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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Começa agora uma nova edição e hoje falamos de medidas de fachada, ataques invisíveis, a nova vida do Novo Banco, mas pra começar, isto só vai lá com muita poncha. A esta hora
Pois, Maria João, tu aproveitas tudo.
Eu não engano ninguém. Vamos à Madeira, não é? Vai continuar o bailinho parlamentar, Bruno.
Pelo menos já há orquestra. Os músicos da oposição votaram unanimemente contra o orçamento de 2025 pra região autónoma e adivinha-se que na próxima semana voltem a afinar pelo mesmo diapasão e votar favoravelmente a moção de censura apresentada pelo Chega. PS, JPP, Chega, Iniciativa Liberal e PAN puseram de parte todas as diferenças que os possam afastar e uniram-se para chumbar o orçamento, deixando o PSD e o CDS a dançar sozinhos e sem música. Miguel Albuquerque diz que só sai com a moção de censura, ou seja, mesmo sem orçamento, o presidente do governo regional bate o pé, recusa abandonar o palco. Por meio, atira com as socas à cabeça do Chega, que acusa de se ter transformado na bengala da esquerda e também classifica os partidos da oposição de irresponsáveis. Se a moção de censura passar e o governo cair, lá voltam os madeirenses para mais um bailinho nas urnas.
Fico com a imagem do atirar as socas à cabeça. Deve doer. Cada soco.
Já são o quê? Terceiras ou quartas eleições?
São as terceiras.
É quase um exercício físico, não é? De votar. Faz bem aos bíceps.
Ou aquece a tocar assim, faz lembrar o Titanic, não é?
Olha, por falar em Titanic, chegou ao fim a saga do Novo Banco e do Fundo de Resolução, Paulo.
É verdade, chegou ao fim. E chegou ao fim até um ano antes do prazo que estava previsto. O acordo para a venda do Novo Banco em 2017 envolveu um financiamento do Fundo de Resolução de mais de 3.400 milhões de euros, isto em fundos públicos, que agora terão que ser pagos ao longo de 30 anos. E este acordo de capitalização deveria terminar no final de 2025, portanto, mais ou menos aqui a um ano, mas as duas partes chegaram a acordo para que terminasse já. Com este fim antecipado, há um custo de 67 milhões para o Novo Banco, o preço, basicamente, que teve que pagar para se libertar já, antecipadamente, de uma gestão condicionada e para poder ir à sua vida. Que neste caso, tudo indica que é ir à procura de comprador ou compradores, eventualmente ir pra bolsa, e fazer a sua vida sem qualquer intervenção pública. Portanto, essa vai ser a nova vida do Novo Banco.
Bruno, ontem ouvi dizer que Portugal está debaixo de fogo.
Metaforicamente, claro. Calma, nada de precipitações. E quem o disse foi o diretor dos Serviços de Informações de Segurança, Adelino Neiva da Cruz, disse-o em público, numa conferência promovida pelo Diário de Notícias. Disse Adelino Neiva da Cruz que há ataques cibernéticos provenientes de atores estatais que visam a soberania de Portugal e que pretendem recolher informação confidencial. Como do ponto de vista geográfico, nós estamos quase sempre longe do epicentro dos acontecimentos, pensamos que no espaço digital também ninguém dá por nós. Mas aí as coisas mudam de figura e não só o Estado, como empresas privadas, como aliás vimos nos últimos anos, podem ser alvo de ataques de atores estatais e não estatais com objetivos muito diversos entre si. Se por um lado é bom saber que o SIS está atento a estas ameaças, por outro, a certeza de que somos vulneráveis é necessariamente um motivo de preocupação.
Outro motivo, o combate à corrupção. Paulo, é uma enorme fachada sem nada lá dentro?
Vai dando ideia que sim. Vocês estão a ver aqueles cenários de Hollywood, que recriam cidades do Far West. Aquela rua central, em que há um salão de um lado, há o coiso do xerife do outro.
É tudo fachada.
Aquele ventinho.
Aquele ventinho, aquela poeira ali e tal.
É tudo mentira.
É tudo mentira. Portanto, aquilo é uma fachada, uma série de fachadas, de um lado e do outro da rua, mas depois espreitamos por trás da fachada e não há lá nada, só há aquelas traves pra segurar a fachada, precisamente. Pois, o combate à corrupção em Portugal, às vezes dá a ideia que é muito isso. A Ministra da Justiça anunciou ontem, aliás, num artigo escrito aqui para o Observador, que vai rever o assunto e que vai mudar o mecanismo nacional anticorrupção. Cá está, um grande nome, mas que até ver, não era mais nada do que isso. O Observador foi ver, já que este mecanismo vai mudar, o que tinha feito já essa estrutura até agora. E o texto do Observador começa assim: "O mecanismo nacional anticorrupção foi criado em 2021, demorou um ano e meio a estar definitivamente instalado e desde então ainda não efetuou fiscalizações ou aplicou sanções a infrações. Não são conhecidos procedimentos de fiscalização às entidades públicas e empresas privadas abrangidas." Portanto, cá temos nós um combate de faz de conta como nos filmes de ação.
Precisamente.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Clube Brugge, Sporting. Os Leões procuram responder à crise. Esta terça-feira, a partir das 19h30, edição especial com relato em direto do Clube Brugge, Sporting. A Liga dos Campeões joga-se na Rádio Observador.
Muito bom dia, sete e vinte