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Esta é a Boa Moeda, Má Moeda com o Paulo Ferreira. Paulo, queres falar do Multibanco que está mesmo mais perto de oito freguesias?
Mesmo mais perto. É porque o projeto chama-se mesmo Multibanco + Perto. Está a funcionar agora em oito freguesias do país. Os equipamentos estão instalados em freguesias dos distritos de Beja, Bragança, Guarda e Vila Real, e devem chegar brevemente também a Castelo Branco, o qual é o padrão aqui. Obviamente, são distritos e povoações do interior e o objetivo deste projeto é alcançar 30 freguesias para já até o final do ano. O serviço funciona através de terminais digitais que são instalados nas juntas de freguesia, e são as próprias juntas que fornecem os aparelhos e garantem o dinheiro vivo. Nestes terminais é possível levantar dinheiro em notas, pagar contas e consultar saldos. E qual é a ideia? A iniciativa, de facto, é apoiar populações do interior e zonas isoladas. O Banco de Portugal diz que há mais de 1200 freguesias, o país tem cerca de 4 mil freguesias, portanto 1200 não tinham caixas automáticas e a maior parte também não tem. Não tem nas proximidades, sequer. Nalguns casos, é preciso fazer mais de 20 km para chegar à caixa Multibanco mais próxima. E isto é uma falha que afeta cerca de 700 mil pessoas. Nas localidades servidas, a grande maioria das pessoas usa o terminal para levantar dinheiro. Os levantamentos representam 73% de todas as operações feitas nas caixas Multibanco. O governo garante que a experiência está a correr muito bem. Agora só falta mesmo passar das oito para as 1200, para as restantes freguesias que não têm acesso a este tipo de equipamentos.
Entretanto, o governo e os sindicatos já começaram a negociar salários.
Foi ontem o pontapé de saída. De facto, começaram as negociações salariais para a função pública, habituais nesta altura do ano, porque está aqui a indecisão, os aumentos salariais a praticar no Estado, na função pública, no início do próximo ano. Estamos aqui a falar de mais de 750 mil pessoas que são empregadas no Estado. Houve reunião entre o governo e os sindicatos do setor público. O governo deixou aqui uma porta aberta para decidir aumentos salariais que sejam superiores aos 2,3% que estão previstos no acordo atual. Aliás, as propostas todas, ou as contrapropostas, se quisermos, dos sindicatos, apontam para aí. Por exemplo, a FESAP exige uma subida salarial mínima de 6,5%. Com esta proposta, a remuneração mínima da administração pública passaria para os 1050 € e a FESAP pede também um subsídio de alimentação que vá até os 10 € por dia. Depois, o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, o STE, quer uma atualização salarial de 5% e a Frente Comum, afeta à CGTP, não faz por menos e pede um aumento de 15% nos salários e que garanta, no mínimo, uma subida mínima de 150 € por mês por cada trabalhador. Foi a primeira reunião, há de haver mais agora. Nós sabemos que isto é sempre um braço de ferro. Pode haver acordo com alguns sindicatos ou pode não haver acordo depois da ronda negocial. Os sindicatos defendem também que os funcionários públicos precisam de recuperar o poder de compra perdido para a inflação. Isso pode estar a acontecer agora, vamos ver como é que evolui a inflação, mas aconteceu seguramente no último surto inflacionista. Vamos ver.
Vamos acompanhar.
Vamos acompanhar. Por regra, isto é decidido só depois do processo orçamental, também na Assembleia da República.