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Este é o som da comissão de inquérito das manhãs 360. Esta quinta-feira recebemos o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais. Bom dia.

Bom dia.

Bem-vindo.

Bom dia.

Tem sempre a sorte de Cascões.

É um prazer. Este ofereceu-me ontem.

Foi?

Era o vestimentão.

É verdade, é muito bonito.

É muito bonito.

Foi preparado especialmente para a comissão de inquérito.

Vesti o casaco castanho por causa do Cascão.

Sabe como é que isso funciona? Já sei que ouviu do Carlos Carreiras. Sabe como funciona?

O seu vizinho de Cascais.

Sim, ouvi ontem. Ouvi exatamente do vizinho de Cascais. Gostei mesmo.

Gostou? O vizinho de Cascais fez 17 pontos e meio. É uma coisa assim, um bocado única, mas ele lá conseguiu 17 pontos e meio.

Ele tem sorte na lotaria.

Esta semana, Inês Medeiros fez 16 pontos e ontem o advogado Paulo Saragoça da Mata fez 17. Até hoje, nunca ninguém fez o pleno, 25 pontos.

25, não.

É isso mesmo.

Pode ser que seja hoje. Vamos lá à primeira. Desde o 25 de Abril, quantas vezes é que os portugueses foram chamados às urnas para eleger um presidente da República?

Isso é de fazer contas.

25 de Abril, há 50 anos.

O Anjos, o Soares, o Sampaio, o Cavaco, o Marcelo. Portanto, foram o quê? Sete.

Mas depois houve reeleitos, não é?

Então, António de Sá Fernandes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo. Cinco.

Exatamente.

Então e quantas vezes? Cinco presidentes.

Foram 10.

Claro. Isso também é fato. Isaltino Morais, é conhecido o seu apoio a uma eventual candidatura de Gouveia e Melo. Acha que falta coragem na política em geral para apoiar o almirante?

Falta coragem não só na política, mas há muita falta de carácter. Eu diria que não é uma questão de coragem, é calculismo. À medida que as coisas se forem clarificando, haverá cada vez mais apoios ao almirante. Isto vai ser uma onda extraordinária, daquilo que eu prevejo.

Acha que ele está, neste momento, a provocar ainda algum incômodo ou não? Essa é mesmo essa incógnita.

Causa muito incômodo e até estranho. Repare, eu já ouvi argumentos, reportando a sua qualidade ex-militar. E como que se o militar tivesse uma capitis diminutio em se poder candidatar ao mais alto cargo da Nação. Mas então não temos unas Forças Armadas democráticas? Não vivemos num regime democrático? Não te falamos de uma democracia consolidada? E pôs em causa que haja um setor da sociedade portuguesa que não pode candidatar-se a presidente da República. Portanto, isto é uma contradição nos termos.

Mas o que lhe agrada em Gouveia e Melo?

Comparativamente com os políticos que aparecem aí, agradam-me tudo.

Quer destacar dois ou três aspetos?

Isso diz mais de Gouveia e Melo ou dos políticos que se comparam com ele?

Não, veja uma coisa. Eu acho que o almirante Gouveia e Melo, primeiro, ao contrário daquilo que se possa dizer, tem uma grande experiência política, porque foi chefe de Estado-Maior da Armada. E esta coisa de se vir dizer agora que os chefes militares não têm experiência política, quando no seu dia a dia lidam com políticos nacionais e internacionais, com instituições, etc. Portanto, claro que tem que ter uma grande experiência. Eu julgo que o povo, as pessoas, claro que escolhem em função das qualidades intrínsecas dos candidatos, mas também em função, hoje fala-se muito em percepções, em função daquilo que é a sua imagem da pessoa A ou da pessoa B. Repare, o histórico de cada cargo influencia o próximo. É óbvio que o professor Marcelo Rebelo de Sousa, na minha opinião, é o grande responsável pelo apoio que o almirante Gouveia e Melo parece estar a ter.

Por contraste.

Naturalmente, como ele também contrastou com o professor Cavaco Silva. Só que ele exagerou a dose. O professor Marcelo, neste último mandato, exagerou a dose. Mais as pessoas apreciam o almirante.

Não lhe faz confusão o fato de não saber o que Gouveia e Melo pensa politicamente?

Essa é outra falácia dos políticos. Muitas vezes dizem que não sabe o que ele pensa, eles próprios não dizem o que pensam. Eu não sei qual é o pensamento das generalidades. Por exemplo, o doutor Sampaio, não se sabe o que ele pensava da Presidência da República. Aliás, se eu for atentar ao pensamento dos políticos que dizem que o almirante não tem pensamento, querem eles próprios atribuir-se pensamentos que não têm nada a ver com a Presidência da República. Na realidade, eles gostavam de ser era primeiros-ministros. São uma espécie de primeiros-ministros frustrados e então transplantam para o presidente da República o exercício de funções e atividades que não cabem ao presidente da República.

Mas não há ninguém da área dos partidos com experiência política, até com experiência de liderança partidária, que lhe pareça em condições de ser um bom candidato à Presidência da República.

Não tenho dúvidas que há muita gente da área dos partidos políticos que tinham todas as condições para ser candidato a presidente da República, mas ganham pouco. Portanto, o almirante está disposto a fazer um espírito de missão pelo seu saber, enquanto que os políticos, aqueles políticos da área política, estão a ganhar €15 mil por mês, ou 30, ou 40, e não estão para se sacrificar por ser candidato a presidente da República.

Mas tem falado com Gouveia e Melo sobre a candidatura.

Falei em tempos. Agora está no tempo da reflexão.

Está de férias.

Ele está de férias, a pensar. Se sim, faz bem. Não deixará de estar a pensar na formulação da sua candidatura.

Pela sua vastíssima experiência política, quando é que acha que é o momento em que se deve anunciar que se é candidato?

À candidatura à Presidência da República. Eu acho que no nosso sistema, e considerando que vai haver eleições autárquicas também, admito que, pela minha Alguém que esteja de alguma forma com a garantia da sua eleição, bastaria anunciar a candidatura lá para outubro, setembro. Até porque coincidindo com o calendário das autárquicas, vai diminuir um pouco o impacto das autárquicas. E portanto, o professor Marcelo Rebelo de Sousa quando anunciou a sua candidatura, é claro, por razões próprias, porque ele também não interessava que aparecesse mais ninguém, estava ele no espaço mediático, mas admito que maio seja uma altura propícia a qualquer candidato. A não ser, repare, claro que se o Almirante aparecer isolado, suponha que nas sondagens, o doutor Marques Mendes não passa dos 10%, que o doutor André Ventura anda nos 10 ou 15%, que a Iniciativa Liberal anda por aí também, e que o Almirante aparece destacado com 35 ou 40, naturalmente que aí ele não precisa de avançar.

Não precisa de dizer que é candidato.

Não, porque repare, nós estamos aqui a fazer a campanha por ele. Nós estamos a falar por ele.

E muito se tem falado, não é?

Quer dizer, fazemos a campanha por ele todos os dias. Todos os dias os espaços mediáticos falam no almirante. Os candidatos que falam em pensamento estão ansiosos para que o almirante diga qual é o seu pensamento sobre como é que vai governar o país.

Mas as pessoas quando vão votar, votam no pensamento ou na pessoa, no homem ou na mulher?

Basta olharmos para nós próprios. Quando eu tinha 23 anos, Deus o 25, não, 24. E o que me fez aderir na altura ao PSD? O Sá Carneiro. Ora bem, como houve muitos que aderiram ao PS ou ao Partido Comunista em função do Soares e do Cunhal. Portanto, é indiscutível que a personalidade tem uma atração extraordinária. E portanto, é natural que um número significativo de apoiantes do Almirante Gouveia e Melo o faça em função daquilo que vê nele.

Daquilo que transmite.

Da cultura, da tranquilidade, da segurança, do fundo, do sentido que lhe atribui do ponto de vista institucional, que é alguém que dignificará o Estado. Quer dizer, tudo isso são imagens que as pessoas fixam e, portanto, independentemente do que ele pensa na relação, como é que se vai relacionar com o governo, como é que se vai relacionar com a Assembleia da República, como é que se vai relacionar com os partidos políticos. À partida, há um capital de confiança que ele transmite e que leva as pessoas. O programa vem depois.

Muito bem. Cinco pontos na primeira questão. Vamos à segunda. Isaltino Morais, quantos municípios são liderados por candidaturas ou movimentos independentes, como é, aliás, o seu caso em Oeiras?

Eu acho que anda entre os 20 e os 30, não tenho a certeza.

É mais próximo do intervalo inferior.

Talvez umas 20, 21 ou 22.

Vou lhe dar aqui três hipóteses então. Pode ser? Aí passa para os dois pontos. 35, 25 ou 19.

Eu acho que são 25.

São 19.

Era para ser mais perto de 20.

Não, presidentes de câmara.

Presidentes de câmara e movimentos.

É que eu tenho algum relacionamento com os independentes e aos que perderam, não sei se está a ver.

Está a fazer a conta a todos.

Eu estou a fazer conta aos que vão à Associação Nacional de Municípios Independentes.

São 19, de facto. Aliás, o Isaltino Morais é independente porque se zangou com o PSD. É uma zanga sem retorno?

Não, nunca me zanguei com o PSD. Em 2005, o que aconteceu foi que convidaram para ser candidato a presidente da Câmara de Loures ou de Odivelas ou de Amadora, e eu queria ser candidato a Oeiras, de onde tinha saído. E na altura, o argumento que foi dado não é aquele que às vezes se invoca. O argumento que foi dado foi que já estava lá uma presidente, que era a doutora Teresa Mujo, e o PSD, nos municípios onde já havia presidente, não ia substituí-los e, portanto, eu podia ser candidato a outro município qualquer. Ora bem, eu avancei com o entender, mas não me zanguei com o PSD.

Mas pode voltar ao partido, ou não?

Se posso voltar? Eu sou um cidadão livre como outro qualquer, portanto, poderia voltar ao PSD, mas não sei se está a ver, é uma questão que eu neste momento não coloco. Por uma razão muito simples, porque eu não tenho oscilações. Eu sou social-democrata há 40 anos. E o PSD ora está para a social-democracia, ora está para o liberalismo, neoliberalismo.

Onde é que está agora o PSD?

O PSD agora está numa situação confusa, mas é indiscutível que o doutor Luís Montenegro fez nos primeiros meses do seu governo um esforço de recentramento do partido. Mas agora por via desta polêmica da insegurança, que não existe, mas querem que sim. E, portanto, há esta tendência. Aliás, o próprio presidente da Câmara de Lisboa está a ir um bocadinho nisso, de dizer que há muita insegurança. E portanto, isso identifica com aquilo que são os princípios de propaganda do Chega.

Mas houve um recentramento por quê? O partido estava demasiado à direita?

Bastava olhar para a política fiscal do governo do doutor Passos Coelho para vermos que era um governo muito à direita. Quer dizer, quando se cortam pensões às pessoas, quando se aumentam os impostos a quem ganha menos e se poupam os que ganham mais, obviamente que isso não é social-democracia. Quer dizer, portanto, isso aí é outra coisa.

Mas entretanto houve uma liderança do Rui Rio.

Mas o Rui Rio não teve sorte, porque realmente ele é um social-democrata, quis recentrar o partido, mas nessa altura, o que é que aconteceu? Saiu o Chega, saiu a Iniciativa Liberal e saiu a Aliança. Ou seja, na realidade, houve um setor significativo. O PSD sempre foi uma banca espanhola, não sei se está a ver. Havia mais gente da extrema-direita no PSD do que no CDS. Os CDS eram conservadores. Aquilo que era a extrema-direita, a extrema-esquerda, estava tudo no PSD, havia lugar para todos. Quando saiu o Passos Coelho, sentiram-se órfãos, não sei se está a ver. Ao sentirem-se órfãos, um cria o Chega, o outro cria a Iniciativa Liberal, o outro cria a Aliança. Por quê? Porque não se reviam naquela política Do Rio, no sentido de ele dizer social-democrata. Hoje, o PSD tem tudo-

E é esse partido com que o Isaltino Morais se identifica.

Naturalmente. Hoje tem todo o gosto. Eu não sou um tipo de direita, não me identifico com a dita direita. Aliás, o PSD foi sempre um partido realmente de centro-esquerda. Era um partido social-democrata, de defesa da progressividade dos impostos. Repare, basta olhar para o que foi o governo do doutor Cavaco Silva, que chamavam a ele o homem de direita. Nunca Portugal teve políticas sociais-democratas como teve no tempo do professor Cavaco Silva. Construção de creches, construção de lares de terceira idade, tudo o que eram políticas sociais muito fortes foram com o professor Cavaco Silva. Depois disso, acabou. Nem o Partido Socialista, veja bem, porque depois também as circunstâncias... Nem o doutor António Costa conseguiu ter as políticas social-democratas que o professor Cavaco Silva teve. São dados.

Vamos continuar a recuar na história do país. Isaltino Morais foi ministro com a pasta do Ambiente no governo de Durão Barroso. Quem foi o ministro que o antecedeu nessa pasta do Ambiente, no Ministério do Ambiente?

Foi o Sócrates.

A casa estava arrumadinha quando lá chegou?

Estava, porque ele era um tipo arrumado. E passou uma pasta, passou uns dossiês.

Numa boa relação de transição de poder.

Ao contrário do que tenho ouvido dizer agora, ainda há dias, não vou agora aqui citar também, mas anteontem ou anteanteontem estive com o secretário de Estado, que tem muito a ver com o nosso conselho em termos de algumas atividades, e diziam-me que o anterior secretário de Estado não lhe passou nada.

No caso, foi Oeiras.

No caso dele, passou tudo.

O José Sócrates está com um processo pendente há 10 anos. O que isto nos diz sobre o sistema judicial? Não é justo para ninguém que tem ambições políticas ou tinha ambições políticas isto acontecer?

Não, mas os políticos toleram isso tudo, o sistema político tolera isso tudo. Repare que ainda há muito pouco tempo, na posse do Procurador-Geral da República, por exemplo, foi referido pelo próprio procurador-geral que não aceitavam alterações no estatuto do Ministério Público, que ninguém está acima da lei, a começar pelos próprios. Os magistrados do Ministério Público também não estão acima da lei. Quando se fala em qualquer reforma da justiça, vêm os agentes judiciais, os diferentes, desde funcionários, magistrados, etc., a dizer: "Não, tu lá não nos toquem." E por norma, os políticos encolhem-se. Na realidade, os políticos portugueses hoje vivem uma situação de grande dependência e de medo perante o sistema judicial. De uma forma geral, têm medo. E há de ter. Porque repare, basta uma denúncia, uma coisa qualquer, faz-se uma investigação, vai nos jornais, vai nas televisões e o indivíduo automaticamente fica rotulado. E a partir daí é muito difícil, depois vai para os tribunais, para os processos, etc., investigação, inquérito, instrução. Andarem ali 10 ou 15 ou 20 anos à espera de um julgamento, obviamente, é muito injusto. É, de facto, muito complicado para as pessoas.

O senhor passou por um processo em que foi condenado, em que pagou a pena e depois renasceu politicamente e voltou a ter todos os seus direitos. Acha que José Sócrates ainda pode ambicionar isso, por exemplo?

Não faço ideia. Sabe que isso depende muito da consciência de cada um. Repare, nós podemos ser objeto de uma prescrição judicial, pode haver razão ou não haver. Eu, por exemplo, continuo no meu caso. Fui condenado por fraude fiscal. Tenho a anátema e o ferrete da corrupção em cima. Aliás, os jornalistas com frequência, quando querem falar em corrupção, falam no Isaltino. É um ferrete que não sai. Mas, na realidade, ainda hoje estou à espera de saber qual foi a fraude fiscal que eu cometi. Porque eu fui condenado pela convicção do tribunal, dizendo que provavelmente teria subtraído ao Estado mais de € 18 mil. E por que isso acontece? Porque acima dos 18 mil é crime, abaixo dos 18 mil é contraordenação. Há, de facto, muitos entorses no nosso sistema judicial.

Mas a justiça é utilizada como instrumento de política? Acha que muitas vezes o Ministério Público é usado como instrumento?

Não tenho qualquer dúvida, está à vista de toda a gente. Só não vê quem não quer. É óbvio que é usado porque há determinados processos que só surgem em momentos cirúrgicos. Há coisas absolutamente incompreensíveis. Aquele certo parágrafo da Procuradoria do primeiro-ministro António Costa é exemplificativo, e depois todo o enredo, todas as justificações que dão uns e que dão outros. E depois aquela constante "ninguém está acima da lei". Claro que ninguém está acima da lei, nós sabemos que ninguém está acima da lei. Mas são todos, todos os portugueses estão naturalmente abaixo da lei. Mas também não estão fora da lei. Também tem que haver respeito dos seus direitos.

Mas consegue identificar nos bastidores a autoria dessa manipulação da Justiça? Alguma área, algum grupo de interesse?

O sistema judicial é um sistema de poder, é um dos pilares dos órgãos de soberania. E naturalmente que há uma disputa de poder também. Quando o checks and balances não funciona, algum deles se aproveita. E é indiscutível que em Portugal o Ministério Público tem uma grande apetência pelo poder. Não quer dizer que seja o A ou o B, faz parte da doutrina, não sei se está a ver. É uma espécie de corporação que se une para a defesa de determinados princípios e interesses. Digamos que ali está toda a moralidade concentrada, não sei se está a ver.

Entendido, muito bem. 10 pontos, vamos para a terceira?

A quarta questão. Tem mais 10 pontos em causa.

E agora vamos aterrar em Oeiras mesmo. A Fundição de Oeiras foi durante décadas uma das principais, senão mesmo a principal, unidade empresarial e fabril do concelho. A pergunta é: em que década é que foi definitivamente encerrada a Fundição de Oeiras? Década.

A década eu acho que foi encerrada nos anos 90. Pode ter funcionado como armazém.

Não, foi antes até. Tenho aqui.

Em 80 ainda faziam lá umas máquinas de lavar, mas eu fui eleito em 85, e nessa altura já estava em liquidação. Portanto, por isso é que eu digo final de 80, meio 90. Eu acompanhei esse processo.

Já não há Fundição de Oeiras agora. Não sabemos o que é que vai acontecer naquele espaço, mas Oeiras é o conselho com o maior rendimento médio do país. É a sede portuguesa de uma série de multinacionais. O que Oeiras não tem, mas gostava de ter? Tem ótimos restaurantes, também sabemos por certo.

Oeiras tem hoje, realmente, eu às vezes nem falo muito nessas dados, nesses números, que é para não provocar mais invejas ainda. Porque realmente Oeiras tem indicadores de orçamento económico e social únicos no nosso país. O que falta tem a ver muito com a sociedade que eu imagino para Oeiras. Eu em Oeiras não quero ter pobres. E, portanto, muitas das políticas que se desenvolvem para construir a coesão social vai de encontro aos ricos. O que é que os ricos querem? Segurança. Segurança em sentido amplo. E, portanto, quanto menos pobreza houver, melhor toda gente vive. E eu diria que aquilo que eu gostava nos próximos anos, primeiro, que esta lei dos solos está em discussão na Assembleia da República, que sem demagogia seja aprovada. E quem votar contra essa lei diga como é que vai resolver o problema da habitação pública em Portugal. Se são os privados que vão resolver ou se é o público. E qual é o papel do Estado na habitação pública? Porque nós temos 2% de habitação pública em Portugal. A Espanha tem 14, a França tem 30, os países nórdicos 45, a Áustria 65%. Ora bem, qual é o objetivo, designadamente da extrema-esquerda em Portugal, para a habitação pública? Não é dizer que se faz habitação pública nas orelhas do presidente da Câmara, ou que se faz nos terrenos urbanos já existentes, ou que se faz nos edifícios degradados. Onde é que se vai fazer? E por que eu estou a falar nisto? Porque eu gostava que realmente em Oeiras houvesse, é o que falta fazer. Houvesse mais habitação, mais habitação pública, particularmente, ou então a possibilidade de venda de habitação a preços mais moderados, de maneira que as 4 ou 5 mil famílias de Oeiras que precisam de casa, mesmo da classe média, pudessem ver satisfeito esse seu desejo.

Mas os partidos da esquerda-

Esse é o objetivo para o seu mandato, para o futuro mandato

Sim, discutivelmente, já está programado. Eu estou a fazer o levantamento de uma percentagem de terrenos rústicos que pode ser utilizada para habitação pública. E repare, não é para especulação imobiliária.

Esse é um dos receios dos partidos de esquerda, é que haja um aproveitamento.

Não tenho receio nenhum. Eles sabem muito bem que é para habitação pública e para casa dos pobres, mas eles querem pobres. A diferença é essa, entre mim e eles é essa. É que eu quero construir e eles querem pobres.

Muito bem. E muito rapidamente, Lisboa e Porto são bem geridas ou não?

É uma pergunta difícil que acabaram de me fazer.

Gostava de liderar a Câmara de Lisboa, por exemplo? O que é que diria?

Não, neste momento uma apetitosa, fala-se pouco, mas a apetitosa é Sintra, que tem 350 milhões de euros no banco.

Explica lá isso.

Claro, é uma reserva. O doutor Basílio Horta conseguiu poupar.

Vejo aí um tom crítico nessa poupança.

Não tem crítica nenhuma. Obviamente, o que estou a dizer é que neste momento, em que vai haver eleições no final do ano, uma câmara apetitosa é Sintra porque tem 350 milhões de euros no banco, mas Amadora também tem 150 milhões. Atenção!

Oeiras quanto é que tem?

Nada.

E investe. É isso?

Não, nós não gerimos nada. Pelo contrário, estamos a ver se negociamos um empréstimo com o Banco Europeu de Investimento, mas também porque eles é que foram atrás de nós para dizer que nos queriam emprestar dinheiro. E nós: "Sim, senhor, venha lá esse empréstimo." Para quê? Para antecipar qualidade de vida.

Então nesses municípios não tem sido feito o investimento que devia ter sido feito.

Não me posso pronunciar isso. Acho que depende muito das prioridades de cada presidente de Câmara. Sabe o que eu costumo dizer? Que o que é importante não é o dinheiro. O importante é a prioridade política que temos. Se temos uma prioridade política, há dinheiro para essa prioridade política. Eu dou muitas vezes o exemplo do Pera nos anos 90 com o Cavaco Silva. Porque ele também dizia, quando foi posto o problema pela primeira vez: "Mas isso é uma pipa de massa". E eu tive a oportunidade de lhe dizer: "É, mas se o senhor quiser acaba com as barracas da região de Lisboa". E ele acabou.

Assim foi.

Vamos a última pergunta.

Já tem 15. Já tem 15 pontos.

Tem 15 pontos, pode chegar aos 20.

Agora tem que ultrapassar o Carlos Carreiras. É nesta.

É nesta e acho que vai conseguir. Teve direito, teve a honra de ter um boneco no Contra Informação. Como é que se chamava esse boneco?

Olha agora. Há tanto tempo. Eu sei que eles me punham, recordo, punham com um charutão. Com um charuto maior aqueles que eu fumo. Mas era um charuto... Pode pedir ajuda, se não se lembrar. Sinceramente, não. Eu tenho, vou-lhe dizer, tenho na ponta da língua, mas não me lembro.

Ok, então será Exaltado Morais, Ovomaltino Mandais ou Exaltino Não Sais?

Não, era Exaltado. Era Exaltado Morais.

Não era, era Exaltino Não Sais.

Exaltino Não Sais? Mas o Exaltado, está bem. Falhei.

Há 20 e tantos anos na política, gere bem as críticas? Tem fair play. Ainda no outro dia foi amplamente destacado no programa de humor do Ricardo Araújo Pereira. Ainda gere bem as críticas?

Ou exaltado.

Ou exaltado.

Não, exaltar não. Eu sou um sanguíneo e, portanto, eu reajo sempre. Mas tenho uma tranquilidade. Eu posso aparentemente estar zangado com uma pessoa, exaltar-me. Mas ao fim de 10 minutos passou-me. Portanto, eu não vivo com rancores de ninguém. Sinceramente. Sou capaz de ter uma discussão acalorada, às vezes até tratar mal uma pessoa. Mas não tenho nenhum problema, mas também quer dizer que o sujeito me trata também.

Mas há críticas que não esquece e que não perdoa, a propósito até dos processos judiciais em que esteve envolvido. Há críticas de pessoas do setor da política ou de outras áreas que não consegue ultrapassar?

Não, consigo. Eu vou-lhe dizer. Mas eu acho que nós temos que senão era um inferno. Nós não podemos viver de alguma forma reféns de críticas que nos fazem ou considerações que fazem relativamente à nossa pessoa, juízos de moral ou de ética. Normalmente, eu tenho uma atitude muito desculpabilizante da realidade. Eu tento encontrar sempre uma desculpa para as pessoas que, não é que me ataquem. Uma coisa é dizer: "Não está a fazer isto, não está a fazer aquilo." Aquelas que de alguma forma são mais insidiosas. Eu normalmente encontro sempre uma desculpa. Ou são cobardes ou são medrosas. As pessoas normalmente agem por medo de qualquer coisa. E, portanto, eu tenho uma atitude muito desculpabilizante. Aliás, as pessoas até dizem que eu tenho um coração de manteiga. Porque realmente, mesmo aos meus inimigos, eu não sei se tenho inimigos, mas eu perdôo com facilidade. Reconheço que é talvez um dos meus maiores defeitos, é que perdôo com uma facilidade extraordinária.

Isaltino Morais, sai daqui com 15 pontos.

Nada mal.

Muito obrigada por ter aceitado o desafio. Gostámos muito de ter consigo. Muito obrigada.

Obrigado