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E hoje no "Como o Amor se Paga" temos o comediante Daniel Carapeto. Seja muito bem-vindo.
Olá, bom dia, boa tarde.
Bom dia, boa tarde, à hora que estiverem a ouvir isto. Podemos começar a falar desta música?
Isto é uma banda que eu curto bué.
Eu não me vou atrever a pronunciar isto.
É fácil.
Dubioza Kolektiv.
Dubioza Kolektiv.
O nome da música é...
"Hymne A Generacija".
É isso.
É o hino de uma geração, acho eu. É uma banda que eu curto bué e como fui há quatro, cinco dias vê-los pela primeira vez na minha vida e foi excelente, lembrei-me de escolher esta.
Devo dizer que o Sonoplasta disse: "Eu não conheço ninguém, não conheci ninguém que conhecesse esta música também". Temos de proporcionar esse encontro entre ti e o Cassiano.
Um encontro defters de esquerda. Só eles conhecem estas coisas.
É muito por aí.
Tem barba o Sonoplasta?
Claro.
Tem muito cabelo, está a crescer.
Vota livre.
Isso já não sabemos. Mas tem barba, muito cabelo e acho que toca. Toca coisa, baixo ou alguma coisa.
Baixo. É baixo?
Que baixo?
Tu tocas alguma coisa, Daniel Carapeto?
Não, tentei aprender a tocar guitarra quando era puto.
Correu bem?
Não, correu muito mal.
Forma autodidata?
Não, andava a ter aulas, tinha o livro do Eurico Augusto de Bola. Estão a par? Estás a par?
Eu estou a par. Filipa, estás?
Estou a ver que tens uma maneira muito... Não, estou a par, mas de uma maneira muito distante. Já sei, mas...
O Eurico Augusto de Bola tinha os manuais de vários instrumentos, mas depois tinha o outro lado artístico dele. Estão a par disso? Do "O Fado Canta", o fado não sei o quê.
Mas estas aulas duraram quanto tempo?
Duraram um ano e até não saber tocar uma corda.
Atenção, não foi com o Eurico, não é?
Não, foi com um velho também, que mandou-me comprar o livro do Eurico e andei lá um ano, mas as cordas magoavam os dedos, eu sou muito sensível.
A faz calos é um bocado mau.
Deixa-me ver as tuas mãos. Por acaso é assim que se vê se fazes muito trabalho em casa ou não.
Isto serve muito para as pessoas que nos estão a ouvir, realmente.
Não serve.
Não serve nada.
Exato.
Mas não tens calos.
Não tenho.
Não cavas.
Não cavo. O meu pai tem uma horta, por acaso.
É a pergunta que se faz em todos os episódios.
Mas eu não cavo. Já reguei uma vez ou outra, mas cavar não.
Tu nasceste em Lisboa?
Nasci em Lisboa.
Nascido e criado?
O chamado São Sebastião da Pedreira.
Clássico, também eu.
Toda a gente na Turma mentia, na Naturalidade. Que atualmente já não existe a freguesia.
Isso era onde?
Matosinhos, Alfã de Costa.
Ok, sim, faz sentido.
Sim, nasci lá.
Mas não viveste lá nos primeiros anos.
Não, se calhar vivi uns dias, não sei quando é que saí.
Eras prematuro?
Eu? Acho que não.
Nós perguntamos sempre isso.
Perguntam sempre isso?
Claro que não.
As perguntas hoje estão...
Acho que não era prematuro. A minha mãe até disse que eu nasci já bem grande.
Bem composto.
Quantos quilos? A mãe já sabe.
Não faço ideia. Não sei.
Não interessa. Vamos mudar de tema.
Tu andas nisto há muito tempo. Começaste a fazer stand up em 2012.
É muito triste quando se diz isso de alguém que ninguém sabe quem é.
Achas?
Sim, claro que achas.
As pessoas conhecem-te.
Não, claro. Desde 2012.
O conhecer muito também não é propriamente sinal de sucesso.
Não. Tens toda a razão, Rita.
Desculpa.
Tu podes estar um bocadinho mais no underground.
Claro.
E se calhar até pode ser o teu caso.
Sim.
Esta entrevista está a começar de uma maneira incrível.
Tu és dos comediantes que eu mais gosto.
Muito obrigado, Rita.
Já te sigo há muito tempo. Tu já tens três solos.
Tenho três.
Ainda te ia faltar um.
Aproveito para dizer que o terceiro está quase a sair no YouTube, em breve vão lá sair.
Qual é que é o mais recente?
141.6.
Já trocaria por 146.6.
Porquê 141.6?
Era o meu peso na altura. Não sabias?
Pelo que li, era do género: perdeste mais de 50 quilos.
Sim, perdi. Agora já ganhei uns 10.
Não podias ir para uma capa de revista, toca a criar a tua.
Foi exatamente isso que eu fiz.
E a fotografia está muito boa. Fui pesquisar no Instagram por motivos de pesquisa aqui para o programa.
Aquilo era mais seis meses e dava para o cartaz estar sem t-shirt. Mas ainda não deu. Tive só de focar-me nos braços.
Estavam lipadíssimos.
E teve de ter uma t-shirt.
Mas estava bom.
141.6, portanto, é o peso com que começaste.
Sim. Foi o teto.
Sim.
Foi o teto que eu atingi e depois pensei: "Não, se calhar não".
Se calhar não quero mais.
Já chegava.
Emagrecer 50 quilos, isso é...
50 e tal, 55, acho eu, já não me lembro.
Olha, é força de vontade.
Sim, é força de vontade e também muita depressão aí pelo meio, não?
Mas antes ou durante?
Durante.
Mas antes também. É antes, é durante.
É uma depressão constante também.
Mas sei, pelo que ouço.
Por acaso é difícil. Começar é o mais difícil.
É uma transformação emocional muito grande. Não é só física.
Começar é o mais difícil. E é muito estranho, porque ao início, em três, quatro meses perdes 20 ou 30. É sempre assim, que é muito mais rápido perder ao início. E de repente é estranho, parece que nem te reconheces bem. Vês-te ao espelho, é estranho.
Mas é uma satisfação pelo positivo.
Claro que é fixe.
É fixe?
Sim, notas uma diferença abismal de qualidade de vida.
Mas é do género fazer exercício físico todos os dias, dieta.
Não, o mais importante é a dieta, na verdade.
Mais dieta do que propriamente exercício. Deixaste de comer pão.
Dá para englobar pão em dieta. Tem de ser controlado. Mas o mais importante é a dieta, porque tu podes fazer exercício físico todos os dias, comeres que nem um animal, não perdes peso nenhum. Nada, não perdes. É para aí 70% dieta, 30% exercício, diria eu, se tivesse de apostar.
Por acaso, já ouviste falar daquelas injeções para a diabetes que emagrecem a pessoa imenso?
Eu tenho a dizer que não acredito nisso.
Não? Até porque as pessoas depois engordam rapidamente. Outra vez.
A questão é: não acredito que haja qualquer medicamento que, se tu ingerires mais calorias do que aquelas que gastas, vais engordar, ponto final. Eu não acredito que haja um medicamento que elimina as calorias. Como é que isso funciona?
Eu acho que o que o Ozempic faz é perde o apetite. Acho que é isso que acontece.
Ou seja, não comes.
Acho que é. Acho que a malta depois acaba por não comer.
Sente-se saciada.
Mas é isso que estavas a dizer, depois deixas de tomar aquilo, volta o peso todo.
E não comer também não é bom.
Exato, não é?
Pois não.
Benefícios que passa pelo que isso traz.
E tu conseguiste escrever durante esse tempo? A tua vida, fisicamente e emocionalmente, devia estar a ter tanta transformação que às vezes pode ser difícil concentrar-te no trabalho.
Sim, consegui escrever bastante. Na altura até estava a ser bastante produtivo. E depois foi a altura da pandemia, porque foi nessa altura que eu perdi peso e tinha muito tempo livre. Não havia espetáculos, praticamente, portanto só tinha de escrever.
Sim, portanto escrever até que deu um salto também.
Sim, eu até já tinha algum texto escrito antes. Já tinha começado a fazer dieta, mas ainda não tinha perdido tudo e já tinha texto escrito como se já tivesse perdido tudo. Era quase motivação, já escrevi isto, eu acho que isto tem piada, então agora tenho de lá chegar.
Mas este teu solo é mesmo só à volta deste teu processo?
É quase, não é tudo. Tenho lá alguns temas que não têm nada a ver, mas é para aí 70% à volta disso.
Tudo novo, não é? Porque o anterior chamava-se...
"Tragédia".
"Tragédia". Muito bom. Aliás, temos aqui parte desse.
É o meu favorito.
É o teu favorito? A sério?
Consegues pôr assim um toque de poesia.
Gostas mais desse do que o de antes?
E muito mais. Acho que estava melhor. Acho que o texto é mais bacana. Tem temas mais diferentes. Só isso. Acho que é fixe. Sabes aqueles artistas que dizem que o último álbum é o melhor? Isso é uma mentira, isso é para vender, não sei se sabiam.
É mesmo mentira.
O melhor álbum dos Chutos não é o último.
Sim.
Exato. O meu favorito é o segundo. É o "Tragédia".
Muito bem.
Já que estamos aqui a falar disto.
Vamos ouvir parte desse stand up, desse solo, que estreou em 2019. Certo?
De acordo com o olhar de aprovação.
Estás a dizer a data do YouTube ou a data do espetáculo?
Está que o "Sical" foi mais cedo.
Do YouTube é que foi 2019.
Mas está disponível no YouTube e podem sempre rever.
Passem por lá.
E vamos ouvir aqui um bocadinho. É sobre culinária. Vamos a isso.
Tu, dá-me um tema. Rápido, isto é preciso é ritmo. Culinária, bom tema. Culinária é bom tema. Gosto desse tema. Culinária. Eu gosto muito de ver programas de culinária, mas ao mesmo tempo aquilo irrita-me um bocado, porque aqueles gajos que estão ali lá no 24Kitchen, aqueles chefs querem dar a entender que é tudo muito fácil. E não é. Porque é que é tudo muito fácil? Porque eles chegam lá e têm tudo organizadinho, os ingredientes todos espartizinhos, em pequenas caixinhas. Como é que é em nossa casa? Em nossa casa não é nada assim. Em minha casa tem dois bifes em cima do sofá, garrafa de azeite no chão, minha avó trancada pra não dar pau aos bichos.
Eu adoro este conceito da avó trancada.
A Rita está ali já a passar-se.
Eu por acaso, a tua avó fez anos há pouco tempo, estamos a falar aí na copa.
Quem diz pouco tempo, diz três meses, não é, Rita?
Parabéns à avó.
Não, porque tu disseste a brincar que ela tinha falecido, não é?
Sim, disse. Mas não, ainda está aí no luto.
Desculpa.
Mas não foi assim há tão pouco tempo. Até que ponto é que fazer anos em abril, se pode vir para aqui dizer que fez anos?
Assim, para uma pessoa que tem 90 anos, já foi há bastante tempo.
É verdade, sim, senhora.
É viver todos os dias como se fosse o último.
E é mesmo.
É o carpe diem mesmo no seu melhor.
Mas está bem. Porque tu usas muito a tua.
É o que está à mão. Eu podia tê-la trazido. Por acaso não, ela não vinha.
Trazíamos aqui a avó. Mas a tua avó ensinou-te a cozinhar?
Não.
Então foi só puramente para comédia.
Não, ela não me ensinou a cozinhar, mas tanto a minha avó como a minha mãe têm muito aquela cena de eu estou a cozinhar e estão ali: "Isto não é assim."
Clássico, o clássico.
É os palpites.
E ela já ouviu o teu material? Porque tu falas muito dela, pelo menos neste solo, "Tragédia", falas muito dela.
Com a minha avó acontece uma coisa que é: a minha avó nunca me viu atuar sequer. Uma vez era para ir, mas depois no dia não quis.
Não queria?
Sim, é verdade.
Não andou, não quis.
Andava sempre a dizer que ia e no dia que eu: "Ok, estão reunidas as condições. O meu irmão vai também para ajudar." Chegou essa tarde, não lhe apeteceu. E não foi. Mas com a minha avó acontece uma coisa gira que é: minha avó fala muito ao telefone com as sobrinhas e com pessoas da família que eu não sei quem são. E essas pessoas contam que viram coisas minhas a falar dela. E ela às vezes manda-me a boca.
A usá-la a mim?
A usá-la, exatamente. Então é isso.
Desculpa.
Dizem que no Facebook há coisas que eu digo a falar dela. Já nem é bem o Facebook.
Mas achas que ela ainda quer ir ver um espetáculo teu?
Acho que já não.
Já não está para isso.
Não está para isso.
O teu sentido de humor, sentes que foi herdado de alguém da tua família?
É uma ótima questão. Não sei, diria que não. O meu sentido de humor tem muita observação na minha família, isso aí de caras, mas herdado de alguém da minha família, acho que não. Acho mesmo que não. Assim de repente, a pessoa da minha família que tinha o melhor sentido de humor era um dos meus avôs, que era muito de pregar partidas. Vou dar-vos um exemplo: no dia 1 de abril, ele convidava sempre alguém Para ir jantar lá a casa e ele depois não estava em casa e não avisava a minha avó.
Estás a gozar?
Sim, fazia isto. Isso é mesmo verdade. E ele não avisava a minha avó. Ou seja, ele convidava alguém: "Então sexta, vamos jantar lá?" E ele não estava em casa. Essa hora ele não estava lá.
Isso é muito bom. E já agora, era o marido desta que estava ao lado?
Não, é o do outro lado. Mas esse meu avô tinha sentido de humor.
Está excelente. Isso é muito engraçado. Adorava conseguir aplicar uma coisa destas.
Mas comecem a fazer, têm aqui a ideia.
Exato. Depois já não era ideia original. Olha, Daniel, tu tens aqui um podcast, não é? A primeira vez com Pedro Alves e Rui Iggy.
Correto.
Adoro este nome de Iggy. É, ele é do norte.
Iggy não é do norte.
Iggy é de Matosinhos.
De repente foi tipo Rui Soares dos Reis. Se calhar podias dizer isso, do norte.
Não, agora Iggy. O Rui é um comediante do Porto, não é? Acho que é do Porto, não sei.
É do Porto, sim senhor.
Há quanto tempo é que este podcast está a bombar?
Desde o dia 5 de dezembro do ano passado.
Mas foi no Natal.
Foi, sim senhor. Foi a nossa prenda. Calhou. Mas sim, está desde dezembro.
E como é que é fazer esse podcast?
É muito engraçado, por acaso estou a gostar bastante de o fazer.
É todas as semanas?
Todas as segundas, normalmente. Eu digo normalmente porque houve duas vezes que chegou um bocado mais tarde ou quando às vezes há futebol adiamos a hora, mas todas as segundas às 19h sai.
E qual é o tema? É o que calhar ou tem ali um ponto?
O ponto de partida é falar sobre as primeiras vezes que certas coisas aconteceram. Mas obviamente há episódios em que nem sequer dizemos uma primeira vez e há outros em que dizemos várias. É isso. Mas para vos dar um exemplo, a primeira vez que alguém fez turismo, que foi uma usada recentemente. Houve uma primeira vez que alguém chegou a uma cidade e disse: "Não, estou só aqui a ver."
"Vim para aqui só ver, olhar."
É um conceito estranho. Atualmente, não. Mas a primeira vez que alguém fez isto, os outros ficaram: "Mas como? Mas não vives aqui?"
"Não vens conquistar, não vens explorar nem violar as nossas mães?"
Exatamente. "Não vens conquistar este pedaço de terra e vieste ver?" É estranho. É um bocado isso.
O povo todo desconfia, lá está, e é por isso, se calhar, que até hoje desconfiamos dos turistas.
Claro.
Já é uma coisa intrínseca. Não sai. Sai de gente.
Mas é isso, há episódios onde a cena divaga tanto que nem sequer vamos para aí.
Por acaso, no último, falaram sobre o programa Fiel ou Infiel, de Curiacos TV, que eu acho que é aqui perto.
É?
Pelo menos há muitas igrejas aqui evangélicas. Isto tem sido uma coisa recorrente ontem, nós falarmos de igrejas aqui ao pé da rádio.
O Curiacos é da Igreja Maná.
Não, é aqui, exatamente é aqui mesmo, é nesta rua, se quiseres ir lá depois.
Ok.
Fazer turismo.
Se me quiserem convidar para um podcast lá, eu vou também.
Um dia tive lá a ir porque tinham estacionado à frente da garagem do observador. Mas podia dizer ao pastor para dizer aí ao microfone.
Era um Porsche, não um Ferrari, não é?
Era mais ou menos. Porque há dois grupos. Há o grupo das pessoas que frequentam a igreja, que nota-se que não têm assim tão bons carros.
Claro, sim.
Normalmente até são de outras nacionalidades. E depois há os bosses, que têm altos carros, estão de fato e de gravata e são, claro, muito brancos. Pronto, é o que é. É assim. E nota-se que mandam naquilo. Do outro lado da Igreja Maná há folhados também da Igreja Maná. Folhados? Sim, tipo pastelaria.
É uma pastelaria da Igreja Maná, é isso?
Sim.
E é bom?
Eu realmente trabalho aqui há uns anos e não estou a par destas coisas. Eu já entrei em vários sítios. Pronto, ok. Um dia na vida. Foi a minha primeira vez, nem Curiacos TV. E estás a gostar. Onde é que vocês gravam? Eu acho graça ao vosso cenário, porque é um lençol azul.
É uma cortina azul comprada no chinês.
Que não está DIY, que não está passada a ferro.
Era por aí que ia. Sabes por quê? Porque é de plástico. Se não está passada a ferro é que não é necessitado, não sei o que é que tu queres que a gente faça. Se passarmos aquilo a ferro, acabou-se o nosso cenário.
Também podem sempre ir comprar mais um, já que aquilo não foi difícil de encontrar. Também não deve ser caro.
Se tu soubesses, aquilo é gravado num espaço mais pequeno do que este, onde a gente está.
Ok.
Portanto, vê tu.
E onde? Em Lisboa?
É em casa de um amigo meu. É no Cacilho, que é gravado.
Cacilho? Ok.
Exatamente. É lá que é gravado. E então é isso, se é gravado num quarto pequeno, a cortina tem que ser de plástico, nem sequer pode ser de pano.
Eu adorei a obrigatoriedade.
Claro, e não podíamos fazer numa parede normal, digamos, porque atrás de nós está uma janela muito grande. Então não dava também.
E depois o cenário distrai, um armário.
Mas também vos posso já dizer que vamos em breve mudar para um sítio melhor. Já não vai haver cortina, em princípio, posso garantir para vocês.
Podia ser a vossa cena continuar com a cortina de plástico atrás. Estamos na reciclagem.
Vamos mudar para um cenário melhor em breve.
Mas é cortina, daquelas coisas de banho? Eu vou te mostrar.
É tipo isso. Só não tem a cor, a cor não é tanto as de banho, porque as de banho são mais transparentes.
Teriam uns golfinhos.
É, exato.
E como é que vocês se juntaram os três? O Rui Iggy é do norte, o Pedro Alves é de Lisboa. Já o conheces há muito tempo?
O Pedro Alves conheço há imenso tempo. O Iggy conheço há quatro anos, cinco anos. A ideia do podcast é do Iggy e eu já na altura andava à procura de uma ideia para fazer algo. Porque eu sabia que tinha um espaço onde podia gravar, mas não tinha uma ideia.
Que era lá no Cacilho, do teu amigo.
Porque esse meu amigo disse que eu podia lá gravar se eu quisesse, eu queria fazer alguma coisa. Então eu andava a pensar numa ideia. Como sou bom, não tive nenhuma. E do nada, o Iggy fala-me dessa ideia. E eu disse: "Eu tenho esse sítio para gravar isso, se quiseres vamos avançar."
Juntaram o útil ao agradável.
Precisávamos de um terceiro elemento e pensamos no Pedro Alves.
Olha, nós estamos mesmo a terminar a nossa versão em FM. Vamos só relembrar datas. Tu também tens andado aí com o Pedro Sousa, com o Apalpar Terreno. Mas também andas sempre por aí a fazer standup, não é? Como é que te podemos seguir?
Sigam-me no Instagram, Daniel Carapeto, é o meu nome.
Vais dando notícias por lá.
Quando é preciso.
Quando é preciso. Muito bem, Daniel Carapeto na edição desta semana de Com Humor Se Paga. Nós ficamos por aqui em FM, continuamos a conversa em podcast.
E já cá estamos em podcast.
Já cá estamos no podcast. Estava à espera de ouvir o lai lá lai lá do João Miguel Tavares.
Lá, lá, lá, lá. É assim que começa.
Isso é magia da pós-produção, pessoal.
Já agora vou aqui apresentar à Filipa. Quem diria que isto é um cenário de plástico? Desculpa, estou aqui a mostrar a primeira vez.
Pois, é que eu vi, mas só vi um bocadinho nos reels, mas realmente não diria que aquilo era de plástico, a cortina.
Não foste tu a primeira a dizer que era de plástico.
Não, tu é que disseste que era plástico. Disseste que era um lençol. Eu achava que era uma cortina. Depois tu disseste que era plástico, mas eu achava que não. Realmente as questões que importam aqui.
Aquilo foi comprado num armazém chinês na Bobadela. E aquilo que tinham lá, cortinas dessas de todos os pantones possíveis.
E vocês acharam que aquela era a melhor opção.
Nem é mau. Tu estavas a falar que o Rui tinha uma ideia, tu também.
Tu tinhas o sítio.
Tinha o sítio.
E tu também sempre tiveste várias ideias. Nunca estiveste muito parado, nem no YouTube, nem em palco, porque tiveste várias séries, vários programas no YouTube. Tinhas primeiro o "Stupids" chegou a ser também... Não, isso foi só o solo stand up. E uma página.
Exato.
Foi assim que tu começaste, aliás.
Não foi, mas continua.
Então não tinhas um site, um blog?
Tinha, era uma página do Facebook chamada "Sou Stupids".
Pronto. Era Facebook, ok.
Era Facebook, exatamente.
Não era blog, pronto. Mas depois tiveste um programa no YouTube que era o "Bicho do Mato".
Sim.
E este está certo.
E o sucesso que isso teve.
Estou a gozar. Eu só estou a dizer que não continuou, não teve muitos episódios.
É tudo subjetivo, Daniel.
Tive o "Nós de Gravata" também. Achas que te pensei bem ou não? Tive o "Roda a Bota Fora".
Nós temos aqui todo um documento, olha para isso.
"Roda a Bota Fora", claro.
E o que é que vocês têm sobre mim?
Há aqui um ponto que é: vomita sempre antes de fazer stand up.
Não é sempre, mas é muitas vezes.
Se quiseres falar sobre isso também estás à vontade.
Mais do que o Pedro Mourão.
Ah, perguntaste ao Mourão, não é?
Não, não.
Foi a Rita que me arranjou.
Já me viste a vomitar, Rita?
Sim.
Já?
Fiquei completamente abismada. Não queria acreditar, porque é muito alto.
É o quê?
É alto, tu vomitas alto em bolsos.
Eu vomito alto? Ok.
E agora para toda a gente ouvir. Não.
Sou ruidoso a vomitar.
Como toda a gente é.
Não sei se toda a gente é.
Eu choro, vomito.
Tu choras a vomitar?
Sim, soluço. Mas tu não.
Acho que é mesmo isso que as pessoas querem saber.
Não, mas isto para dizer o quê?
O Daniel quer ver-te vomitar.
Porque não parece. Tu pareces uma pessoa, não diria calmo, porque parece que a tua ansiedade é para dentro. Exceto quando é para fora, quando vais fazer stand up comedy, se calhar quando estás mais sozinho.
O que me acontece muitas vezes.
Mas é só no dia, ou seja, é só mesmo antes de entrar em palco?
É imediatamente antes de entrar.
Ok. Ou seja, mas não é do género três dias antes já estás a passar mal e estás mal de estômago e não sei o quê. É só mesmo antes.
Às vezes quando é assim coisas muito importantes.
Tipo um solo.
Sim, por exemplo, mas não ando a vomitar. Ando nervoso, que aquilo não é. Mas agora a cena de ficar maldisposto não sei o quê, começa ali uma hora antes.
Se calhar foi assim que perdeste 50 quilos.
Não foi.
Que horror!
Era uma boa estratégia, se calhar. Uma boa estratégia.
Tem o nome, não é?
Não, mas pronto, é uma reação que tu não consegues controlar.
O que acontece é o quê? Eu começo a ficar ansioso que aquilo comece. Começo a fumar muito.
Ah, pois.
E vomito. É isto.
Receita.
Que classe, não é? Que elegante.
É vomito de fumar demasiado e estar ali...
Mas depois é do género, chegas ao palco e continuas super nervoso?
Não, depois para logo.
Ok. Pronto, então olha, menos mal. Podia ser pior, podias continuar ali com os nervos durante o espetáculo todo e ter de sair no bolsar.
Tu não deixaste de fumar, não aproveitaste que emagreceste já agora?
Não, eu passei para cigarro eletrónico. Ya, portanto, melhorei um bocado.
Continua a ser fumar, mas pronto.
Sim, é um bocado diferente.
Tens menos tosse agora?
Muito menos tosse, incomparável.
Já agora posso aqui aproveitar para sugerir um livro que me ajudou a deixar de fumar. O único.
Podes.
Já experimentei várias coisas.
Mas deixaste já?
Deixei mesmo. Há 20 anos que fumava, portanto nada tinha funcionado.
Nem aquelas etiquetas e tal.
Mas já tinhas tentado várias vezes.
Sim. Nunca consegui. E li um livro do Allen Carr, que se chama "Easy Way".
Eu já ouvi falar disso.
"Easy Way to Stop Smoking."
Como é que é? É de quem? Allen?
Allen Carr, que por acaso é um senhor que fumou durante muitos anos, deixou nos últimos 20, mas ainda assim morreu de cancro do pulmão.
Irônico, não é?
Sim, é muito triste. Mas teria morrido mais cedo se não tivesse deixado de fumar.
Provavelmente, sim.
Bom, mas isto para dizer o quê?
Tinha o método fácil para deixar de fumar, Allen Carr, ou então "Easy Way to Stop Smoking".
E não tiveste ressaca? Não passaste mal?
Não, a ideia aqui é mudar o mindset.
Mas como é que isso funciona?
É pensar que não é um sacrifício que tu estás a fazer, ou seja, tens que ter pena das pessoas que fumam.
Que bom!
Pronto, ok. Mas isto para dizer que não é um sacrifício, é uma coisa boa. É um bocadinho mudar o mindset. Não vou estar a dizer, mas deita abaixo todas as...
Não vais contar que deita abaixo.
Não vou dar spoilers. Mas basicamente ele deita abaixo todas as justificações que tu encontras para fumar. E existe para fumar, mas também existe para outros vícios, tipo alcoolismo, e também para comer.
Ok.
Depois está aqui, "Easy Way to Lose Weight".
Olha.
"Easy Way to Quit Emotional Eating". Portanto, há vários Allen Carrs. É tudo muito emoção.
O quebra-vícios.
Ele era um obeso fumador.
Não, não.
Ou seja, ele tinha todos estes problemas e conseguiu todos.
E alcoólico.
E alcoólico.
Não, eu só li o do deixar de fumar.
Mas ele não é um bocado hipócrita, ou não?
Claro, eu acho que o que aconteceu foi, ele escreveu...
Hipócrita, ele deixou de fumar.
Ah, deixou, ok.
Ele escreveu o de fumar, provavelmente isto aconteceu, ele escreveu o de fumar e depois substituiu só as palavras smoking por eating. E depois substituiu por drink.
E pronto, best seller ali três livros.
E está a andar.
Mas também porque o mecanismo é um bocadinho o mesmo, é uma espécie de...
Ah, não tenho a mínima dúvida disso, no caso.
É assim. As primeiras páginas é um bocadinho coaching e é o primeiro livro de autoajuda que eu li. Mas funcionou, e nada tinha funcionado até hoje.
Claro.
Pronto, se calhar está aqui a solução. Se algum dos nossos ouvintes quiser deixar de fumar.
No teu caso, foi o quê? Foi força de vontade, só isso?
No meu caso estás a falar em relação a quê?
A deixar de comer.
Eu não deixei de comer.
Está em jejum há seis anos.
Eu não deixei de comer, dá um bocado para mim. No meu caso foi sentir-me mal e melhorei a qualidade de vida, foi só isso.
Mas prendeste o quê? A tua força de vontade? Motivação?
Não, prendi-me à cena de estar na altura. Eu acho que qualquer gordo ou obeso chega uma altura que diz: "Está demais. Também já está demais."
"Ok."
É isso. Foi giro, já chega.
Deu para fazer umas piadas, mas também já...
Repara, seres obeso com 16 anos também é diferente de seres, de repente, eu no meu caso já tinha 27 ou 28, não é que fosse uma idade velha, e ainda seria pior se de repente tivesse 40, que o teu corpo já não aguenta tanto.
Para recuperar já é muito mais diferente.
É isso.
E tu continuas a fazer exercício? O que é que fazes?
Sim, faço kickboxing e faço ginásio.
Gostava. Uma vez fui treinar kickboxing, jurei para nunca mais sair de lá. Parecia um pimento a arfar que nem um cão. Ia morrendo. Já estava a morrer no aquecimento.
Ao quarto ou quinto treino, depois já te habituas mais.
O meu pulmão asmático ia passar mal.
Ia um bocadinho dar pontapés.
Mas adorei, foi mesmo fixe.
Pontapés, socos, cotoveladas e joelhadas.
É bom para descarregar a raiva, pelo menos eu senti isso.
Ou experimenta numa esponja primeiro.
Experimenta numa esponja. Há sacos, mas depois também há de trocar golpes com pessoas que ou estão a dar aos alvos, dar alvos é meter as luvas, ou às vezes estão a encaixar os golpes, ou seja, estão se a proteger e estão a encaixar.
Fiz isso e não achei muita piada.
Eu fiz o karaté, mas era mais a coreografia. Eu era boa na dança do karaté.
Como é que se chama? Shotan?
Katás.
Katás, exatamente. Eu nunca fiz karaté.
Tirar que eu nunca fiz karaté na vida.
É giro, eu gostei.
Não era a minha cena.
Tu também tiveste um podcast a solo.
Tive.
Que se chamava?
"Brainstorm".
Exatamente, "Brainstorm".
Acertei?
Tive aqui nas notas, "Brainstorm".
E durou quanto tempo?
Aquilo não tinha regularidade quase nenhuma. Eu ao início quando lancei, lançava dois episódios por mês. Depois passou a um por mês, depois entretanto veio a pandemia, parei uma beca, porque era com convidados, e depois voltei com mais dois ou três. Ter cenas com convidados tem sempre essa questão que é, como vocês que cá devem saber, mas vocês ainda têm o facto de ser a Rádio Observador. Eu era eu a convidar pessoas.
E as pessoas que é que esqueciam-se?
Há muita gente que não vai ou nem responde.
Pois.
Claro que também há muitos que vão na boa, mas chega uma certa altura que é: "Já convidados marcaram quatro vezes, porque não sei o quê, é chato conjugar isto" e deixei um bocado de lado. Mas ainda hoje recebo mensagens de malta que vai ouvir e diz que curtia.
Isso é fixe, é ótimo.
Ainda hoje. Eu achava que não tinha grande jeito para fazer aquilo. Para ser vocês.
Está no outro lado.
Exato. Porque achava que não tinha muito jeito. Eu ouço montes de podcasts de entrevistas e eu era meio estranho a fazer aquilo.
Mas isso é giro.
Vocês estão aqui simpáticas, mas isso é uma máscara que vocês têm.
Sim.
Isso é uma máscara, vocês sabem isso.
Não é.
Eu sei isso.
Olha, Daniel.
O público às vezes não sabe.
Não, nós somos genuinamente.
Não são.
Ai!
Rita, eu já te vi.
Rita, a honra é nossa.
Rita, tenho coisas tuas.
Eu sou supersimpática.
Não és, não.
Não, sou. E tenho bom coração. Ter escoteira 10 anos é impossível. É impossível não ser.
Não há escoteiros maus?
Não há escoteiros, só aqueles...
Quais?
Os pedófilos. Esses são maus.
Rita, como assim?
Eu só estou a dizer, porque há, claro que há.
Alguém depois vai cortar isto por ti, não é isto que vais.
Isto tirado de fora do contexto.
As pessoas sabem que existe, então até houve aquele documentário.
Houve um documentário?
No meu agrupamento, não houve.
Um documentário sobre escoteiros.
Sobre meninos.
Sabes que eu tenho uma coisa? Eu não fui escoteiro, mas andei na catequese uns anos. E há uma coisa gira, que é o quê? Eu detestava a catequese. E eu e um colega meu da altura, nós fazíamos uma coisa, que era naquela altura das confissões, que eu não sei quando é que é, mas havia uma altura.
Antes de comungar. Para comeres a hóstia tens de te...
Certo, mas eu não ia à missa. Mas havia uma altura, será na Páscoa ou no Natal?
Nessa altura, sim.
Aí íamos fazer isso. Eu e um colega meu fazíamos uma cena que era, detestávamos aquilo, então inventávamos cenas ao padre. E várias vezes, mais que uma vez eu fiz isto, que é inventar, isto é mesmo inventado. Eu inventava o padre, por exemplo, o meu pai tocou-me. Cenas assim.
"Eu pequei, o meu pai tocou-me."
Pronto, cenas assim, ou o meu pai ou um tio, inventava. E o padre não sei se nos dava uma penitência, eu já nem me lembro, mas o padre nunca foi à polícia, que isto para mim é uma coisa.
Oh my God!
Mas qual é a parte gira? Esse padre há dois, três anos saiu nas notícias. Pedófilo.
Como é que se chamava?
É o padre, está mesmo aqui, estás a ver a ponta da minha língua?
A ponta da língua.
É o padre.
Eu ainda estou a tentar processar este som.
Não, apareceu mesmo. Ele atualmente vive no Algarve, esse padre, e deixou a igreja. Atualmente pertence a uma igreja estilo Maná, já não está na Igreja Católica. Aliás, não é atualmente. Ele saiu da igreja que respeita o papa, convencional, digamos assim, e foi para uma dessas. Mas é o mesmo gajo, apareceu nas notícias.
A minha cara fica só...
E eu achei muito engraçado isso.
Que plot twist desgraçado.
Porque eu não sei como é o código deontológico de um padre, devia ser flawless.
Código deontológico de um padre devia ser flawless. Rita Camarneiro.
Totalmente um exemplo.
E o que eu adorava lembrar-me do nome dele. É que de repente, como não me lembro, parece que é inventado, parece que estou a inventar isto.
Mas eu juro.
Era um padre muito old. Onde é que ele estava?
Ele era da Paróquia dos Olivais e quando saiu as notícias estava no Algarve a viver, se não me engano.
Pedofilia.
Estás a pesquisar isto na mesma?
Sim. E temos net aqui. Net aqui é boa.
Ele foi da Proca dos Olivais e não tenho a certeza se depois não foi para Coimbra, mas ele esteve muitos anos no Olivais.
Não estava à espera deste momento.
É que há tantos. José Miguel Pereira, será?
Não, não é esse.
A Rita vai começar a fazer a lista toda. É que há muitos.
Há muitos?
Então.
Não, que tenham estado na Proca dos Olivais.
Não sei. Não há muitos que tiveram esse problemazinho.
Sim, claro.
Entre aspas. Bom, vamos mudar de tema.
Temos aqui um jornalista que fez alto trabalho sobre abusos sexuais na Igreja Católica. Vale a pena, do João Francisco Gomes.
Gomes, é isso mesmo. Eu ia pegar aqui no Roda a Bota Fora, porque há bocado passaste só de relance. Como é que foi essa experiência toda?
Foi muito giro. Era muito engraçado, porque éramos seis amigos e divertímo-nos.
Estavam ali num grupinho.
Era elaborado. Era muito divertido mesmo. Nós quando íamos fazer espetáculos, a parte mais gira era, isto é clichê de artista, parece que todos os grupos artísticos, seja de que género forem, dizem isto, mas é verdade, a parte mais gira era ir curtir. Isso era muito fixe.
Mas assim no Roda a Bota Fora também ficavas nervoso?
Lembrei-me do nome, Padre Inácio. Inácio Belo, tenho quase certeza.
Inácio Belo?
Inácio é garantido, o Belo já não sei.
Aí já é outra coisa. Estava-te a perguntar, porque há bocado falámos que tu ficas supernervoso antes de entrar em palco e que chegas a vomitar, mas e quando é em grupo, isso também acontece?
Acontece menos, porque por exemplo, no Roda a Bota Fora nós a parte de stand-up é isso. Eramos seis, nós fazíamos a parte de stand-up, havia a parte de stand-up e a parte do jogo. E a parte de stand-up nós fazíamos entre 10 a 15 cada um. É claro que aí é diferente o nervosismo para de repente estares a fazer meia hora ou uma hora. Mas acontecia, às vezes.
Sei lá que eu te ouvi vomitar. Foi no dia em que eu fui convidada para o Roda a Bota Fora que te vi.
Então foi em Carcavelos.
Sim, exatamente.
Lembro-me, foi em Carcavelos.
Belo dia para vomitar.
Maquilhaste-me nesse dia.
Pois foi. Temos fotos disso.
Eu tenho uma cena que eu gosto de ser maquilhado, relaxa-me.
Ficas ali assim na paz do Senhor.
E está lá aquele pincel de barbeiro que serve para algumas coisas. Aquilo relaxa-me muito.
Por acaso podia ser um pincel de barbeiro. Se calhar até é melhor para espalhar a base.
Para a maquilhagem? Depende, se qualquer coisa certa.
E vocês não tentam voltar?
Fazer o comeback?
Precisas de me perguntar isso a mim, Rita?
Eu pergunto a todos que cá vieram do Roda a Bota Fora.
Eu acredito que eu gostava, mas acho muito difícil, sinceramente.
Por quê?
Porque sinto que não vai acontecer.
A vida continua.
Ou então voltar a uma coisa que já foi fixe, que também pode ser de risco não correr bem.
Mas muitas vezes, sei lá, de repente os da Weasel passaram 20 anos, voltaram. Não é que eu nos esteja a comparar com os da Weasel, evidentemente, mas há uma cena: "Ei, já passou tanto tempo, isto era fixe, bora." Mas é que mesmo isso, não sei.
Achas que é porque ainda não passou tempo suficiente para ser um comeback?
Se calhar daqui a 10 anos até sinto o contrário.
Possa fazer sentido.
Mas é isso, não sinto que vá acontecer. E depois somos muitos, somos seis. Não são três pessoas, para ser não seis pessoas. Seis mais o produtor, que ainda faz sete, porque não era só um produtor, ele fazia parte do projeto, faz mesmo a sério. Portanto, é muita cabeça para do nada se conjugar os fatores em que ninguém destes agora tem nada que ocupe demasiado tempo, bora voltar. Acho pouco provável.
Mas é engraçado.
Qual foi a resposta do Totó Mentos, já agora? Eu não ouvi.
Isso é um bocadinho isso. Todos gostaram, todos adoraram essa época da sua vida, mas isso não está bem no horizonte. Não quer dizer que não venha.
Acho que se calhar daqui uns anos talvez faça sentido.
Se vocês fossem os Backstreet Boys, tu eras qual?
Eu nem sei se sei os nomes deles. Havia um que era o Nick.
Era o Nick, exato. Acho que é o único que eu me lembro.
Não, atenção, o Nick passou agora, mas está envolvido em casos de abuso sexual.
Também?
Mas o que é que se passa?
Vocês não conhecem a história do Nick e do irmão?
Não conheço.
Mas isso fica para outra, está num documentário na Disney Plus.
Ai, Jesus!
Vale a pena. Vale a pena porque às vezes é um bocado chato o documentário, mas pronto, é o que é. Roda a Bota Fora, tens então A Primeira Vez e agora continuas também a fazer stand-up, continuas a experimentar material agora fora.
Atualmente, nos últimos tempos não tenho escrito muito. Estou mais focado no podcast, também sou eu que edito aquilo e tem-me ocupado bastante tempo.
És tu que editas A Primeira Vez? Valente.
E como sou um completo amador, demoro muito a editar.
Mas está muito bem editado.
Muito obrigado, Rita.
Então o Daniel a demorar 40 horas a editar.
É do género: "Como é que se faz isto?" É 10 horas de pesquisa.
Jesus!
E depois esquece, não é como se aquilo depois ficasse.
Depois vais editar o próximo episódio, tens de pesquisar outra vez.
Tem de ir. Não, no próximo, não. Mas por exemplo, nós aquilo é: vamos gravar e num dia gravamos seis ou sete. E depois eu estou ali a editar bué.
Grava um set num dia?
Sim, tem de se rentabilizar o tempo.
E as viagens?
Sabes o que é? É quando ele é do Porto.
Pois é verdade.
É isso. Então nós gravamos muitos em viagem.
E nome super do Porto.
Houve um dia de gravações que uma das câmaras ficou desfocada. Tivemos seis episódios de câmara desfocada. É o que é.
Câmara trocada?
Desfocada.
Desfocada. Ou seja, vocês põem aquilo a gravar e vão à vossa vida. Não há ninguém.
Não, há.
E não reparei, vocês mudaram de roupa.
Mudámos. Eu neste momento estou sem t-shirt Eu vou começar a fazer uma coisa, nem devia dizer isto, mas juro que vou fazer. Eu já fiz isto para cartazes. Não sei se o público em geral tem noção, mas muitas vezes os artistas para cartazes ou para eventos em específico, vão às lojas, compram uma coisa e depois devolvem. E eu vou passar a fazer isso para as gravações de podcast. Vou mesmo fazer, porque eu tenho 10 t-shirts. Primeiro, apercebi-me que tenho 10 t-shirts. Eu não sabia. Vivi a minha vida a achar que tinha 10 t-shirts. Tenho 10.
Que vai ter imensa roupa.
Tenho 10 e quatro são pretas. Percebes?
Ya.
Então, nos próximos tempos vou à Lefties, vou onde for, compro meia dúzia de t-shirts, gravo e vou lá devolver.
Etiqueta para dentro.
Claro, nunca vou estar de costas.
Pois é.
É o que eu vou fazer.
Faz-se muito isso também em sessões fotográficas, por exemplo.
Claro, sim. Eu e o Pedro Sousa para o Baterten, que o nosso cartaz é nós de jardineiras, as jardineiras foram devolvidas. Nunca na minha vida vou gastar €40 numas jardineiras, nem cinco.
Estávamos a falar de cavar a terra no início e se calhar tinha de as achar.
E é uma boa política fazer para o resto da vida. Eu nunca mais vou gastar esse dinheiro em roupa para um cartaz ou coisa assim.
Ainda por cima fica marcado. Depois alguém vê-te num cartaz: "Olha esta pessoa que está aqui na rua com a mesma roupa do cartaz."
Claro.
Acho que é uma boa técnica.
Também podes fazer uma coisa, gastar sempre vestido da mesma forma.
Tipo farda.
Um filme do Wes Anderson, que todos os personagens-
Foi muito cultural para mim.
Eu sei, desculpem. Por acaso, diga ou não diga, mas disse.
Mas és uma pessoa culta, não tens de ter medo de o demonstrar.
Exato. Escuteira e culta. O Wes Anderson é um realizador que eu gosto muito. Vocês sabem de certeza quem é.
Sim, o do Moonlight Kingdom, do Grand Budapest Hotel.
Exatamente.
Quando eu penso nos filmes dele, não associo à roupa, associo à simetria.
Não, mas todos os personagens têm sempre, todos os dias, a mesma roupa.
Pronto, eu não vou estar mais atenta.
Mas é sempre assim, todos os filmes dele?
Sempre assim. Só que são roupas todas quites.
Mas isso é para pouparem guarda-roupa.
Ele usaria a vossa versão de jardineiras, sempre. E não o Carapeto de t-shirt preta e umas calças ganga. Sempre de jardineiras, provavelmente sem t-shirt.
E com aquele chapéu de palha.
Sim, por favor. Isso é que podia às vezes sair e ser substituído.
Mas a jardineira estava sempre lá.
Ya.
Pronto, mas não reparam nisso. Muito bem.
Nós chegamos aqui ao limite. Acho que está bom.
Então, mas acabamos como começamos.
Gostei muito de vir.
Nós gostámos muito de te receber.
Como é que era a música? Não sei o quê Collective.
Posso vir outra vez depois?
Podes vir todas as semanas.
Vou pensar no teu caso. Tu vives aqui perto, não queres dizer.
Vivo, vivo nos Olivais.
Ok, queres dizer.
Eu também morei nos Olivais durante uns tempos.
Nem o padre te tirou a vontade de lá ficar.
Não, porque ele a mim não me tocou, atenção.
Até porque ele viu: "Estes denunciam".
Pois, exato. Ele vai contar a alguém, contou-me a mim. "Olha, está bem o