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Yo, B. They ready. Let's go. Feeling myself, I'm feeling myself, I'm feeling my, feeling myself, I'm feeling myself, I'm feeling my, feeling my, feeling myself, I'm feeling myself, I'm feeling my, feeling myself, I'm feeling myself, I'm feeling my.
E hoje, no "Com Humor Se Paga"!
Já querias começar a rapar também por cima.
Temos Laura Hahaha.
Olá.
Bem-vinda, Laura.
Obrigada, muito obrigada pelo convite. Estou muito feliz.
É a primeira vez que nós temos uma francesa. Se bem que já vives em Portugal há muito tempo.
Eu vivo em Portugal há oito anos.
Há oito anos.
É, oito anos. Estou superfeliz de viver cá.
Como é que-
Gostas de viver cá?
Muito.
Muito?
Muito.
Que bom.
E aprendeste a falar português como?
Há mais ou menos 10 anos, com o meu marido, dizemos: "Vamos migrar no Brasil." Queríamos imigrar no Brasil. Então comecei a aprender o português, era o meu foco. Comecei a ver os desenhos animados, Baby TV, zero a três anos, e comecei a aprender assim. E depois fui ver as músicas brasileiras, depois portuguesas, e apaixonei-me por uma música da Gisela João, "Madrugada Sem Sono".
Adoro a Gisela João.
E comecei a aprender essa música e depois era o meu foco, eu me acordava cada manhã era: "Eu quero falar português." Era o meu objetivo.
Engraçado.
Mas vocês chegaram a ir para o Brasil?
Não.
Felizmente, porque estou muito feliz aqui. Porque queríamos abrir um restaurante no Brasil e as condições para obter o visto de empreendedora mudaram seis meses antes de nós irmos lá. E eles estavam a pedir muito dinheiro. Sou pobre. E então disse: "Pronto, vamos a Portugal."
Porque eu disse adoção.
Eu disse: "Querido, aprendi o português, não vamos na Espanha." Aprendi o português.
Exato, tanto tempo investido em aprender a língua. Porque o teu marido também é francês.
É francês.
Ou seja, Portugal veio mesmo do nada, praticamente.
O meu pai é português. Mas ele fugiu de Portugal, tinha 17 anos, em 1974, ainda era do Salazar, fugiu de Portugal, mas é o único português que nunca voltou ao país para as férias, nunca foi a Portugal de férias e não falou uma palavra de português em casa, porque essa geração da imigração "quero falar francês".
Pois.
Mas ele chateou-se com Portugal ou sentiu-se traído?
Ele viveu numa aldeia muito pobre, perdeu cinco irmãos pequeninos. Era tipo meio século.
Midiudades?
Era muita pobreza.
Ele era de onde? Tu te lembras?
Era de São Pedro de Merlim, ao lado da Braga.
Ok, mesmo lá no norte. Deve ter sido uns tempos complicados, então decidiu deixar tudo para trás.
Mas se calhar isso esteve sempre no sangue também em ti, não é? Ou se calhar esteve sempre.
Somos quatro irmãs e irmãos. Sou do meio, ninguém fala português, mas eu tinha uma obsessão de aprender o português.
Que giro, isso é muito engraçado.
E olha, até agora, o português está bom.
Muito obrigada. Tu vieste para cá, tens uma créperie.
Crêperie. Bonjour.
Que é sempre bom, ou seja, é das melhores coisas que a vida tem, que são os crepes. Onde é que é este restaurante?
É um restaurante tradicional francês, porque em França tem uma região que se chama a Bretanha, e são uns crepes salgados, que são feitos de massa de sarraceno. Então o restaurante, tu vais almoçar ou jantar. Tens crepe de sarraceno, é muito bom, e crepe doce, claro. E está no Largo da Graça.
No Largo da Graça, boa.
Estamos a fazer obras agora e em setembro vamos ter um jardim imenso.
O nosso ouvinte tem de passar por lá. Chama-se como?
Le Bar à Crêpe, mas vai mudar de nome.
Le Bar?
Le Bar à Crêpe.
E vai mudar para...?
Vai mudar, vou explicar porquê. Porque em França tínhamos um restaurante que se chamava Le Bar à Goût, que significa o bar dos sabores. E para nós faz sentido em França, mas aqui quando dizes Le Bar, há muitas pessoas que vêm, que querem beber e dizem: "Um bar." E crepes, há muitos turistas que pensam que é só crepe Nutella. Não, não é só crepe Nutella.
É outra coisa.
Então vai ser um outro nome, que se chama, e vou fazer com uma voz sensual: L'Herbe Folle.
Como é que é?
L'Herbe Folle. Essa relva, l'herbe folle, que cresce por todo lado, de maneira selvagem, e tu queres tirar.
Tipo erva daninha?
Exato. Em francês é uma erva louca. Como é que se chama esqueci.
Acho que em inglês é weed. Sim, as ervas daninhas. Como é que é?
L'Herbe Folle.
L'Herbe Folle.
L'Herbe Folle, exatamente.
No Largo da Graça, não é?
É.
Pronto, passem por lá. Vale a pena, de certeza. Agora fica-me essa curiosidade.
Sim, também eu, fico é cheio de fome.
Eu a pensar nos crepes, oh meu Deus!
E Laura, a comédia sempre esteve em ti. Sempre foste uma pessoa muito engraçada, mas começou por acaso, não é? Porque numa ida à Cristina.
Exatamente.
Não fazias antes stand up comedy?
Não, nunca. Sempre quis fazer stand up. Sempre quis cantar, por exemplo, também, porque agora comecei Aliás, trouxeste a viola, não é?
Sim, porque ela estava no carro e eu não queria, coitada. Eu deixo as minhas filhas sozinhas, mas a guitarra nunca.
Aliás, se deixas a guitarra dentro do carro, tens de abrir um bocadinho a janela pra ela respirar, coitada.
E sempre me disse: "Eu não venho de uma família de artista, não é pra mim, não posso." Estás a ver essa barreira? E quando exatamente em 2019, fui chamada pela produção: "Olá, bom dia, conheces o programa da Cristina?" Eu disse: "Eu não conheço o meu programa do dia, não conheço o programa de uma senhora que não conheço." Não sabia quem era a Cristina.
Não conhecias a Cristina, nem a Sic, no fundo, não é?
Não, nada. Eu fui lá e me lembro que disse: "Pode chegar então às 11 da manhã."
E ias para lá fazer o quê? Com que propósito é que te contactaram?
Eu também não estava a perceber. Disse: "Tem de dar uma aula de francês à Cristina Ferreira, ela volta de férias e vai dar uma aula de francês." E como eu era a única francesa do país, tinha de ir.
Ou seja, mas eles já foram uma vez ao teu restaurante e acharam-te graça.
Eu também não percebia, mas era uma pessoa cliente que conhece a produção, que diz: "Eu sei quem tu podes convidar."
Eu conheço a francesa perfeita pra dar uma aula em francês.
Mas quando eu fui lá, eu não sabia. Cheguei lá e disse: "Vou me maquiar." Aliás, eu tinha piolhos na cabeça.
Oh, meu Deus, Laura, por causa das crianças?
Das crianças. Eu fui lá e tinha e disse: "Vamos passar a maquiagem." E eu disse: "Meu Deus, estão me pentear, depois eu tenho três filhas, vocês sabem lá."
Nunca disse isso. Desculpe, tinha piolhos. Que horror!
Eu estava em período de tratamento. Menos mal.
E agora não tens, não é?
Pronto, vamos passar a outra coisa. E depois me lembro, o programa da Cristina é em live. Eu não sabia. E ela abre a porta e ela diz: "Ah!" Tu apitas, era um programa, tem uma casa. E tu entras: "Ai, quem é essa pessoa? Não conheço."
Então deste uma aula de francês. Primeiro foi flagrante, porque apanhaste a Cristina na Sic, que foi só um ano.
Que ela é da TV. Sim, exatamente.
Foi uma breve passagem. Mas foi quando a Sic rebentou, teve um pique de audiência gigantesco. Tu foste nessa altura.
Exato.
Então chegaste e era uma casa.
Exato. E a Cristina Ferreira, eu não sabia qual era a minha, eu sabia que eu estava super à vontade com o público, tem um público lá.
E depois voltaram a chamar.
Sim, porque a Cristina na aula de francês começou a me dizer: "Então, como é que se diz eu quero uma cerveja?" Posso dizer a palavra?
Sim, podes.
E ela me disse: "E como é que se diz o cu?"
Sim.
Eu comecei a dizer. Eu me lembro, eu tinha uma caneta e disse: "Ah, ok, tu queres falar assim." Ela queria falar disto comigo, mas eu sou pior que ela. Então eu comecei a dizer coisas.
E como é que se diz, já agora?
O cu?
Sim.
C'est le cul. E não sei porque uma frase que saiu da minha cabeça e depois eu disse: "Por que eu disse isso?" Eu disse, por exemplo, vai levar se diz: "Tu vas la mettre dans le cul." Não sei por que eu disse isso.
E disseste isso na televisão?
Sim.
E agora na rádio.
E na rádio. Mas me lembro quando eu ouvia depois a coisa na televisão, eu disse: "Por que eu disse isso?" E havia a senhora que faz a linguagem quando eu disse isso, ela faz .
E já agora, decoraste como é que se faz a língua gestual disso? Não?
Ela não quis dizer. Ela fez assim, escondeu-se e não fez. Escondeu. Mas foi engraçado, eu saí de lá, aconteceram outras coisas. Foi muito engraçado, eu me senti muito à vontade e me ligaram à tarde mesmo. A Cristina Ferreira queria convidar mais uma vez, então eu fui lá três dias depois, fiz crepes. Fiz crepes, foi muito engraçado. Elas me deixaram também mais uma meia hora fazendo um jogo com a Miguel Costa, o ator Miguel Costa, uma outra, eu digo miúda, mas é uma adulta, mas me sinto, sou velha.
Será a Joana? Não.
Não sei. Me lembro, ela estava a maquiar e pentear com o mesmo.
Oh, meu Deus, Laura, se calhar foi por isso que nunca mais foste convidada.
Exato. Devem ter descoberto. Certeza absoluta. Foi muito engraçado. E depois eu saí de lá e disse: "Ok, eu quero fazer uma coisa ligada a humor." Então o que eu fiz? Eu fiz uma proposta à Cristina Ferreira.
Mas em 2019, ou seja, nesse mesmo ano, subiste também pela primeira vez a um palco.
Sim. O dia depois que eu fui lá na segunda vez na Cristina, eu disse: "Vou fazer uma proposta à produção da Cristina Ferreira." Eu fiz uma produção e nunca me responderam.
Eu acho que foi do destino. Mas também é bom uma pessoa aprender a lidar com a rejeição, não é?
Sim, então eu disse: "Ok, não querem de mim, vou escrever coisas." E depois comecei a subir no palco.
É isso, quando não dá por um caminho, tentamos ir por outro. E tu começaste a fazer stand-up comedy logo em português?
Sim. Eu não estava a falar tão bem português. Então comecei em português. Não foi mau, foi tipo conseguia fazer rir as pessoas. Agora quando eu vejo, eu digo: "Oh!"
Fizeste em Lisboa, não é?
Eu fiz em Lisboa e não sei porque eu estava tão à vontade, como aprender o português, tão à vontade de conseguir nesse caminho. O mês que comecei devia ser em maio. Eu disse: "Ok, estou totalmente pronta para o eventatv."
Não foste ao eventatv?
Nunca.
Ah, ok.
Nunca.
Mas ao menos não há falta de confiança. É isso mesmo.
Acho que não, porque estou com pouca confiança, mas eu quero.
Sim, querias tanto.
Eu sei que eu não estava pronta, mas eu disse: "Ok, tenho de tentar. Eu vou tentar." Então eu enviei à produção. Claro, não me responderam.
Eu adoro a tua iniciativa.
Exato. Mas então eu enviei, eu disse: "Ok, quem apresentou 'Deventerri'? Marco Horácio. A produtora é a Ana Soares. Ok, eu vou tentar falar com ela." E então eu envio um WhatsApp pra ela e ela me disse: "Pode me enviar um vídeo teu." Eu enviei, não me respondeu. Pronto. E uma semana depois eu fiz um outro open mic e correu superbem, não sei o que aconteceu. Eu disse: "Olá!" E eu enviei um outro vídeo e ela me chamou logo. "Olá, eu vi o teu vídeo, estou interessada, pode me enviar isso?" E tudo. E depois, a partir desse momento, encontrei o Marco Horácio e a produtora do Marco Horácio, do Roxinho Alfadunch. E não sei por quê, eu comecei a entrar em grande amizade com a Ana e com o Marco, e ele me ajudou. Eu estava aqui: "Por que estão me ajudar? Em França, quando a gente ajuda, temos de pagar. E aqui não." E me ajudaram, o Marco me ajudou muito. Eu me lembro, coitado. Eu enviei 10 textos por dia, 10 vídeos, eu queria a opinião dele e ele me respondia por mensagem: "Não, tem que fazer." Eu não conseguia subir no palco sem a opinião dele. E depois de um momento eu disse: "Não, tenho de..."
Sim, tem.
Sim. E então eu desliguei dessa ajuda, que me ajudou muito, sobretudo na parte técnica, nos silêncios, que não sabia nada.
Mas foi uma ótima ajuda, então.
Uma grande ajuda. Me permitiu subir. Comecei em maio e em agosto, setembro, eu fui no PCMP só pra fazer o open mic, mas estava combinado com o Fernando Rocha, me permitiu atuar em frente de 500 pessoas.
E correu bem?
Correu bem. Claro, quando eu vejo o vídeo, eu disse que é horroroso, mas é normal.
Claro, é normal.
Sim, é normal. Somos sempre muito críticos.
E tu vês sempre, se calhar, que podes evoluir e melhorar. Se calhar, não gostas das coisas que fazias há cinco anos. É normal.
Sim, porque acho que hoje sou mais natural do que antes. Eu queria criar uma personagem.
Aliás, tinhas várias personagens.
Tinha muitas personagens.
Da Laura no campismo com as crianças.
Vocês conheceram o Anjo do Amor?
Sim, o Anjo do Amor também.
Apaguei todas, porque aconteceram coisas na minha vida pessoal, coisas dramáticas, vamos dizer, da infância e tudo. E eu nem reconhecia o que eu fiz.
Já não te identificas com esse conteúdo?
Nada, apaguei tudo.
Como assim?
Por exemplo, a personagem do Anjo do Amor, que eu criei, não sei se tu conheces. Aconteceu porque eu fazia vídeo de humor.
Sim.
E um dia, era em 2019. Um senhor me enviou uma mensagem: "A minha mulher gosta muito dos teus vídeos." Tinha, não sei, mil seguidores. "Gosta muito dos teus vídeos e ela quer acabar com a nossa relação. Consegue fazer um vídeo de humor pra ela? Eu não consigo dizer que eu a amo tanto." Eu disse: "Ah, tá, ok." Então eu comprei asas.
Espera lá, foi ele que contactou ou foi ela que te contactou?
Foi o senhor.
Foi o marido a dizer que a mulher gostava muito dos teus vídeos.
Sim.
Era para conquistar. É, foi um caso assim como um grito de ajuda.
Exato.
O último reduto.
Exato. Sim, eu achei engraçado. Eu disse: "Vou ser um anjo do amor." Então eu comprei asas, fiz uma coisa e comecei a fazer um vídeo a dizer: "Ana, o Rui te ama", e fazer coisas engraçadas. E depois eu tinha um texto pra descrever com o Instagram, mencionar as coisas. E deste vídeo eu recebi centenas: "Eu quero também que tu passes uma mensagem a X pessoa. Eu quero me casar." Muitas coisas totalmente diferentes. "Eu quero divorciar, não sei como é que fazer, pode dizer que eu não quero divorciar, me separar." Havia coisas malucas.
Então, mas o que correu mal?
Não, correu bem. Mas quando eu tive essa coisa pessoal, me acordei sobre uma coisa da minha infância, eu percebi o porquê do Anjo do Amor, porque eu usei essa personagem. Essa personagem era muito engraçada, mas também era muito, não sei como é que explicar. Havia muita sexualidade dentro do Anjo do Amor, estava sempre a falar disso. Acho que eu precisei dessa personagem no momento da minha vida.
Ou seja, agora já sentes que já não fazia sentido continuar com essa personagem?
Não, mas mesmo deixar isso não fazia sentido.
Ou seja, tu não conseguiste propriamente separar a comediante da parte pessoal.
Acho que era mais que uma personagem que eu criei. Acho que era uma coisa que tinha de libertar em mim, não sei como é que explicar.
Ok.
E então depois de me acordar sobre eu mesma de uma coisa.
Pronto, fez sentido ali durante uma altura, depois entretanto deixou de fazer, bola pra frente, há outras personagens que vão aparecer.
Exatamente.
E tu também agora fazes stand-up comedy, cada vez mais. Tu, aliás, começaste as noites no Camones. Tu eras curadora.
Exato, eu fazia, sim.
E começaste também a fazer stand-up em francês, cá em Lisboa.
Sim.
Principalmente. E agora vamos ouvir um bocadinho do teu stand-up. E eu agora não sei onde é que isto foi, mas tu já vais dizer. Porque tu também és mãe.
É diferente da França, porque em Portugal, para os que não têm crianças, é que os professores criam grupo WhatsApp pra partilhar os momentos De cada criança. A alegria cada dia eu recebo 30 fotografias de crianças que não me pertencem, que eu estou a me cagar. E eu, como tenho três crianças, eu tenho mais ou menos 500 fotografias de crianças de menos de 10 anos no meu telemóvel. Parece o telemóvel do Michael Jackson. E eu estou a me cagar. As minhas crianças estão comigo, estou a me cagar do que eles fazem na escola. E a professora é uma superprofessora. As minhas filhas conhecem tudo, as cores, um, dois, três, quatro, cinco. Muito bem, não são burras. Uma superprofessora, mas é uma fotógrafa de merda. Tu deixas a tua criança, que tem uma forma normal de manhã, tu recebes a fotografia às 15h e Shrek, cara de cu.
Lá está, isto acontece muito com os Shrek.
Realmente a comparação aos Shrek.
Como as crianças acabam por ficar. Imagino, principalmente és mãe de três, não é?
É 12. Eu recebo essas fotografias e todos os pais comentam: "Que fofo, que lindo." Não é lindo? Ele tem uma cara assim, não é lindo. Mas somos mentirosos quando tornamos pais.
Laura Hahaha. Nós temos que ficar por aqui em FM, mas vamos continuar mais um bocadinho em podcast. Portanto, sigam a Laura Hahaha, é assim que ela está no Instagram. Laura?
Como é assim em FM, também vamos em live?
Não, vamos continuar em podcast.
Está bem.
O que está em FM é isto. É até agora. E depois temos que continuar, porque temos que acabar, porque vamos para a série de notícias, mas a seguir continuamos mais um bocadinho.
Está bem.
Sigam Laura Hahaha no Instagram.
E sigam-nos também. Exatamente. E quando é que agora voltas a atuar? Eu estou no Comedy Club. Isto era no Domino's. E no Comedy Club vai a partir de 3 de setembro.
Ok, boa.
Estou uma, duas vezes por semana no Comedy Club. Não faltam são oportunidades para ver a Laura. Exatamente.
Muito bem. Até já.
Até já, beijinho.
E continuamos agora.
Incrível, não percebi nada, mas uau. Que é para podermos continuar a falar mais à vontade com mais tempo.
Sim, até porque ainda não falámos da tua parte musical. Tu sempre tiveste também, se calhar, a parte de comédia, e agora andas a explorar mais a sério, assim como na comédia. Também fazes música?
Levo a guitarra para o stand-up. Eu escrevo as minhas músicas, faço música, canto. Não consigo mexer o humor com a música. Para mim, a música é uma coisa que eu falo das minhas coisas. Estou numa fase da música em que eu falo das coisas difíceis. Não sei como explicar.
Não, usas a música para mandar isso tudo fora.
Mas aliás, eu tenho o ukulele, já levei o ukulele no palco, mas quando eu canto com humor no stand-up, eu não canto, é mais falado.
Ok.
Não sei como explicar.
Acompanhas mais musicalmente com os instrumentos quando é comédia, mas fazer música, tu gostas de compor, porque tu própria escreves as músicas. E falas coisas mais a sério.
Exatamente.
Tem a Laura da música e a Laura da comédia.
A música aconteceu de repente, há pouco tempo e aliás, vai acontecer coisas que não posso dizer, mas vocês vão ver daqui a pouco.
Mas diz.
Não, não posso.
Por quê?
Porque ainda não tenho um contrato, não posso dizer.
Já começaste a compor?
Sim.
E tens músicas já feitas e acabadas?
Não, estou a trabalhar. Se calhar ainda vamos poder ouvir umas músicas da Laura.
E como é que será o teu nome artístico musical?
Laura. Mas aliás, tu me dizes Laura Hahaha, que é o nome do meu Instagram, e eu no palco: "E agora, Laura Hahaha." Eu digo: "Mas é só o nome do Instagram." Então qual é o teu apelido? Sou Laura. O meu apelido é português, porque o meu pai é português, é Gonçalves.
Que engraçado!
Mas não uso, não faz sentido para mim.
Então é sempre só Laura.
Laura, sim. Eu digo Laura porque para mim é difícil dizer Laura.
Tu gostas de ouvir o teu nome em português ou preferes em francês?
Sim, acho bonito. Por acaso é. Tanto em português como em francês é bonito. É mais bonito em português. Eu gosto quando o português diz em francês: "Laura."
Por acaso eu gosto muito. Eu gosto muito que o sotaque é em francês.
Falar melhor francês, mas não domino.
Eu tive seis anos de francês, por acaso, mas é uma língua muito difícil.
Eu tive menos.
Sim, eu escolhi francês.
Aprendi na escola, depois passou-me para o lado. Esqueci-me de tudo. Mas a música já é uma coisa que te acompanha há muito tempo, mas agora é que vai ser mais a sério. É isso? Não me acompanha há muito tempo. Sempre era o sonho. Como um sonho de criança.
Era isso que querias ser quando eras pequenina, querias ser cantora?
Sim. E aconteceu porque eu estou na minha casa a fazer por mim, eu faço umas historinhas com uma musiquinha, com o meu ukulele. E tem um pai da escola, francês, que não conhecia bem, e ele trabalha no mundo da música. E ele me enviou uma mensagem: "Laura, tens de fazer uma coisa na música. Acabei de ouvir a tua story." E a partir daqui eu me foquei e disse Ok, vou me focar. É desta.
E é em francês, cantas em francês?
Eu canto essencialmente em francês. Aliás, eu escrevi duas músicas em português.
Foi? Que bom!
Mas que não estão nada prontas, mas escrevi e estou a trabalhar.
Que bom. E terá também sotaque francês, não é? Ou tu em português cantas sem sotaque?
Não sei. Há uma música que eu fiz um cover que adoro, uma música em português, que quando eu canto, acho que não tenho tanto sotaque.
Mas qual é a música?
É "Lado B" do António Zambujo.
"Lado B", sim.
Que giro. Agora fiquei com curiosidade, queria ouvir.
Também eu!
Depois manda-nos o vídeo que queremos ouvir.
Tu tens uma voz muito bonita, a verdade é essa.
Quando eu canto, são outras emoções que do stand up. No stand up tu tens de fazer rir as pessoas e com as músicas tem mais emoções ainda.
Vais fazendo esse equilíbrio, se calhar, de transmitir sensações e emoções mais densas, sérias com a música e depois na comédia, mais leve, fazer rir e tudo mais.
Mas é sempre tu. Tanto que não consegues bem separar a Laura.
São os teus dois lados.
Nesses dois lados, tanto na comédia como na música, o que não deixa de ser engraçado.
É verdade.
Tens sempre esta originalidade. Então e agora, projetos futuros é mesmo este da música?
Sim, é a Rádio Observador.
Exato. Tu tratavas a falar que sempre quiseste fazer rádio.
Sim.
Quando ligámos o microfone, a Laura ficou a ouvir a própria voz e estava encantada.
Sim. Vou fazer quase 40 anos e tinha muitos sonhos.
Pois, não parece nada. Não sei que idade tens, por acaso, não faço ideia.
Tenho 38.
38, ok.
Está ótimo. E estou a realizar sonhos. Tinha o sonho de cantar. Nunca toquei um instrumento, agora comecei a tocar piano, ukulele, guitarra. E a rádio.
Tocar piano e falar francês. É um clássico.
Aliás, eu fiz um cover de uma música do Nininho. Que adoro, que é "Calão". A música dele, eu fiz no piano e traduzi em francês. E ele viu, e ele repostou, publicou. Acho que o piano, ora bem. Eu estava sempre a ouvir, porque na altura, há 30 anos, a rádio era mais importante. E estava sempre a ouvir. Exato. E tinha uma pessoa, um animador da rádio, que eu adorava. Eu adorava a voz dele.
Francês?
Francês, era romano, e era tão engraçado. É uma liberdade, tinha a impressão que é uma liberdade. Quando eu ouço a rádio eu estou a imaginar. Dá muita imaginação.
Como é que as pessoas estão a mexer, o que está a fazer.
Exato. E acho que abre mais a criatividade para uma pessoa que está no carro a ouvir a rádio.
Portanto, se calhar ainda tens esse sonho por cumprir também na rádio.
Fazer uma rubrica aqui na Rádio Observador.
Incrível.
Ouvir aqui um pouquinho de francês também, que era bem giro.
Eu tinha uma ideia de crônica. Mas pronto.
Vamos ver.
Vamos ver no que é que dá. E agora os Jogos Olímpicos, como é que está a tua França? Não quiseste ir para lá nesta altura?
Não, há muitos franceses.
Deve estar caótico lá.
Há muitos franceses parisienses que fugiram. Mas acho que devia ser ao mesmo tempo, é uma vez na tua vida que tu podes ver os Jogos Olímpicos. Se vivesses em Paris.
Está bem.
Eu ficaria, porque deve ser caótico, mas ao mesmo tempo tantas pessoas. E os desportos reúnem as pessoas. Eu me lembro de 98, a Copa do Mundo em França, foi incrível.
Claro, pois é. E tu torces, quando é assim seleções, torces por França ou Portugal?
Eu torci para o Portugal este ano.
Foi?
Sim, eu estava muito triste.
Foi um jogo bem intenso para nós.
Era entre França e Portugal. E eu acho que a França não ganhou porque ela não jogou melhor. Não, acho que não. Aconteceu. Estava muito pena para o Cristiano Ronaldo. Cristiano Ronaldo, se estás a ouvir este podcast, gosto muito de ti.
Eu sei que por acaso devíamos ter começado se calhar por aí, mas vamos acabar por aqui também, não há problema nenhum. Tu nasceste em que cidade de França?
Lyon.
Lyon, ok.
Lyon. Mas eu vivi muito tempo em Dijon.
Dijon. Pois é, exatamente. É de onde vem a mostarda?
Exatamente. Só isso em Dijon. Não se diz: "Vai a Dijon e pode morrer tranquilo." Não.
Não há nada para fazer.
Não há? Mas deve ser muito bonito, porque França é toda linda, é impressionante.
França é muita coisa diferente, porque é verdade, é grande, tem a região do Sul, do Norte, Leste, Oeste, tudo é diferente.
E tu costumas ir muitas vezes lá?
Há seis anos que nunca fui.
A sério?
Há seis anos não vais?
Não.
Nem de carro?
Nem de carro.
Ou seja, tu estás há oito anos em Portugal e há seis anos que não vais à França.
É por isso que torces pela seleção.
Pois é claro que vai torcer pela seleção portuguesa.
Claro.
Está explicado.
Seis, cá sete anos mesmo agora.
E não tens saudades?
Não, eu tenho saudades de algumas coisas. Saudades. Eu, por exemplo, queria ir de férias no Sul da França, perto de Nice. Exato. A região de Nice, Antibes, me dá uma emoção muito grande quando eu vou lá. Não sei, há uma coisa no ar, eu adoro. Mas depois não tenho saudade.
Que engraçado.
Acho que a energia da França é bem diferente. Quando eu vejo um turista francês que vem. Em França estamos muito, eu digo estamos, não estou agora, ligada às notícias A política. Cada pessoa, mesmo um mal velho está ligado. Acontece uma coisa na política, é como se acontece uma coisa na tua vida.
E notou-se esta reviravolta que houve nas eleições.
Pois.
Que a França toda...
Mas mesmo uma coisa pequenina. Então é uma energia muito negativa, que acontece muita coisa ruim na política. Aqui não. Quando eu cheguei, eu vi todas as televisões nos restaurantes e eu disse: "Toda a gente está ligada à televisão?" Mas não, estão a se cagar, estão a comer o pastel de nata. "Ah, política. Está bem." É mais uma.
Mas depois passa ao lado.
Sim, há uma maneira leve, eu acho. Quer dizer, há uma crise econômica aqui, há uma crise econômica em França. Se calhar tem mais dinheiro em França, mas cá eu tenho a sensação que apesar da crise econômica, as pessoas desenrascam. É mais uma vida humana, são focados: "Ok, acontece isso, estou me cagar, eu vou fazer a minha vida". Em França, não, está a acontecer isto na política, ok, acontece isto no meu coração. É demais.
Tem coisas boas e coisas más, diria. É isso. E nós a falar deste tema. Não foi à toa que a Revolução Francesa mudou o mundo inteiro. Pois. Verdade. A Declaração dos Direitos Humanos. Não estou a conseguir falar sobre este tema com Beyoncé na cabeça. Nicki Minaj com Beyoncé. Ok, desculpa.
É um featuring.
Como se alguma vez te fosse corrigir uma coisa. Amiga, por amor de Deus. Tu és superforte nestas coisas. Sou eu na fila do pão para saber alguma coisa.
Adoro a Beyoncé.
A Filipa também é cantora. Se calhar um dia podiam fazer- Não, eu sou cantora de chuveiro, ainda não tenho nada meu.
O que é chuveiro?
Eu canto no banho. Não é nada profissional, mas podiam fazer um feat. Isso era muito engraçado. O feat que nasceu aqui na Rádio Observador. Eu quero muito ouvir. Muito bem, está feito. Laura Gonçalves. Laura Haha. Foi um prazer. Merci beaucoup. Merci beaucoup. Queridas, muito bem. Obrigada, Laura, por teres vindo. Sigam a Laura no Instagram. Dás lá novidades por onde vais andar a fazer atuações, não é? Sim. Deixas sempre lá as datas. Portanto, sigam a Laura Haha no Instagram. Sigam-nos a nós também com o Amor de Praga. Nós voltamos para a semana. Obrigada, Laura. Tu estás a ir de férias. A Filipa se calhar salta. Quando isto sair, eu possivelmente estou de férias. Foi gravado. No próximo episódio, eu acho que não vais estar. Mas estás sempre nos nossos corações. Um beijinho, Laura. Muito obrigada. Bisou.
Merci.