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E hoje vamos ter um Contracorrente em direto da Cimeira da Indústria em Braga, mas queremos ir além da discussão sobre a capacidade da indústria de transformar matérias-primas em produtos, porque, Helena Matos, bom dia. A indústria também transforma as sociedades.
Claro que transforma. Nós, aliás, na Europa, vimos como isso aconteceu. Muitas vezes, quando se pensa naqueles que foram os anos dourados da construção europeia, nós temos, sem dúvida, um peso da indústria muito diferente daquele que temos hoje. É claro que nós começámos a ter dúvidas sobre os méritos da desindustrialização quando, no início da pandemia Covid, percebemos que as máscaras, os ventiladores, tudo isso era fabricado lá longe, num país chamado China. E começámos a interrogar, mas ainda numa perspetiva muito da segurança, da nossa própria segurança e até das dependências que criamos em relação a outros países e que, é claro, em situações muito difíceis, têm de atender primeiro aos seus nacionais ou que podem ter outro tipo de interesse. Em primeiro lugar, esta questão desta dependência industrial. Em que medida é que uma sociedade pode ou não alienar a indústria? Nós vivemos, a partir dos anos 60, 70 do século passado, uma transição. Nós falamos muito da transição energética e uma das grandes ironias é que as verdadeiras transições não se conseguem programar. Elas acontecem, decorrem das circunstâncias e foi isso que aconteceu. Nós transitámos de uma economia industrial, de sociedades muito marcadas pela indústria. Claro que nem todos tinham os 48% de mão de obra afetada à indústria, como acontecia no Reino Unido, mas em vários países europeus os valores andavam à volta dos 40%. E hoje, é claro que já não é nada assim. Estamos com valores, hoje serão na casa dos 17% na indústria e o que temos a crescer de forma muito expressiva são os serviços. Note-se em Portugal, nós temos aqui nos serviços entra também o turismo. Portanto, nós temos países onde temos um peso de 70% dos serviços na indústria. São sociedades, e essa é a pergunta que queremos fazer, esperemos que os nossos convidados nos ajudem, e certamente vão ajudar, a encontrar a resposta é: não é apenas uma questão daquilo que se faz. Em que medida é que aquilo que se faz, seja serviços ou indústria, muda a própria sociedade. E aí chegamos àquele que é um dos grandes problemas, que é a questão, quando nós pensamos nas sociedades industriais do século passado, dos anos 60, 70, 80, nós encontramos mão de obra hiperqualificada, uma melhoria, seja dessa formação, seja da própria indústria. Depois tivemos a miragem daquilo que é os chamados serviços, e isto também nos condicionou como sociedade. Portanto, a indústria é uma espécie de velha senhora, à qual agora há todo um discurso de que é importante que ela regresse, provavelmente não com o peso que teve no passado, mas com uma expressão maior. Agora, é claro que ninguém volta àquilo que foi e, portanto, hoje em dia, e também é disso que aqui falaremos, talvez menos operários de fato macaco, mais robôs, mais inteligência artificial, portanto, a própria indústria, também mudou. É disso tudo que espero que consigamos falar aqui. Note-se que estamos numa zona onde, por exemplo, aqui em Braga, muito particularmente em Famalicão, porque Famalicão tinha a proximidade do Rio Ave, nós tivemos uma presença muito expressiva daquilo que era a indústria têxtil, com pequenas e médias empresas.
E que algumas delas nesta altura também, tem havido algumas notícias de algumas dificuldades nessas empresas têxteis.
Sim, e outras que conseguiram dar a volta. Portanto, esse é um setor que está em renovação constante. Há sempre ali uma destruição, criativa ou não, pois é isso que veremos.
E é para ver tudo isso depois das 10 no Contracorrente. E ouvir, exatamente, no Contracorrente, depois das 10, em direto da Cimeira da Indústria em Braga, com a Helena Matos e o João Miguel Santos.
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