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Grande introdução. Eu estava à espera que ouvisse uma voz.
Era exatamente isto que eu queria.
Fizeste isto de propósito, não fizeste? Sim. Nuno Mesquita hoje no "Com Humor se Paga", que nos traz um tema, "Lady Don't Techno". Desculpe. Ou Don't Technúmero.
Ya, é esse o nome da música.
Ainda estou a processar o facto do Nuno ter escolhido esta música porque sabia que isto ia... Não, mas é uma boa música. É ótima. Intro gigante. Andas a ouvir a...
Spotify.
Andas a ouvir Spotify.
Isto é Discover Weekly.
Era isso que eu ia dizer, vais àquela playlist semanal, Discover Weekly.
E saca uma cena fixe.
Sabes que eu tenho outro que é acordar com descobertas da semana, que também é bom.
Também é bom.
Sim, é uma boa forma. Acordar com...? Sim, imagina, no despertador dá pra meter a opção de acordar com músicas do Spotify. Estou me sentindo bué avó. Descobertas da semana. Fui muito avó agora, não fazia ideia que isso acontecia. Mas eu nem sequer chego aos 10 segundos, eu acordo logo.
Claro, mas imagina que acordas com James Brown.
Hoje, por acaso, foi estranho, porque a descoberta da semana foi Britney Spears, "Baby One More Time".
Isso não é bem uma descoberta.
Pois não. Exato, vem um bocadinho atrasada. Mas tu fazes snooze? Ou seja, tu ouves aquilo e fazes... Sim, paro logo. Ah, paras logo? Sim, eu acordo logo. Tu és pessoa de snooze, Nuno.
Sabem o que é que é snooze? Eu descobri esta cena na semana passada, não estou mesmo a gozar. É uma cena na Suécia que os gajos têm, para não fumarem, são umas almofadinhas que pões assim no lábio, que têm bué nicotina. Uma grande moca de nicotina. E eu descobri que isso se chama snooze.
Eu tenho uma amiga minha, por acaso, que é norueguesa, que quando engravidou deixou de fumar e só usava esses pensos, pastilhas, parecem pastilhas. Só usava snooze.
Aquilo parece que é uma invenção que combina a pior parte do tabaco com nada. É só aquilo.
Não percebo quem achou que era uma ótima ideia. Até porque normalmente... Os suecos.
Eles adoram aquilo, é estrela. Não curto nada.
As pastilhas de nicotina e mesmo aqueles rebuçados não sabem nada bem.
As pastilhas de nicotina não é pra colar na pele, Rita, tu andas a comer isso?
Não, há pastilhas mesmo. Estás a ir pelo sítio errado. Não, há pastilhas. Sim, há pastilhas como se fossem chicletes. Chicletes? Como é que dizem? Em Lisboa é chiclete. Em Lisboa? Chiclas? Sim, há quem diga chicletes e há quem diga pastilha.
Há quem diga chiclas, mas não se diz chiclas.
Chiclete, mas isso é... Olha, não sei, a minha vida toda sempre disse pastilha, vou continuar. Nuno Mesquita, como é que fizeste na Alemanha? Não sei se estava à espera, mas isto é tudo muito random.
Eu gosto.
Nuno Mesquita, tu emigraste recentemente. Recentemente, não, já foi há algum tempo, para a Alemanha. Tu começaste no humor já há bastante tempo, há muitos anos, há mais de 10. Caramba, mais de 10. 2010, não foi?
Foi 2010.
Há 14 anos. E emigraste há cinco, por aí?
Não, sete e meio. 2017.
E para cumprir o teu sonho de ser engenheiro bioquímico, arquiteto de software, não é?
Eu não quero dizer que isso é o meu sonho.
Era só pra dizeres que não era.
Não, eu não sei qual é que é o meu sonho. Tive uma proposta de trabalho porreira e pensei: "Como eu não fiz Erasmus, vou fazer o meu Erasmus agora". E estou há sete anos e meio em Erasmus.
Tu estás com 30 e picos?
Ya, 34.
34. Mas por que engenharia biomédica?
Excelente pergunta. Nunca soube responder a isso.
Os nossos ouvintes não conseguem perceber, mas eu estou com uma cara um bocadinho tipo: "Por quê?" Epá, não quero ser má. Há pessoa, claro, há gostos pra tudo. Tratam de prótese e coisas assim.
Eu gosto bué de matemáticas e de física e cenas assim.
E robótica relacionado com medicina, não é?
Sim. Epá, depende muito a quem pergunta.
É que imagina, também não há muito entusiasmo da parte do Nuno a falar disso.
Eu não sou engenheiro biomédico, esse é o curso que eu tirei.
Estudaste engenharia biomédica?
Sim, mas eu não exerço engenharia biomédica.
És arquiteto de software. O que é isso?
Estás a ver software? Então eu sou tipo o arquiteto. Não sei explicar. É tipo um developer. Sou developer, vamos dizer que eu sou developer. Só que em vez de programar, estou em reuniões. É isso.
E na Alemanha, tu nunca deixaste propriamente de fazer, não é? Porque lá na Alemanha fazias.
Não.
Em inglês.
Cinco anos que parei de fazer.
Mas já fizeste em inglês.
Comecei agora a fazer há dois anos, em inglês.
Ah, e quando voltaste, voltaste em inglês. Por quê?
Porque quando fazia em português lá, eles não percebiam.
Não, mas tu voltaste pra Portugal? Não, ele não voltou.
Estou cá de passagem.
Ah!
Não devia ser convidado pra este podcast, porque eu nem sequer sou local.
Não, mas tens feito cá e vais voltar. Nuno Mesquita. Tu vais voltar.
Eu hei de voltar.
Pensava que tinhas voltado. E estava numa de: "Então, mas ok, voltaste pra Portugal, por que é que estás a fazer cena em inglês?" Mas afinal não se aplica essa pergunta. Mas há quem faça em inglês cá.
Sim, eu faço cá em inglês, às vezes. Ontem fiz em inglês no Comedy Club.
Mas sentes-te mais confortável a fazer em inglês?
Excelente pergunta. Preparei-me bué pra esta pergunta. É assim.
O Nuno em casa a olhar pra um espelho a responder.
É difícil. Eu acho que estou mais à vontade com o português a falar e a ter graça naturalmente em palco, mas o texto que eu ando a escrever é todo em inglês, portanto, adaptar as coisas que eu estou habituado a dizer em inglês em português soa um bocado estranho, então prefiro dizer aquelas piadas em inglês.
E não te aconteceu o contrário, ou seja, não traduziste de português pra o inglês. Quando começaste a escrever, foi logo diretamente em inglês?
Sim, porque eu acho que o texto que eu fazia em português cá era um bocado esquisito. E se eu começasse a fazer isso em inglês, a ser lá, ia ser só estranho.
Pois, o teu registo é assim um bocadinho mais nonsense. Pronto, pelo menos era, em português. Em inglês é diferente?
Sim.
Não manténs o teu awkwardness?
Estou a tentar encontrá-lo de novo, diríamos assim.
Acho que tens, certeza. Acho que não consegues tirar.
Sabes aquela cena que dizem que Tu quando falas outra língua és uma pessoa diferente? Eu sinto imenso isso, principalmente em palco. Sinto completamente. Sou um gajo muito mais tenso.
Era isso que eu ia perguntar, que Nuno é que é o Nuno em palco quando atua em inglês.
Muito mais tenso, muito mais circunspecto e nervoso. Mas não sei se isso é do desconforto, se mais tarde vou ficar mais tranquilo.
Mas também espontâneo?
Sim, muito menos espontâneo em inglês.
Menos espontâneo em inglês?
Completamente.
O que é "awkward" em português? Não estou a perceber qual é a diferença.
Não, "awkward" de este gajo está desconfortável em palco. Eu em português não mostrava muito desconforto em palco, era mais esquisito. Este gajo está no mundo dele.
Mas imagino, sentes esse desconforto porque estás a atuar numa língua que não é a tua língua materna, é maioritariamente por isso?
Sim, porque tu sais muito da tua zona de conforto com uma língua que não é a tua.
Imagina, por muito que domines a língua.
Sim, exato. Cais em lugares comuns, então soa um bocado mal. Não é que não fales bem, mas cais naquelas expressões tipo "you know", que é horrível. Cada vez que me ouço a seguir estou tipo: "Meu Deus!"
Tens essa bengala.
É difícil. Tenho que ter as cenas bem estudadas para saber como dizer. Ou seja, é uma coisa muito mais ensaiada. Eu não sou muito bom ator, eu nunca fiz nada que tenha a ver com teatro, portanto eu não consigo fingir que aquilo é tudo genuíno.
Que não é natural.
Exato. Mas é fixe, é grande desafio. Eu adoro fazer em inglês.
Com o tempo também há de ficar mais natural. E quais são os temas que não queres falar sobre?
Podes falar sobre todos os temas que quiseres.
Não, deixa estar. Então tens agora um material em português e um material em inglês, é isso?
Sim, tenho mais ou menos o mesmo material e tento adaptar. E normalmente adapta-se. Há piadas que não funcionam de todo em português, mas é mais pelas referências, não é porque a piada não traduz. Então tento fazer mais ou menos as mesmas coisas em português e em inglês, tiro uma coisa aqui e ali, mas ando a fazer mais ou menos o mesmo texto.
E como é que é o público alemão? Tem muito sentido de humor? Já ouvi dizer que há coisas com as quais não se pode mesmo brincar.
Eu não atuo para público alemão, necessariamente. Porque eu estou a fazer espetáculos em inglês para a comunidade internacional de lá.
São Erasmus.
Sim, eu apanho alemães, mas também apanho indianos e italianos. Apanho tudo. Safo Munique, basicamente. Portanto, acabo por ter um público um bocado mais diverso.
Se calhar mais do que cá, seguramente.
Sim, mas imagina, a cena de comédia, o público de comédia e também os comediantes que tu vês na comunidade internacional em Lisboa, em Munique e onde for, é basicamente a mesma coisa. Portanto, o que eu vejo aqui como comediantes a fazer em inglês, é mais ou menos a mesma coisa que vejo em Munique com comediantes em inglês. E o público também, porque é tudo expats e imigrantes, que é a mesma coisa, certo? Expats e imigrantes.
Expats é expatriados?
Sim.
É mais ou menos. São pessoas que decidem trabalhar noutro... Tu és um expatriado, acho eu.
Imigrante.
Imigrante. Tu és um imigrante.
É a mesma coisa. Acho que geralmente acaba que é a mesma coisa.
Ouviram aqui primeiro. E durante estes cinco anos que não fizeste stand up, porque é que estiveste cinco anos sem fazer? Se calhar essa é a primeira pergunta.
Isso é uma pergunta que eu não sei.
E depois porque voltaste? Já esta não preparaste em casa a resposta.
Acho que não sei.
Estiveste imerso na tua nova vida, adaptaste-te.
Eu acho que foi isso. Eu tive que aprender muito no meu novo trabalho, e focar-me imenso. Tive que aprender imenso, porque claramente não estava ao nível que eu gostava de estar profissionalmente. Tive imenso que estudar e depois também fiz muitas viagens de trabalho em que não estava muito estável. E a cena de stand up em inglês em Munique eu acho que não existia quando eu cheguei lá. Se calhar até procurei e não vi. Acho que foi uma cena que se desenvolveu nos últimos anos, portanto, acabou por ser isso. E depois há dois anos, acho que vim cá duas ou três vezes e fiquei com umas saudades de fazer isto, porque é a melhor coisa do mundo. É mesmo. Exceto aquelas noites horríveis. E depois comecei lentamente a voltar.
E bem, e muito bem. Nuno, já que estamos aqui a falar de stand up, vamos fazer uma coisa, não sei se estás confortável com isso, que é ouvir o teu stand up.
Ouvir o meu stand up?
Não é o teu, é um bocadinho no "Maluco Beleza", que tu participaste há uns tempos. Normalmente os nossos convidados sentem-se muito desconfortáveis por se ouvirem a eles mesmos, mas portanto, não tens de te preocupar. Mas tu vais adorar. Exato. Vai ter de ser, lamento.
Sabem qual é a grande diferença entre um peixe e um cão? É que ambos têm asas, exceto o peixe. E o cão também não tem asas. Bem, antes de terminar, queria só fazer mais umas piadas, porque isto só vai a meio. Em terra de cegos, quem tem olho é cego também, porque é uma terra de cegos, olha que porra. Há malta que acha que Tupperware é uma palavra de origem anglo-saxônica. Eu não acho. Eu acho que é uma porcaria zeca para pôr comida no frigo. Boss.
Há coisas com as quais tu não te ris já?
Sim.
Tipo o quê?
Tipo texto meu antigo e muitas das coisas que eu escrevo.
Eu achava que ele ia falar de um gênero bem específico de piadas.
Não.
Coisas que eu escrevi.
Eu acho que é como filmes. Há certos filmes que eu adorava quando era puto e que se for ver agora estou tipo: "Ok, isto não me apetece mais."
O gosto vai-se desenvolvendo.
Sim, tipo Aladdin, passava-me com aquilo.
Não gostas do Aladdin?
Não é um filme que eu vou ver agora. Gosto bué do Génio.
Por acaso ontem vi o Hércules.
O Hércules? Curto bué, obrigada.
Não sei porque é que eu trouxe isto para aqui, mas ontem vi o Hércules. É um dos meus filmes preferidos da Disney. É uma coisa que eu penso muitas vezes. Quando for mãe, ter de ver os filmes de animação acho que é a parte que mais me chateia. A sério? Não é a que mais me chateia, chateiam mais outras coisas, mas é uma delas. Sim, porque é mesmo essa a melhor parte. Porque aborrece-me imenso.
E porque os putos veem aquela cena cinco vezes seguidas.
Exato. Sim, é mais daí. Depois também é deixá-los.
Claro.
Fica em autotune. Em piloto automático. Olha, Nuno, em 2013 começaste aqui a fazer ghostwriting.
Sim.
Depois veio a dar chatices.
Veio a dar chatices porque eu revelei num podcast uma cena que não devia. Mas já fiz as pazes com a comediante.
Ou seja, não se deve dizer nunca que se é ghostwriter.
Estamos muito amigos.
Nunca se deve dizer quando se é ghostwriter. Ou seja, podes dizer, não podes é dizer de quem.
Exatamente. Eu posso dizer que era ghostwriter, não posso dizer de quem.
Claro. Sim. E tu fizeste.
E eu disse de quem, que é uma cena que não se faz, mas eu estava a começar há pouco tempo, não sabia bem as regras.
Pronto, agora já estás ciente. Continuou a ser ghostwriter ou foste cancelado de ghostwriter?
Não, fui cancelado. Não, agora só escrevo para mim e estou contente com isso.
Não tencionas voltar a escrever para outras pessoas?
Não, eu acho que não consigo muito bem escrever para outras pessoas.
Por quê?
Não sei.
Não te consegues colocar no lugar delas? Não és genuíno.
Sim, as ideias que me vêm à cabeça que eu acho engraçadas são normalmente um bocado esquisitas e não combinam muito com alguns comediantes. Por exemplo, tenho amigos que escrevem muito bem e conseguem dizer: "Olha, esta piada é a tua cara" e faz o drama. É assim.
Verdade.
É fixe.
Então foi em 2017 que revelaste isso e por isso é que emigraste. Foi mais ou menos nessa altura.
Caiu bem para dizer assim.
Bom, fiz o que queria, vou abandonar. Licença.
E foi o desistir da comédia.
E voltaste agora porque começaste a frequentar mais stand up, ou seja, durante aqueles anos em que estiveste na Alemanha, não ias muito a bares de stand up comedy? Lá já também não havia muita cena, se calhar em Munique.
Não havia muita cena. Eu acho que quando comecei a ir, comecei a ver. Aliás, houve um dia que foi completamente fulcral, que foi: eu fui a um espetáculo de stand up e vi um gajo a fazer stand up bastante bem, e eu vi exatamente quais eram as referências de comédia dele, que era um tipo em particular que eu adoro, e eu disse: "Este gajo é fã do nome." Então fui falar com ele a seguir, ele disse: "Claro que sim, adoro isto." E comecei a falar com ele, ficámos uma hora à conversa sobre piadas e eu estou tipo: "O que eu estou a fazer? Eu tenho que voltar a isto. Eu tenho absolutamente que voltar a isto." E foi aí que eu decidi voltar, porque também vi que havia espaço para isso.
Sentes que perdeste alguma coisa durante estes cinco anos em que não fizeste?
Sim, sem dúvida.
Por exemplo, o teu Instagram, não tens quase. Fizeste Instagram há pouco tempo. Para quê que apagaste o teu Instagram?
Epá.
Espera, tu tinhas Instagram, apagaste a conta ou apagaste só as coisas todas que tinhas no Instagram?
Não, apaguei a conta.
Apagaste mesmo?
Sim.
Porquê? Principalmente isto de se apagar. Foi mais ou menos na mesma altura em que revelaste o que não devias naquele podcast.
É, foi tipo go incognito.
Para não seres cancelado, para teres alguma segurança.
Exatamente. Mudar de nome.
Emigrou, mudou de nome.
Também apaguei o Facebook e voltei, agora tenho outra vez.
E voltaste a fazer tudo do zero?
Sim. Eu não sou muito forte nas redes sociais, vou ser honesto aqui convosco. Se forem ao meu Instagram, já tenho as seis fotografias, que a malta disse-me que eu não posso ter uma cena branca lá. Tens que encher aquilo.
Senão parece uma pessoa bot. É meio estranho. Senão parece um bot. Depois é uma conta falsa. Cancelei-me a mim.
Mas agora já tenho seis lá e ainda estou fraco nas stories, ainda não sou forte nisso. Tenho um amigo que me diz que me vai fazer um reel.
Olha.
Estás a ver?
Isso é ótimo. Com contigo a fazer stand up.
Acho que vamos começar por fazer este vídeo aqui, que eu acho que está fixe. Dá para fazer reels com cenas antigas?
Claro que sim.
Então vamos fazer isso.
Há muita coisa para aproveitar. Claro que sim, a gente faz isso.
E depois...
Com coisas do passado, não dá para fazer live. Não, não dá para ser live, um reel live.
Não dá, não.
Um reel live. Quanto muito fazes um live e depois vai para reels.
Hã?
Não, tu podes fazer um live. Uma coisa montada. Imagina, o Nuno pode fazer um live no Instagram.
O que é um live? Não é uma story?
É um direto. Sim, mas isso não vai para reel. Mas pode ir. Depois podes guardar aquele reels como aquele live que tu fizeste no Instagram.
Vocês não vão fazer isso depois?
Fazemos ali fora, fazemos aqui um workshop de redes sociais. Também podes ir ao Google, tu não és arquiteto de software.
Isto é uma cena que por acaso dava.
É? Deve ser perito em mexer na internet.
Eu sou na parte do que acontece quando tu pedes para aquilo acontecer. Usar, não sei.
Tu és uma pessoa precavida na internet, por exemplo, navegas em anónimo e por aí fora?
Às vezes.
Então olha, Nuno, depois vais desenvolver mais este tema já a seguir na versão podcast. Nós em FM. Estou muito gaga, isto está uma desgraça. Na versão FM ficamos por aqui, porque temos notícias para atualizar. "Como o Amor se Paga" com o Nuno Mesquita. Sigam o Nuno na sua rede social. Sim, ele precisa. Por muito que não ponha muita coisa.
Nuno Comedy. Estou orgulhoso. Estás a ver?
Que nome excelente.
Isto é tipo www.nuno.com.
Só falta meter lá o oficial. Muito bem, sigam-nos também "Como o Amor se Paga" no Spotify. Nós voltamos já já a seguir. Continuamos a conversa em podcast com o Nuno Mesquita. E cá estamos nós em podcast.
Isto é sempre em direto?
Nós temos de falar de-- Isto nós temos de cortar para ir para FM.
Ah, ok.
Temos um limite de tempo. Agora é lá a RD.
Agora é que estamos mesmo. Ok.
E nem toda a gente ouve esta parte. Portanto, se quiseres desabafar sobre o facto de teres começado tudo do zero, estás à vontade. Now is the time.
Bora.
Começaste tudo do zero.
Sim.
Houve, se calhar, uma mudança drástica na tua vida para que isso tenha a acontecer, não?
Não.
Não? Então é só simplesmente apagaste, foste embora, mudaste de vida.
Sim.
Voltas, faz o Instagram, o Facebook.
Imagina, eu tinha Instagram como qualquer pessoa tinha Instagram. Eu não tinha um Instagram de comédia, não era tipo: "Sigam este comediante." Na altura, nem sequer sabia que isso era uma cena.
Ter um Instagram de portfólio.
É, era tipo: "Olha, as fotos com os meus amigos." Eu a certa altura fiquei.
Sim, é verdade.
Aquela cena: "Os meus amigos que me conhecem, se querem ver fotografias, vão lá a casa, eu tenho as fotografias."
Vão lá a casa.
Cenas assim.
Álbum de fotografia.
É, então apaguei. Agora, depois descobri que para ser comediante tens que ter following e cenas. E eu detesto essa parte.
É para ser tudo, na verdade.
E Facebook também para ir lá aos eventos e dizer: "Posso atuar aqui?"
O Facebook por acaso já não tenho, desisti.
Eu só tenho para isso, porque há imensos espetáculos que para tu conseguires ir lá, tens que ir falar com eles no Facebook.
E como é que tens feito agora? Tu actuaste no Lisboa Comedy Club, não foi?
Sim, quando estou cá, volta e meia vou lá.
E mais, por onde é que tens andado quando vens cá?
Quando venho cá? Tive a sorte e o privilégio de poder ir ao Barrir em Junho, nas primeiras datas de junho. Incrível, completamente.
O Barrir é incrível. Pois é, toda a gente fala muito bem dessas noites no Barrir.
Aquilo até faz mal a uma pessoa, porque ouvo piadas que eu ando a testar e estava tipo: "Isto não anda a funcionar muito bem." De repente anda a funcionar e eu estou feliz.
Estou a rir-me imenso. Que bom, isso é espetacular. Ou seja, é um público que costuma frequentar as noites?
Acho que sim. Eu só fui lá esta vez, portanto eu nem sequer fui ver outras pessoas. A primeira vez que fui ao Barrir.
Sim, eles vão para ver comédia.
Sim, foi espetacular. Fiz o Domino's uma vez, uma aparência assim meio de surpresa, que eles tiveram também a amabilidade de me dar cinco minutos, mas agora esta sexta vou lá já parte do cartaz. E depois também faço alguns shows em inglês, que há um sítio, o Chafariz, que tem alguns espetáculos em inglês.
Sim, existe ali também na Rua Luís de Camões, ali em Alcântara.
Isso é o Selva?
É o Selva, exatamente.
O Selva é espetacular.
Que não tem torradas, mas tem banana bread.
Pois, eu vou lá fazer stand up.
Fica tão confusa.
Eu nem sequer, aquilo é tipo o quê?
É um café.
É um café?
Parece um café de Erasmus. Eu vivo lá perto, por isso é que na altura estava para aí.
Muito fixe.
Mas aceitam cães lá dentro e às vezes tinha descontos. Só que não tem torradas, gosta. Às vezes vou fazer natação. Um dia fui fazer natação, passei lá, queria muito uma torrada e não havia, só banana bread.
Mas não havia ou já não havia?
Não havia. Não vendem mesmo torradas. A pessoa não justificou. E eu também não precisei perguntar. Mas o que é que ele disse? Não temos torradas ou não fazemos torradas? Não temos. Não temos? E disse em inglês.
Nem sequer sabe o que é torrada. Disseste em inglês. Como é que disseste em inglês?
Toast.
Toast?
Torrada, toast.
O gajo pode achar toast, aquelas tostinhas.
Torrades.
Manteguilha.
Percebem. Torrades com manteiguilha.
Mas esse sítio é muito fixe.
Às terças-feiras, não é?
Eu acho que sim. Eu fui lá uma terça e adorei, foi espetacular mesmo. Adorei o público, adorei a sala, grande vibe, foi muito fixe fazer em inglês.
E tencionas voltar para Portugal?
Sim.
Quando?
Excelente pergunta.
Não sei.
Não, mas gostava de voltar. Não me sentia muito bem se não estivesse cá no final do próximo ano.
Não te sentes muito bem?
Sim, não tenho nenhum plano concreto, mas se em 2025, em outubro, eu ainda não vivo cá, acho que vou ficar um bocado desiludido comigo.
Então tens de começar a mandar currículos para cá. Se quiseres continuar a fazer a tua carreira. Ou pensaste em fazer assim: "Vou fazer um hiato. Um ano a viver dos teus rendimentos." Vens para cá, mas continuas a trabalhar.
Sim, é isso que estou a ver.
Como é que é o teu ramo, que nós esquecemos?
Arquiteto de software.
Arquiteto de software.
Eu quero arranjar um trabalho.
Aliás, o ideal é isso, é viver cá e trabalhar para fora.
Exatamente. É isso que eu quero ver se arranjo.
Ia ser espetacular. E depois, vamos supor, voltas para Portugal. Voltas em força para o stand up?
Sim, em força.
É do género tipo atuar mais vezes. Semanalmente.
Eu ando há só meses lá fora, portanto espero que se mantenha aqui.
E lá fora também ligam muito ao Instagram, também é uma coisa, as redes sociais também. Porque, por exemplo, eu lembro-me de ter ido a umas noites em Nova Iorque, em que há muitos comediantes, e nós cá também cada vez mais temos comediantes. Deves ter reparado na diferença, de há cinco anos para cá, que aumentou 10 vezes mais, provavelmente.
Sim, completamente.
E o que acontece lá é que eles são pagos. Isso é uma carreira como se fosse ser professor. Ou seja, não é dependente das redes sociais, não são dependentes disso. Não é medido o sucesso através das redes sociais, mas sim pelo material que eles entregam.
Eu acho que tu tens uma grande diferença que é a questão do circuito. Tu nos Estados Unidos e até certo ponto também Inglaterra, tu tens clubes de comédia. Ou seja, eu se for um bom comediante, tenho um percurso que não exige que eu tenha redes sociais e se eu for simplesmente bom e estiver a atuar e estiver a fazer as pessoas rir, há sítios onde se eu for e for bom, há pessoas que me dizem: "Podes vir ao meu espetáculo de sexta, no meu comedy club", e depois se fores fazendo esse percurso.
Isto na América, estás a falar?
Na América e em Londres também.
E as pessoas ganham, recebem um bom dinheiro por isso.
Claro, podes fazer a vida assim. És um comediante de clubes, que vais fazendo comédia nestes clubes e vais indo por aí. Portanto, não precisas ter um following nas redes sociais. Na Europa é tudo muito mais caótico. Tu se quiseres ir a um espetáculo, normalmente tens imensos comediantes que têm que organizar o seu próprio espetáculo, não há clubes, e se queres organizar o teu espetáculo, como é que vais ter pessoas a ir ao teu espetáculo se não tivesses presença nas redes sociais?
Achas que Portugal algum dia há de chegar a esse nível?
Eu espero que sim.
Mas a pagar também?
Claro. Eu acho que é isso. Eu acho que tu tens que ter espetáculo, tu tens que ter clubes de comédia, tens que ter clubes de comédia com alguma regularidade e tens que ter espetáculos pagos, que isso é muito importante. Isso é uma coisa que não existe em Munique, que eu acho que é um grande problema.
Espetáculos pagos?
Sim, a cena de comédia em inglês é só open mics, é só espetáculos à borla.
Mas aqui também anda um bocadinho assim, ou seja, se não estás em cartaz, à partida não vais ter.
Não, mas tem espetáculos em cartaz.
Sim, tem cartaz.
O Domino's na sexta-feira é um cartaz e se quiseres ir pagas. Agora, em Munique, se quiseres ver comédia em inglês, raramente há um espetáculo em que tu pagas para ir ver um espetáculo de comédia em inglês.
Ah, diz pagar enquanto público. Enquanto público. Não estou a pensar em receber enquanto comediante.
Não, eu nem sequer estou à procura de receber enquanto comediante, quero só ter qualidade, ter um percurso e saber que este espetáculo é um espetáculo que as pessoas pagam para ver, portanto temos que ter alguma qualidade. E se tu estás sempre a ir a open mics, a motivação para trazeres uma coisa incrível também não é assim tão alta, porque podes levar qualquer coisa. E eu acho que em países como os Estados Unidos e como em Londres, especificamente, não no UK todo, mas acho que Londres é mais assim, tens um percurso e tens espetáculos. Do género: "Olha, eu agora vou fazer estes bares durante dois meses para conseguir ir ao espetáculo de sexta-feira naquele comedy club com aqueles gajos."
Mas todos esses bares que uma pessoa vai, o comediante é pago?
Sim, acho que sim.
E cá em Portugal achas que daria para viver? Ainda não dá para viver de stand up.
Nós também temos um público muito mais pequeno. Eu não sei nada disso.
Por acaso acho que não. Acho que há muito público e há muitos sítios. O que acontece é se não estás em cartaz, não recebes dinheiro.
Sim, mas por exemplo, tens um showcase. Todas as sextas-feiras vai haver um espetáculo que não vai ser à borla, vais ter que pagar, mas vais ter uma garantia de qualidade média. E eu acho que isso é ótimo, porque os comediantes que estão a começar também têm sempre um objetivo de eu quero chegar àquela noite. E isso é uma coisa que falta imenso em Munique e falta imenso noutras cidades onde há stand up na Europa. Nos Estados Unidos, isso está completamente. Só que também é muito mais fácil aqui na Europa. O que eu noto é que é muito mais fácil tu teres um espetáculo, estares a começar e teres um espetáculo já com público a sério, com 50 pessoas ou 30 pessoas, o que for, com público a sério. Nos Estados Unidos demores cerca de cinco anos até estares à frente de pessoas a sério. A maior parte dos espetáculos são coisas absolutamente atrozes, em que és um de 50 comediantes a atuar três minutos à frente dos outros 50 que estão à espera para ir para o palco. É horrível. Para saíres daí é super difícil.
Mais ou menos aqui é mais rápido.
Sim, aqui é mais rápido.
É giro. Ganha umas coisas, perde outras. Viste a série "Baby Reindeer"?
Vi.
Dá tanta pena.
Relatable.
Por acaso aconselho verem a série que é muito porreira.
É muito boa.
Muito boa mesmo. Acho que foi das melhores séries que eu vi este ano. Tens alguma que andas a ver ou alguma coisa que tu regresses sempre? Uma série que voltas sempre?
Não, por acaso não sou muito de ver.
Não és muito nostálgico.
Daqueles que está sempre a ver a mesma série.
Eu também não.
Aquela malta é incrível. Claramente estás a fazer olhos de "Friends", não estás? Isso é "Friends"?
Não, é bué "The Office".
"Office"? Qual deles?
O americano.
Americano? Ok.
Eu também, o americano. Prefiro. Claro, até porque tem mais temporadas. Dá para estar a ver durante imenso tempo. Anos ou meses. Sim, meses, porque vais a volta e voltas. Mas tens alguma coisa que andas a ver de comédia?
Há uma série que agora saiu a terceira ou quarta temporada, que eu quero imenso ver, que é das melhores séries. Não é de comédia, mas também é de comédia, faz-me rir como um raio, que é o "The Boys".
Sim, já ouvi falar.
Excelente.
"The Boys", por acaso eu vi. Está em alguma plataforma?
Amazon Prime. Adoro "The Boys".
É de comédia? Olha que não sabia.
É, faz-me rir com aquilo.
Agora, se é ou não é. Deixa cá ver. Até andam a comparar o Cristiano Ronaldo a essa personagem. Não, isso é "Homelander".
Sim, o Homelander é do "The Boys".
É do "The Boys", ok. Então é o Homelander, andam a comparar o Cristiano Ronaldo ao Homelander.
Capaz.
"The Boys". É Prime Video.
É mesmo fixe.
Diz que é drama, não é comédia.
É, é muito mais fixe.
Mas tem coisas. Diz que é drama. Já sei, tem coisas muito hardcore.
Sim.
Mesmo cenas violentas, hardcore.
Sim. Parece que os gajos que escreveram aquilo estão a tomar drogas e fecharam-se todos no quarto e disseram: "Vamos fazer cena esquisita mesmo." E é esta a droga. Adoro.
Gostavas de fazer uma série, escrever uma série para cá em português?
Não sei, nunca tentei.
Série ou filme.
Eu gostava de tentar. Está no projeto, provavelmente vou falhar miseravelmente.
Ia fazer seguramente uma coisa super gore.
Não, não ia fazer gore. Acho que ia fazer uma cena mais awkward, mais género "The Office". Acho que era mais para onde eu iria.
Pronto, eu com certeza que ia ver.
Há uma série buéda fixe que eu recomendo sempre. Há malta a ver que está na Netflix, que é o "Norseman".
"Norseman"?
"Norseman". Que é uma série que acho que é norueguesa e é das cenas mais engraçadas que eu já vi e é buéda fixe, porque eles gravaram aquilo em norueguês com atores noruegueses e teve imenso sucesso e depois teve tanto sucesso que resolveram gravar tudo outra vez com os mesmos atores a falar inglês.
Tudo? Com os mesmos atores?
Com os mesmos atores. É espetacular.
Que trabalheira também, desculpa. E não vão fazer stand up em português.
Exatamente.
Mas funciona. "Norseman".
Funciona muito bem. Aliás, eu vi a versão em inglês e é incrível. Rio-me muito. É muito "Monty Python" style. É buéda fixe.
Muito bem. E tu agora vais aproveitar para cá estar. Vais também ao Alive, não é?
Vou ao Alive. Vou ao Alive ver.
Sim, claro.
Mas podemos falar, também vou jantar ao Alive.
O Steve no Alive. O Steve vai já para o Alive.
Foi do caraças, pessoal.
Foi incrível. Que dia que foste?
Fui dia 11.
Eu também fui no dia 11. Na sexta-feira.
Foi buéda fixe. Bué pena os Machine Pistols não terem atuado.
Adorei a Arcade Fire.
Foi buéda fixe.
Eu adoro os Machine Pistols.
Também eu. Vai ser fixe.
Foi fixe.
Foi fixe. E no sábado, que é hoje, vou daqui a bocado, tenho que bazar daqui.
Não é hoje, não, foi ontem.
Foi ontem? Ok.
Nós estamos a gravar isto no início da semana. É verdade. Temos de conversar estas coisas. E vais para Munique depois, não é?
E vou para Munique dia 17.
Quando é que te podemos, para a semana, já dá para te ver a atuar?
Para a semana? Para a semana vou a Selva, na terça.
Olha, a fazer inglês.
Fazer inglês.
Paga bilhete de entrada? Tem de pagar aquele mínimo de cinco horas.
É possível. Mas não sei.
Até é bom para vocês também receberem.
Sim, para nós recebermos o nosso dinheiro a seguir ao espetáculo. Sabes aquele dinheiro que nós recebemos?
Não sei do que falas. Muito bem, Nuno Mesquita, aqui terminamos como começamos, que é com uma bela banda sonora. Não me quero atrasar. Isto é o quê? Lady Don't Tech No. Era No ou era Number? Don't Tech No. Tech No. É que fiquei confusa no início quando estávamos a falar. Pronto, Lady Don't Tech No, a fechar com o Nuno Mesquita. Nuno, muito obrigada por teres estado aqui conosco. Espero que tenhas gostado deste bocadinho meio random.
Adorei. Quero vir na próxima temporada, se faz favor.
Ok, boa. Portanto, quando voltares.
E falarmos outra vez sobre isto.
E sigam, por favor, Nuno Mesquita, Nuno Mesquita Comedy no Instagram.
Nuno Comedy.
Nuno Comedy, ok.
Mais fixe.
Mas se pesquisarem por Nuno Mesquita também vão lá ter, não é?
Não sei.
Até porque ele agora vai começar a fazer reels, não é?
Pois é, vai começar.
Tens de dar gás nisso. Sabes que tens de dar gás nisso no Instagram. Voltar ao Insta.
Não há aí serviços que dá para pagar um gajo para fazer isso?
Olha, há muitos asiáticos que fazem isso.
Desculpem fazer isso. É?
É verdade, eu vi no outro dia vários ecrãs. É uma coisa bastante comum. Se calhar não é só, não são só asiáticos. É em todo lado. Mas por acaso vi vários vídeos de asiáticos com vários computadores ligados a fazer gosto e a seguir podcasts e não sei o quê.
Eu curto bué asiáticos
Para constar. #NãoSouRacista. Muito bem, o Amor se Paga desta semana com Nuno Mesquita. Nuno, obrigada!
Obrigado!