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Bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura", aqui em Viseu. Eu sou o Martim Madeira e estamos agora na Quinta da Cruz, no lugar da exposição "Vestígios Somáticos", no novo espaço expositivo "Venha a Nós a Boa Morte", na arte contemporânea na Quinta da Cruz, em Viseu. Estamos com a autora e artista desta exposição, "Vestígios Somáticos", Andreia Santana. Muito bom dia. Eu queria primeiro perguntar o que te levou a fazer esta exposição, o que está por trás desta exposição?

Bom dia, Martim. O meu nome é Andreia Santana. Como estavas a dizer, eu sou a artista visual que foi, neste caso, convidada pela "Venha a Nós a Boa Morte", pela Sandra Oliveira, a desenvolver uma residência artística de dois meses em Viseu. Portanto, durante este verão estive mesmo radicada sem sair de Viseu. E foi uma experiência muito interessante, porque não só tive acesso e descobri várias coisas históricas do património da cidade, visitei várias coleções de museus, como foi o caso do Museu Grão Vasco, como também tive a oportunidade, que para mim foi muito importante, de experimentar técnicas, neste caso, escultóricas, com as quais eu nunca tinha trabalhado.

Perguntar-te, não és de Viseu?

Não, eu nasci em Lisboa, mas eu já há cinco, seis anos que moro fora. Moro entre Nova Iorque e Viena. Só é um saltinho. Portanto, raramente venho a Portugal, costumo vir só em ocasiões em que tenho mostras ou exposições ou trabalho, neste caso.

Esta prática artística focada também no estanho, que é muito do que está aqui, é algo com que tu já trabalhas há algum tempo ou foi completamente novo? Consegues nos explicar um pouquinho melhor da tua carreira?

Sim, a minha formação sempre foi escultura e o meu trabalho, percurso artístico até agora foi focado na escultura e instalações, geralmente de grande escala, o que não é o caso aqui. Aqui eu achei por bem manter uma escala que era muito próxima do meu corpo. Mas em relação aos materiais, eu na verdade sempre trabalhei muito com metal. Não com estanho, foi a primeira vez que trabalhei com estanho. Metal e vidro geralmente são os materiais privilegiados com os quais eu trabalho desde sempre. Mas foi bastante importante poder estar aqui durante este tempo todo a aprender técnicas tão específicas como é o estanho, com molde de areia, que é uma técnica que é bastante conhecida e iniciada aqui. Portanto, todos os estanhos de Viseu, para serem estanhos certificados, têm que ser feitos desta maneira, que é uma maneira bastante trabalhosa e difícil de mestrar. Eu tive dois meses a aprender e fiz todas estas peças à mão, com a ajuda do Emanuel, do Euroestanho, e da Susana, que tiveram muita paciência para mim durante este tempo todo. Mas foi uma coisa bastante importante para mim aprender estas técnicas que estão também em desuso e se estão a perder bastante.

Perguntar-te também que dificuldades, no geral, depois passaremos às peças em si, mas no geral, dificuldades em trabalhar com estanho, visto que foi a tua primeira vez.

Olha, a maior dificuldade, e eu faço escultura e já tinha utilizado este sistema de moldagem com o vidro, e tenho bastante know-how de como fazer escultura com outro tipo de moldes e técnicas. O que eu achei mesmo mais difícil, vais te rir, foi o peso dos moldes, porque como aquilo é areia pura e tu tens que tirar o molde da frente e de trás, estamos a falar de pesos brutos de 50 quilos. Então eu tive que pedir que uma das condições da residência fosse ter acesso a um personal trainer, porque eu tive mesmo que treinar para levantar pesos, para que não magoasse o corpo ou as costas durante a feitura das peças.

Portanto, fica aqui esse dado curioso. Está feita esta explicação desta generalidade da exposição "Vestígios Somáticos" de Andreia Santana. Percebemos o porquê desta exposição, que se localiza na Quinta da Cruz, em Viseu, no espaço expositivo "Venha a Nós a Boa Morte", arte contemporânea. É aqui que está esta exposição "Vestígios Somáticos" de Andreia Santana e nos próximos episódios vamos começar a analisar todas as 10 peças que aqui estão neste espaço.