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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.

Está no ar o Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta, da Rádio Observador. Paulo Ferreira e Júlia Magalhães. Esta quarta-feira falamos de campeões da raspadinha, debate sobre os debates. Não dá para reciclar isto tudo, mas começamos por amigos orçamentais, Paulo.

É isso mesmo. Até quando é que vai o Banco de Portugal ser um dos porquinhos de alheiro do Orçamento de Estado?

Pelo menos tem sido nos últimos anos com a entrega de dividendos. Agora não foi exceção, não é?

É verdade. Foram entregues agora ao Estado 406 milhões de euros de dividendos por parte do Banco Central. Dividendos, já agora, são a forma de distribuir pelos acionistas o lucro que as empresas ou as entidades, no caso o Banco de Portugal, vão tendo. Portanto, isto refere-se ao lucro do ano passado. No ano passado, os dividendos entregues tinham sido de 428 milhões de euros. E esta tem sido, de facto, nos últimos anos, uma das receitas extraordinárias que o Orçamento de Estado tem recebido, que tem sido um contributo, obviamente, para a redução do déficit. E Mário Centeno, que mudou de posto entretanto, agora está no Banco de Portugal, como sabemos, continua assim a ser amigo do Orçamento do outro lado. Até quando? É que não se sabe, porque com a subida das taxas de juro, vamos ver se o banco central vai continuar a manter este nível de lucros e dividendos.

E afinal, o que andamos a fazer no que diz respeito ao ambiente?

Os objetivos da reciclagem estão muito longe de ser alcançados, não é, Júlio?

Andamos nestes últimos anos a falar tanto de ambiente, a tomar tantas medidas, a depositar tantos milhões em estratégias ambientais e afinal, os últimos dados revelam que em 2020, a reciclagem de resíduos urbanos foi ainda pior do que em 2019. Ou melhor, foi menor. Ou seja, em 2019 conseguiu-se uma taxa de reciclagem de 21% e no ano seguinte, 2020, apenas 16%. Se pensarmos que as metas europeias apontavam para que em 2025, que é já daqui a três anos, se atingisse os 55%, não é fácil perceber que os números são desastrosos. Alguém já pensou no que é que estamos a falhar, sendo que nunca se falou, nem se sensibilizou tanto para o ambiente como nestes últimos anos.

Olha, e se os candidatos à liderança do PS não conseguem combinar debates entre si, podem depois exigir a António Costa que queira debater com o vencedor?

Paulo, são as agendas e não está fácil o acerto das agendas entre Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva.

De todo. Não sabemos, de facto, se é desacerto de agendas ou de vontades, mas o Observador contava-nos ontem que há troca de acusações, que há cancelamentos de última hora e falta de respostas que estão a impossibilitar que haja, pelo menos, um frente a frente entre ambos. Esta é uma coreografia habitual, não é? Nestas ocasiões em que os políticos podiam até dispensar o país destes números. Se algum dos candidatos acha que não deve fazer um debate, deve dizê-lo claramente. O problema destas brincadeiras, que acabam por ser umas birras sem sentido, é que depois perdem a legitimidade para exigir a António Costa que também aceite debates. Não é que o atual primeiro-ministro tenha o hábito de recusar, antes pelo contrário, mas é bom ter autoridade moral intacta para estas coisas.

E agora dou-vos conta de uma área em que somos mesmo bons. Querem saber?

Sim.

Sabem que somos o país que mais dinheiro gastamos por pessoa na raspadinha?

É por isso. Somos bons. Somos bons. No raspar, somos os melhores. Somos. E é por isso até que se vai avançar com um estudo sobre o tema.

É, os números são assustadores. Os portugueses, em 2019, gastaram 1,7 mil milhões de euros nas raspadinhas, o que dá uma média de 160 € por pessoa.

Sendo que há algumas que não jogam, portanto imagina.

Imagina as outras quanto jogam. Comparando com Espanha, por exemplo, em Espanha, cada pessoa no país vizinho gasta 14 €. Mais preocupante é que são as classes mais desfavorecidas que gastam mais dinheiro neste jogo, lançado para financiar também a cultura no país, que leva a que muitas pensem que este é um setor que está a ser financiado então pelos mais pobres. Estes números, de resto, nem são surpreendentes. Basta irmos a uma tabacaria e às vezes ficamos lá um tempo infinito à espera que os jogadores da raspadinha, que vão trocando as raspadinhas.

Ainda raspam ali no sítio, não é?

Raspam no sítio, entregam e depois já dois euros não cá, voltam a raspar e nós estamos ali à espera.

Exatamente.

Trocando as apostas por umas, percebemos claramente que quem aposta tem a ilusão de um prémio, que seja lá o que estão à espera, e nunca mais sai. O estudo, esse, é que vai mesmo avançar.

Júlio Magalhães e o Paulo Ferreira, com as perguntas que marcam a atualidade aqui na Rádio Observador e a qualquer hora em podcast.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.