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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Bruno, estamos muito constitucionais.

Bastante constitucionais. É verdade que este ano, hoje mesmo, se assinala o cinquentenário da Constituição e por isso é normal a atenção que lhe dedicamos, lei fundamental da nação. Mas mais do que isso, parece que estamos a caminho de fazer de Portugal um país de constitucionalistas.

Inconstitucionalissimamente.

Anticonstitucionalissimamente acho que era...

Uma das maiores, senão a maior palavra da língua portuguesa.

Agora é o Chega que quer iniciar um processo de revisão constitucional, aproveitando também a conjuntura política que permitiria uma aprovação só à direita. Só que o PSD não quer seguir o calendário do partido de André Ventura. Para o governo, há assuntos mais importantes e mais urgentes, como Luís Montenegro deixou logo claro no dia da tomada de posse, e a revisão constitucional, a acontecer, ficará para a segunda metade da legislatura. Percebe-se a estratégia de Ventura. Tudo o que envolve a Constituição gera sempre muito burburinho ideológico e também se percebe a estratégia do governo, não deixar que seja o Chega a ditar o ritmo e a agenda política.

E Paulo, Álvaro Santos Pereira está a arrumar a casa?

Está a arrumar a casa. Isso ontem ficou visível nas declarações que o governador prestou no Parlamento. Foi lá chamado precisamente por causa da saída de Mário Centeno. E Álvaro Santos Pereira começou a arrumar a casa e começou pela prateleira dourada do Banco de Portugal, que é a galeria dos consultores. O objetivo do novo governador é acabar com ela, acabar com essa figura dos consultores. E para isso, obviamente, é preciso promover a saída dos que estão em funções ainda. Começou por Mário Centeno, claramente o caso mais mediático, que também sem surpresa, gerou logo polêmica. E a saída do ex-governador permite poupar potencialmente mais de dois milhões de euros. Foram estas as contas apresentadas por Álvaro Santos Pereira no Parlamento. Basicamente, como é que afeta esta conta? São 2,25 milhões. É quanto o Mário Centeno iria receber como consultor se ficasse até o limite de idade, que anda ali à volta dos 70 anos. Dos sete consultores neste momento em funções, cinco já estão de saída, também disse o governador. Isto é bom para todos. O Banco de Portugal acaba com consultores de que não precisa, que são caros e que estão ali apenas por uma dignidade de carreira do Estado. Veja-se aquele lugar para pessoas que desempenharam ou funções na própria administração do Banco de Portugal ou noutras entidades e muitas vezes algumas tiveram carreira anterior no próprio Banco de Portugal, saíram para outras funções. E portanto, acaba-se com uma função que aparentemente é desnecessária e as pessoas em si vão naturalmente à sua vida depois de acertar contas. E acabando a prateleira, o assunto fica resolvido para o futuro, portanto, fecha-se e acabou daqui a cinco a 10 anos não estamos novamente a discutir a questão dos consultores do Banco de Portugal.

E Bruno, tu és mais de Letras, mas o que é que dizem os números do RASI?

Eu sou de Letras e por isso os números dizem muita coisa e podem ser interpretados de muitas maneiras. É assim que funcionam as estatísticas, toda a gente sabe. Por exemplo, o primeiro-ministro ficou com a ideia, ou será a percepção, de que há razões, olhando para os números, lá está, para apresentar Portugal como um país seguro. E há números que corroboram esta ideia, ou será uma percepção, como a queda da criminalidade violenta, a descida da delinquência juvenil, um tipo de crimes que gera sempre grande sobressalto. Um país seguro não é, no entanto, um paraíso. A criminalidade geral aumentou 3% e as participações de crimes de violação aumentaram quase 6,5%, de 543 para 578. E também temos o aumento da pornografia infantil. Temos a radicalização online, também um fenômeno novo e que merece atenção. Mas resumindo, não parece ter havido nenhuma mudança drástica nos números da criminalidade, mas pelas reações a este relatório, o que houve é uma enorme mudança ao nível das percepções. Não discutimos os números do RASI como se discutiu no ano passado.

É só pensar o que foi o ano passado e o que foi este. Não tem nada a ver. Entretanto, a nossa noiva da aviação continua a ser muito cobiçada, Paulo?

Vamos ficar hoje a saber isso, não é?

É o dia.

Exatamente, é o dia de saber. Termina o prazo hoje para que os três interessados já declarados na TAP, estamos a falar da TAP, claro, para que esses três interessados façam as suas propostas não vinculativas, isto depois de terem manifestado o interesse e se terem pré-qualificado para esta fase. Vamos saber se de facto são o Lufthansa, se o grupo Air France e KLM, e se o grupo IAG, que é dono da British Airways e da Ibéria, se continuam mesmo com vontade de avançar para o casamento. Aqui ainda estamos naquela fase do namoro prévio. Vão começar agora-

Da corte.

Da corte, exatamente. Vão começar agora a colocar valores em cima da mesa.

O dote.

O dote, exatamente. Trata-se de avançar com uma primeira valorização, cá está, do dote que estão dispostos a oferecer.

E o pai da noiva depois vai escolher.

Vai escolher, vai negociar e vai escolher.

Mas é por amor ou é por interesse, Paulo?

Pois, eu diria que é por interesse. Se fosse ao contrário, a andar ao contrário.

Nós estamos a dizer ao contrário. Eu não tenho por amor porque não tenho interesse nenhum. Aqui é ao contrário.

Ele ou ela não tem interesse nenhum, basicamente. Aqui é mesmo por interesse, declaradamente. Bom, os noivos ou os candidatos aí estão. Portanto, vamos agora chegar à fase crítica, mas eles já vão dizendo: "Nós aceitamos que o Estado mantenha por agora a maioria de capital, mas queremos ser nós a controlar a gestão". Ou seja, a noiva que não pense que depois do casamento continua a perguntar aos pais o que pode e não pode fazer. Porque isso depois já fica dentro do âmbito do casamento e já tem que cortar a malha com a família.

E depois manda o mais forte lá no casamento.

Exatamente. Claro.

Manda o que tem medo, a dependência financeira.

O cabeça de casal.

É isso mesmo. Mas é uma isomia que tem muito a ver com a realidade. Pronto, mas é isso que vamos ver hoje.

Podíamos continuar nisto.

Isto estava um romance.

Fortes vocês nas metáforas. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer