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Cá estamos de novo. Novo ano também, Pedro. Um feliz 2026 para ti, com muito sucesso.

Obrigado, para ti também, para a equipa do Observador e para todos.

Muito obrigado. Cá estamos a fazer por isso. Vamos já começar hoje a fazer por isso, agora nesta primeira emissão do ano. Olhar um pouco para o planeamento. Nós terminámos o ano a falar do balanço que deve ser feito e de como devemos planear os investimentos. Convém começar cedo. E o cedo é agora no ano.

É agora. E o ano deve começar com um orçamento anual. A maior parte das famílias não faz esse orçamento, confia muito na sorte e no que vê na conta à ordem. E é importante termos um orçamento anual, porque conseguimos planear as receitas, quanto é que vamos ganhar e principalmente as despesas. Por exemplo, podem ocorrer eventos inesperados ou se eu já esperar, por exemplo, ter um filho, ou se for para a creche, ou se souber que a meio do ano vou precisar ter uma despesa extraordinária.

Ou quando quiser aquela viagem que queremos fazer nas férias, custa mais dinheiro que o habitual.

Exatamente. E por isso planear, porque sabemos quanto é que recebemos todos os meses, as receitas e depois os nossos investimentos e se temos que ir lá tocar ou não nesses investimentos, ou se podemos e devemos reforçar. Por isso eu convido todas as famílias, é importante investirmos nem que seja umas horas, não é preciso muito, e envolver também os filhos. É muito importante envolver a família toda, porque depois as decisões tornam-se mais fáceis e também as crianças começam a perceber por que podemos fazer isto e por que não podemos fazer aquilo. Por isso é importante. E por isso é começar o ano ou recomeçar a investir com método. E no início do ano é um excelente momento para: um, automatizarmos as poupanças, ou seja, aderirmos a planos de investimentos que são automáticos. Em vez de estarmos no fim do mês a fazer contas, é pagar-nos a nós primeiro.

É começar ao contrário, de alguma maneira, sempre que possível, retirar logo à cabeça o dinheiro para a poupança.

Exatamente. Por exemplo, recebemos € 1000, então tirar 50, 100, 25, 20, o que for, mas desaparecer, porque o dinheiro se já não estiver na conta à ordem, não se vê, já não se gasta. Pelo menos a tentação é menor. Depois, reforçar os investimentos de forma regular, ou seja, para quem já tem planos de investimento ou para quem já tem investimentos, pode muito bem, quando recebe o IRS, depois o subsídio de férias ou o subsídio de Natal, pode ir reforçando esses investimentos para além dos planos de investimento automáticos. E depois, acho que algo importante que as pessoas não fazem, que é rever produtos antigos que já não façam sentido. Ou seja, as pessoas podem ir investindo e muitos portugueses têm investimentos sob a forma de seguros que muitas vezes não rendem nada, ou depósitos à ordem, ou depósitos a prazo. E há que rever se faz sentido.

Continuar com aquele dinheiro ali.

Exatamente. E aumentar a sua rentabilidade através da realocação desses investimentos. Muitas vezes não é preciso mais dinheiro, é preciso ver aquele que já temos, se podemos redistribuí-lo de forma que ele renda mais. Esse deve ser o objetivo.

Até em função da experiência passada.

Exatamente.

Digo eu, às vezes, este dinheiro fica aqui neste depósito que é para qualquer eventualidade. Se ao longo de dois anos a eventualidade não apareceu, provavelmente não vai aparecer.

Sim, então devemos, se calhar, dar outro destino em termos de investimento, que é mais rentável, sem dúvida. E estas alterações de forma consistente, acho que é muito importante.

Depois, há que ter também no meio disto tudo, disciplina emocional, não é?

Esse às vezes é o mais difícil.

Exato, que é a questão de logo à partida tirar à cabeça, por exemplo, o dinheiro, é uma questão de disciplina.

Sim, é disciplina financeira, que é termos o montante, retirá-lo e mantê-lo lá. Depois, disciplina emocional, que é nós somos todos os dias bombardeados com notícias e é mantermo-nos fiéis à nossa estratégia de investimento.

Não andar a sabor do último tweet que lemos sobre o assunto.

Que o ano passado deu para o torto, porque quando foi as guerras tarifárias, as bolsas baixaram 20%, depois voltaram a recuperar tudo.

E há cada vez mais uma multiplicação de produtos ou de formas de aplicar o dinheiro, desde os criptoativos, por exemplo.

É verdade.

Que conhecem muita gente.

E depois temos também que perceber que cada vez há mais desinformação nas redes sociais, por isso há que manter mesmo esta disciplina. E é um ponto fundamental, que é devemos ajustar as nossas expectativas. Como referiste há pouco, não é com € 100 querer ter um milhão. Nós temos que ter expectativas, por quê? Porque senão, se nos aproximamos do fim do ano e não atingimos essas expectativas, pensamos: "Isto afinal estive a poupar para quê?" Se calhar, como a expectativa era muito alta, eu não estou a ver resultados.

Claro.

Isto tem que ser migalha, pouco a pouco.

É logo o primeiro passo para ir desistindo, de alguma maneira. Ficar desanimado. Não estou a conseguir chegar. É como entrar no ginásio e ter um plano de perder 10 quilos em 15 dias. Obviamente não vai acontecer.

Não vai dar certo.

Não quer dizer que não funcione o ginásio, o exercício físico, mas obviamente dentro de objetivos realistas.

E ao fim de 10 dias vou dizer: "Não, isto não está a funcionar" ou "só perdi um quilo, em vez de ganhar os 10% que achava, só ganhei dois, vou desistir, vou-me embora". Isso é o pior que se pode fazer. Por isso, investir não é ganhar sempre. Era o que todos nós gostávamos, mas há momentos menos bons. Não é ficar rico rapidamente. Aliás, ficar rico rapidamente é o primeiro caminho para a desgraça, porque acredite, estamos em tudo que podemos. E as fraudes que há muitos por aí, que é ganho. E depois, investir também não é evitar volatilidade, ou seja, produtos de capital garantido, na realidade não rendem nada, não cobrem sequer a inflação. E se retirarmos os impostos, mesmo os certificados de FOU, nós ganhamos menos do que a inflação. Por isso, nós temos que nos habituar a que existe alguma volatilidade, sim, mas a longo prazo e quando são geridos por instituições credíveis e quando já estão no mercado há muito tempo, então devemos mantermo-nos fiéis ao nosso plano de investimento e manter esta disciplina.

Muito bem, Pedro. Então, para começarmos melhor ainda o ano, vamos aqui deixar três ideias simples, que resumem isto tudo.

Sim, a primeira é reforçar ou construir o fundo de emergência, tendo em conta os novos custos ou despesas que são previsíveis ter, definir objetivos financeiros claros e atingíveis e depois investir com regularidade, método e disciplina. Se conseguirmos compilar estas três ideias, então acho que vamos ter um grande sucesso. E reparem, o futuro financeiro não se constrói num dia. São decisões que são repetidas ao longo do tempo. Por isso, mais uma vez, tal como terminamos o ano passado, este ano é consistência, é o que interessa. É consistência emocional e consistência financeira.

Muito bem, Pedro. Ficam aqui as dicas de início de ano e aproveitamos, obviamente, para desejar a toda a gente um excelente 2026.

Sim, um excelente 2026.

Os melhores investimentos possíveis.

Bons investimentos e principalmente sucesso e saúde.

Muito bem. Pedro, até para a semana.

Obrigado, até para a semana.

Obrigado.