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Continuamos a explorar as obras, os retratos, estes quadros da exposição "Sob Prum Luminar" em Viseu, na Quinta da Cruz, bem junto ao rio Vouga. E para nos acompanhar nesta viagem por vários autores, vários dos melhores fotógrafos, tanto portugueses como internacionais, tenho Sandra Oliveira. Sandra, mais uma vez, muito obrigado. Estamos a olhar para obras de José Manuel Rodrigues.
Ora bem, eu convido a todos a verem esta exposição. Nesta sala onde estão as obras do José Manuel Rodrigues, tem um espólio muito relevante de oito fotógrafos, não podemos falar de todos porque senão não conseguimos acabar, mas queria fazer este enfoque num artista ou num fotógrafo que eu considero, isto é a minha opinião, não é a do Miguel, mas é a minha, um dos fotógrafos mais relevantes e underrated. Underrated, não sei como é que se diz em português.
Desvalorizado.
Desvalorizado como outros, que se chama José Manuel Rodrigues. O José Manuel Rodrigues vive em Évora. Ele emigrou muito cedo, antes do 25 de Abril, porque se sentia estrangulado por um país e emigrou para França. Sempre teve este interesse pela fotografia e a partir daí começou a trabalhar em fotografia e conhecer várias pessoas também da área, que mais tarde depois foi para a Holanda, onde casou e viveu muitos anos. Foi prémio na Holanda para melhor fotógrafo do ano, não sei em que categoria, não me recordo. Mas o seu trabalho foi muito catapultado internacionalmente por esse prémio. Tem uma relação também muito forte com o cinema, a imagem em movimento também é uma das questões que lhe é muito cara. E o José Manuel Rodrigues tem um corpo de trabalho que eu sugiro veementemente que as pessoas possam investigar, aclamar e partilhar. O José Manuel Rodrigues vive em Évora atualmente e trabalha a fotografia tecnicamente de uma forma inacreditável. Ele é uma pessoa bastante erudita na questão dos processos fotográficos.
Como é que podemos reconhecer esses processos fotográficos quando vamos a uma exposição e podemos logo identificar José Manuel Rodrigues?
Não é assim tão fácil, mas a questão dos processos fotográficos são opções dos artistas e são o mídia que escolhem e, principalmente, o corpo de trabalho deles, as horas que investiram nos seus ateliês e nos seus estúdios, na revelação. Ou seja, a qualidade fotográfica, tecnicamente e artisticamente, são processos que demoram anos, décadas. E o José Manuel Rodrigues é um perfecionista na imagem, tanto em termos técnicos como em termos artísticos. É um fotógrafo com grande sensibilidade para fotografar arquitetura. E atualmente ele anda com vontade e tem trabalhado muito o corpo humano, de uma forma muito particular, que aí sim, consegue-se ver que são peças de José Manuel Rodrigues, porque ele incide a câmara de uma forma em que há uma imensidão atrás ou em precipícios ou em contextos bastante específicos, em que há uma profundidade quase infinita. É um fotógrafo que nos apraz muito trabalhar. Ele vai ter agora uma exposição conosco na VNBN no dia 31 de janeiro, mas está aqui representado nesta fotografia.
E estamos a ver uma obra de José Manuel Rodrigues, 1996, "Conjunto Carla", uma prova gelatina e prata. Podemos ver aqui, mais uma vez, a arquitetura, mas também uma pessoa.
Ora bem, esta fotografia está integrada numa encomenda que foi feita pelos encontros de fotografia que se chama Sul. Ou seja, foram convidados vários artistas para mapear artisticamente, através da fotografia, o sul de Portugal. E o José Manuel Rodrigues fez esta imagem em 1996, onde podemos aqui ver, onde está muito presente a relação da luz entre o chiaroscuro, como temos no Vermeer ou como temos na história da arte, no Caravaggio, por exemplo. Vários artistas que ao longo da história da arte trabalharam a luz enquanto elemento fundamental na composição. Aqui também é assim que ele faz, a luz aqui está perfeitamente perceptível e a forma como ele faz a gelatina e prata também dá-lhe esta textura que nós conseguimos ver aqui, tanto no cabelo como na parede. É, na minha opinião, uma das grandes imagens desta exposição, apesar de ter uma escala pequena. E o que eu posso dizer mais sobre o trabalho do José Manuel Rodrigues?
Temos aqui mais obras que podemos também explorar.
Eu queria acabar aqui nesta, porque depois aquelas três são de Santo Tomé, são perfeitamente arquiteturais, mas eu acho que esta imagem tem muito a ver com Portugal e com esta relação que o Miguel quis trabalhar com a luz do chiaroscuro. O José Manuel Rodrigues é um perfecionista e para as provas saírem do estúdio. Aliás, ele tem um problema físico, de saúde, por estar tanto tempo exposto a químicos no seu ateliê. Ou seja, ele esteve tantos anos a fazer que esta revelação, esta alquimia que existe quando se traz a imagem, ele domina perfeitamente, tecnicamente, essa forma de revelação. E aqui consegue-se perceber a questão técnica e de composição absolutamente incrível do nosso José Manuel Rodrigues e esta escolha do Miguel foi, na minha opinião, muito acertada.
Uma obra de muitas aqui presentes, mas esta a principal, "Conjunto Carla", da série Sul, 1996. Uma obra de José Manuel Rodrigues, que também está aqui na exposição "Sob Prum Luminar", aqui em Viseu, na Quinta da Cruz.