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Cá estamos de novo, Pedrolino. Mais uma vez, bom dia. Vamos continuar aqui a olhar para os ETFs. Desta vez vamos vê-lo comparado, ver aqui a comparação entre ETFs, fundos de investimento e PPRs.

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É verdade, muitas vezes temos as comparações entre ETFs, fundos de investimento e PPRs, então vamos lá desmistificar um pouco isto. E vamos tentar perceber o que faz sentido para cada uma dessas soluções, quando é que faz sentido investir. E por isso, o primeiro é o erro de procurar o produto perfeito. Uma das maiores armadilhas do investimento para os investidores é acreditar que existe um produto que é o melhor pra toda a gente. Ou seja, isto não existe. E quando vemos: "Ah, o ETF é sempre o melhor, o PPR é sempre o melhor, o fundo..." Não, não existe. Existe, sim, cada pessoa tem um ciclo de vida e no ciclo mais jovem, temos que ter produtos mais arriscados.

Dando objetivo também a mais longo prazo também. Claro.

Exatamente. Por isso, o melhor investimento não é aquele que teve a melhor rentabilidade no ano passado. Por isso é que se diz muitas vezes: rentabilidades passadas não são garantia de rentabilidade futuras. E muitas vezes o que se tente vender e o que atrai as pessoas é o melhor ETF do ano passado ou PPR do ano passado, deu X%, então toda a gente vai comprar. Não, foi passado, já foi. Não quer dizer que isso replique. Por isso, o melhor instrumento financeiro é aquele que se adapta aos objetivos de investimento.

Muito bem, vamos então começar. Quando é que faz sentido investir através de ETFs?

Os ETFs faz sentido quando alguém quer gerir automaticamente os seus investimentos, quando tem um horizonte temporal longo e pretende custos reduzidos. Tal como vimos no primeiro episódio dos ETFs, os custos de gestão dos ETFs são tão baixos quanto 0,2%. Por isso, têm custos mesmo muito reduzidos.

Isso é uma das vantagens.

É. Simplicidade, transparência, diversificação, têm liquidez intradiária, ou seja, são negociados durante o dia.

Nos mercados, portanto, vende-se como uma ação quando queremos e compra-se.

Por isso, neste caso, o investidor é que vai tomar a decisão: "Olha, eu vou comprar agora o ETF do S&P 500, um índice mundial". Compra e vende. Não tem que saber como diversificar, porque são os ETFs passivos, tal como referimos, aquilo faz a sua realocação automática. Por isso, nem toda a gente, muitas vezes, está confortável com isso, mas tem sido um produto que tem sido procurado, porque eu sem fazer nada, estou investido no ETF.

Uma espécie de pronto a vestir, não é?

Exatamente, pronto a vestir.

Então vamos agora ver quando é que faz sentido investir através de fundos de investimento.

Um fundo de investimento tem uma equipa profissional a tomar decisões. No fundo, são fundos de gestão mais ativa. Vimos que os ETFs também estão a ter mais essa gestão, mas os fundos normalmente têm equipas de gestores que analisam as empresas, analisam riscos, ajustam a sua carteira e procuram oportunidades. Por isso, esta gestão é partilhada por um conjunto de gestores e depois, por exemplo, muitas vezes em períodos mais complexos, como aqueles que andamos a viver, as guerras, crises energéticas ou alteração de juros, estes fundos adaptam-se mais rapidamente e conseguem se proteger melhor destas crises porque são ativos.

Têm pessoas a olhar pra aquilo todos os dias.

Têm pessoas a olhar e podem reduzir rapidamente a exposição ao risco enquanto os ETFs passivos, não. Eles têm aquela alocação e têm que a manter.

Claro. Sob pena de perderem a filosofia inicial, claro, e não é isso que se quer. E os PPRs, onde é que entram aqui os PPRs?

Os PPRs são um caso especial, porque para além do investimento, podem oferecer as vantagens fiscais à entrada, o benefício em IRS, à saída, a tributação mais reduzida e durante a manutenção do produto, que eu posso alterar do PPR, do mais conservador pro mais exposto a ações, sem pagar impostos. Mas também aqui existe o perigo, que é: nem todos os PPRs são iguais. Existem seguros PPR, fundos PPR, depois dentro dos seguros e dos fundos, há mais conservadores, mais equilibrados, mais agressivos. Por isso, até aqui, dizer que também temos um PPR é como dizer: "Eu tenho um ETF". Está bem, mas o que isso quer dizer? O importante é saber olhar sempre adentro. Em que esse PPR reinveste.

Sim, podem ter muita coisa lá dentro e ser mais rentáveis ou não, mais agressivos ou não.

E temos em casa, o caso em Portugal, 80% dos PPR que não rendem nada.

Exatamente. Alguns nem pagam as comissões de gestão. Depois, é importante olhar, seja a que nível for, nestes produtos todos, pra qualidade da gestão, não é?

Sim, a qualidade da gestão é fundamental, principalmente nos fundos de investimento e nos PPRs, porque os ETFs, principalmente os de gestão passiva, não exige grande qualidade da gestão, porque aquilo basicamente replicam. Nos outros, sim, é preciso saber se os fundos de investimento, os PPRs, têm conseguido superar os índices, se se comportam melhor em crise, porque nas crises é quando muitos investidores entram em pânico e vendem tudo. Por isso, muitas vezes, um comportamento melhor protege o investidor e evita com que ele venda. E, por isso, os investidores devem analisar o quê? O histórico, a equipa, o processo de investimento, o risco e, claro, os custos, que já sabemos, também são superiores aos dos ETFs.

Muito bem, e o que se deve fazer? Vamos imaginar que estamos a começar hoje. O que se deve fazer?

Então, o primeiro que devemos saber é saber quais são os meus objetivos. O que eu pretendo fazer? É comprar uma casa, ou dar entrada pra comprar uma casa, é um carro, é uma viagem.

É só o fundo de emergência.

É o fundo de emergência. Depois, qual é o meu horizonte temporal? São meses? Se são meses, não vale a pena investir em bolsa. Se são anos, são dois, três, cinco ou 10 anos, e qual é o risco que eu consigo suportar? Ou seja, se eu vir o meu portfólio descer 5%, consigo dormir bem? Dez, consigo dormir bem? Este é o risco, é qual é a nossa tolerância à dor do investimento.

Certo.

E por isso, só depois é que se pode escolher qual é a ferramenta, que é: eu quero um ETF, quero um fundo de investimento ou um PPR. E não há nenhum que seja melhor que o outro.

Lá está, depende do objetivo do investimento concreto.

Sim, e muitas vezes até são produtos complementares. Eu posso ter um ETF, posso ter um fundo de investimento e posso ter um PPR.

Claro, com horizontes diferentes, com exposições diferentes e perspectivas de rentabilidade diferentes também. Encerrando esta comparação, Pedro.

Por isso, o segredo raramente está no produto, está mesmo no plano. Eu acho que a maior parte das pessoas investe sem ter um plano. É: ouve e compra.

E pra esses não há produto que seja indicado.

Não há produto que resista. Não há, porque agora é o petróleo, mas depois quando isto cair, é um desastre. Por isso, o melhor investidor também não é aquele que tem o ETF mais popular, nem o fundo mais falado, nem o PPR mais conhecido. É aquele que escolhe as soluções coerentes com os seus objetivos e consegue se manter investido durante muitos anos. Nós já falamos aqui na consistência. A consistência é chave, porque no final, mais importante do que escolher o veículo, é permanecer nesta viagem de investimento e de valorização do nosso patrimônio a longo prazo.

Consistência, então, é a palavra-chave aqui.

É, sem dúvida.

Pedro Pedrolino, mais uma vez, obrigado. Voltamos pra semana.

Obrigado, bom fim de semana.