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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Depois, já sabe, para entrar em direto, só tem que ligar para nós, 91 002 41 85 é o número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. Se preferir, deixe os seus comentários nas redes sociais ou no site do Observador. Carla. As esquadras comem polícias e provocam uma falsa sensação de segurança. É o que defende, há anos, a direção da PSP. Agora, em 2026, o escândalo da Esquadra do Rato vai permitir à tutela avançar com o fecho de esquadras, ou será que depois de esquadra fechada colocam-se trancas nas polémicas envolvendo agentes? Bom dia, Helena Matos. É disso que vamos falar hoje no Contracorrente.
Sim, é mesmo disso. Este é um assunto que, em 2022, a questão do fecho de esquadras causou bastante polêmica, passou então por uma proposta de Margina da Silva, que estava à frente da PSP, e agora vemos a ideia a ser repegada por Luís Neves, o ministro da Administração Interna. O que é curioso é pensarmos que esta ideia do fecho de alguns serviços tem sido, em Portugal, a solução para quando algo corre muito mal com esses serviços. Vimos isso acontecer com o SEF, com a morte daquele cidadão ucraniano nas instalações do SEF no Aeroporto de Lisboa. E agora temos aqui também uma proposta do fecho de algumas esquadras. Pode dizer-se que não é necessariamente a mesma coisa, porque verbalizou-se em 2022, mas a questão é que a PSP considera, ou os seus superiores hierárquicos, que Portugal tem esquadras a mais. Aliás, à época, em 2022, foram feitas comparações com o número de esquadras que, por exemplo, tem Madrid, que é uma cidade em que de fato existe muitos agentes na rua, muitos agentes da polícia local em Madrid, na rua. Noutras cidades europeias, nós vamos e vemos bastante mais polícia. E o que nos dizem é que, por exemplo, Lisboa, que tem mais de 1 milhão de habitantes, tem 64 esquadras, o que é manifestamente mais, mesmo muito mais, que as 36 instalações policiais que tem Madrid, que tem 8 milhões de habitantes. Eu aqui estou a dar números que foram apresentados em 2022 por Margina da Silva. Neste momento, é óbvio que isto seria uma intenção a propósito, ou cavalgando a questão do escândalo da Esquadra do Rato, vai, de alguma forma, pensa-se que avançar esta reorganização das esquadras nas áreas urbanas de Lisboa e Porto. É curioso porque na altura, em 2022, a Margina da Silva, que estava à frente da PSP, disse que para manter uma esquadra a funcionar eram precisos pelo menos 14 agentes. Agora, Luís Neves, em 2026, diz-nos que para manter uma esquadra a funcionar são necessários 30 agentes. O que é que terá acontecido aqui pelo meio? É também algo que vamos tentar perceber e também um outro assunto, e que passa pelo seguinte: a partir de 2019, os concursos para agentes da PSP começaram a ficar vazios. E por que começaram a ficar vazios? Falou-se dos problemas da habitação, dos problemas da falta de atratividade da carreira. Bem, fosse pelo que fosse, as normas para os candidatos se apresentarem foram sendo modificadas. Em que medida é que essa alteração dos critérios de admissão na PSP vieram a ter influência em alguns dos tristes casos que viemos a conhecer depois? É também uma das perguntas que queremos fazer neste Contracorrente de hoje. Basicamente, a pergunta será: as esquadras vão fechar e os agentes vão mesmo para a rua? Esta é também outra parte da questão, é que passam a vida a prometer-nos nos mais diferentes serviços, que agora é que vai ser, agora é que vamos ser atendidos, agora é que vamos ver os funcionários e depois, naquela terra de ninguém, onde estarão boa parte dos prestadores de serviços públicos, a verdade é que nós não os vemos. Com a PSP, vamos ver o que é que vai acontecer, mas a pergunta é mesmo essa: será, como diziam os responsáveis da PSP aqui há alguns anos, as esquadras comem polícias? Acho que é uma boa pergunta.
É uma ótima pergunta. Depois das 10:00 vamos discutir.
E não me interrompeste nunca. Quer dizer que não esgotei meu tempo.
Não, está ótima.
Ou seja, usei-o com muita cautela e ponderação. Aqui não se come tempo.
Como sempre. Até já, Helena. Faça parte do Contracorrente, ligue 91 002 41 85 e entra em direto depois do jornal das 10:00. Se não puder, envie-nos a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixe os seus comentários nas nossas redes sociais ou no nosso site.