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Está no ar a conferência de imprensa das manhãs 360. É sempre por volta desta hora que destacamos artigos ou histórias da imprensa nacional ou internacional. O que nos trazes, Bruno?

Eu vou aqui uma notícia do The Guardian que nos explica como é que o "YMCA" dos Village People se tornou o hino do movimento político de Donald Trump.

Contrárias a todas as expectativas.

O que é surpreendente. Donald Trump tem vindo a usar a canção desde 2018. Começou num comício com uma referência que ele fez, depois foi usado e agora atingiu o auge no espetáculo da tomada de posse com os próprios Village People, que tem apenas um dos membros da banda original a atuarem e a interpretarem esta canção, escrita por este membro da banda original, Victor Willis, o polícia, não sei se estão recordados, e também escrita pelo duo de produtores franceses Jacques Morali e Henri Belolo, que foram os criadores, os mentores, dos Village People. Existe atualmente uma guerra em curso entre Willis e os antigos membros da banda, que também continuam a atuar e a cantar algumas das canções do repertório da banda sob o nome de Kings of Disco. Agora, a grande questão: como é que um hino gay se tornou uma das canções preferidas de Trump?

Em primeiro lugar-

A coreografia.

Entre outros gestos, que eu não vou aqui explicar qual é que é o significado, pelo menos aquele que é tido como o significado original. Mas em primeiro lugar, é preciso dizer que Victor Willis diz que o "YMCA" não é um hino gay. Ele disse, ainda antes da tomada de posse, umas semanas antes, que quando na canção há uma referência aos rapazes todos juntos, se referia aos jovens negros que se juntavam para estarem juntos a conviver.

Amigos, camaradagem.

Exatamente. Brotheragem.

Traz um amigo também.

Isso. E na altura, Willis ameaçou processar todos os órgãos de imprensa que se referissem à canção como um hino gay. Claro que toda a gente, as pessoas normais, conhecem o significado da canção ou como é que ela era vivida e sentida nos anos 70. Era um hino gay. Quando Trump começou a usar a canção, Willis, curiosamente, também foi contra, só que mudou de ideias após a segunda vitória do presidente norte-americano, porque os ganhos financeiros dão uma ajuda bastante significativa. O estilo de música, o disco, imposto nos anos 70, precisamente nas discotecas gay de Nova York, e em que os DJs mais arrojados encontravam um público disponível para aderir ao novo som, às inovações deste novo gênero musical. E foram os produtores, os franceses Morali e Bellolou, que tiveram a ideia de fazer uma banda em que cada um dos membros representasse uma personagem de fantasias gay: o polícia, o índio, o cowboy, o homem das obras. Mas, ao contrário de outras bandas mais hardcore, em que as menções ao universo gay eram mais explícitas, Morali queria algo mais familiar que pudesse chegar ao mainstream e que pudesse agradar a todos. E como nem todos percebiam os trocadilhos, que estão implícitos, e a própria simbologia das personagens, os Village People chegaram ao mainstream e o "YMCA" foi mesmo a toma de posse. Canção que os tornou populares em todo o mundo, conseguiram chegar a número dois das tabelas. Noutros países foram número um. E durante 22 meses, diz-nos este artigo, foram mesmo a maior banda do mundo, a banda mais popular e que vendia mais. Madonna e Michael Jackson chegaram a fazer as primeiras partes dos concertos dos Village People. Depois a banda sofreu alterações e as canções perderam a carga que tinham inicialmente, desligadas do contexto em que foram criadas, foram adotadas, por exemplo, para eventos desportivos. Os clubes começaram a utilizar estas canções até que o Donald Trump começou a referência ao "YMCA". Houve esta resistência inicial por parte de Victor Willis, um dos criadores da canção, mas agora ele acabou por ceder por interesses.

Teve que ser.

Não necessariamente políticos, outros interesses. E esta é a explicação para que o "YMCA" se tenha tornado uma música famosa.

Mas esta é uma daquelas músicas que assim que ouvimos, não conseguimos não cantar.

Exato, é verdade.

Dançar um bocadinho.

Eu adoro ver as pessoas a tentar fazer as letras com os braços.

Algumas parecem sílabos.

Alguns nem sabem o que estão a fazer. E tu, Luís?

Olha, eu sei que ainda é cedo, mas não sei se já trataram do vosso almoço de hoje.

Já.

Já? O que é que vais comer?

Quiche.

Pronto. Eu trago-vos aquela que é considerada a refeição mais saudável do mundo. Está no Telegraph, também tem relevo pelo Reino Unido.

Vou tomar nota.

Pronto. E surpresa das surpresas, inclui chocolate, inclui queijo.

Gosto das duas. Juntas, é que não.

Não necessariamente juntas. É na mesma refeição, mas não necessariamente juntas. Vamos por partes.

Vem depois.

Exatamente. Isto é um menu feito por uma nutricionista do King's College of London, é a principal universidade de nutrição do Reino Unido, e esta é uma nutricionista que tem muitos seguidores nas redes sociais e criou para o jornal uma refeição com três pratos, perfeitamente equilibrada, cheia de sabor e com base nas últimas pesquisas científicas que oferece uma cascata de nutrientes que o coração, o cérebro e o intestino também vão conseguir. É assim que é descrito pelo jornal. Ora bem, então temos uma entrada: queijo creme libanês com tomates assados e brócolis. Parece-me bem. Os brócolos, enfim.

Eu gosto de brócolos.

Não gosto nada de brócolos. 313 calorias. O queijo combina proteínas, probióticos, o tomate é bom para o coração, os brócolos têm magnésio e bom para a cabeça. Pronto.

Ou seja, eu sou boa da cabeça e tu não. Provas brócolos.

Não vamos discutir isso, Maria João. Se não ficarem satisfeitos, temos o prato principal, uma salada de cavala cítrica.

Isso é que não sei.

Não parece nada mal. Aqui temos 630 calorias, sendo que a cavala é um dos peixes mais saudáveis que podemos comer, diz esta nutricionista. Um dos mais baratos, cavala que eu vi sem graça, sonhamente. Tem gorduras muito benéficas para o coração. Esta salada tem ainda grão-de-bico, que é rico em fibras e perfeito também para manter os níveis de açúcar no sangue estáveis. Serve-se com fatias finas de laranja, erva-doce, cebola roxa e também sementes de abóbora. Pronto, tudo isto ajuda. Fatias de laranja, enfim. Esquece, quem gosta mais, mas tudo bem. Vamos lá. Tudo isto ajuda a aumentar a imunidade, também a saúde intestinal e óssea. Pronto. Muito bem. É o prato principal. Depois vem sobremesa, e aqui entra o chocolate. Uma mousse de chocolate com tofu e mirtilos.

O tofu é que me deixa um bocadinho tensa.

Nunca negoce a partida, Maria João. Mas sem ser verde. Aqui estamos a falar de 250 calorias. Esta nutricionista diz que é possível fazer um doce que seja saudável e delicioso e que este é um exemplo disso. A base é tofu e tahine, que é uma pasta de sementes de sésamo, são ricos em cálcio. Depois temos o chocolate amargo derretido e cacau em pó, sendo que o chocolate é um alimento absolutamente saudável, diz esta nutricionista. O cacau por seu lado é uma fonte de ferro, magnésio e zinco. O problema é o açúcar. Exatamente. E por fim, a mousse é coberta com mirtilos que atuam como antioxidantes. Pronto, e com estas três receitas, a nutricionista diz que é possível sentir-se mais energizado, satisfeito entre refeições, quando incorpora essas receitas e ingredientes na culinária diária. Sendo que a minha única dúvida é: em conjunto, estas três receitas têm mais de 1100 calorias, sendo que um adulto deve ingerir cerca de 2000 por dia, digamos que fica aqui mais de metade da ingestão diária. Uma refeição, esta coisa de fazer duas grandes refeições.

Depois comes espinhas sem batata à noite.

À noite, exatamente. Eu tenho outra dúvida.

Tens outra dúvida?

Qual é o vinho que tem que acompanhar uma coisa dessas? Não, isso não está no teu telegram. Fica para outro dia.