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Olha, pois é, mas isto é concorrência absolutamente desleal. Vocês estão a contar coisas extraordinárias, preparação na praia, eu também quero, e têm uma voz simpática, alegre, uma coisa extraordinária. Chega a minha vez, voz séria, então Helena, a guerra, a trégua, quer dizer.

Mas só tu é que consegues dar o tom certo aos ouvintes.

Não, isto não vai continuar assim, que há de haver uma entidade reguladora destas coisas. Eu não estou para isto.

Temos que marcar uma reunião.

Vamos marcar uma reunião de manhã na praia, exactamente. Que é também aí que eu me treino. Vamos lá então começar. Para já, isto é assim, eu não sei se é acordo, se é trégua, se é memorando de entendimento ou se talvez a definição mais séria de tudo isto tenha vindo de J.D. Vance, porque ele é vice-presidente dos Estados Unidos. Ele viu o que lá está escrito e diz que se trata de página e meia, onde estão escritas ou estão redigidos alguns princípios de algo que depois virá a ter os seus desenvolvimentos, até porque ele tem ali uma observação que eu acho talvez a palavra mais importante de tudo isto, daquilo que o J.D. Vance diz, é que poderá haver ali um compromisso de Irão com paz e estabilidade regional, mas pronto, isso é conversa, mas depois diz que existe um compromisso verificável de o Irão não construir uma arma nuclear. Isto é aquilo que temos aqui de mais detalhado. Não percebemos como é que será a construção desse compromisso verificável, mas daquilo que está nessa página e meia, este é um detalhe importante e este detalhe vem da parte de um homem que assinou electronicamente essa página e meia. Portanto, é disto que o acordo, trégua, memorando de entendimento, tratado ou página e meia fala. Todos nós, na prática, gostaríamos de perceber melhor o que lá está. O que temos são, sobretudo, reações a essa tal página e meia, que na verdade, não se conhece depois com precisão e detalhe. Aquilo que temos aqui hoje também na reunião, porque é óbvio que é isto que vai estar no centro das discussões na reunião do G7, são também as reações dos outros países. Temos aqui dois grupos. Um grupo é mais sozinho, porque é Israel. Israel que olha para esta página e meia com particular cautela, porque de alguma forma pode acontecer que os interesses dos Estados Unidos neste momento não coincidam com os de Israel ou vice-versa. E, portanto, há aqui algum cuidado. Netanyahu veio fazer declarações no sentido de que Israel tinha sido salvo de uma espécie de holocausto nuclear, mas nota-se uma atitude muito cautelosa. Uma atitude com muito mais palavras, mas também ela a revelar aqui algumas fricções, é aquela entre os países europeus e os Estados Unidos, sobretudo por causa de quem é que vai estar a fazer o quê no Estreito de Ormuz. Nota-se uma grande pressa por parte do presidente francês de mostrar a disponibilidade/interesse europeus para estar no Estreito de Ormuz, mas Trump veio dizer que provavelmente não é preciso, não vão ser necessários lá agora. E aqui o agora remete para um pouco lá atrás, em que não houve uma grande disponibilidade europeia para mostrar a sua solidariedade com os Estados Unidos. Portanto, estamos no princípio, temos uma página e meia que vai dar muito tempo de conversa, mesmo muito tempo de conversa, muita polêmica, muitos comentários. Esperemos apenas que, para já, também dê mesmo só palavras, porque é mais ou menos desejável que os confrontos sejam suspensos. E, portanto, eu espero só que vocês quando voltarem a falar comigo, digam assim: "Olá, Helena, então, praia esta manhã?". Essas coisas assim simpáticas que dizem às outras pessoas que entram aqui nestas manhãs.

Tente escolher um tema mais animado. Este é daqueles de maior incerteza.

Não acho nada. Isso é um princípio horrível de inversão do ónus da boa disposição. Era só o que me faltava.

Já resolvemos isso. Até já. Ligue 910 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente, depois das 10:00. Tem também as nossas redes sociais, o site do Observador e pode sempre enviar-nos a sua mensagem de voz, o seu áudio por WhatsApp 910 002 41 85. Muito bom dia, são 08h23.