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Eu estava à espera que aparecesse uma voz. Então hoje no "Como se Paga" temos Afonso Fortunato. Muito bem-vindo. Seja muito bem-vindo.

Olá, obrigado.

Boa tarde. Olha, é meio um tarracho.

É tipo um kizomba com rap por cima.

Isto é João Não, não é? João Não.

João Não com Lil Moon. Porque curto, não tem grande motivação.

Chama-se "Danceteria", não é?

Sim.

Eu adoro a palavra danceteria. E aparece no vídeo, quando eu estava a pesquisar, aparece os Power Rangers, por quê?

Não sei, não estou para o videoclipe.

Eu não estou por dentro. Mas ouves isto com frequência? É daquela música que está na playlist e tu ouves.

Eu curto muito eles os dois. E esta mais antiga com o Michael Knight, que é um cara que eu curto muito, mas que eu sinto que tem poucas músicas para eu ouvir.

Por quê? Como assim, ele tem muitas músicas.

Mas eu descobri-

Que toquem no coração.

Descobri isto há pouco tempo. Que dizem alguma coisa. Não, elas todas dizem.

Eu sei aquela do LD23, sabia decora isso, o refrão. Porque ele tem uma música muito engraçada, Michael Knight, que é com os comandos do PlayStation.

Sim.

Eu sabia essa parte. Eu gosto aquela do Inatel, é dele, não é? É, também. Eu adoro essa. Não, é dele com o David Bruno. Sim, adoro essa música. É outro projeto. Eu gosto muito do primeiro álbum dele. É muito bom. Michael Knight, se estivesses a ouvir. Tu és de 2001.

Ya.

Finalmente recebemos aqui alguém mais nova do que a Filipa. Isto tem sido muito complicado. Obrigada, Afonso, por existires. Este podcast é curioso, porque nós temos tanto pessoas mais velhas, mais consagradas, e também novos talentos. E tu começaste há muito pouco tempo na comédia, não é? Quer dizer-

Dois anos.

Já dois anos. Dois anos. Ainda pensei que fosse há três, mas não. Dois anos. E como é que começaste?

Imagina, eu primeiro, antes destes dois anos, tirei aqueles clássicos cursos de comédia. Fui uma vez a palco, porque é um dos benefícios de tirares o curso. Achei giro, mas não me disse nada. E depois veio COVID, fui de Erasmus, não estava de todo dentro disto.

Foste de Erasmus? Que levantinha.

Fui para a Finlândia.

Ai, que fixe! Ai, Ri. Hoje estamos a partilhar o mesmo neurônio, não sei. É o três. Como é que foi a Finlândia?

Foi muito fixe. Eu estava um bocado: "Será que vou? Será que não vou para aqui?" E no próprio dia em que submeti a candidatura, mudei à última hora, porque não queria ir para um sítio tão perto, então quis ir para lá.

Qual era a outra opção?

Para Itália.

Ok, bem diferente.

Ya.

Por que a Finlândia em primeiro?

Porque eu faço muita autossabotagem e mudei na véspera. E porque eu achei que nunca na vida ia querer ir lá se não fosse para viver lá.

Se não fosse obrigado, não é? Estudar lá.

Mas que era fixe ao mesmo tempo, mas que não justificava ir. E então fui para lá seis meses.

Portanto, não te arrependeste de teres ido para a Finlândia. E como é que é a escola lá, já agora, a educação? É muito diferente, não é?

É igual, só que é de noite. Noite, porque não há sol.

Sim, mas, por exemplo, eles têm campus universitários que parecem quase cidades. Pelo menos eu estive na Dinamarca, na altura fiz Erasmus em Valência, mas cheguei a visitar a Dinamarca e uma pessoa que estava lá a fazer Erasmus e estava num campus e aquilo funcionava como uma cidade, quase como uma aldeia.

É um bocado, aquilo é muito grande e depois tu tens habitação lá, mesmo lá. Tens supermercados e lojas, whatever.

O que te distrair.

FNACs, esse género.

É uma min cidade.

Não uma FNAC em específico, mas foi o nome que me veio à cabeça. Mas desse gênero.

E a carne era muito cara? Eu lembro-me da carne na Dinamarca ser extremamente cara. Era extraordinário, era mesmo caríssimo. Que horror.

A comida não é assim tão cara. O que é muito caro é o álcool, que eles têm uma taxa de 90%, porque eles eram muito alcoólicos lá.

Então mandaram uma taxa do gênero: "Faz favor, controlem-se". Se calhar vem da, dizem que os Inuítes, que se dizia esquimós antes, mas hoje em dia já não se diz esquimó. Mais um momento trivia com Rita Salema. Que têm um grande problema de alcoolismo, sim. Portanto, fizeram bem. Mas eu acho que tem a ver com o frio, não é? Para aquecer. Quer dizer, se não têm mais nada que fazer da vida, também, pronto, olha, vão beber um pouquinho.

Um bocado preconceitos geográficos.

Tem um bocado. Essa agora. Mas é para aquecer.

A teoria que eu ouvi, e que na altura aceitei muito bem e hoje acho que não faz sentido, é: eles quando estavam em guerra para ter independência e a água era muito cara, então eles consumiam, não sei se era vodka ou se era um equivalente, porque era muito mais barato.

É como as nossas sopas de cavalo cansado.

E tornaram-se muito alcoólicos.

Sim, percebo. Mas nós somos um país também muito alcoólico e muitas crianças antes de irem trabalhar para o campo nos anos 50, 60, 40, por aí fora, comiam sopas cavalo cansado. Portanto, também é um bocadinho cultural, se bem que lá se calhar não havia tanto trabalho infantil. Portugalidade. Voltando aqui ao Afonso. Sim, Erasmus na Finlândia. Licenciado em Economia, mestrado em Gestão, é isto?

Ya.

E agora trabalhas na L'Oréal.

Certo.

À par da comédia. Porque tu mereces. Porque ele merece. E há pouco estávamos ali a falar em off que tu gostas do teu trabalho.

Ya, gosto muito do que faço.

O que tu fazes?

Faço marketing.

E que vai sair à noite com os patrões, não é?

Ya.

Isso é incrível.

Não estava nada à espera. Eu quando estava na faculdade, estava à espera de odiar um pouco, ligeiramente, o mundo corporativo. E de repente é um mundo, este mundo em específico, neste sítio. Se calhar, se eu for para outro sítio, vou odiar, não sei. Ou se calhar vou gostar mais.

Mas pelo menos ali está a funcionar. Mas o que é que te faz gostar? O que é que me faz gostar? Tu trabalhas no marketing da L'Oréal, não é?

Certo.

Portanto, é uma empresa gigante. Ali é Alfragide, não é?

Miroflores.

Miroflores. Eu digo uma coisa que é a mesma, para mim é como se fosse. Mas sim, é gigantesca, há montes de empregados. Uma equipa grande. Centenas e centenas.

Nós somos três.

"São uma equipa grande." "Sim, três."

Por isso é que eu disse somos três. Somos mais, mas na minha equipa somos três. Mas depois há contacto com Espanha, porque há uma equipa de Espanha, isto é meio ibérico. Depois aquilo torna-se maior.

Há vários departamentos. O teu departamento são três pessoas, pelos vistos.

Sim, porque aquilo está dividido em cenas de beleza, ou seja, tens a parte de skincare, tens a parte de cabelo, eu sou de cabelo.

É de cabelo. E não te oferecem xampôs e coisas do gênero? Ampolas? Não.

Oficialmente, não.

Off the record.

Sim.

Têm de testar. Têm de testar. Não é detestar. De-espaço testar. Pronto, oficialmente não.

Mas nós recebemos três caixas por ano.

Que fixe.

Enormes. Estou a fazer com as mãos isto, não se deve ver. Mas muito grandes e de várias divisões, porque depois temos divisão de luxo também.

De luxo ou lixo?

Luxo.

Luxo.

Tipo Armanis, Ralph Laurens pertencem.

Também pertence à L'Oréal.

Sim.

Foi tudo comprado.

Estão a ver aqueles gráficos daquela malta superanticapitalista do: "estes gajos controlam o mundo todo e depois estão um 'bué' braços e as empresas pertencem todas ao mesmo."

A L'Oréal é uma.

Deve haver para aí o quê? Não vou dizer o número, mas há umas quantas de beleza, a L'Oréal é uma delas.

Mas foi comprando ao longo do tempo, não é?

Sim. Aquilo nasceu com um bacano que descobriu uma fórmula para coloração de cabelo que não estragava o cabelo, porque na altura tudo fazia mal. Isso foi o primeiro business. Depois foi crescendo e depois foram comprando outras.

Fazia mal o quê? Fazia mal ao cabelo ou à saúde? Continua a ser só químicos.

Mas são químicos menos agressivos.

Mais soft. Temos aqui o Afonso na parte do cabelo, que trabalha no cabelo. E vocês dão-se todos bem, estava a dizer, saem à noite. Sim, têm uma ótima relação.

Não estava à espera, até ir lá parar.

As pessoas são jovens também? Como é que é a equipa?

Na minha equipa, o mais velho tem 35 anos.

Então é superjovem. Nós também aqui no Observador somos assim. É verdade, uma equipa maioritariamente jovem. Muito bem. Os nossos chefes muitas vezes também saem, quando há festas do Observador, não saímos à noite. Não dizemos: "Então, Ricardo, vamos aí ao Bairro Alto." Exato, Ricardo, se nos estiveres a ouvir, vamos então todos beber um copo. Mas calha, às vezes calha nas festas. Sim, mas é bom terem esse ambiente no trabalho. Passando aqui à comédia, tinhas dito que tiraste aquele curso na altura da pandemia ou antes da pandemia. Foste de Erasmus, voltaste e foi aí que depois pensaste do gênero: "Espera lá, eu tirei aquele curso, se calhar vou fazer qualquer coisa com isto", ou não?

Sim, aliás, a comédia foi o meu primeiro trabalho ao serviço. O primeiro recibo que eu passei foi comédia.

Deve ter sido milionário.

Sim, exato.

Mas sim.

E agora perdi-me.

O teu primeiro trabalho foi na comédia. É isso.

E eu tirei o curso e ok, fui a palco uma vez, mas comecei a descobrir pessoas e a dar-me com pessoas. E quando me afastei, porque não estava de todo interessado, continuei a seguir as pessoas e as pessoas iam pondo coisas e eu ficava com pica de: "Também quero fazer isto."

E não uma pulga atrás da orelha. E chegaste a frequentar algum bar de stand up lá na Finlândia, não?

Não.

Não? Nada?

Porque não estava de todo na vibe de fazer comédia.

Não estavas para aí virado.

Mas já quando fiz Interrail o ano passado, fui fazer fora de Portugal. E foi giro.

Fizeste em inglês?

Fiz em inglês em Budapeste.

Como é que correu?

Correu muito bem, por acaso correu. E depois a miúda que organizava a noite lá, veio cá a Portugal e cruzámo-nos no Comedy Club, que ela vai fazer também.

Como é que ela se chama?

Pois, não sei. Mas ela não vai ouvir isto, portanto, está tudo bem.

Pronto, então vai passar. Boa. E tu agora começaste a fazer mais vezes, inclusive no Comedy Club, certo?

Certo.

És frequente lá? Como é que funciona a rotina?

A rotina, duas, três vezes por semana.

Ainda é bastante.

Estou lá a contar graça.

Tu és residente, não é? Podes dizer que és tipo comediante residente.

Sou uma pessoa que atua lá regularmente, depois de terminologia, não sei, agora estou um bocado burro, mas esses termos têm vários patamares e um deles chama-se de facto residente.

No fundo, é um esquema pirâmide. É um esquema pirâmide em que uns trazem outros. E depois das passadas. E só ganha uma pessoa, que é o líder. Imagina que horror. Pronto, então não és residente, mas vais lá muitas vezes. Duas, três vezes por semana é ótimo. Já angariaste mais alguém para lá?

Não, isso não é bem.

Estou a brincar. Não é um esquema pirâmide. Olha, mas também tiveste no BarRir.

Tive no BarRir, por acaso dos sítios mais giros que eu já atuei.

Toda a gente fala muito bem. Fala-nos um bocadinho dessa atuação. Até porque nós temos a seguir, vamos ouvir um bocadinho.

Ok. Eu já lá fui várias vezes. Aliás, a primeira vez que eu fui ao BarRir foi para aí a minha terceira atuação, portanto, não era inacreditável, mas correu muito bem. Mas os donos virem-me oferecer coisas e um nível que eu percebi que não estava a acontecer às outras pessoas e fiquei muito hype na altura. E a sala é incrível. Também correu superbem, porque a sala é muito boa, o público está supertreinado Eles sabem.

A malta palmas, três, dois, um. Não, mas é um público habituado a ver comédia.

Eles estão super habituados àquilo. E no Barreiro, que passa novamente preconceito geográfico, mas não se está à espera que seja o epicentro da comédia.

Olha que passam-se muitas coisas fixes no Barreiro, inclusive têm várias festas.

Só se acha que é em Lisboa, que é um polo, um foco mais em Lisboa.

Mas não, o Barreiro culturalmente por acaso tem um bom andamento. É isso.

É fixe estar a expandir.

E correu bem, então.

E correu bué bem.

Mas não ficaste nervoso em palco?

Não.

Nem mesmo ali nos inícios, não ficavas?

Imagina, acho que fico o nervoso saudável.

Ok. Não é do género ataques de ansiedade, suar o bigode.

Nada.

Ok, boa. Menos mal.

Engraçado.

Acho que a geração mais nova se calhar sofre menos de ansiedade. Será? Os estudos não dizem isso.

Nós somos mais ou menos da mesma idade e eu sou o oposto. Tenho muita ansiedade. Mas pronto.

Vamos ouvir um som aqui do Afonso. Ok, tem a ver com... Vamos ouvir.

Sim, para ouvir. Mas quem é que já teve bicho-da-seda como animal de estimação? Que animal de m ou não? Eu tentei. Eu um dia cheguei a casa, o pai: "Está o Carlos, é o meu bicho-da-seda." Começou: "É uma parvoíce, é um desperdício de cartão, não sabe fazer nada." No dia seguinte cheguei a casa, o pai: "Está o Jorge, é o meu sem-abrigo. Também é um desperdício de cartão, mas ele faz malabarismo em semáforos.” E o meu pai adorou o Jorge, porque o Jorge é Sagitário, que é o signo de quase todos os sem-abrigo, se nós pensarmos bem, nós olhamos para eles e percebemos que aquilo metade é homem, mas a outra metade é cavalo. Mas eu estou a modernizar o meu sem-abrigo. Noutro dia cheguei a casa, instalei ao Jorge o meu TikTok e ele agora está muito melhor. Mesmo a estacionar automóveis está muito melhor. Já não faz aquela clássica do distorce. Agora é sempre distorce, bate, joga de ladinho.

E este foi no Barreiro, é isso?

Foi no Barreiro.

E tu é curioso, falas muito de signos também.

Sim, porque...

Qual é o teu signo?

Sou Carneiro. A minha namorada é bué da astrologia. Já não é tanto, mas era.

Frapu.

Sim. E foi daquelas de mapas astrais e cenas desse gênero. E eu não sou crente, mas eu acho bué fixe saber sobre.

Sim, engraçado.

E então estou bastante dentro do assunto.

Muito bem, acho muito bem. Olha, eu gosto de Carneiro, a minha irmã é Carneiro.

Eu também, sim, a minha mãe também era. E diz-me uma coisa, é de março, não é? Entre março e abril.

Início de abril.

Março, sim, início de abril.

O que é que eu te ia agora, por acaso ia perguntar.

Pegando aqui na Frapu.

Sim, exatamente, o podcast, era isso que eu ia dizer, o podcast.

Não temos.

O Confessionário.

Tivemos.

Tu tinhas um podcast com a tua namorada, não é? O Confessionário.

Porque não tem a ver com reality shows, mas nós éramos superconsumidores de reality shows e trash TV no geral. Então foi pretexto para...

Então vocês devem conhecer montes de reality shows, aqueles que não lembram meninos de ouro. Por exemplo, há o Too Hot to Handle.

Consumo bastante.

Diz-me assim, alguma ideia de um reality show assim completamente fora que gostavas que importássemos para cá?

Não sei se gostava, mas para dar um exemplo assim um bocado fora, agora na Netflix, que é só de pessoas com trissomia 21.

Eu sei, por acaso eu sei esse.

Não sei, não estou a praticar.

É Love... como é que se chama?

Qualquer coisa de 21.

Love on the Spectrum.

Não, isso é com autismo.

Mas esse é outro. O Love on the Spectrum é...

É um bocado em instrumentalização das...

Mas é parecido com o Love on the Spectrum, acredito, porque também havia pessoas com síndrome de Down nesse Love on the Spectrum. Eu fartei-me de chorar com esse. Eu já nem vou ver, porque eu sou uma pessoa muito sensível, eu sei que vou ver isso e vou chorar muito.

Fartei-me de chorar e rir-me, porque são pessoas que não têm ironia, não mentem, dizem tudo o que pensam e é extraordinário. Na verdade, toda a gente se consegue rever nisso, não é?

Pronto, eu como vejo as mesmas séries em loop, não estou a par desses realities shows.

Eu gostei muito, por acaso. Eu até gostei. Eu não vi como uma exploração. Lá está, quando vi o Love at the Spectrum.

Love on the Spectrum.

Love on the Spectrum. Love at the Spectrum. It was love, it was love at spectrum. Não estou dentro deste som.

Isto é a Kylie Minogue.

Ok, pronto, desculpa. Não é da minha faixa etária.

Conheço a Kylie Minogue, mas não sei se estou a reconhecer a música.

Provavelmente quando ela lançou o décimo álbum, vocês nasceram.

Possivelmente.

Fala um bocadinho desse podcast então, o Confessionário. E o Confessionário, ou seja, o tema trash TV foi o pretexto para criar vários segmentos, rubricas, whatever, que estivessem ligadas a, para desenvolvermos temas, porque não queríamos ser só um podcast normal, só mais um. E tentámos trazer convidados e foi fulinho.

E desrecusaram todos.

Não, por acaso iam bastante.

Que convidados é que eram? Eram amigos vossos?

Inicialmente, pessoas que nós já conhecêssemos na vida real, mas que gostássemos do trabalho. Eram sempre pessoas ligadas minimamente a uma arte qualquer.

Ok. Porque podia ser pessoas de reality shows, não é? Olha, isso era giro.

Nunca pensámos de todo.

A sério?

Ya, porque nós achámos que arte se calhar tem mais sumo. E o reality show estávamos presos a um programa que se calhar ninguém viu.

Sem o menu, porque vocês... sim. Olha, Afonso, vamos ter só que fazer aqui uma pequena pausa do FM. Ficamos aqui na versão FM. Vamos continuar a conversa em podcast com o Afonso no Com Humor se Paga desta semana. Portanto, continuem desse lado. Até já. E agora aqui estamos em podcast. Agora sim. Super fluido isto. Afonso Fontenat, bora lá. E tu tencionas fazer mais podcasts? Porque acabou o podcast com a tua namorada. Não acabou a relação, acabou, sim, o podcast.

Certo.

Porque ela é de Azeitão e tu és do Cacém, é isso?

É, sim.

A distância que os separa. E não tens a carta de condução, nem ela?

Tenho, ela não tem.

Ah, ok. Tu tens.

Mas é distante, é uma hora de distância. Imagina, trabalho corporativo, trabalho cómico, não sei como chamar.

O vosso trabalha muito, percebes?

Tenho fim de semana. Mas a minha namorada tem uma loja.

De quê?

Tipo uma thrift store.

Que fixe! Uma loja de roupa em segunda mão. Como é que disseste? Thrift?

Thrift store. Com curadoria dela.

Sabem, dizem lojas em segunda mão.

Sim, mas é mais fancy, thrift store.

Não ouviste a música do Macklemore? Não.

Ouviste, mas não estás a saber qual é que é, de certeza.

Gerações diferentes. Mas espera, é uma loja de roupa vintage, não é?

Certo.

Sim. Ok. Pronto, thrift store é uma loja de roupa vintage.

Está aberta ao sábado.

Só ao sábado?

Sim, todos os dias, menos ao domingo e à segunda. Todos os dias do fim de semana.

Portanto, o único dia é ao domingo. E não é muito fora ser só um dia. Por exemplo, na minha rua existe um café com torrefação, fazem lá o café, é muito fixe, só que só abre ao sábado. Ah, só abre ao sábado? Só abre ao sábado.

Todos os dias estão a moer o café.

Exato. Eles moem num grinder. É um a um, por isso demora o seu tempo. Mas aceitam encomendas. Claro que podem demorar um mês. Mas tem uma loja de roupa vintage, em segunda mão.

Mas sim, gostava de voltar com um podcast ou com um projeto.

Mas um podcast a solo, também com a tua namorada desta vez ou os dois?

Ainda não sei. Gostava de ser com vídeo. Na altura não era, acho que faz diferença e o vídeo implicaria bué stresses de disponibilidades para isto acontecer, tendo em conta que vivemos longe. Portanto, é possível que com vídeo seja mais ou sozinho ou com alguém que habite minimamente perto de mim.

Pois, porque agora se vocês só se veem uma vez por semana, verem-se uma vez e ainda por cima terem de gravar, isso acabou por ser um fardo. Pareciam mais colegas do que namorados. Então acabaram o podcast.

Sim.

Para não acabar a relação. Muito bem. Que horror! Sim. Foi bem pensado. Foi um bom move. E tu nasceste em Lisboa e és do Cacém? Sempre foste do Cacém?

Sempre fui do Cacém. E fiz aquele clássico de mudar de casa para a rua do lado, que eu nunca percebi as outras pessoas. Mas quando eu estava de Erasmus, os meus pais mudaram de casa. Eu nem me despedi da casa, voltei para a outra.

Eles fizeram as mudanças todas por ti.

Sim, o que é bem fixe.

Poupou-te o trabalho, vou te dizer. Não, isso é espetacular. Ao mesmo tempo, podem ter encontrado coisas que não gostaram.

Pois.

Não sei. Agora até hoje não vais saber. Não tinhas um pequeno diário?

Não.

O meu pequeno diário. Por acaso não sei se tinha diários. E póneis, vocês não tinham o meu pequeno pónei? Pequeno pónei. Não, mas pronto, diário, não? Não tinhas?

Eu sempre gostei da ideia de diário.

Sim.

Mas nunca tive, não sei se por masculinidade frágil, se por medo de um dia ser descoberto, tipo filme.

Agora diz-se outra forma. Tipo os teus pais, uma mudança, encontrarem o teu pequeno diário. Mas agora diz-se journaling, que é uma coisa que até aconselham muito fazer a pessoas criativas.

Mas eu já tive a minha fase de vou me descobrir e vou para os journalings e vou meditar.

Olha, mas meditar é ótimo. Percebes? Acho que devias. Tu meditas? Sim.

Deixava-me bué ansioso. Se calhar estava a fazer mal. É o objetivo.

É o oposto.

Ya.

Mas por quê? Desconcentravas-te?

Ficava buéda estressado de não conseguir estar a não pensar em coisas e estar com o corpo estático.

Sim, ou seja, o início é muito complicado, mais ainda para quem não está habituado a estar sossegado. Convém focar noutra coisa e na respiração. Sim, mas depois imagina. Os pensamentos. É isso, quando te vem um pensamento à cabeça, o mais importante é do gênero aceitar que ele está ali, mas agora com licença, podes partir. Sabem, uma boa para a meditação é pensar que são, imagina, meteres placas como se fossem de localidades. Metes uma placa no pensamento e deixá-la passar, como se estivesse na autoestrada. É isso. É do gênero vê-lo a chegar e digo: "Ok, passou."

Mas eu não consigo visualizar isso. É muito holístico.

Tens mais incapacidades.

Ya, pois.

Faz outras coisas para meditar. Love it, Spectrum. Deixa estar a meditação, faz outra coisa para relaxar. E então e agora, quais são os próximos passos assim na comédia? Continuar a fazer, porque tu também és novo. Continuar a testar material e a fazer. Tens algum objetivo assim a médio, longo prazo?

O objetivo, eu quando comecei a fazer, não tinha um objetivo definido do género, quero encher sala X, sala Y, mas eu consumia espetáculos que eu achava incríveis e queria um dia

Desculpa.

Achei que estavas a falar de eu mexer muito os olhos.

Não, nada. Estava só a falar para a Filia, era um gesto só. Queres que solte o som Gigi, é isso? Não, é daqui a bocado. Ah, está bem. Não era para me verem. Por favor, continua, Afonso. Continua, desculpa. Vamos só dizer que isto foi um espasmo da parte da Rita. Sim.

E eu, de alguma forma, super convencido ou algo do gênero, achava que um dia ia fazer espetáculos destes, mas eu preciso de gente para consumir os espetáculos. Então é o tal caminho de angariar público, etc.

Mas tu agora a fazer duas, três noites por semana, vais já tendo alguma malta.

Notei que chegaram mais pessoas, mas não está no nível desejado.

Também lá está, começaste há dois anos. Acho que há muito caminho pela frente.

É um processo.

És carneiro, fazes anos quando?

18 de abril.

18 de abril. Fazes 24 para o ano.

Ya.

Com 24 anos está um mundo pela frente. Sim, claro. É isso, comédia que tu queres seguir e também L'Oréal, continuar na L'Oréal.

Sim. Depende das pessoas que vão ouvir este podcast, a resposta pode ser diferente.

O que é que gostavas de fazer mais?

Acho que se um dia chegar a um sítio superestável financeiramente da comédia, claro que era o sonho.

Também não estás mal em fazer o que estás a fazer.

Não estou mal a conjugar os dois e acho que gosto bastante do que faço. Então o nível de dinheiro, digamos assim, que eu tenho que fazer da comédia para deixar um trabalho corporativo é muito mais alto do que um dia eu estava à espera, porque eu estou bastante OK com o que faço. Gosto bastante.

Enquanto está a fluir esta bela conjugação, Afonso Fortunato, muito obrigada por teres estado connosco aqui no "Com Amor se Paga" desta semana. Sigam o Afonso. Vais botando novidades nas tuas redes sociais, no teu Instagram, datas e coisas do gênero, certo?

E vídeos, o que for para consumir.

Estás a dar forte nos reels, que isso é importante.

Estou a investir nos reels.

Sim, claro, aquilo que nós vimos era um reel.

É verdade.

E estava bem fixe.

Portanto, aposta nisso.

É continuar.

Muito bem. Sigam o Afonso, sigam-nos a nós também no Spotify, "Com Amor se Paga", da Rádio Observador. Nós voltamos para a semana. Beijinhos e abraços. Obrigada, Afonso.

Tchau, beijinhos.