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Hoje estamos à conversa com a atriz Deborah Falabella. É uma entrevista que pode acompanhar também através das redes sociais do Observador, tanto no YouTube como no Facebook. E Deborah, presencialmente, bem-vinda.
Muito obrigada. Um prazer estar aqui.
Nós falamos em julho, estávamos aqui em off a comentar isso. Falamos em julho por telefone, estava tudo fechado, na altura a propósito de uma mostra de teatro online, portanto é muito bom estar de volta, não é?
Muito bom.
É uma ótima sensação. E em Portugal, está por cá também a propósito da Comic Con. Há alguma coisa que faça sempre que vem a Portugal? Sei que vai ficar pouco tempo, não é?
Sim, mas primeiro eu procuro saber o que está passando no teatro nacional, que são sempre boas peças, eu gosto muito de teatro. Então ontem eu pude assistir "O Cerejal", do Tiago Rodrigues, também era a despedida dele do teatro, então foi muito bonito. Eu não sabia que era estreia, acabei chegando pra assistir.
Foi estreia, sim.
Foi estreia e foi muito lindo ver a Isabele Uper no palco. Já assisti outras peças dele, então é uma coisa que eu sempre procuro saber antes de vir, é o que está passando no teatro nacional.
Pra poder assistir também. Essa ligação cultural com Portugal, imagino que tenha muitos amigos cá também, existe sempre, é algo que vai mantendo sempre.
Sim, tenho muitas amigas que vieram morar aqui. Agora não, porque acho que todos foram pro Brasil, como está no final do ano, acabei desencontrando. Mas tenho muitas amigas atrizes que vieram morar em Portugal. Acho que muita gente vem pra cá, por ser um país que fala a mesma língua e tem outras oportunidades também de trabalho, de estudo.
E portanto, culturalmente, se faz sempre essa ligação também. Está muito a par daquilo que está passando por cá.
É, também. Os museus, o que está acontecendo. E a gente ficou preso um ano dentro de casa. Então acho que essa viagem também é um pouco pra poder visitar de novo, estar em contato com essa arte.
Ah, muita vontade.
O período de isolamento deu também muita vontade a muita gente para fazer planos para depois, ou seja, para o momento da libertação. A Deborah fez também muitos planos desses durante o período em que esteve de forma obrigatória, mais enclausurada, mais fechada?
Eu fiz alguns, mas eu confesso-
Não apenas a pensar na vida cultural e social, mas também planos para o futuro profissional.
Viajar.
Viajar, tudo, ou seja, da sua vida.
Até porque nossos planos foram adiados. Então esses planos que a gente já tinha feito pra 2021 tiveram que ficar pra agora. Um deles era até vir pra Portugal com uma peça da minha companhia de teatro no Teatro Tivoli. A gente viria em junho. Estava tudo marcado e a gente teve que adiar a temporada. Então, provavelmente a gente volta agora com os planos de novo e talvez voltamos no primeiro semestre.
Portanto, já temos a entrevista marcada em 2022.
Ótimo, sim.
Esse é o plano. No Brasil, estreou há pouco tempo a segunda temporada de Aruanas. Aliás, é sobre isso que vem também falar à Comic Con, que está disponível no Globo Play em Portugal. O que nos pode contar exatamente sobre esta série, Deborah?
Então, essa série, a gente gravou a primeira temporada dela na Amazônia. É uma série que fala sobre quatro mulheres ativistas ambientais. Elas têm uma ONG chamada Aruanas e cada uma delas exerce uma função. A minha personagem é a Nathalia, ela é jornalista e também ativista ambiental. E é um thriller de ação sempre ligado ao meio ambiente. Então são quatro mulheres que vão investigar, denunciar algum tipo de crime ambiental. A primeira temporada na Amazônia, a gente denunciava um esquema de garimpo ilegal. E agora nessa segunda temporada, ela se passa numa cidade fictícia próxima a São Paulo, e a gente fala sobre a poluição do ar, sobre a emissão de combustíveis fósseis. E é uma série que tem uma dramaturgia excelente. As personagens são boas, você se apega a elas, mas ao mesmo tempo está tratando de um assunto urgente pra todos nós.
Que é necessário colocar na agenda do dia.
É verdade. E é um assunto global, mas que tem também um significado muito grande no Brasil, não é?
Sim, principalmente no momento que a gente está vivendo agora, onde isso nunca foi tão escancarado, essa falta de cuidado com o meio ambiente, com a Amazônia, com as nossas riquezas naturais. Então acho que é uma série necessária, porque apesar da gente ter milhares de ativistas maravilhosos que estão na linha de frente, é um assunto que diz respeito ao futuro dos nossos filhos, as pessoas que vão viver depois da gente, o nosso planeta. Então é muito urgente.
Deixa eu perguntar-lhe uma coisa. Vem também falar sobre isso aqui na Comic Con, em Lisboa, em Portugal. Sendo que este é um festival, um evento de massas, ligado à cultura pop, à cultura popular, com muita coisa a acontecer, haverá aqui algum espaço também pra deixar uma mensagem de esperança, também uma mensagem que sirva de um pouco de alerta também pra aquilo que acontece também, não apenas no Brasil, mas em muitos pontos do mundo?
Sim, e eu acho que é um evento muito jovem. E essa série fala sobre um assunto que também diz respeito a essa juventude. E eu acredito que essa juventude tem vindo com outra consciência em relação ao meio ambiente. Então eu acho que vai ser muito interessante falar sobre isso pra eles. Fora que as séries da Globo estão estreando nessa plataforma nova, que é como uma plataforma de streaming, você pode ver a hora que você quiser. Então ela tem séries e conteúdos novos, que a Globo Internacional ainda não exibiu. E tem conteúdo também das novelas antigas que a gente já fez. Então as pessoas que também gostam desse conteúdo e que têm saudades das novelas brasileiras vão poder acessar essa plataforma de streaming, assistir às novelas antigas e ainda assistir esse conteúdo novo de séries que estão sendo-
E assistir à evolução dos próprios atores, por exemplo?
Dos atores, assistir à evolução até da dramaturgia, porque a televisão mudou muito. Eu acho que mudou no mundo inteiro. E principalmente, teve que se adaptar também no Brasil, porque o Brasil é um lugar conhecido pelas novelas e pela dramaturgia.
Aliás, boa parte daquilo que os portugueses conheciam sobre o cotidiano brasileiro era um pouco à boleia das novelas.
Através das novelas. É.
Obviamente que é uma realidade ficcionada, mas há sempre ali um fundo de verdade.
Sim.
E aquilo que nós, por exemplo, cá em Portugal, sabíamos muitas vezes também sobre o Brasil, era por causa dessas mesmas novelas. Tem esse impacto grande.
É, eu fico boba de ver como que as pessoas às vezes entendem muito mais o que a gente fala, porque estão acostumados com a novela, do que a gente, porque não está tão acostumado a ver vocês falando o tempo inteiro. Então até essa proximidade de entender a linguagem é muito interessante, é algo que a novela faz.
E Deborah, nós na altura conversamos em julho, como eu dizia no início, estávamos todos fechados. Esta segunda temporada de Aruanas foi gravada também durante a pandemia?
Foi, a gente gravou três semanas E aí veio março, dia 13 de março, que foi quando tudo foi cancelado. A gente ficou um ano, quase, esperando pra voltar a gravar a mesma série. Então, para continuidade, pessoas cortaram o cabelo, outras engordaram durante a pandemia. A gente teve que voltar a estudar a série pra voltar a gravar. E a gente gravou, ainda estamos vivendo esse momento da pandemia, mas ainda no momento crítico antes da vacinação. Então a gente tinha que gravar com protocolos muito rígidos. E era difícil, porque os atores gostam de se ver, de se tocar em cena.
Estão físicos.
Tem uma coisa física muito forte. E a gente se viu preso a esse protocolo, que era importantíssimo. Mas deu tudo certo, a gente não teve nenhum caso de contaminação e quando você assiste à série, a gente esquece que foi feito durante a pandemia.
Quem vê, a Débora Falabella, que esteve dentro da série, nos bastidores, consegue, olhando para o ecrã, perceber se se nota esse passo diferente, ou seja, o pré-pandemia e o pós-pandemia ou durante a pandemia, dá pra perceber? Falava de atores que ou ganharam uns quilos, ou perderam uns quilos, ou que cortaram o cabelo. Dá pra notar ali alguma nuance, alguma subtileza?
Olha, não dá. Eu ficava superpreocupada com isso, até com a continuidade de emoção, mas eu vejo e tem coisas que eu esqueço. E principalmente quando a gente começou a gravar, eu achava o ambiente muito frio, por estar todo mundo de máscara. E, pelo contrário, quando eu vi a série, eu fiquei tão emocionada, porque estava tudo ali. E aí a mágica do cinema, da televisão. A gente tem uma gravação, por exemplo, num estádio de futebol, que você não fala que a gente estava vivendo uma pandemia. Isso por conta também da possibilidade de você trabalhar com computação.
É o mundo paralelo da ficção.
É.
Onde tudo é possível. Olha, Débora, nessa nossa conversa, falava também do momento difícil que o Brasil vive, os trabalhadores da cultura no Brasil vivem, falava de censura, de represálias. Com que expectativa é que olha também pras eleições do próximo ano?
Eu acho que agora é um momento que a gente precisa ter uma tomada de consciência. Eu não sei como vai ser, porque o mundo inteiro, mas o Brasil está muito polarizado. Então eu acho que, de qualquer forma, vai ser uma eleição muito delicada. Mas eu acredito que depois de tudo que a gente viveu nesse governo, as pessoas têm um pouco mais de consciência pra votar dessa vez. E principalmente depois da tristeza que foi o início dessa pandemia, o negacionismo do governo em relação a ela. Então é algo que eu tenho, pelo menos, uma esperança dessa tomada de consciência.
E parece-lhe que as alternativas que existem são as necessárias? Poderia existir aqui uma terceira via? O que lhe parece em relação àquilo que podem ser as eleições?
Eu acho que poderiam existir outras vias, sim, mas a gente não vai ter, infelizmente, acho que a gente não vai ter essas ótimas opções, mas a gente vai ter que escolher algo que seja melhor pro nosso país nesse momento, pra pelo menos começar, a partir daí, um projeto de modificá-lo.
Débora, aqui em Portugal nós falamos há muitos anos sobre a falta de financiamento da cultura ou subfinanciamento da cultura, a falta de atenção para o setor cultural, para os agentes da cultura, não apenas para quem tem maior visibilidade, como, por exemplo, um ator, um encenador, mas também todos os assistentes de palco, por exemplo, os técnicos, sofreram muito agora durante a pandemia. Este é um assunto transversal, na sua opinião, ou seja, nos vários países que vai conhecendo também ao longo do seu percurso, que vai visitando, também em trabalho ou em lazer. Ou seja, minha pergunta é: isto passa-se em Portugal, pergunto-lhe se se passa também muito desta forma no Brasil e se, na sua opinião, isto é algo transversal, que acontece também um pouco por toda a parte, a falta de atenção para o setor da cultura?
Não, eu acho que tem países que cuidam muito disso.
E por que não seguem esses bons exemplos? Por que isso não acontece?
Também não sei. Também te pergunto por quê. No Brasil, nesse momento, o setor cultural está muito perdido. Está muito abandonado, eu digo, não está nem perdido, estamos abandonados. O cinema, o teatro, as artes plásticas, todos os trabalhadores da cultura estão vivendo um momento muito complicado.
Mas já tivemos pessoas muito ligadas ao setor da cultura, atrizes, músicos, que fizeram parte do Ministério da Cultura.
Sim.
Por que é que há aqui, depois deste fosso, esta falta de ligação entre quem está, no fundo, a dirigir e depois quem está também a tentar fazer o trabalho e a ganhar a vida fazendo o seu trabalho no setor da cultura?
Mas a gente já teve momentos melhores no Brasil, bem melhores. Agora, realmente, com esse governo, é um abandono total. É inacreditável. Eu não sei como vai ser o retorno da pandemia também, porque foi um momento onde todo mundo ficou parado e as pessoas que trabalham, principalmente quem não pôde estar diante de uma câmera trabalhando com projetos online, mas os técnicos, a pessoa que trabalha com cultura, os técnicos, as costureiras, as pessoas que trabalham no teatro, ficaram passando uma situação muito complicada, muito difícil. Então eu não sei como vai ser essa volta. Mas principalmente os artistas têm sido demonizados nesse momento pelo governo. Então a gente precisa retomar e é tão importante, o Brasil tem uma cultura tão forte, tão incrível.
E a cultura pode servir para unir um país, e neste caso, o país Brasil?
Eu acho que sim, a gente continuou resistindo. A gente foi abandonado.
Não pararam.
Não paramos. E isso se torna mais forte, é uma ação e uma reação. Então a gente também vai tentando lutar com as armas que a gente tem no momento.
Mas nota-se menos liberdade criativa, Débora, ou não?
Isso foi um momento que passou, onde a gente notava um tipo de censura. Mas a gente tem alguns programas que ainda possibilitam muito uma liberdade cultural e que eu acho que estão também do lado do país, da cultura. Então, a gente tem resistido e não tem deixado isso nos afetar, não.
Voltando um pouquinho à ideia que há pouco partilhava conosco, de um país altamente dividido em relação às eleições, parece-lhe que se existir uma mudança no poder, podemos ter a repetição de cenários como existiram noutros países, por exemplo, com os Estados Unidos, quando houve essa alteração de poder, que existiu muita contestação, muita violência. Parece-lhe que isso pode acontecer no Brasil ou neste momento a perspectiva que tem é que se isso acontecer, vai ser pacífico?
Eu acho que não vai ser. Eu espero que sim, porque eu tenho esperança, mas eu acho que não vai ser, porque as duas opções que a gente tem, e a opção que a gente tem também, é polarizada. Então eu acredito que a gente vai ter uma eleição bem delicada, bem complicada.
No próximo ano, e esse ano que vamos por aqui acompanhar também. Débora, nestes dias já falamos aqui do essencial que gosta de fazer em Portugal, ir ao teatro, por exemplo. Mais alguma coisa? Comida?
Comida, muito.
Claro. Francesa.
Comida é algo que eu falei: "Vou pra Portugal, só penso nos restaurantes e no que eu vou comer". Mas realmente, aqui tem uma culinária maravilhosa e toda vez que eu venho é uma orgia gastronômica.
Certo, vai sempre satisfeita de regresso ao Brasil. E agora neste regresso ao Brasil, Débora, algum projeto que esteja a trabalhar neste momento, que possa partilhar conosco?
Eu tenho o projeto da temporada com as peças, que ficaram realmente adiadas, então tem muito trabalho pela frente. Tem a possibilidade de uma terceira temporada de Aruanas, que eu espero que vocês assistam. A primeira e a segunda estão muito bonitas. E fora isso, alguns trabalhos pra lançar, um filme.
Um filme sobre?
Um filme que eu gravei também na pandemia, no Ushuaia, literalmente no fim do mundo. É um filme sobre uma escritora que vai fazer parte de uma residência. Então é um filme com a produção Brasil e Argentina, com atores argentinos, falado em espanhol, bem bonito.
A produção cinematográfica brasileira também tem tido muita pujança ao longo dos últimos anos, diria talvez das duas últimas décadas. Tem tido uma grande projeção, tem entrado nos grandes meios internacionais. Chega também à Europa, a Portugal com muita força, está no bom caminho também o cinema brasileiro. Todos recordamos os filmes mais famosos que chegam a Portugal, por exemplo, os do Fernando Meirelles. Está no bom caminho, na sua opinião, Débora?
Criativamente, num excelente caminho. A gente só precisa ter possibilidade pra fazer os filmes, eu acho, maiores possibilidades pra que eles aconteçam.
E Débora Falabella quer estar envolvida também, neste futuro próximo, em muitos trabalhos também na área do cinema?
Eu quero, eu tenho um projeto pra dirigir um filme de uma peça que eu já fiz, que chama Mantenha Fora do Alcance do Bebê. Eu fiz essa peça como atriz e tenho esse projeto pra dirigir esse longa brevemente.
É um grande desafio.
Um grande desafio.
Onde é que se sente mais confortável, Débora? À frente da câmera, atrás da câmera? Das duas formas?
Por enquanto na frente, por incrível que pareça, mas eu tenho cada vez mais vontade de estar por trás, tanto na direção de teatro quanto na direção de cinema.
E as novelas, não sei se estão pra breve novamente ou não. Não está gravando agora.
Novelas, por enquanto, não. Provavelmente no ano que vem vou gravar alguma coisa.
Tem saudades? É muito intenso, não é, a gravação de uma novela?
Novela é muito interessante, porque você passa nove meses gravando uma história que você não sabe o que vai acontecer com a personagem, então você acaba vivendo com a personagem as mesmas emoções que ela sente. Então às vezes ela vai pra caminhos e você gostaria que ela fosse pra um outro, mas você tem que aceitar aquilo, é a vida da personagem. Mas é muito interessante de fazer e muito forte, porque é muito trabalho durante nove meses. Então a gente quase que vive uma outra vida.
Acordar muito cedo e dar, por nós, neste caso, os atores, já de madrugada ainda a decorar texto pra dormir poucas horas para voltar a gravar de manhã. É uma vida complicada.
O trabalho não acaba quando ele acaba. Quando ele acaba, a gente tem que ir pra casa e decorar os textos do dia seguinte. Então são muitas horas de trabalho, muita dedicação.
E quando termina, Débora, nós falamos há poucos meses com uma atriz que dizia que não se conseguia despedir das personagens.
Dificuldade em tirar a pele, sim.
Tinha dificuldade, já não recordo com quem. A Débora faz isso com as suas personagens, despede-se delas ou fica sempre qualquer coisa?
Olha, eu tenho tido cada vez mais facilidade pra despedir, porque é muito difícil. Você vai aprendendo a ter mecanismos também pra se despedir daquele momento, porque é um ano gravando, um ano trabalhando. Então, se a gente for fazendo 10 novelas, com cada novela sofrer como se fosse um luto, é complicado, mas eu tento ir me despedindo já quando a novela está terminando e eu entendendo esse processo dentro de mim pra poder me despedir das personagens mais fácil.
As personagens vão, no caso da Débora Falabella, deixando marcas em si também ao longo da vida. Ou seja, já falou desse momento em que decide distanciar-se um pouco da personagem quando percebe que o trabalho já está a chegar ao fim, mas sente que cada personagem vai deixando uma marca dentro de si enquanto pessoa individual, enquanto atriz que está a representar outras peles?
Claro, e eu sempre acho que é positivo. Você vai fazer uma personagem, por exemplo, eu sou mais tímida, vou fazer uma personagem que é muito espontânea, isso às vezes vai entrando dentro de mim e eu naturalmente vou me tornando um pouco mais espontânea. Isso é bom. É bom você também conseguir variar de humor, de emoção. E no caso de personagens que te ensinam coisas, por exemplo, o caso da série Aruanas. Eu já tinha uma certa consciência ambiental, mas eu não imaginava o quanto eu iria aprender. Então isso fica, isso vai ficar pra sempre. Essa questão, entender do meio ambiente, defendê-lo, isso é algo que Já ficou dentro de mim e não vai ter mais como abandonar.
Nesta segunda temporada, a sua personagem passa também por um problema de dependência, não é?
É. Ela fala de algo que é muito real, que é o alcoolismo entre as mulheres, que não é aquele alcoolismo que a pessoa bebe de manhã.
Normalmente costuma falar-se mais ligado aos homens, não é? A questão do alcoolismo.
Não é muito retratado, sim.
Sim, e não é tão retratado o alcoolismo feminino, e ele é muito ligado a problemas de ansiedade, depressão, mulheres que não estão conseguindo lidar com questões da sua vida. E esse início desse consumo é dentro de casa, numa festa, só que ele começa a aumentar. Ele não é aquele consumo clássico do alcóolatra, que acorda de manhã e bebe. Mas as mulheres têm consumido muito álcool. Na pandemia aumentou demais também. Então é interessante ver essa personagem, como que algo que a perturba, a faz levar pra esse vício. E isso que é tão interessante também da série, que as personagens são heroínas. Elas são heroínas, lutam a favor do meio ambiente, contra crimes que são crimes do meio ambiente, e elas, ao mesmo tempo, são muito humanas. Então a personagem tem ali todos os seus problemas, as suas questões, mas ela continua seguindo a vida dela e fazendo seu trabalho.
Esta série "Arguenas" está disponível no Globoplay, em Portugal. A atriz Débora Falabella foi a nossa convidada de hoje. Débora, muito obrigada.
Eu que agradeço.
E pronto, temos encontro marcado em 2022, quando trouxer a peça a Portugal.
Sim.
Muito obrigada, até à próxima.
Muito obrigado.
Obrigada.
Obrigada. Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM. Na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Muito obrigada.