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Sporting 1, Muriense 0, na estreia de Paulo Fonseca, vitória iludinda em casa, em jogo a contar pra a 11ª jornada do campeonato, jogo que aqui acompanhamos com os comentários do Felipe Coelho. Felipe, tivemos um Sporting que parece ter entrado com alguns toques de diferença, nomeadamente o jogo nas alas e também, diria, alguma intensidade com que os jogadores entraram, animicamente, talvez motivados pela questão do novo treinador. O Sporting até entrou bem no jogo, com alguns lances, mas nem por isso deixou de ser uma equipa que tremeu um pouco pra vencer. Também normal, face ao pouco tempo que Paulo Fonseca tem com a equipa. A tua análise à primeira parte do jogo.
Antes de mais, destacar que é uma vitória fundamental para o Sporting, no que respeita à luta pelo título, ainda para mais na véspera de ir ao Dragão defrontar o Porto e portanto, era proibido ao Sporting desperdiçar pontos em Alvalade, algo que até tem sucedido com alguma frequência nos últimos tempos. O Sporting, antes desta partida, só tinha ganho um dos últimos quatro jogos a jogar em casa e por sinal, até foi pra a Taça da Liga. O Sporting marcou na segunda parte, mas foi, em termos exibições, claramente melhor no primeiro tempo. O Paulo Fonseca manteve o 4-3-3. Sendo certo que eu não esperava propriamente uma revolução em termos de 11 inicial, mas creio que se podia qualquer coisa de diferente a nível de meio-campo, porque o Sporting voltou a ser uma equipa sem grande capacidade para ter jogo interior no meio-campo ofensivo. Peço perdão. E foi, sobretudo, uma equipa à procura do jogo pelos flancos. Aí sim, ficam as melhores notas desta equipa do Sporting, nomeadamente através do corredor direito, onde o Luís Guilherme foi titular e conseguiu combinar, nomeadamente com o Silas Anderson, que procurou vários movimentos de rutura na meia direita para corresponder aos passes do brasileiro, com o Fresneda também a aparecer muitas vezes em zonas interiores. O Sporting dividiu a ocupação dos espaços mais com os extremos por fora, o Luís Guilherme à direita e o Iranunda à esquerda e os laterais projetados em zonas mais interiores, quer o Fresneda, quer o Maxi Araújo. O Sporting, sem evoluir para uma exibição muito competente do ponto de vista ofensivo, criou o suficiente para chegar ao intervalo em vantagem e há uma nota a salientar, e estou inteiramente de acordo com o Paulo Fonseca. O Sporting, do ponto de vista defensivo, foi uma equipa muito disponível, nomeadamente na transição defensiva, e aí há que destacar o papel do Silas Anderson, que foi essencial nos momentos após perda de bola do Sporting, na forma como permitiu à equipa estar junta, como permitiu recuperar rapidamente, e nesse aspecto, mais uma exibição muito valiosa deste médio dinamarquês.
E pergunto antes de irmos pra a segunda parte, fazendo a análise desta primeira, se há alguma surpresa, dizíamos ter começado por aqui, mas se há alguma surpresa neste 11, apresentado o primeiro 11 Paulo Fonseca, com ausências de Gennikatamo, também aqui com o Salazar, embora que seja por questões físicas, muito provavelmente, é um 11 que era expectável, por parte de Paulo Fonseca. Esperavas alguma diferença, Felipe, com o teu saber?
Havia a dúvida na baliza e, para já, o Kaique mantém-se como opção preferencial do Paulo Fonseca, à semelhança do que estava a acontecer com o Rui Borges. Veremos o que é que sucede nos próximos tempos, sendo que o Rui Silva vai para a seleção e, portanto, não vai estar a treinar com o novo treinador. Portanto, admito que o Kaique, para já, seja a opção preferida para a baliza. Depois, há duas questões, se quisermos. A nível meio-campo, eu creio que o Altimir é intocável, o Silas Anderson tem ganho muito espaço e creio que cresceu nos últimos tempos e o Dombiá continua a ser um corpo estranho. E diria mais, um jogador que teima em não se mostrar adequado para o jogo que o Sporting tem forçosamente jogado na maior parte das partidas, quase sempre em ataque organizado, quase sempre com a necessidade de criar espaços. O Dombiá continua com muitas dificuldades, a interpretação dos tempos, dos espaços, mesmo a nível técnico, a mostrar várias debilidades. Aqui creio que o Paulo Fonseca poderia ter mostrado um pouco mais a nível de escolhas iniciais. Estou a lembrar, por exemplo, do Pedro Lima, que fez uma belíssima exibição em Rio Maior contra o Casa Pia. Depois, a segunda questão prende-se com os flancos, com as opções iniciais para os corredores laterais. Hoje, o Luís Guilherme e o Iranunda. O Paulo Fonseca, como que justificou esta opção, em virtude destes dois jogadores não terem jogado frente ao Shakhtar na Liga dos Campeões e, portanto, estarem mais frescos do que, por exemplo, o Gennikatamo, que também não atravessa uma boa fase. Mas eu creio que é de admitir que o Flávio Gonçalves possa recuperar novamente algum terreno a nível de 11 inicial, partindo do lado esquerdo, uma dinâmica do lado esquerdo para projeção para a zona interior, com o Maxi a avançar no terreno, sendo que o Maxi também não está a viver a melhor fase a nível de forma. Mas é natural que o Paulo Fonseca não tenha querido introduzir muitas coisas de diferente na equipa, não tenha ido à procura de uma revolução, porque não teve tempo de treinar, só teve basicamente dois treinos, mas de fato, são passos que o Sporting tem de dar para ser uma equipa diferente a nível da organização ofensiva, para conseguir, no fundo, resgatar um pouco daquela matriz que o Sporting foi tendo nos últimos anos, primeiro com o Rúben Amorim e mais recentemente com o Rui Borges.
No segundo tempo, o jogo acabou por ter um pouco uma toada semelhante à primeira, que tivemos, na mesma, um Muriense muito bem organizado, a conceder alguma posse de bola ao Sporting, mas o Sporting sempre com algumas dificuldades em chegar, sobretudo ao último terço do terreno do Muriense. Chegou a marcar um gol por Iranunda. O gol foi anulado porque no seguimento da jogada, havia um fora de jogo Tirou o Silas Anderson por apenas 8 cm. O que é certo é que o Sporting avisou, marcou pouco tempo depois, mas diria que mais do que uma jogada coletiva ou que um grande trabalho de equipe, foi mesmo um coelho da cartola colombiana de Luís Soares, que salvou o Sporting esta noite.
Sim, completamente. É o momento de inspiração do Luís Soares, é um gol de antologia, num cenário quase inédito na partida, no sentido em que nasce, depois de o Moreirense ter um lançamento de lateral já próximo da área do Sporting, o Sporting recupera a bola, sai rapidamente em contra-ataque com o Doumbia a transportar e depois a lançar o Luís Soares, que num pra um com Gilberto Batista, acaba por conseguir ultrapassar o central do Moreirense e tem um remate absolutamente formidável, sem hipótese de defesa para o André Ferreira. Portanto, podemos até destacar que o Sporting esteve bem do ponto de vista coletivo na primeira parte, com a tal dinâmica mais de jogo exterior a funcionar, grosso modo a funcionar. Mas a verdade é que esta vitória resulta do momento de pura inspiração individual de um grande avançado, o melhor jogador do Sporting esta temporada, um dos melhores do nosso campeonato e que também acabou por funcionar um pouco como fronteira nesta partida, porque depois disso o Sporting como que abandonou as suas iniciativas atacantes ou pelo menos teve muito menos continuidade ofensiva. Curiosamente com o Paulo Fonseca a mexer em três peças, lançando o Catamo, o Zalazar e o Flávio logo de seguida, mas o Sporting avançou para uma reta final de partida muito pouco interessante. Voltamos a ver a tal versão mais insegura do Sporting, baixando primeiro o ritmo da partida, aí ainda que creio mais com propósito, ou seja, aí foi propositada essa diminuição do ritmo, mas rapidamente passou a ser um Sporting sem conseguir controlar todas as incidências da partida e com o Moreirense também a crescer, percebendo as tais dificuldades do Sporting para reintroduzir-se na partida, pelo menos fazendo um pouco mais de peito. E de fato, esta reta final da partida, já faz soar alguns alarmes no tal enquadramento que o Paulo Fonseca terá de ter com este plantel e essa é de fato uma das grandes dúvidas para o que vem aí nas próximas semanas.
Tivemos depois substituições de Paulo Fonseca, também tivemos de Vasco Botelho da Costa. Acredito que tanto de um lado como do outro, as substituições tenham servido para manter a frescura, porque o jogo manteve sempre a mesma toada. Ninguém vai trazer, pelo menos se era essa a missão, ninguém vai trazer nada de especialmente diferente ao jogo.
Sim, destacaria talvez a entrada do Leandro Santos no Moreirense. Foi importante primeiro para ajudar o Álvaro Martínez a fechar o corredor esquerdo do Moreirense, que estava a ter algumas dificuldades com as subidas do Fresno e com o Luís Guilherme também a ser decisivo em alguns lances. E depois o próprio Leandro Santos teve alguma capacidade de transporte de bola para o último terço, ainda que não definindo da melhor forma. O Moreirense estava um pouco amputado a nível de opções, porque tinha aqui cinco baixas bastante importantes, nomeadamente do ponto de vista ofensivo. Eu creio que se a equipa tivesse o Kiko Bondoso, o Tiago Andrade, o João Veloso, o Vasco Botelho da Costa poderia, na reta final do jogo, ter mexido de outro modo e ser uma equipa um pouco mais audaz. Mas é este o contexto do Moreirense, que não deixou de fazer uma exibição interessante.
O próprio Vasco Botelho da Costa diz que só lamenta deste encontro que a equipa não tenha sido um pouco mais ousada nas ofensivas.
Sim. Faltaram soluções, creio eu. Faltou alguma audácia também, mas faltaram soluções, porque repare que o Manuel Mendonça até faz um jogo interessante. Está nos principais sinais de perigo da equipa de Moreira de Cónegos, mas era um Moreirense com algumas dificuldades do ponto de vista ofensivo, do ponto de vista individual, para tentar surpreender o Sporting. Mas creio que em termos de planeamento defensivo, deixou aqui notas interessantes, até na forma como procurou condicionar os centrais do Sporting. O Gonçalo Inácio sai bastante fragilizado desta partida, precisamente também em função da forma como o Vasco Botelho da Costa organizou a pressão do Moreirense e o Inácio sentiu dificuldades, nomeadamente a nível do passe. Agora, o Moreirense não deixa ser uma equipa com ideias interessantes, mas cujo o seu teto, no fundo, vai ficando um pouco mais baixo em função destas ausências muito importantes.
Até ao final do jogo, o Sporting acabou por conseguir segurar a vantagem num jogo em que depois houve também momentos e declarações dos jogadores do Sporting, mais concretamente da Luís Soares. O próprio jogador concordou que foi notório a intensidade com que a equipa entrou hoje. Alguma diferença? Aqui também não será mera questão tática, será também uma questão anímica, porque bem sabemos que às vezes o efeito novo treinador tem sobre os jogadores, mais não seja o desejo de mostrar serviço, de mostrar que contam.
Sim, absolutamente. O Sporting entrou desperto, isso é verdade, entrou bastante nativo. O Paulo Fonseca destacou a forma como o Sporting conseguiu pressionar e condicionar a saída de bola do Moreirense e esse é um aspecto realmente dos mais interessantes da equipa leonina. Depois a questão dos flancos, a forma como os flancos foram funcionando, nomeadamente o Luís Guilherme, insisto nesta ideia, na ativação do Silas Anderson, esteve bastante bem. O Iranunda sendo mais irregular. Também é um jogador que quando foi pra cima do Dinis Pinto, conseguiu criar alguns problemas ao lateral direito do Moreirense, o Maxi Araujo também a surgir desde trás embalado, também foi um jogador importante naquela primeira parte, sobretudo. Agora, o Sporting é uma equipa que do ponto de vista criativo na zona central, está muito debilitada. É verdade que o Luís Soares pode aparecer em apoio em vários momentos, mas depois não tem jogadores para criar, para dar o último passe, para puxar algo mais imprevisível. Não tem esse tipo de perfil hoje em dia, também por uma questão da direção desportiva, na forma como reformulou o plantel e aí ficou claramente mais debilitado ao nível da organização ofensiva e da diversidade que tinha a nível atacante. O Sporting hoje é uma equipe mais unidimensional, com o Rui Borges procurava muito os corredores laterais. Hoje voltou a fazê-lo, creio que um pouco melhor a nível de compatibilização, da forma como conseguiu encontrar espaços e gerar oportunidades, porque insisto nesta ideia, o Sporting não faz uma superexibição, mas na primeira parte criou o suficiente para conseguir um resultado mais dilatado.
E antes de irmos ao melhor e ao pior, tivemos também aqui o Moreirense que do ano passado para este ano, apesar de apresentar o mesmo treinador e 10 semelhantes, teve alguns desfalques, como mencionaste. Isso acabou por não se notar muito em campo. Hoje o Moreirense voltou a apresentar, como já tinha feito, por exemplo, no Dragão, voltou a apresentar dificuldades a um grande, na própria casa do grande.
Sim, o Moreirense bloqueou bastante bem o jogo do Porto nessa partida do Dragão. Aliás, até se colocou em vantagem na altura e depois o Porto deu a volta ao jogo, conseguindo uma vitória por 2 x 1. Houve algumas parecenças nesta exibição hoje em Alvalade, sobretudo como conseguiu, em algumas fases, condicionar os centrais do Sporting. A destacar a presença do Songá e do Manuel Mendonça caírem sobre o Quaresma e o Gonçalo Inácio e o Vohnic, o ponta-lança, a vigiar mais próximo o Altamira. Houve esta nuance em termos de organização defensiva que criou alguns problemas ao Sporting, mas a verdade é que o Sporting também conseguiu encontrar espaços a partir dos corredores laterais. É certo que o Moreirense perdeu várias figuras, desde logo o Diogo Travassos e o Alanzi, que era o principal motor criativo desta equipa, mas o Vasco Botelho da Costa volta a mostrar que é um treinador que encontra soluções. E hoje, mesmo com algumas baixas, acabou por ter exibições que saltaram à vista, nomeadamente o Gilberto Batista na defesa e o Guilherme Liberato no meio-campo, que é um recuperador de bolas exímio e que voltou a ser importante nesta equipa do Moreirense.
Para fecharmos e entregarmos este relatório de jogo, Felipe Coelho, o que ou quem foi o pior nesta noite em Alvalade?
Do ponto de vista individual, Doumbia creio que continua a ser um corpo estranho nesta equipa do Sporting. Não mostra sinais de adaptação a um contexto de jogo em que o Sporting tem de estar a maior parte do tempo em organização ofensiva e o Doumbia tem muitas dificuldades a nível de interpretação dos espaços, mesmo tecnicamente é um jogador com algumas falhas e isso acabou por limitar muitas vezes a progressão dos ataques do Sporting. Depois, também a salientar no aspecto negativo, a gestão da vantagem da equipa de Paulo Fonseca, sobretudo naquela reta final. Voltamos a ver a versão do Sporting inseguro, intranquilo, com pouca serenidade, que permitiu ao Moreirense crescer na partida e portanto o Sporting continua com tremendas dificuldades para fazer uma exibição completa e isso é algo que já vem desde o início desta temporada 26/27.
E para fechar, o que foi o melhor esta noite em Alvalade, na estreia de Paulo Fonseca, aos comandos técnicos do Sporting com uma vitória por 1 x 0 frente ao Moreirense?
O melhor, o rolo de antologia de Luís Soares. Vale a pena ver. Realmente um momento de enorme inspiração do atacante colombiano, que até estava com algumas dificuldades para superar os centrais, o Kevin Monteiro e o Gilberto Batista, mas naquele lance em particular, acaba por ter uma execução absolutamente fora de série. Vai buscar a bola ao lado direito do ataque do Sporting, conduz para dentro e depois dispara com o pé esquerdo, que ainda por cima é o pé menos forte, e sai um remate poderosíssimo, sem hipótese para o André Ferreira. Portanto, o Luís Soares continua a ser uma bandeira deste Sporting e um dos melhores do nosso campeonato e hoje acaba por ser fundamental para esta vitória dos Leões.
Está feito e entregue o relatório de jogo, a análise do Felipe Coelho à estreia de Paulo Fonseca nos comandos técnicos do Sporting. Vitória por 1 x 0 frente ao Moreirense, em jogo a contar para a 11ª jornada do campeonato. Um grande abraço, Felipe, e até breve.
Obrigado, Vicente. Um grande abraço.