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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parece que me parece garrados.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
E tantas perguntas que se fizeram em Viseu este fim de semana, Bruno.
É verdade.
O PS está numa encruzilhada.
O Parlamento está numa encruzilhada, mas o problema é maior para o PS, porque não só está habituado a ocupar o poder, como passou para terceira força política na Assembleia da República. Perante isto, o que é que o partido pode fazer? Bem pode exigir que o Governo o escolha como parceiro preferencial, mas aí há um outro problema. Se for assim, isso não será fazer do PS a muleta do Governo? Alguém acredita que caso o Governo estenda a mão ao PS, os socialistas andarão a amparar o governo de Montenegro durante três anos e meio? Mesmo que o Governo acabasse por governar com as políticas do PS, três anos e meio de oposição, mais ou menos em coma, seriam dramáticos para os socialistas. Como resolver este dilema? Esse é o desafio da liderança de José Luís Carneiro. E pelo que se viu em Viseu, há quem tenha muitas ideias, mas mesmo assim prefira que, para já, a batata quente esteja nas mãos do atual secretário-geral do partido.
Muitos dilemas, mas Paulo José Luís Carneiro saiu-se bem a apontar o caminho?
Fica a ideia de que o líder do PS preferiu ficar em cima do muro. Nem sim, nem não, antes pelo contrário. O discurso de encerramento do congresso ontem aponta propostas para um país decente, aqueles países onde todos gostávamos de viver. Mas há aqui um problema. As soluções que o PS apresenta agora para tudo e para nada, para grande azar de todos nós, não foram aplicadas nos oito anos em que os socialistas governaram a partir de 2015. Só surgiram agora na cabeça dos dirigentes do partido e sobre o posicionamento em relação ao governo. Carneiro é criticado pela direita e também pela esquerda. Talvez nesta matéria esteja ali num ponto de equilíbrio. Agora vamos ver se isso deixa alguma marca e como é que se passa da teoria à prática.
Bruno, então agora vai ser preciso saber ler e fazer contas para entrar na universidade.
Isto é uma desgraça.
Isto é também a forma como se lê.
Onde é que chegamos.
É um exagero. A proposta do Ministério da Educação prevê, de facto, novos requisitos de entrada no ensino superior. Quais são esses requisitos? Níveis adequados de literacia e numeracia e um nível de proficiência em língua inglesa que permita aos alunos aceder à literatura acadêmica internacional. As instituições de ensino devem, de acordo com o Ministério da Educação e de acordo com esta proposta, definir requisitos de aptidão à entrada para cada nível de ensino, seja licenciatura, ou mestrado, ou doutoramento. Mas isto parece ser pedir demais. Qualquer dia pedem uma pessoa que saiba escrever o próprio nome para entrar na universidade.
Saiba assinar.
Assinar. Não, isto realmente é um exagero. Agora, a sério, isto também demonstra uma grande desconfiança do ministério em relação ao ensino obrigatório, em relação ao ensino pré-universitário. Aquilo que se espera é que alunos que se candidatam e conseguem entrar no ensino superior, depois de realizados os exames, tenham automaticamente aqueles níveis de aptidão. Ou se garante que esses níveis estão lá quando o aluno se candidata, ou a criação de uma barreira adicional parece aquilo que é uma barreira adicional à entrada de alunos no ensino superior.
Seja lá como for, Paulo, será que há quem precise de umas aulas de economia portuguesa contemporânea?
Então não há por aí algumas pessoas, e será que não há por aí um aluno do primeiro ano de economia, com ou sem saber português ou saber o mínimo de literacia matemática, não há por aí um aluno que queira dar a André Ventura umas aulinhas da economia portuguesa dos últimos 50 anos. A ignorância do líder do Chega sobre a matéria é grande e isso vai-se notando. Ventura ficou irritado porque Cavaco Silva foi muito certeiro na descrição que fez de Chega, isto no artigo para o Expresso, e tentando reagir o líder do partido atribuiu a Cavaco Silva responsabilidade sobre a má performance do país. Isto das duas, ou é muita ignorância ou uma enorme desonestidade. E como não nos passa pela cabeça que André Ventura possa ser desonesto na forma como apresenta argumentações políticas, isto só pode ser uma profunda ignorância. E as estatísticas mostram isso. Foi durante os 10 anos de governação de Cavaco Silva que o Portugal democrático apresentou melhores indicadores de evolução económica da democracia, maior crescimento económico, maior convergência com os padrões médios da União Europeia, maior descida da inflação e por aí fora. Ventura, de facto, ainda era uma criança nessa altura, mas pode sempre ir aos livros.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parece que me parece garrados.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.