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Alma de girassol, meu sol de amor em fim de tarde, meu céu a quem dou menos de mim. Quem te disse, sol, que o teu calor já não me arde e te fez morar perto de mim? Ando atrás do meu destino, um segundo atrás de mim. Tanto faz ser pequenino, se eu chegar depois do fim. E te encontrar já refeita desta alma, a minha alma. Alma de girassol, meu sol de amor em fim de tarde, meu céu a quem dou menos de mim. Quem te disse, sol, que o teu calor já não me arde e te fez morar perto de mim? Quando o mar diz que te chamo, meu amor tarda no mar. Diz ao mar que não te ama, só de amor do meu olhar. Que o mar entende os meus medos e esta alma, a minha alma. Alma de girassol, meu sol de amor em fim de tarde, meu céu a quem dou menos de mim. Quem te disse, sol, que o teu calor já não me arde e te fez morar perto de mim? Alma de girassol, meu sol de amor em fim de tarde, meu céu a quem dou menos de mim. Quem te disse, sol, que o teu calor já não me arde e te fez morar perto de mim?
Diogo Clemente, cantor, compositor, produtor, é o convidado de hoje do "Ao Vivo". Seja muito bem-vindo à Rádio Observador.
Olá, Maria.
Este tema lindíssimo, "Foi o Amor", que acabamos de escutar, faz parte do teu primeiro álbum a solo, também em nome próprio. Chama-se "Amo-te e Outras Coisas Para Te Dizer". É um nome lindíssimo e muito curioso, já lá vamos. E curiosamente também não é apenas um álbum, é também um livro. Vamos começar pelo princípio. Como é que surgiu esta ideia? De onde é que nasceu este conceito?
Em primeiro lugar, muito boa tarde. É um prazer muito grande estar aqui, triplicado por todas as razões. Vou começar por dizer que eu tenho um livro escrito e a vida tem destas coisas engraçadas, isto é muito giro de se saber. Eu tinha 16 anos quando escrevi o primeiro poema que este livro tem. É um livro de 130 poemas e tinha 16 anos quando escrevi o primeiro poema.
Que é mais ou menos como?
O primeiro poema que está no livro. Eu tinha 16 anos e tenho 40 agora. Isto significa que na altura eu tinha 16 anos e era muito inspirado numa pessoa que eu muito agradeço e que me fez apaixonar pela produção, pela escrita. Foi e continua a ser uma enorme referência minha. Apesar de toda uma vida corrida aqui, continua a ter sempre um lugar muito especial. Eu ia ter com essa pessoa, durante a vida dela, os poemas que escreveu, as músicas que fez, as coisas que produziu, eu acompanhava há muito tempo. Ia à casa dele. Quando escrevi este primeiro poema, tinha 16 anos e estava com o teu pai, que é a pessoa de quem estou a falar, o meu avô Fernando, e tu eras muito pequenina, eu entrava em casa e estavas a dormir numa cama de bebê
Já não cabo lá.
O ciclo da vida a funcionar.
E agora estamos aqui juntos a falar sobre ti, sobre a tua obra e a celebrar-te também como artista. É um prazer receber-te.
Muito obrigado.
Falarmos um bocadinho deste teu grande projeto, que queremos saber como é que nasceu.
Este projeto nasceu exatamente assim: ao fim de todos estes anos, juntei imensas coisas. Escrevi e compus imenso para imensas pessoas que cantaram. E sou muito feliz com isso, mas escrevi muito mais do que aquilo que foi cantado. E os poemas sempre foram ficando guardados.
Quase na gaveta.
E foram ficando nas gavetas algumas coisas que não são cantadas, outras coisas que são demasiado pessoais, outras que poderiam eventualmente ser cantadas, mas que não me quero expor a isso em determinado momento da minha vida. E então agora reuni-os todos e fiz este "Antes e outras coisas para te dizer", porque é precisamente isso, são poemas ou do amor ou de fases da relação. Aliás, os capítulos do livro dividem-se exatamente nisso, desde o nascer do sol de uma relação até que acaba e depois de acabar, o que ainda dá para dizer.
Quando o sol se põe.
Há outras coisas para se dizer. Mas é precisamente isso, e fico muito feliz. Quando estava a reunir os poemas, havia muitas canções no meio e também canções que eu guardei por uma questão de ficarem comigo, e outras porque não era o momento delas. E então para fazer paz com os poemas, fazer paz com as canções e tudo mais, e fazer paz também com o facto de fazer um álbum meu, como intérprete, que a primeira coisa que fiz na vida foi cantar. E apesar de sempre ter cantado muito e com regularidade, nunca tinha feito um álbum meu, fiz sempre os álbuns dos outros. Então achei engraçado fazer este disco e tive muito prazer nele.
E que coleciona momentos que viveste e sentiste desde os 16 anos. Ainda assim, dizes que esta é a obra que melhor te define. Tu ainda te revês nesse rapaz de 16 anos que timidamente escrevia as coisas e as guardou numa gaveta e agora mais tarde as está a publicar e a partilhar tudo aquilo que viveu e tudo aquilo que sentiu?
Sim, a distância faz ficar-se muito apaixonado pela inocência e pela juventude. A inocência é uma coisa maravilhosa, que se vai partindo a casca e vai ficando uma coisa madura. É outra fase, é igualmente bonita, mas é muito bonito olhar para trás e ver a inocência. Vejo isso nos poemas, vejo isso nas composições, vejo também nas coisas que produzi, na visceralidade das coisas que se tocavam e a entrega, a força, a dedicação e as noites sem dormir. A juventude tem essa maravilha. E o livro ter essa viagem, apesar de que a grande parte dos poemas do livro já são feitos numa fase em que me considero mais maduro, ou que me identifico mais com a escrita. Há também poemas mais de trás, porque há outros que não entraram.
Naturalmente, foi uma seleção muito rigorosa. E esse Diogo Clemente de 16 anos, e não só, vai ver agora o Diogo Clemente de 40 anos pegar neste conjunto de memórias, de momentos e de emoções e carregá-las consigo na estrada para um formato muito familiar, quase intimista, que é no fundo tentar recriar um ambiente de amigos à volta de uma mesa, numa sala de estar, e entre canções e conversas, vai nascendo um concerto. Esta é uma forma de levares um bocadinho de ti e da tua vida pessoal para aquilo que é também a tua vida profissional?
Sim, os concertos que faço, depois de tanto tempo, de tanta estrada, tanto mundo, tantos aviões e tantos palcos. Vir fazer um concerto meu não podia ser outra coisa que não isto. Tem que ser a celebração de receber pessoas na minha sala, de contar as minhas histórias. Quanto muito eu sou intérprete de poemas, não me considero sequer um cantor, porque um cantor é uma elevação muito alta. Gosto muito de interpretar os meus poemas e de contar as minhas histórias. Sou acima de tudo um transporte às coisas que componho e que escrevo. Essa é a importância e a partilha disso é a importância. E by the way, tenho a grande felicidade de poder participar deste evento, que já vai na décima edição, que é o Festival F, que vai acontecer. Vou tocar no dia cinco. Vou cantar e tocar no dia cinco e a seguir vou estar a tocar com a Sara Correia, mas primeiro faço o meu concerto e vai ser precisamente isso. Às 20h15 vou poder levar estas canções com o José Manuel Neto na guitarra.
Nome incontornável.
Com o Joel na bateria e o Filipe Morais no contrabaixo. Sou muito feliz com estes rapazes, porque é uma vida intimista. É uma música de intimidade e com que eu estou a partilhar as minhas histórias. E é muito bom tê-los no palco.
E é um palco muito diferente daquilo a que estás habituado, porque é inevitável referirmos isto, as tuas raízes são o fado profundo, e agora estás a dar um pezinho fora. Não sei se acreditas bem nesta nova roupagem do fado, mas a verdade é que vais mudar de ambiente um bocadinho neste concerto. Que surpresas é que estás a preparar? O que é que o público algarvio pode esperar para esta noite de dia cinco?
Sabes que depois do caminho todo feito até aqui e de muita incursão também por muitos lugares que não são o fado, eu nem sei identificar muito bem o que faço. De raiz sou um fadista, a cantar sou um fadista, é inevitável. Tenho uma linguagem mãe, e que bom, sou tão feliz com isto de poder carregar o fado dentro de mim, mas depois a quantidade de amores que tenho e de inspirações que tenho no que crio Faz esta soma. Não sei identificar muito bem que gênero de música faço, mas também não me interessa.
Categorizá-la, ter lhe um rótulo e dizer: "Eu faço isto ou eu sou isto".
Sim, não me interessa rotular o que faço. Interessa-me que este híbrido, este Diogo Clemente, tenha muito prazer em poder fazer esta cor. Eu gosto muito do palco, gosto muito de cantar em palco, mas efetivamente estar à frente é diferente de estar atrás.
Sim, tu há pouco referias o nome da Sara Correia, por exemplo. Tu estiveste muitos anos a trabalhar nos bastidores com nomes como também a Mariza, Carminho, Marco Rodrigues, e agora vais viver este momento não só nos bastidores, mas também como intérprete principal. O que isto desperta em ti?
É com alguma naturalidade, porque como sempre vivi essas carreiras todas que tu estás a falar, eu sempre tive no papel de produção e direção e lado a lado com o artista.
Sim.
Então era quase que faltava pôr o pé ali ao lado e estar à frente. Efetivamente, é muito diferente. Efetivamente, tive a felicidade enorme até hoje. E por isso mais faltaria eu considerar-me um cantor, depois de passar ao lado das melhores vozes de Portugal e de poder trabalhar com elas. Mas eu gosto muito deste lugar de intérprete e de estar na frente e poder falar das minhas histórias. E é uma coisa que tenho feito com muita naturalidade e com muita à vontade, e com muito prazer, acima de tudo.
És um peixe dentro d'água neste momento.
Sim.
E o Diogo Clemente de 16 anos está orgulhoso?
Sim, estava cheio de medo com 16 anos.
E agora já não tens medo?
Não.
Já conheces bem os palcos. Aproveito também para chamar à conversa Paulo Santos, é vice-presidente da Câmara Municipal de Faro, tem também o pelouro da Cultura e está a acompanhar atentamente a organização desta 10ª edição do Festival F, onde o Diogo Clemente vai estar no dia cinco, como referíamos há pouco. Boa tarde, Paulo Santos, bem-vindo à antena da Rádio Observador.
Olá, boa tarde. Obrigado pelo convite.
Muito obrigada nós por ter aceitado. Este promete ser o festival com o cartaz mais português do verão. Arranca já dia 4 de setembro, irá decorrer até dia 7. E numa altura em que ainda não conhecemos todos os pormenores desta 10ª edição, o que nos pode adiantar do trabalho que já está a ser feito para assinalar em grande o último grande festival do verão?
Sim, nós já estamos a trabalhar no terreno, que é um terreno difícil, porque é de muito respeito. Nós fazemos o Festival F em plena vila adentro, a zona histórica de Faro, e de alguma forma, com respeito pelo património cultural, património natural da Ria Formosa, de tudo aquilo que é a nossa identidade, de alguma forma, durante estes quatro dias, inundamos a nossa vila adentro com o melhor da música portuguesa, de alguma forma, e modéstia à parte, tentando fazer aqui uma radiografia daquilo que é os diferentes estilos musicais, mas também dos artistas consagrados, com os artistas emergentes, e tendo palcos adaptados para cada um destes momentos. Com respeito pelo artista, obviamente, mas também com que o público se sinta à vontade. O Diogo, que aproveito para cumprimentar, dá-nos o prazer de poder atuar no palco museu, nos claustros do nosso museu, e que vai ser um momento, sem dúvida, mágico. Mas nós tanto temos um palco museu que tem uma lotação bastante limitada, como depois dentro dos nove palcos do evento, temos palcos pequenos, intimistas, como o museu ou como outros até mais pequenos, como depois temos um palco que nos permite abraçar as milhares de pessoas que ocorrem todos os anos ao Festival F.
Sim, milhares de pessoas e com nomes muito sonantes neste cartaz, nesta 10ª edição. A par do Diogo Clemente, temos também nomes como Pedro Abrunhosa, Ana Moura, Diogo Piçarra e Bárbara Bandeira. É mesmo um painel de luxo, portanto, contam com essa afluência de milhares de pessoas nesta 10ª edição.
Sim, acho que já estão a correr bem as vendas, o que me enche de alegria, mas sempre com muita confiança. É um festival que é a nossa marca, é a nossa identidade, e a identidade não só de Faro, mas obviamente temos, como disse, de mostrar aqui aquilo que representa a música portuguesa e a vitalidade que a música portuguesa tem hoje. E ao longo destas 10 edições tivemos 350 mil espectadores para assistir aos mais de 500 concertos que levamos a palco nestas 10 edições. E obviamente, a nossa expectativa é elevadíssima. O Festival F não só é o encontro dos farenses e dos algarvios, como também já tem uma dimensão nacional e também é um festival de família. É um festival em que nós todos os dias temos muitos jovens, muitas crianças que vêm acompanhadas dos pais ou dos avós e que ao longo das várias horas do festival, que começa às 18h e termina perto das 5h, vai mudando aqui um bocadinho a geografia de idades. No início começa com famílias inteiras a entrar pela vila adentro e ao final da noite, se calhar, só os mais jovens é que conseguem resistir à hora mais tardia. E portanto, é um bocado este efeito família, esta celebração da música portuguesa e em conjunto com o nosso património, que todos os anos tentamos montar, e acho que com algum sucesso, o Festival F, que acho que num país de muitos bons festivais, a nossa marca, a marca identitária desde o início da música portuguesa, mantém-se e está para durar, porque efetivamente nós temos um conjunto de músicos portugueses cada vez mais alargado e rejuvenescido, que nos enche de esperança e de certeza no futuro.
É verdade, e estamos todos convidados a aparecer entre 4 e 7 de setembro neste Festival F. Muito obrigada, Paulo Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Faro, por se ter juntado ao nosso ao vivo desta sexta-feira. E vamos despedir-nos em grande. Diogo Clemente, com que tema nos vais brindar nesta despedida?
Ora, então, há pouco eu não cantei o "Foi o Amor". Cantei o "Alma de Girassol".
Erro meu. Mas alguém me enganou.
Não, pode ter sido erro meu, o que é normal. Agora sim vou cantar o "Foi o Amor".
Vamos a ele então.
Tenho muito a fazer e gosto muito dele. Gosto muito de cantar.
Vamos dá-lo a conhecer ao nosso auditório da Rádio Observador. Diogo Clemente, muito obrigada por nos trazeres algo tão intimista, universal, um encontro entre poesia, música e vida, aqui à nossa Rádio Observador. Deixar também um obrigado, um agradecimento ao nosso Pedro Oliveira e à nossa Mariana Aguiar pelos cuidados técnicos. O palco é teu, Diogo.
Corri a cidade enfim. Encontrá-la foi rever o sol e a luz que me sustenta o coração. Dançamos e disse sim. Deu-me um beijo ali na rua, pronto pra roubar-me à solidão. Foi o amor. Todos dizem que foi o amor. E se não foi qualquer coisa que parece um suspiro ou uma prece. Foi o amor. Todos dizem que foi o amor, o que no peito vem comigo para onde eu for. Vem o outono que ele traz e preso às canções do vento, escreveu o meu nome para se perder. E eu que sempre fui capaz, fiz esta canção e tento no vento cantá-la até poder. Foi o amor. Todos dizem que foi o amor. E se não foi qualquer coisa que parece um suspiro ou uma prece. Foi o amor. Todos dizem que foi o amor, o que no peito vem comigo para onde eu for. Foi o amor. Hoje sei que foi o amor, porque sei que falas no meu nome e coras. E se choro também choras. Foi o amor. Certamente foi o amor. Não te vejo e vens comigo para onde eu for.
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