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É em Carregal do Sal que está o Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria, um espaço que já foi um solar abronzado, que hoje é um museu que conta a história das pessoas desta região. Nesta sala onde nos encontramos, a primeira, a sala de etnografia, já passámos por várias atividades. Temos também muitas fotografias que nos ajudam a imergir no mundo, no passado, nas memórias, não só desta terra, mas também de todo um país, porque um pouco por todo Portugal, todas estas atividades iam sendo um bocadinho comuns. Já falámos do vinho, já falámos do metal, falamos agora de agricultura. Para me ajudar a falar disto, Marco Lopes. Temos agora aqui alguns objetos que nos reportam para um passado agrícola.

Exatamente. A atividade agrícola também esteve bastante presente no concelho, se calhar, como disse, e bem, a nível nacional, porque era daí que advinha toda a alimentação. Temos aqui algumas charruas, portanto, começamos no trabalho dos campos. Temos aqui algumas charruas, que eram puxadas por animais, por tração animal. Temos ali uma praticamente construída em madeira, apenas a alveca, a parte que penetra no solo, é em metal, bastante antigas. Já não se vê objetos desta antiguidade. Depois de lavrada a terra, tinha que ser escarificada e tinha que ser colocada mais ou menos direita para se poder proceder às sementeiras. Nesse aspeto, temos aqui um escarificador que além de remexer aqueles terrões maiores que ficavam, também ajudava depois a horizontalizar os terrenos para que se pudessem cultivar logo a seguir.

Estamos no centro, viramos aqui para uma das paredes, onde temos também mais instrumentos, estes aqui, se calhar, um bocadinho mais recentes, mais conhecidos pelas pessoas um bocadinho mais novas.

Exatamente, são os motores de rega, também conhecidos por pachanchos, mas eu primeiro falaria um bocadinho daquele objeto que está ali do lado direito, que é um semeador. Depois da terra tratada, trabalhada, tinha que se semear e aquele era um semeador que poderia ser utilizado com feijões ou com milho. Temos aqui diversas linhas d'água e normalmente o milho aí tinha um crescimento bastante grande e exponencial e era cultivado com esses milheirais. Ele é praticamente construído em madeira, é mesmo muito antigo e muito caricato. Depois das sementeiras, temos que regá-las. E assim que surgiram os motores a combustão, começaram-se a utilizar estes motores de rega, que normalmente iam buscar água ao ribeiro, trabalhavam a petróleo. Temos aqui então esses objetos que eram utilizados, e que já deixaram de existir, certamente, para ajudar na rega das culturas.

Da rega passamos aqui para um outro processo, se calhar já com o trigo separado do joio, diria eu. Temos aqui coisas que já são bem conhecidas do mundo comercial, são pesos, não é verdade?

Exatamente. Temos uma balança com os respectivos pesos. Tudo era medido e pesado e temos aqui também alguns exemplos bastante interessantes daquelas balanças antigas, que utilizavam uma tecnologia bastante arcaica, mas que eram extremamente precisas para fazer a pesagem dos produtos agrícolas, das colheitas. Logo aqui ao lado, mais ou menos dentro do mesmo assunto, temos o milho e o processo de moagem, que também está aqui presente. O milho tinha a unidade de medida, que era o alqueire. Neste caso, o alqueire seria este objeto de madeira, que seria cheio e depois estaria medido quase automaticamente. A moagem fazia parte também da atividade aqui do concelho. Infelizmente, temos diversos moinhos, neste caso, que trabalhavam através de força hidráulica, da água, não eram moinhos de vento, para moer o milho, para fazer a farinha, para depois então cozer-se o pão, que seria, e se calhar ainda é hoje, a base da alimentação das populações. Temos a particularidade de o nosso território ser recortado por diversas linhas de água e era nesses locais que as pessoas se fixavam e construíam os moinhos para que depois então procedessem à moagem do milho, principalmente.

E é na agricultura, este setor tão bem conhecido, não só desta região, mas também de todo o país, que fechamos esta primeira sala, a sala de etnografia do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria, aqui em Carregal do Sal, por onde hoje esteve a Nossa Cultura, da Rádio Observador Viseu.