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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Isto é que foi um fim de semana, não foi, Bruno?
Muito animado.
Muito animado. O CDS a fazer prova de vida?
Fez por isso, no congresso realizado em Alcobaça, desde logo porque realizou um congresso. Isso é sinal de que um partido ainda está vivo quando há congresso. E houve vozes discordantes, o que também geralmente é sintoma de que dentro do peito de um partido, mesmo que desafinado, ainda bate um coração. Mas Nuno Melo resistiu às críticas ou à postura desafiante da Juventude Popular e fez prevalecer a sua visão para o partido, que para todos os efeitos foi o que tirou o CDS do estado comatoso em que se encontrava e o devolveu à vida, ainda que às vezes pareça um pouco aquele filme antigo, não sei se lembram da comédia "Fim de Semana com o Morto". Parece que está ali um bocadinho paradinho e tem de ter o auxílio do colega do lado. Seja como for, a liderança do Nuno Melo sai reforçada deste congresso. O CDS mostrou que, com maior ou menor dificuldade, consegue respirar sozinho e os contestatários terão de aguardar por melhores dias, ou piores dias, e melhores oportunidades.
E o que é que a revisão constitucional tem a ver com isto?
Ora bem, é que precisamente uma das provas de vida que o CDS decidiu fazer foi anunciar a apresentação de uma proposta própria de revisão constitucional. Como disse Nuno Melo, o CDS vai a jogo. O Chega já anunciou a sua proposta, a Iniciativa Liberal também deverá apresentar uma iniciativa própria. Há um pequeno problema nisso tudo, é que o PSD já disse que não vai entregar qualquer projeto de revisão constitucional neste processo desencadeado pelo Chega e que vai chumbar as propostas deste partido. Sendo assim, e partindo do princípio que o PS também não vai entrar no processo com o Chega, este poderá ser uma espécie de nado morto. Os partidos da direita ou os partidos mais pequenos à direita, sem o PSD, bem podem apresentar e discutir as suas propostas, mas estas estarão condenadas ao chumbo por manifesta falta de maioria qualificada.
Bruno, então e o que nos diz a Eurovisão sobre o estado da Europa?
Olha, Maria João, em primeiro lugar diz-nos que felizmente há música para lá da Eurovisão, porque se aquilo fosse a música que consumimos no dia a dia, ou o melhor que a Europa conseguisse produzir, deveríamos estar preocupados e pensar se não seria melhor fechar a loja europeia. Em segundo lugar, diz-nos que apesar de toda a contestação à participação de Israel, com países que boicotaram o certame e alguns que nem sequer transmitiram a cerimónia, os europeus, pelo menos aqueles que se deram ao trabalho de votar, são uns sionistas malvados. Israel conseguiu uma excelente pontuação, aliás, como tem sido norma, no voto do público. Eu dizia apesar da contestação, mas se calhar é mesmo por causa da contestação e dos ataques a Israel, que muita gente, que nem liga nenhuma ao festival, resolveu votar, uma vez mais, lá está, na canção israelita. No final, ganhou a Bulgária, pela primeira vez. Parabéns à Bulgária. O que também foi uma bela maneira de fechar a noite e passar os apupos para segundo plano.
E Donald Trump, Paulo, claramente não gosta do Eurofestival, nem da União Europeia. Do Eurofestival não sabemos. Não se pronunciou, pois não?
Sobre isso, não, não se lembrou, certamente.
Mas da União Europeia não gosta.
Não gosta. Isso parece notório, não é? Aliás, podemos dizer que Donald Trump não gosta de nada a não ser dele próprio. Mas deixando o narcisismo de lado, isso mesmo foi assumido pela chefe da diplomacia europeia, a Kaja Kallas. Ela disse: "A administração de Donald Trump claramente não gosta da União Europeia." Este diagnóstico está correto, mas é provável é que Kallas não acerte nas causas da doença. Diz a responsável europeia que Trump tem receio que se a União Europeia se mantiver unida e se atuar em conjunto, que poderá ser uma potência equivalente aos Estados Unidos e será forte. Pois, este é o sonho europeu e é um sonho cada vez mais distante. A União Europeia tem problemas estruturais na sua economia, na inovação, põe a regulação muitas vezes à frente da inovação, e isso afasta cada vez mais a sua performance da performance americana, e então parece que seja isso que está a tirar o sono a Washington.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.