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Começa agora mais um Boa Moeda, Má Moeda e, Paulo Ferreira, hoje vamos à compra do Credit Suisse, não é?
É, porque parece que é uma coisa distante e muito macro, mas como já vimos nos últimos dias, tem impacto muito direto no nosso bolso. Parece que o assunto está resolvido. Este drama do Credit Suisse, pelo menos, que foi a grande nuvem negra que pairou sobre o sistema financeiro europeu nos últimos dias. A compra do Credit Suisse pela UBS, pela Union Bank of Suisse resolve o problema. No fundo, a UBS é cerca de duas vezes maior do que o Credit Suisse e, portanto, incorpora o problema, resolve o problema, tem capacidade e dimensão para digerir o balanço do Credit Suisse com todos os seus problemas. Isto foi fechado durante o fim de semana, como mandam as regras.
E foi rápida a decisão, não é?
Foi muito rápida a decisão. Houve uma pressão imensa das autoridades suíças, dos bancos centrais também, do BCE e do Banco Nacional de Suíça. E portanto, a UBS também negociou, obviamente, o valor, começou por oferecer mil milhões de euros, acabou por fechar a operação nos três mil e poucos milhões e fizeram bem as contas e basicamente acabam por salvar aqui o banco e também, de alguma forma, retirar esta incerteza toda sobre o mercado financeiro.
Paulo, mas mantém-se a marca Credit Suisse?
Ainda não se sabe. Vamos ver o que é que eles fazem, se a marca está suficientemente danificada para desaparecer, se vão manter. Eu acho que ainda ninguém pensou nisso, nesses detalhes. Para já, vamos salvar aquilo que deve ser salvo.
O Carmo está sempre com um passo à frente.
Está sempre aí, faz-me company.
O Credit Suisse bom e o Credit Suisse mau. Estava a pensar que devia ser assim.
Não é um resgate desses, não é uma revolução dessas. Neste momento passa a haver só uma UBS boa para nós, não é?
Claro que sim.
E o Credit Suisse fica ali. Quanto às marcas, eu imagino que eles agora ainda tenham mais em que pensar do que chegar a esse ponto. Mas para já, este assunto parece fechado, de facto, e bem fechado. E a melhor forma de resolver isto é dentro do mercado e dentro daquilo que é o sistema financeiro, sem intervenção de autoridades e sem dinheiro dos contribuintes à mistura. O que é que isto tem a ver com os nossos bolsos? As Euribor, nós sabemos, andaram na semana passada em queda, precisamente porque a perspetiva de uma crise financeira, de uma crise bancária na Europa, podia levar o BCE, de facto, a adiar os planos que tinha para subidas e as Euribor. Os mercados são sempre muito nervosos nestas coisas e vão logo a correr antecipar tudo. E as Euribor tinham caído, mas na sexta-feira, depois da subida de juros do BCE naquele meio ponto, já aumentaram e agora deverão, obviamente, retomar a subida.
É, pois, mas mesmo assim estão quase meio ponto abaixo do que estavam no início do mês.
É, houve um ganho de qualquer maneira. Mesmo fazendo estas contas, pode ser que agora nas próximas sessões elas recuperem, mas houve um ganho. Quem olha para as Euribor agora, elas perderam meio ponto. E meio ponto é importante, atenção. Meio ponto é o que elas demoraram cerca de dois meses a subir, dos 3,5 para os 4. E portanto, há um ganho, e este ganho vai se refletir agora quando chegarmos ao fim do mês, vai se refletir obviamente nas taxas de juro médias do mês, que vão depois servir de indicador para rever as prestações do crédito à habitação que vão ser feitas em março.
É uma má moeda então, não é, Paulo? Os juros que devem voltar a subir.
É a má moeda desta novela financeira, se quisermos. A parte boa é estar resolvido o problema Credit Suisse. A parte má é isso mesmo, é a normalização do sistema financeiro e a falta de riscos deve levar o BCE e as autoridades monetárias, no fundo, a reatarem os planos que tinham antes desta crise. E os planos são de, já houve uma subida na quinta-feira, como nós sabemos, mas é continuar a subir os juros. Só se olharmos aqui para as estatísticas que saíram também na sexta-feira, a taxa média do conjunto de contratos de crédito à habitação em Portugal que está em vigor, portanto, todos os contratos, subiu para 2,5% em fevereiro. É o valor mais alto desde março de 2012, portanto, há 10 anos que a taxa média dos créditos à habitação que estão vivos, que estão em vigor, não era tão grande, mas se olharmos apenas para os contratos que foram feitos em fevereiro, portanto, no mês passado, a taxa média desses contratos já vai nos 3,4%. Portanto, obviamente, estamos aqui com cada novo mês, os contratos feitos nesse mês, têm taxas de juros superiores, como é evidente, mas cá está a trajetória de subida aqui bem presente e a carregar nos orçamentos familiares.
Paulo Ferreira e o Boa Moeda, Má Moeda.