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É aquele momento das manhãs 360 em que destacamos notícias publicadas na imprensa nacional e também internacional. Carla, o que nos serves hoje?
Cisco de campanha e propostas dos partidos. Os jornais nacionais, obviamente, estão muito ocupados a olhar para medidas, não só para a campanha, mas também para medidas que os vários partidos apresentam. O Observador está precisamente a fazer isso, está a pegar uma medida concreta e olhar para efeitos, medidas que podem ser novas, como esta que li da Beatriz Ferreira: seria benéfico rearrumar feriados para termos semanas de quatro dias. A proposta é do LIVRE, que propõe mudar os feriados para ter semanas de trabalho mais curtas. Dois feriados são exceção nisto, o 25 de Abril e o 1º de Maio, que o LIVRE considera que não fazem sentido serem celebrados noutro dia. No mesmo sentido, o PAN também quer que quando os feriados calham ao fim de semana, passem para o dia útil seguinte.
Para a segunda-feira seguinte.
Ou para a sexta-feira, o que não é novidade. Aliás, vários países já fazem isso, nomeadamente o exemplo clássico é apontado pelo Reino Unido. Ora bem, esta proposta do LIVRE, dos feriados durante a semana, é inspirada num exemplo que foi seguido pela cidade de Valência, em Espanha, que em abril do ano passado aproveitou três feriados, que os colou às segundas-feiras seguidas, e depois criou um outro feriado provisório na segunda-feira seguinte para testar um mês de semana de quatro dias. E tirar daí conclusões. E o artigo fala precisamente disso, o que é que aconteceu? Teve efeitos positivos para os trabalhadores, mas as vantagens não chegaram a todos os setores da economia, o que também conseguimos antever assim, mais ou menos. Os residentes dizem que sentiram melhorias ao nível do bem-estar, portanto, conseguiram conciliar melhor a família com o trabalho, mais tempo de lazer, mais tempo de ar livre. Muitos diziam que se sentiam menos estressados e que até consumiram menos tabaco e menos álcool. O ambiente também registou grandes melhorias. A qualidade do ar melhorou às segundas-feiras, muito menos dióxido de azoto na atmosfera, muito menos trânsito também. Quanto ao consumo energético, não houve conclusões.
Não há uma evidência sobre o impacto.
Pois não, porque só um edifício público é que foi monitorizado. E sim, registou-se uma diminuição do consumo, mas depois houve consumo doméstico superior.
A transferência do consumo industrial das feitorias para casa.
Praticamente direto. Na economia, também há aqui muitas questões. Na saúde, houve uma sobrecarga de urgências porque encerraram os cuidados de saúde primários. Outro problema importante: muitos trabalhadores, sobretudo mulheres que são pagas à hora, ganharam menos nesse mês. Aliás, uma das condições aqui em Portugal é que não haja alteração de vencimento, mas em Valência não foi isso que aconteceu. E sobre o comércio, os comerciantes falam de uma redução das vendas na ordem dos 20%, porque dizem que a segunda-feira é um bom dia para o negócio e com muitos serviços fechados, essas vendas elevadas acabaram por não acontecer. E os comerciantes dizem que o consumo terá sido transferido para a restauração e para a hotelaria. De facto, muitos habitantes de Valência dizem que sim, que comeram mais vezes fora de casa, passaram mais tempo em bares, em esplanadas, em pubs, mas também muitos dizem que passaram mais tempo em casa e cozinharam mais em casa, por isso também não é muito conclusivo. Enfim, isto é muito vasto, mas há um efeito que é importante. No setor primário, ninguém diz que ganhou com isto, porque a agricultura e a pecuária, a atividade não pode ser interrompida. Não há feriados.
Não pode dizer às galinhas: "Olha, agora só come sexta-feira."
Hoje é feriado, não dá. E é interessante perceber, porque não há muita evidência sobre as vantagens dos quatro dias de semana de trabalho. Há muitos testes, muitas experiências ainda. Esta é mais uma.
Até porque há prós e contras, como é evidente.
Como percebemos aqui rapidamente.
Como fica muito evidente.
Está no Observador.
No Observador, e esse é um dos temas que vai sendo discutido nesta campanha eleitoral. E também no Observador, temos aqui o guia eleitoral interativo, as propostas dos partidos para 10 áreas centrais. Muito simples, temos aqui dois separadores, se quisermos, um para temas, então cá estão os 10 temas: impostos, Segurança Social, trabalho, habitação, saúde, educação, segurança, justiça, ambiente e política externa. E depois temos os partidos com acento parlamentar. É muito simples, escolhemos o tema, vou aqui para impostos. Nos partidos, deixa-me cá ver, por exemplo, o que é que o Chega defende para impostos. Cá temos então, Chega, impostos, vamos ver. Compromissos principais do Chega para impostos: taxas marginais de IRS de 15% até um limite e 30% a partir daí, reintroduzir IVA zero nos alimentos essenciais alargando a lista, aplicar a taxa reduzida de IVA à restauração. São aqui os verbos isentar, isentar, dar benefícios fiscais, isenção, eliminar. Pronto, já percebemos qual é a onda do Chega para impostos, mas podemos ir ao ambiente e também deixa-me cá ver outros partidos, por exemplo, ambiente, CDU, por exemplo. Ambiente, CDU, quais são os compromissos principais? Reforço dos meios e estruturas do Estado, nomeadamente o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e a Agência Portuguesa do Ambiente, implementar uma política de redução de emissões de gases de efeito estufa, promover a utilização de transporte público, por aí fora, são só três pontos. No fundo, só para dar nota de que esta ferramenta existe, com esta facilidade, que eu estou a fazer isto em direto.
Ninguém pode dizer que vai votar às cegas.
Absolutamente. Por tópicos, por estes 10 temas, os partidos com acento parlamentar, tão simples como basicamente clicar.
E ler. Clicar e ler.
Havia um anúncio há muitos anos, tão simples quanto lavar a louça, havia uma coisa qualquer.
Como saltar a corda.
Como saltar a corda.
Tão fácil como saltar a corda.
Tão fácil como saltar a corda, é isso mesmo.
Toda a gente sabe saltar a corda? Acho que sim.
Eu acho que sim. Júlio, não?
Eu nos treinos de basquete fazia 200 saltos de corda.
Mas 200 só num impulso.
E fazia mais de um.
A corda passava mais de 200 vezes.
Nos treinos, o treino físico era esse, era saltar a corda.
Ainda é.
Claro.
É cá coisa interessante. Olha que ontem pensei nisso. Veio-me à cabeça, não sei porquê, mas sei que agora também me lembrei.
Associo isso muito a pugilistas. O treino de pugilistas, pelo menos é de filmes, não é? Saltar a corda.
Muito bem.
Muito bem. Portanto, é tão fácil como saltar a corda, ver aqui os programas, as principais propostas dos partidos.
Júlio, trazes uma história de Espanha. Trago. É uma história simples.
Mas boa.
Não é ser boa, nos dias que correm é engraçado Ana Blanco era a apresentadora dos telejornais, do jornal da noite, do "Telediario". Tua colega? Exato.
Tua homóloga.
Do "Telediario" da TVE. E saiu, deixou de ser. E dizem em Espanha que saiu a rainha dos "Telediarios", que deixa um lugar vago na televisão espanhola e sobretudo no "Telediario", e dizem que é difícil substituir. Há um artigo no "El País". É das históricas da TVE. É das históricas.
Mas sai. Queria perguntar por que sai?
Saiu. Diz que estava na hora. Tem muitos anos, estava na hora.
Que idade é que ela tem?
Boa pergunta, não diz aqui.
63 anos. Segundo estou a ver na Wikipedia.
Portanto, ainda tinha espaço de manobra.
Vamos falar das mulheres na televisão e do envelhecimento das mulheres na televisão. Vamos por aí. Querem falar sobre isso?
É verdade. Sim, em relação aos homens é muito complicado. Mas há mulheres que sabem envelhecer e esta, pelos vistos, soube mesmo. Diz aqui que no país onde as apresentadoras do "Telediario" se convertem em rainhas, a rainha dos "Telediarios" abdicou e deixou um trono vazio. Diz que tinha uma forma e uma nobreza televisiva ampla e vigorosa. Não vão faltar, diz aqui, bons apresentadores informativos, tanto na pública como nas privadas, dignos, claro, de lá estarem, mas a nenhum deles, diz ele, tenho dúvidas que a algum deles caiba esta coroa como a de Ana Blanco. Podem ser o Carlos de Inglaterra, mas nunca a Isabel. Essa chama-se Ana Blanco e desde ontem, dizem eles, telespectadores, têm que se acostumar a viver sem ela. Ou seja, corriquejo mesmo. Teremos que resignar-nos, porque as ausências sofrem-se sempre. Cara marcada de Ana Blanco, com penteado canônico, a sua seriedade importurável fez as vezes da Madonna de Espanha, laica da democracia, mas uma Madonna de verdade, renascentista como a de Antonello da Messina, e não como a laica virgem. Era um ícone, com til, como os bizantinos, não como os ícones sem til da pop. E diz, entre outras coisas, que a sua aparição no "Telediario" era quase como se fosse uma aparição mariana, porque a sua imagem no ecrã era um sinal de unidade num país que prefere sempre os caminhos da discórdia. Ana Blanco saía e todo mundo a escutava e sobretudo com inocência e atenção. Até os mais cínicos do bairro, diz aqui, saíam para ver Ana Blanco. Como eu já disse, ela foi a Madonna da TV, é o que diz aqui, com cinco presidentes, dois populares e três socialistas. Começou com González e agora reforma-se com Sánchez, sem que os espetadores mais atentos e a direção dos ventos que sopram na Moncloa detectassem um só cabelo despenteado. E podia haver fogo ministerial ou fogo sobre a Torre de Espanha, que Ana Blanco fazia sempre a eucaristia informativa diária com o mesmo sossego e uma estranhíssima e brilhante forma de marcar um estilo, renunciando a todos os rasgos do estilo pessoal para pôr os gestos, o olhar e a voz ao serviço da neutralidade. Estás rendido, Júlio? Não, estou a ler aqui o artigo. Impressionante. Termina o artigo a dizer que vamos viver o não haver, antes da Ana Blanco e depois de Ana Blanco. Li aqui na Wikipedia que apresentou mais de 7 mil telejornais. Impressionante. Pois, ela foi a rainha dos "Telediarios" em Espanha. Desde os anos 90, que eu me lembro. E esta imagem de neutralidade, de não querer que a marca pessoal fique.
Já não há pivôs assim, diria eu.
Já não há pivôs assim, quase.
Quase.
Muito bem. Mas fica esta história de alguém que se pôs ao serviço da televisão.
Com sobriedade.
Com sobriedade, exatamente. E deixa os "Telediarios". Quanto é que são? 7 mil? 7400. Muitos jornais. Na TVE. E muita hora na TV. E reformou-se. Segunda-feira, a nova edição de conferência de imprensa.