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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

Está no ar o Ainda Bem Que Fazes a Pergunta, da Rádio Observador. Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Esta quinta-feira falamos de meia bazuca. Verdades e mentiras, prevenir para não ter de remediar, mas começamos por novo alerta de pandemia.

É mesmo, não é melhor apressar as vacinas?

Os casos estão mesmo a aumentar, consideravelmente.

Estão a alastrar. E no Porto, o Hospital São João diz que já há 200 profissionais infetados, doentes em cuidados intensivos, internados a aumentar e a administração já pensa em ativar o nível três para de novo concentrar parte dos seus profissionais no combate à Covid e para fazer face ao previsível aumento de infetados. Paulo Portas disse no último domingo, na TVI, que Portugal tem 10 milhões de vacinas armazenadas. O governo já decidiu começar a vacinar os idosos com mais de 80. Não seria de ativar já um plano mais alargado e às várias idades também, antes que seja tarde demais?

É bem possível que sim. E Marcelo diz que vai enviar a futura nova lei de metadados para o Tribunal Constitucional. Será mesmo que mais vale prevenir do que remediar?

Parece que é mesmo essa a ideia do Presidente da República.

É, depois desta embrulhada criada com a utilização dos metadados para efeitos de investigação criminal, é essa atitude mais prudente. De facto, Marcelo Rebelo de Sousa ainda não conhece sequer o diploma. Aliás, ninguém conhece, porque ainda não está feito. Mas já avisou que enviará o futuro diploma para apreciação do Tribunal Constitucional. Assim, os juízes fazem já a sua avaliação, evitam-se problemas no futuro, evitam-se mais imprevistos e mais uma série de desenrascanças à portuguesa, como está a acontecer agora.

E vivemos num mundo cada vez mais volátil e menos previsível.

O sucesso parece já não ser para sempre. Estava a pensar nessa tua pergunta, Júlio.

Quem diria que um sucesso tão imediato, que chegou ao mundo inteiro, de repente está em dificuldades? A Netflix, provavelmente o sucesso global mais recente na área do streaming, e que até há bem pouco tempo todos apontavam como o grande futuro dos audiovisuais, agora está em dificuldades. Ontem anunciou que vai começar a despedir pessoas, são mais de 150 trabalhadores, devido a uma queda abrupta dos assinantes e que está por trás também de uma desvalorização de cerca de 70% das ações da empresa desde o início deste ano. Ficou célebre a frase de um ex-dirigente do futebol português, já lá vão para aí 40 anos, quando disse que no futebol o que é verdade hoje, é mentira amanhã. Ora, parece que esta ideia aplica-se hoje aos vários setores da sociedade, sendo que nada pode ser dado como adquirido, por muito sucesso que se tenha.

Será que vem aí mais meia bazuca para a União Europeia deixar de estar dependente da energia da Rússia?

Bruxelas está preocupada com o assunto e quer evitar que os países possam não avançar por falta de fundos.

E por isso está a colocar ali cerca de 300 mil milhões de euros, que a Comissão Europeia diz que agora podem ser disponibilizados para que os países possam suportar os investimentos necessários para substituir os fornecimentos de petróleo e gás natural que compram neste momento ainda à Rússia. Este montante é quase metade dos 670 mil milhões da famosa bazuca. Portugal deve precisar de pouco ou nada deste montante, porque a nossa dependência da energia da Rússia é muito reduzida ou mesmo nula. Senão lá vinha mais uma última oportunidade para pormos a economia a funcionar bem, coisa que há 20 anos não temos conseguido fazer.

Só duas dezenas de anos.

Exatamente. Passa num instante.

Paulo Ferreira e Júlio Magalhães com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há nova edição. Já sabe que é sempre a seguir ao Jornal das sete.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta.

É essa a pergunta.