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Sejam bem-vindos ao Aveiro One, o podcast de cultura da Câmara Municipal de Aveiro. Este mês com o foco apontado à riquíssima programação do Teatro Aveirense. Quais são os limites da democracia? A pergunta é feita na peça Crocodile Club, escrita e encenada por Micael de Oliveira, e que sobe ao palco do Teatro Aveirense a 6 de setembro.
Eu só não vos posso esconder as olheiras, o cabelo a cair, as manchas na pele, mas eu estou ótima de cabeça. Se não fosse o corpo.
Um grupo de amigos de longa data junta-se numa casa deslocada da cidade. Entre os amigos encontramos Isabel, uma candidata da extrema-direita afável e bem-educada, que para Micael de Oliveira encarna o atual ambiente político.
Nós estamos a assistir a uma extrema-direita muito mais polida, muito mais reformista na ideia do que é a extrema-direita. Só que o perigo continua, as ideias continuam lá. E o terreno, graças a essa operação cosmética, que é mundial, não é só em Portugal. Portugal foi atrás. Portanto, através dessa operação cosmética, o crescimento da extrema-direita fez-se cada vez mais rápido.
Em palco, cruzam-se duas linguagens: a teatral, há sete atores e atrizes em palco, e a cinematográfica. Tudo está a ser filmado para humanizar a candidata radical e populista.
Eu tento retratar alguns mecanismos de comunicação, por exemplo, que a extrema-direita usa. Não vamos ver uma extrema-direita retratada como péssima. Não, porque ela não se retrata assim. Ela retrata-se como uma entidade salvadora, de salvação nacional.
Crocodile Club é uma criação de Micael de Oliveira para o Teatro Oficina, em colaboração com o Coletivo 84. Conta no elenco com a atriz Inês Castel-Branco. É assumidamente teatro político. Para ver no dia 6 de setembro, na sala principal do Teatro Aveirense, às 21h30. Mais ou menos a cada 10 anos, a bailarina Olga Roriz desafia-se para um solo de dança. Aos 70 anos, a consagrada bailarina e coreógrafa portuguesa estreia no Teatro Aveirense o solo "O Salvado".
Parece que algo me impele a pensar num outro espetáculo a solo, que são momentos mais de introspeção e onde eu penso mais em mim e não tanto nos outros. E este foi um desses momentos, um desses chamamentos, digamos, e onde se encontrou o tempo e o espaço.
Sozinha, no palco, Olga Roriz explora reflexões, conceitos e territórios.
Onde é que eu estou? O que é que eu sou agora, neste momento? Que mulher sou eu? Que bailarina sou eu? Que coreógrafa? No fundo, reencontrar-me outra vez um cadinho mais de uma maneira mais umbilical.
"O Salvado", que Olga Roriz apresenta no Teatro Aveirense, é o resultado de um processo criativo de um ano, desenvolvido em seis residências artísticas. Um processo que começou e terminou precisamente no Teatro Aveirense.
Nesse estúdio maravilhoso que existe por cima do palco. Na parte de cima do teatro. Com a chave do teatro na mão. Aliás, eu fiz uma espécie de uma cartografia, chamo de topologia do tempo. Não sei muito bem como explicar. É como se fosse um caderno de criação, só que tem 10 metros de comprido. Ele arma-se e enrola-se, e tem tudo o que eu quis ou que fui fazendo ao longo dessas residências. Com fotografias, com textos, com observações, etc. E a primeira fotografia é a chave do Teatro Aveirense. É quase a chave da peça, digamos, nesse sentido figurado.
Olga Roriz é um nome maior da dança portuguesa. Integrou o Ballet Gulbenkian, coreografou peças para inúmeras companhias em Portugal e no estrangeiro, recebeu vários prêmios artísticos ao longo da carreira. Em 2017, recebeu o doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Aveiro. Aos 70 anos, sobe ao palco para mostrar que o corpo, como matéria de arte, não se esgota.
Acho que não é um handicap, é realmente aquilo que eu tenho. Aquilo que eu tenho é com isso que eu vou trabalhar e é isso que me interessa trabalhar. É este corpo. É o corpo de uma mulher de 70 anos e é de uma mulher, não é que seja da Olga Roriz ou de uma bailarina, ou de uma coreógrafa. Este corpo desta mulher de 70 anos tem uma mais-valia, mesmo só parado no palco, que é muito forte. Para já
Põe logo em causa. Há um empoderamento logo no ponto de vista do ser humano.
O Salvado, de Olga Roriz, para ver no Teatro Aveirense, dia 19 de setembro, às 21h30. Por estes dias, a atriz Sara Barros Leitão ultima o texto de Suplicantes, peça de teatro a partir da peça de Ésquilo.
A um mês da estreia, ainda estou a reescrever, a escrever e a chegar ao texto final. Portanto, é uma coisa muito fresca mesmo.
No texto original do século V a.C., 50 mulheres, irmãs, fogem do Egito para a Grécia para escapar ao casamento forçado. Sara Barros Leitão leu As Suplicantes há 15 anos e decidiu adaptar o texto. Vai contar a história de um eurodeputado que recebe de um estafeta uma refeição encomendada com 10 anos de atraso.
E nesse momento dá-se a possibilidade de uma conversa entre um estafeta e um deputado, auxiliados por uma intérprete que vai traduzindo o que cada um diz. E é com este dispositivo que acabamos por chegar, de alguma maneira, ao texto do Ésquilo, às palavras, à forma como nos entendemos, e também a uma leitura um pouco mais pós-colonial, se quisermos, daquilo que é a nossa visão da Grécia e dos cânones, e da Grécia enquanto fundadora da democracia, o que é a própria democracia e como está a democracia hoje em dia. Tudo isso acaba por ser levantado no espetáculo a partir deste conflito que proponho de uma conversa entre um estafeta e um deputado.
Sara Barros Leitão é autora do texto e é responsável pela encenação. Lígia Roque, Ricardo Vaz Trindade, Sandro Feliciano são os atores em palco. É uma estreia absoluta no Teatro Aveirense nos dias 27 e 28 de setembro.
Fantástico fazer em Aveiro, sobretudo pela questão humana. A equipa técnica do Teatro Aveirense é uma equipa de excelência e por isso as estreias são sempre lugares em que precisamos de muito cuidado, muito carinho, em que é importante as equipas compreenderem bem o que é que se vai fazer em palco, porque não temos certezas, nunca foi testado antes. Sei que estando nas mãos da equipa do Teatro Aveirense, vamos ter todo esse cuidado e esse carinho com o nosso espetáculo. Portanto, há muito entusiasmo por irmos estrear o espetáculo lá.
Sábado, 27, às 21h30, domingo, dia 28, às 17h30. No dia 11 de setembro, Gisela Ferreira apresenta Nome de Solteira, que tem como temática central o trabalho não pago e as desigualdades entre géneros, colocando em causa o ideal da mulher perfeita, que cuida de tudo e todos sem nunca descurar a sua aparência. Esta foi a criação selecionada pelo júri da terceira edição do Lab Aveiro, laboratório de criação coreográfica que apoia jovens criadores na área da dança contemporânea. 11 de setembro, às 21h30, na Sala Estúdio do Teatro Aveirense. E há lugar para a música. Suzy Philippe, atriz e baterista aveirense, que aqui ouvimos numa gravação ao vivo, apresenta o seu primeiro álbum a solo em tempo real. É no dia 20 de setembro, às 21h30, num espetáculo onde a música, a poesia e o teatro vivem em tempo real. E há ainda programação para as famílias. No dia 21 de setembro, Quero um Piano, de Ana Madureira e Vahan Kerov piano. É um espetáculo onde microtons orientais, meios-tons ocidentais, meias-palavras e personagens sem meias convidam a cuidar das tonalidades de cada um e a saber ver e ouvir as dos outros. A fechar este Aveiro Open, nos dias 13 e 14 de setembro, às 18h, os participantes do Laboratório de Dramaturgia 2025 levam à cena o resultado de um processo que envolveu sessões de formação com vários criadores. O Laboratório de Dramaturgia do Teatro Aveirense tem como objetivo incentivar a criação textual dramática e promover o conhecimento e a reflexão teórica sobre as diferentes manifestações históricas da dramaturgia. Esta apresentação final, que tem por título Os lugares não são para depois, aquilo que antes lá ficou, conta com 13 obras breves, a partir das quais se propõe um passeio pelo interior do Teatro Aveirense. Fica por aqui o Aveiro Open, com muitas sugestões culturais para o mês de setembro em Aveiro. Consulte toda a programação do Teatro Aveirense em teatroaveirense.pt. Bons espetáculos.