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Começa agora mais um Comissão de Inquérito. De terça a quinta convidamos um nome da política para responder a perguntas sobre a atualidade. Hoje é nosso convidado Rodrigo Saraiva, deputado da Iniciativa Liberal e vice-presidente da Assembleia da República. Rodrigo Saraiva, muito obrigado por ter vindo à Rádio Observador esta manhã. Explico rapidamente como é que funciona a Comissão de Inquérito. Cinco perguntas, cada resposta certa tem cinco pontos. Também damos ajudas, se for preciso. Se as usar, fica apenas com dois pontos. Ontem foi Marina Gonçalves, do PS, que esteve na nossa Comissão de Inquérito e fez 17 pontos. Vamos lá ver se consegue.
17 tem sido, aliás, a marca. Bom dia, Rodrigo Saraiva, bem-vindo.
Muito obrigado, bom dia.
Tem sido a marca mais comum, não é? Mesmo nas outras semanas.
É a mais comum e quem acerta mais perguntas. A marca mais baixa foi um 12. Não vamos dizer de quem.
Eu vou tentar fazer diferente e ver se levo zero pontos.
Também é difícil, às vezes.
É mais difícil.
Acho difícil.
São todas escolhas múltiplas. Mas vamos lá.
Vamos começar. Vamos até 1989. Jorge Sampaio venceu a presidência da Câmara de Lisboa numa coligação que, além do PS, tinha o PCP, os Verdes e o MDP-CDE. A pergunta, Rodrigo Saraiva, é: quem era o candidato do PSD nessas eleições autárquicas?
O candidato não era apenas do PSD, penso eu, era uma coligação que também envolvia o CDS e talvez o PPM, e o candidato foi o atual presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Eu lembro-me bem da campanha, dos cartazes vermelhos, e houve alguém que até fez depois um stunt, e dizem as más línguas dos meios políticos que até foi António Costa que fez isso, porque havia uma loja de eletrodomésticos que era a TV Marcelo.
Sim, exatamente.
E os cartazes de Marcelo Rebelo de Sousa apareceram da noite pro dia com os autocolantes a dizer TV, e deixou de ser a candidatura de Marcelo e passou a ser a candidatura TV Marcelo.
Way to certificar.
E assim se conquistam cinco pontos.
Com isso, quase dava direito a 10 pontos, tal o grau de detalhe.
São só cinco pontos mesmo.
Mas o primeiro objetivo foi falhado. Portanto, já não tem cinco pontos, já não tem os 10 pontos.
Este modelo dos pontos é capaz de ser inspirador pra próxima revisão do regimento da Assembleia da República, pra ver se nas comissões de inquérito começamos a ter mais respostas do que temos tido. Pode ser que ajude.
A premiar, exatamente.
Já que a assembleia também ganha um semáforo, ou vai ganhar, tal como a Rádio Observador tem um semáforo político, pode ser. Mas com isso tudo, será que a Iniciativa Liberal corre o risco de ficar afastada da gestão autárquica, do poder autárquico, ao não querer coligar-se?
Nas últimas autárquicas, que foram as primeiras da Iniciativa Liberal, houve uma decisão mais global ou estrutural, digamos assim, da Iniciativa Liberal se afirmar em alguns conselhos, porque penso que foram cerca de 50 ou 60 conselhos onde a Iniciativa Liberal teve participação. Mas não foi apenas sozinha per si. Houve um conjunto de conselhos onde a Iniciativa Liberal já integrou algumas coligações. Assim de cabeça: Faro, Beja, e Faro onde temos até um deputado municipal, Beja, onde não temos nenhum eleito, Covilhã, onde não foi uma vitória da coligação PSD, CDS, Iniciativa Liberal, mas estivemos nessa, Anadia, e houve mais algumas. Portanto, não foi uma decisão fanática de "vamos sozinhos, orgulhosamente sós."
Então linha vermelha só para os grandes municípios?
Não, nem acho que seja linha verme-- aliás, no Porto integrou-se a coligação do movimento Rui Moreira, foi outra. Eu acho que nas próximas eleições autárquicas é normal que também aconteça algo similar. Em alguns conselhos a Iniciativa Liberal irá por si e em outros poderá integrar coligações.
E poderá, por exemplo, apoiar Carlos Moedas em Lisboa.
Sim, penso que estará em aberto, mas acima de tudo, não serão os órgãos nacionais a ter que tomar essas decisões. Na Iniciativa Liberal levamos mesmo muito a sério a descentralização e a autonomia dos núcleos. Em primeira instância, terá que ser o núcleo, no caso de Lisboa, o núcleo de Lisboa, e pelo país afora os núcleos também têm que tomar essa decisão, coordenam-se depois, obviamente, com os órgãos nacionais. A única coisa que poderá depois também condicionar todos é aquilo que lá pra dezembro ou janeiro, quando haverá uma convenção da Iniciativa Liberal em que serão debatidas e votadas a moção de estratégia global, e a moção de estratégia global que condiciona positivamente ou orienta positivamente todo o partido, dirá alguma coisa sobre autárquicas. Até essa altura, penso que é tudo muito extemporâneo falar de coisas concretas.
Nós vamos assistindo a algumas tentativas de diálogo entre os partidos da esquerda, também com vistas às autárquicas. E a pergunta é se faz sentido a Iniciativa Liberal com a AD, com o PSD e com o CDS, ter um acordo também de largo espectro em termos geográficos, e não uma decisão ponto a ponto.
Eu acho que o acordo depois poderá até existir, mas tem que partir depois de ver o que é que está a ser falado localmente por esse país afora.
Mas há pouco falava de uma estratégia, que tinha havido uma estratégia estrutural, que tinha a ver também com o processo de consolidação até dos resultados da Iniciativa Liberal. Esse processo já ficou pra trás, essa consolidação já está garantida? A Iniciativa Liberal sente-se mais à vontade agora para integrar essas coligações sem ter o receio de se diluir?
Aquilo que eu vou dizer é mesmo a minha visão, a minha opinião, aliás eu nem sou membro de nenhum órgão nacional, nem um órgão local da Iniciativa Liberal neste momento. Eu acho que com o passar do tempo, é normal que essa necessidade de afirmação da marca vá perdendo preponderância. Eu acho que isso é normal isso acontecer. Acho que é tudo um processo dinâmico, faz parte da vida. Agora, quando foi da última vez, eu lembro-me bem dessa moção de estratégia global, porque nessa eu participei no seu desenvolvimento. A parte que falava de autárquicas deixava exatamente até aberto aquilo que veio a acontecer: a participação pontual. Ou seja, a regra seria estruturalmente firmarmo-nos como marca por nós, mas deixava a porta aberta a pontualmente, localmente, por causa de especificidades locais, haver alguma participação em coligações. E como eu disse há pouco, aconteceu em Faro, em Beja, na Covilhã, na Anadia, no Porto, até com um movimento independente, e houve outras que estiveram para acontecer, mas depois não aconteceram.
Muito bem. Então, cinco pontos. Um bom arranque. Cinco pontos aqui em cima.
Já não é zero.
Já não é zero. Vamos mudar de autárquicas para presidenciais, se quisermos. Nas presidenciais de 2021, em que Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito, a Iniciativa Liberal apresentou o seu candidato próprio, Tiago Maia Gonçalves, e a pergunta é: em que lugar ficou Maia nesta corrida eleitoral?
Eu não me lembro agora do número exato de candidatos, portanto vou responder que ficou em penúltimo, porque depois dele ficou o Tino de Rans.
O que é que consideramos isso? Está certo?
Eu considero certo.
Está certo.
Não é?
Eu revogo o lugar. É verdade, ficou em sexto.
Pronto, eram sete.
Eram sete. E ficou pouco acima de Tino de Rans. Foram 11 mil votos de diferença. Penso que foi cerca das 22h30 da noite que ultrapassou o Tino. Exatamente. Havia um voto mais urbano, talvez. Mais ou menos isso.
Não, porque no Porto, que é urbano, o Tino teve uma boa prestação. Eles disputavam ali no Porto, territorialmente eram os dois de lá.
Pois, porque o Tiago Maia Gonçalves também é do Porto.
Exato.
A questão aqui, mais uma vez é: e nas presidenciais, faz sentido a Iniciativa Liberal ir novamente com um candidato próprio ou entrar também num alargamento que apoie uma personalidade da direita?
Se há eleições que são mesmo pessoalizadas, são as presidenciais. Portanto, eu acho que poderá fazer sentido a Iniciativa Liberal apoiar um candidato seu ou até incentivar algum dos seus membros ou dos seus próximos a ser candidato, mas acho que a decisão poderá depender daqueles que se vão apresentando como candidatos.
Mas no caso de Tiago Maia Gonçalves, não foi uma candidatura pessoal, foi uma candidatura quase do partido.
Sim, foi o que eu disse. O partido poderá também incentivar um dos seus. Há uma conjugação, o Tiago queria, o partido também incentivou, portanto, há aí uma conjugação. Nas presidenciais, se a pessoa não quiser, não pode ser obrigada. Está-me agora a faltar o nome. O Timo Vieira, por exemplo, que já anunciou que é candidato. Por que a Iniciativa Liberal não poderá apoiar o Timo Vieira, que não é da Iniciativa Liberal, é um cidadão, por acaso participou até num evento nosso, penso que da apresentação do programa eleitoral, como pessoa independente, que foi lá dar a sua opinião. E estou a falar deste nome porque é um nome não político ou não das elites políticas. Portanto, eu acho que tudo é possível pra Iniciativa Liberal: apoiar alguém que é seu membro, apoiar uma pessoa independente como o Timo Vieira, ou depois apoiar alguém que tem participação ou um histórico político noutro partido, mas isso há aí muitos candidatos, portanto, é melhor esperarmos e ver quem é que vai chegar à frente.
Nomes como os do costume da direita, Paulo Portas, Marques Mendes, poderiam de alguma forma merecer um apoio da Iniciativa Liberal?
Ou não. Não me vou comprometer.
Depende.
Eu não faço parte de órgãos nacionais, mas depois eu digo alguma coisa e ainda acham que tomam pelo partido e portanto eu não me quero comprometer.
Rui Moreira seria um bom nome para candidato da área da direita?
Sobre Rui Moreira, eu tenho uma opinião muito pessoal e essa não quero mesmo divulgar. Peço desculpa.
Mas pelo menos aqui já há um histórico de apoio ao Rui Moreira no Porto.
O Rui Moreira parece que é daquelas personalidades da política portuguesa que entre os seus defeitos e virtudes, é sempre considerado para candidato a tudo e mais alguma coisa. Até agora nas europeias era. Portanto, algum valor há de ter daquilo que é a sua participação cívica. Quando muitas pessoas o consideram para várias funções, algum valor ele há de ter.
Agora alfinetada. A Iniciativa Liberal tem uma personalidade da mesma maneira, com o mesmo perfil, João Cotrim Figueiredo.
Exato.
Qualquer coisa que se fale, o João Cotrim Figueiredo é apontado como possível candidato.
Exatamente. Quando eu estava a dizer isso sobre Rui Moreira, eu já estava a pensar no João e isso adequa-se, porque tem mesmo muito valor e depois as pessoas acham que ele pode ser candidato a tudo.
E ele também.
Há uma diferença. Ele não.
Já vamos à pergunta seguinte.
Ele foi candidato a vice-presidente da Assembleia da República, não foi eleito e depois não voltou a querer saber.
Não quis voltar a passar pelo processo, é verdade.
E mostra muito aquilo que é a personalidade do João. Mas o João Cotrim Figueiredo e o Rui Moreira têm uma diferença: é que o Rui Moreira, eu não tenho memória de alguém ter considerado que o Rui Moreira é um senador da política portuguesa, mas já o tratam dessa forma. O problema é que o Rui Moreira tem uma participação política e cívica já de muitos anos, e o João Cotrim Figueiredo, e até neste estúdio, já o consideraram um senador, quando ele esteve aqui em debate com o António Filipe, num dos vossos programas, chamaram ao João um senador. Eu vou dizer uma expressão, mas com bastante simpatia. A bolha político-midiática, quando se refere a João Cotrim Figueiredo como senador, tem que pensar bem o que está a dizer. Eu gosto muito dessa expressão, porque eu adoro o João. O João chegou à política portuguesa há quatro anos. Ele estava há três anos na política e já o consideravam um senador. O João, de facto, tem mesmo muito valor.
Então vamos ao João. Quanto tempo durou a candidatura do João Cotrim Figueiredo à presidência da família política europeia dos liberais, o Renovar Europa?
Vocês vão dar a minha resposta como errada, mas a minha resposta não está errada. A candidatura do João não demorou quatro horas como saiu nas notícias Vocês vão dar a resposta como errada, mas eu vou dar a resposta certa. Eu acompanhei as notícias. Só ontem é que falei com alguém que está em Bruxelas, até lá só acompanhei as notícias. A candidatura do João, por aquilo que é relatado nas notícias, surge durante o fim de semana em Vilnius, no conselho do ALDE Party. Não aconteceu só na segunda-feira. Quando a candidatura surge em Vilnius e pelo menos ao domingo é formalizada por um e-mail do João ao ALDE Party e há um e-mail dos dois presidentes do ALDE Party aos membros do ALDE Party a dizer que o João vai ser candidato, significa que a candidatura, formalmente pelo menos, teve 24 horas.
Embora o João a tenha anunciado publicamente.
Não, o João não anunciou. A questão foi que saiu uma notícia no Politico, houve um leak desse tal e-mail dos dois presidentes do ALDE, e depois, perante essa notícia do Politico, a imprensa portuguesa começou a questionar a Iniciativa Liberal, e a Iniciativa Liberal confirmou, e o João confirmou, que isso estava em cima da mesa. As quatro horas é nesta vertente.
O relógio começa a contar aí pra nós, a partir do momento em que é público.
Se o calendário ou o cronômetro começa a contar dessa forma após a notícia do Politico, são quatro horas. Naquilo que é a realidade dos fatos, são 24 horas, pelo menos.
Mas a resposta está certa.
Teríamos que consultar o representante do Governo Civil.
Não, não há dúvida.
Nos tempos em que havia Governo Civil.
Não há dúvida que sim. Podemos agora partir para isto, para as 24 horas em torno desta candidatura. Houve aqui uma má leitura, uma má interpretação dos apoios por parte do João Cotrim Figueiredo?
Eu não estou mesmo por dentro dos pormenores todos e dos detalhes todos. Acima de tudo, o que eu acho. Eu adoraria que o João fosse o líder parlamentar do Renew, mas se quer ser considerado um português liberal, de um partido recente, que pela primeira vez tem representação no Parlamento Europeu com dois, ser sequer considerado pela sua família política como uma possibilidade, eu penso que é bem demonstrativo de algo muito positivo e do valor do João e do valor do percurso da Iniciativa Liberal. Eu acho que isso é muito positivo, tivemos um e-mail formal dos dois presidentes do ALDE, parte do partido, não do grupo, a dizer isso. Eu penso que isso é positivo. Acima de tudo, e conhecendo o João como conheço, e até aquele pormenor que eu falei há pouco, aquele episódio de ter sido candidato a vice-presidente e ao não ter o número de votos na Assembleia da República suficiente, ter surpreendido a política portuguesa em dizer: "Não, não vou reapresentar a minha candidatura", e depois por muita insistência ao longo da legislatura passada, e a Iniciativa Liberal não voltou a reapresentar essa candidatura, demonstra que o João chegou. Há muitos liberais que têm uma leitura dos resultados dos liberais por esta Europa afora, nestas europeias, como uma catástrofe, etc. Eu não partilho dessa visão. Houve resultados negativos em alguns países, nomeadamente França, que passou de 21 pra 10, em Espanha, com o debacle do Ciudadanos, e estes dois resultados eram expectáveis. Ou seja, os liberais não foram surpreendidos na noite das europeias com estes resultados. Houve uma surpresa muito negativa que foi em Itália, deixámos de ter representação italiana liberal no Parlamento Europeu, penso que eram dois, agora temos zero, mas depois por essa Europa afora, tivemos outras duas realidades. Alguns países onde se manteve aquilo que era a realidade liberal, sobretudo nos países nórdicos, ou então, por exemplo, na Holanda, Países Baixos, e na Bélgica, que são países com dois partidos liberais, em que um desceu e o outro subiu. Aconteceu isto na Holanda e na Bélgica. E depois temos países como Portugal, com um excelente resultado dos liberais, ou a Eslováquia, com um fantástico resultado, ainda por cima depois daquilo que aconteceu, do atentado ao primeiro-ministro, uma coisa complicada, os liberais ganharam essa eleição na Eslováquia.
Foi um excelente resultado em Portugal, mas perante um candidato do Chega, considerado por tanta gente como um mau candidato, o João Cotrim Figueiredo não devia ter ficado à frente. Ou a Iniciativa Liberal e o resultado do cabeça de lista.
O próprio João durante a campanha disse: "Vamos ter calma." São realidades de eleições de três meses umas para as outras. Se de repente a Iniciativa Liberal tivesse ultrapassado o Chega, isso era chamar os politólogos todos da política portuguesa pra se sentarem numa sala a perceber bem o que tinha acontecido. Mas voltando àquilo que eu estava a dizer, eu acho que os resultados não foram dantescos em termos dos liberais a nível europeu, mas não foram positivos. E aquilo que se passa é que na família liberal europeia, toda a gente acha que os resultados não foram positivos, mas depois ninguém quer dar um passo em frente e abanar as águas. E eu acho que aquilo que o João fez foi dar o peito às balas, dar a cara. Isto é preciso abanar, é preciso reformar, é preciso começar por reformar o partido, é preciso depois reformar o grupo parlamentar, depois reformar o Parlamento Europeu pra depois reformarmos a Europa. Eu penso que foi isto que esteve na cabeça do João e nesta atitude de se disponibilizar junto da família do partido liberal europeu pra uma candidatura. E depois, entendeu-se, e eu penso que até há uma notícia, é um take da Lusa, penso que está no Observador, já de umas declarações ontem da Valrie, da reeleita presidente do Renew, com umas mensagens muito positivas acerca do João e da Iniciativa Liberal. E dizer que neste momento está a decorrer a votação pro resto das vice-presidências do Renew e vamos ver qual é que será a votação que o João vai ter.
Pra já, 15 pontos.
15 pontos, um pleno até agora. Vamos fugir um bocadinho da atualidade, vamos aqui viajar na máquina do tempo.
Se a pergunta é sobre datas, eu vou perder.
Em que ano se deu a Revolução Liberal do Porto?
Não vou lá.
Ajuda?
Vamos tentar sem ajuda. Não, não vamos tentar sem ajuda. Não vou lá. Não vou fazer como a Marina ontem e bloquear aqui no Sidónia.
Mas com ajuda tem.
Com ajuda.
Vamos lá então. 1810, 1820 ou 1825?
É 1820.
É 1820. 17 pontos.
Já estou com o 17, que é a marca habitual.
Marca habitual, está dentro da média.
Aqui a linha d'água é aquilo que a Marina Gonçalves teve ontem.
Rodrigo, eu nem vou perguntar por que o liberalismo não funciona em Portugal. Por que o liberalismo não pega em Portugal?
Eu acho que o liberalismo está a pegar em Portugal. É interessante, logo no início, nos primeiros tempos da Iniciativa Liberal, ainda nem éramos partido, andávamos a fazer os nossos pensamentos, os nossos brainstormings, as nossas definições, e decidimos que o nosso claim era Portugal mais liberal. E isto é uma nuance, mas é uma nuance interessante, porque se nós achássemos que Portugal, já então, não tinha algo de liberalismo nas suas pessoas e no seu modus vivendis, se calhar o nosso slogan teria sido Portugal Liberal. Mas como nós sabíamos que já havia liberalismo a fervilhar.
Mas escondido.
Em algumas coisas nem era escondido, em termos de liberdades individuais e liberdades políticas, eu acho que Portugal já dá cartas liberais. Mas como ainda havia muito por fazer, escolhemos o Portugal mais liberal. Portanto, eu acho que a Iniciativa Liberal tem dado um bom contributo para pôr esse liberalismo que já germinava.
Onde é que germinava esse liberalismo, em que áreas? Os impostos?
Em todos. Na sociedade.
Na relação com o Estado, por exemplo?
Essa é a parte mais difícil.
Aí é que sai.
E tivemos ontem um anúncio do governo de uma reforma da administração pública. Vamos ver o que é que vai dar. Pelo menos não me parece que não era uma folha A4 só com os tópicos como há uns anos alguém fez. Esta parece que é assim um bocadinho mais, pelo menos não são folhas A4, é um PowerPoint com algumas coisas, porque de facto é preciso tirar o Estado da frente de muitas coisas. E há uma coisa interessante: eu estava a ler o comunicado até no site do governo e Luís Montenegro refere a certa altura que muita da simplificação é para combater a corrupção. Nós andamos há muito tempo a dizer isso. Nós dizemos que a burocracia é o negócio dos corruptos e é preciso, para combater a corrupção, mais do que ir para o Código Penal, é simplificar processos de licenciamentos, etc. Então por que quando, na semana passada, lançaram o PowerPoint do pacote da corrupção, já não falaram em simplificação? Foi preciso agora a reforma da administração pública para falar em simplificação. Sim, a simplificação é precisa, é preciso desburocratizar, é preciso tirar o Estado e nesta parte do peso do Estado ainda é preciso liberalizar muito a vida das pessoas. E nesse campo, sim, o liberalismo na relação do Estado ainda não funciona. Nos outros já vai funcionando e cada vez mais vai funcionar.
Rodrigo, estamos a ficar sem tempo. Temos aqui uma última pergunta apelando até ao seu lado pessoal, percebemos que é adepto do Belenenses.
Esta é para pontos ou não?
Pode ultrapassar os 17.
Será o primeiro inquirido a passar os 17. Vamos lá.
Eu acho que vai conseguir. Contra que equipa garantiu o Belenenses, este ano, o título de campeão nacional de rugby?
Eu confesso que o rugby é das modalidades do Belenenses que eu menos acompanho.
Mas é muito importante para o clube.
Foi campeão.
Foi bicampeão. Eu acho que foi com o Agronomia.
Certo.
Espetacular.
22.
22 pontos.
Muito bem. Nosso recordista. Estabeleceu um novo recorde.
Finalmente o liberalismo funciona e faz falta ao Salvador.
Tem algum prognóstico para logo num jogo quase a feijões entre Portugal e Geórgia? Tem acompanhado este Europeu?
Vou dizer uma coisa que pode ser considerada pouco patriótica, mas como nós já passamos, e em primeiro lugar.
Agora já só está com a cabeça nos 18.
Um empate ou deixar que a Geórgia marque alguns gols, seria muito importante para os georgianos que estão lá no seu país com uma luta brutal pela liberdade e pela democracia. E eles também mereciam ter essa alegria. Se pudermos ajudar a isso, eu não vou ficar triste se não ganharmos.
Muito bem. Rodrigo Saraiva da Iniciativa Liberal.
O futebol com humanismo.
É o humanismo, é verdade.
O futebol não é tudo.
O liberalismo do rosto humano.
Foi nosso convidado hoje na Comissão de Inquérito, que amanhã é quinta, ainda temos Comissão de Inquérito por volta das 21h30. Obrigado por ter vindo.
Muito obrigado.