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Esta manhã vamos olhar para as conclusões do estudo sobre a sustentabilidade da Segurança Social, que foi conhecido ontem. Paulo, são várias as ideias para melhorar as nossas reformas.
Sim, ideias são apresentadas como voluntárias. Isto à margem, obviamente, daquilo que é o pilar central da Segurança Social, o sistema que temos actualmente e que os autores propõem algumas mudanças, mas sem mudar radicalmente, sem fazer uma reforma sequer. Portanto, mantendo-se o sistema de partição que temos hoje, que é o dinheiro que nós descontamos em cada mês, as pessoas que estão a trabalhar, serve para pagar as reformas que estão a pagamento naquele mês ou no mês seguinte. Isso mantém-se integralmente. Depois há alguns ajustes que eles propõem, mas nada de muito diferente. Eles fazem uma série de propostas que dizem que devem ser voluntárias, mas que no fundo pretendem estimular a poupança desde o mais cedo possível, como é evidente, das pessoas tendo em vista a reforma e partindo de um princípio, se nada fizermos, as reformas do sistema oficial, que vamos receber, vão ser cada vez menores em relação ao último ordenado. Algumas ideias propostas, uma delas aliás foi implementada agora há uma semana ou duas pela Alemanha, que é a criação de um sistema de poupança jovem.
Falámos aqui.
Falámos aqui com o apoio do Estado. O Estado podia dar um apoio simbólico mensal, 10, 15 € aos jovens ou quando nascem, ou então quando entram na escola aos seis anos, por exemplo, que iria até aos 18 anos, que era dinheiro que ficava a capitalizar esse dinheiro.
Exatamente, não se mexia.
Não se mexeria, nem se poderia mexer, nem aos 18 anos, atenção. Era dinheiro só para a reforma, portanto tinha regras de movimentação semelhantes a outros produtos de reforma, como os PPR e por aí fora, para não perder benefícios. Dez euros por mês, imaginem, criando uma conta. Qual é a ideia disso? É criar, de facto, o estímulo de poupança desde muito jovem para as pessoas, para as pessoas saberem que têm ali um aforro e a longo prazo, a longuíssimo prazo, neste caso. E depois, obviamente, que a família, os pais, podendo, podiam reforçar isto. Até foi dado aquele exemplo, muitas vezes os avós dão aquele dinheirinho no aniversário.
Aquela notinha toda dobrada.
Escondida, como se estivessem a passar droga para os netos.
A passar ouro.
A passar ouro. E portanto, essas prendas monetárias também podiam entrar aqui. Já agora, falámos noutro dia sobre o efeito da capitalização composta. Estive a fazer umas contas, se nós capitalizarmos, imaginem, 50 € por mês, à nascença, um bebé nasce, então os pais decidem todos os meses, porque podem fazê-lo também, tirar 50 € de lado para colocar numa conta para o bebé, que há de crescer. Que vai render uma taxa composta de 8% ao ano, que é uma taxa que é possível e normal com alguns produtos de poupança, até aos 18 anos. Quando chegarmos aos 18 anos desta criança, quanto dinheiro é que lá vai estar? Contas feitas, são acumulados 23 mil €. Não sei se consideraram muito, se consideraram pouco estes 50 €. Isto divide-se como os 23 mil €. 10.800 foi o que nós lá colocámos, portanto, somatória de 50 € por mês durante estes meses todos, deu 10.800 e os outros 12 mil é o efeito do juro composto. Portanto, mais do que duplica. Se nós estendermos isto para os 65 anos, obviamente que será muito mais ainda. Só para se ver o efeito. Mas isto foi uma das ideias.
Achas que ainda vamos a tempo, Paulo?
Eu acho que ainda vamos a tempo.
Ainda conseguimos amealhar qualquer coisa.
Não com 50 € por mês, mas com 5 mil € por mês ficamos lá perto destes montantes.
Ficamos takataca.
Outra ideia apresentada é a criação de planos de pensões profissionais, isto é, no fundo, associados ao contrato de trabalho da pessoa. Quando a pessoa inicia trabalho com uma empresa, abre-se um plano de poupança, a pessoa desconta uma parte do seu ordenado, a empresa põe mais um pouco e o Estado pode também contribuir. Eles dão o exemplo de três, três, um, isto é, por cada 3 € da pessoa, a empresa coloca também 3 € e o Estado coloca 1 €. Isto depende, obviamente, do nível de descontos. Este plano, obviamente, quando a pessoa muda de emprego, acompanha a pessoa, é uma conta individual que vai acompanhando. No fundo, também o objetivo aqui é estimular a poupança a prazo para a reforma. Uma ideia curiosa aqui é que a adesão a estes planos seria por defeito. O trabalhador aderia por defeito, isto é, é voluntário.
É voluntário, mas não seria uma escolha.
Seria a escolha sair, mas isto é, o trabalhador é que tinha que dizer que queria sair, porque naturalmente ele estava lá. A diferença entre uma coisa e outra é substancial, depois, no resultado. Se a opção é para a adesão, muita gente por desleixo, porque não quer pensar no assunto, acaba por não aderir. Quando a pessoa já está dentro, vai ter que pensar no assunto, pelo menos para sair, e essa ideia é automática e sem problema. Portanto, isso seria outra ideia. Outra ainda é a poupança através de consumo, criação de um plano, como nós já temos muitas vezes em cartões de crédito e de débito, que é o cashback, isto é, por cada X euros que gastamos ou que paguemos com aquele cartão, há uma devolução de uma percentagem, e criar isto para a poupança. Isto é, criar produtos que em função do consumo das pessoas, o consumo normal, toda gente precisa, obviamente, de fazer despesa, infelizmente, que seja criado um sistema de acumulação de poupança em contas também, mas aqui sempre a pensar no longo prazo e sempre a pensar na reforma. São ideias, todas estas voluntárias, que não dependem do pilar central da Segurança Social e que cada pessoa ou empresas por aí fora, de alguma forma, também pode pôr em prática individualmente, se quiser. Não precisa de ficar à espera do Estado.
Claro, à mercê.
Embora neste tipo de coisas, se houver incentivos fiscais, como acontece nos PPRs, por exemplo, que são populares muito à conta.
É um empurrão.
É um empurrão, é importante.