver aqui um trabalho conjunto das empresas, das pessoas e do próprio sistema, no sentido de valorizar esta questão da atenção e pensar nas percas. Ou seja, uma pessoa com doença mental ou com esta situação muito elevada de burnout, vai ter um custo muito elevado para si, para a sociedade, para o presente e também para o futuro. Temos que trabalhar na prevenção e também atuar o quanto antes para diminuir o impacto. As empresas pensando muitas vezes no bem-estar dos profissionais, mas também no desempenho. Apostando no bem-estar dos profissionais, também vai aumentar o desempenho.

Professora, o número de casos está a aumentar ou estamos mais conscientes deste problema e isso facilita o diagnóstico? É muito comum ouvirmos aquela frase: "Antigamente, ninguém tinha burnouts".

Eu não tenho dados assim objetivos para lhe dizer, mas posso avançar duas questões. Por um lado, efetivamente, noutros estudos que nós fizemos, em que temos padrão de comparação no momento pré-pandemia e pós-pandemia, nós temos dois estudos na nossa equipa, um relacionado com jovens e outro relacionado com adultos, que verificámos com um aumento de dificuldades a nível da saúde mental. Por outro lado, esta questão da literacia da saúde psicológica e as pessoas poderem realmente falar mais sobre os temas e estarem mais atentos sobre os temas, não podemos ver isso como uma coisa negativa. Podemos ver isso como uma coisa positiva, porque se as pessoas estão mais atentos, também poderão prevenir mais cedo e evitar situações mais graves. Por um lado, sim, há dados que nos remetem para que há uma evolução menos positiva na área da saúde mental, mas, por outro lado, também há realmente uma maior awareness, uma maior consciência e uma maior abertura para falar sobre estes temas, tanto na sociedade, como nas empresas, como nas próprias pessoas. E eu, como psicóloga, vejo isso como um ponto positivo, porque só falando e abordando os temas é que nós podemos realmente enfrentá-los, preveni-los e fazer com que eles tenham um menor impacto na vida das pessoas e da própria sociedade.

Muito obrigado, professora Tânia Gaspar.

Obrigada eu.

Tânia Gaspar é psicóloga e autora do estudo do Laboratório de Ambientes de Trabalho Saudáveis. Esta foi a história do dia. Ouvimos ao longo deste episódio, excertos de entrevistas a Marisa Matias, eurodeputada, Fátima Lopes, apresentadora de televisão, e o médico Gustavo Carona, que contaram as suas histórias no programa "Labirinto do Observador", em entrevistas conduzidas por Sara Antunes de Oliveira e Carla Jorge de Carvalho. Estas entrevistas estão disponíveis em podcast e no YouTube. Este episódio contou com a colaboração do jornalista Manuel Rocha Leite, sonoplastia do Artur Costa e a música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.