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E nos próximos dois sábados, 22 e 31 de agosto, o Som Sabor recebe o melhor do fado português, através dos principais artistas da Casa Mesa de Frades. E vai ser possível escutar fado enquanto se degusta uma refeição com assinatura. É convidado da tarde em direto, da conversa de fim de tarde de hoje, Pedro de Castro, da Casa de Frades. Pedro, muito boa tarde.
Olá, muito boa tarde.
É um bom trava-línguas esta Casa de Frades.
Não, porque é Mesa de Frades.
Mesa de Frades, peço desculpa. Pedro, o que está programado para as duas noites de fado?
Também não é mais fácil. O que está programado é: a Mesa tem um elenco variado, porque cada dia tem um fadista diferente, que é um anfitrião. Ou seja, à segunda-feira canta um fadista, à terça canta outro, à quarta canta outro. E o que fizemos foi dividir essa semana em dois dias, ou seja, dividimos o elenco em dois dias e então vamos levar a Mesa de Frades toda para este espaço fantástico que eu tive o prazer de conhecer e de tocar lá na inauguração há uns anos. E que acho que vai ser um sítio fantástico, agora que a Mesa está fechada durante este período, para fazer uma reentrada da Mesa, do fado e do seu elenco.
Muito bem. Já vamos falar da reabertura e do tempo em que a Mesa de Frades esteve e está encerrada. Vamos aos dias. Dia 22 vamos ter João Braga, Ana Sofia Varela, Joana Amendoeira e Tânia Oleiro, certo?
Exatamente.
Por que estes fadistas juntos numa noite de fado?
Porque fazem parte do elenco da Mesa e também porque há algumas afinidades entre todos. Eles todos dão-se muito bem, só que há ali muitas afinidades. A Tânia já cantou com o João Braga, a Bia é mais recente. Ou seja, a ideia ali foi ter vozes diferentes, mas que também se conhecessem e se dessem bem. E também a equipa que vai tocar, é a que normalmente toca para eles nesses dias, que sou eu e o Jaime Santos, e o Francisco Gaspar no baixo, o Jaime Santos na viola e eu na guitarra portuguesa, que também tocamos para eles na Mesa.
Ok, isto é no dia 22. Depois no dia 4 de setembro, e não 31 de agosto como eu inicialmente disse, portanto é dia 4 de setembro. Rão Queirós, Teresinha Landeiro, Rodrigo Rebelo de Andrade e Beatriz Felício. Gostava que justificasses esta junção destes fadistas e músicos.
A justificação, primeiro, porque aqui já não será o Jaime Santos a tocar, é o André Ramos, que normalmente acompanha nesses dias a tocar viola para eles. E porque, por exemplo, a Teresinha é muito amiga da Beatriz, a Beatriz tem um projeto em conjunto agora com o Rodrigo Rebelo de Andrade. Portanto, eles são todos muito novos e dão-se muito bem. E o Rão é a figura mais experiente, digamos assim, musical, tal como é o João Braga no outro dia. Portanto, no fundo, distribuímos aqui as duas pessoas mais experientes com outra geração mais nova.
Portanto, duas noites de fado, 22 de agosto e 4 de setembro. São noites de fado em que o jantar será preparado por uma chef, a Jossara Martins, do Jossies de Vila Real de Santo António, certo?
Eu penso que sim. Eu confesso que pedi à Joana Espartarso, que é da Fado Fora de Portas, que é ela que me organiza as coisas da Mesa e tudo isso, que me tratasse essa parte logística toda, porque eu, apesar de ser o responsável pela casa, eu costumo dizer que sou o irresponsável pela casa.
Mas isso também atrai clientes, de certa forma.
Ouviu?
Estava a dizer que isso também atrai clientes, ser o irresponsável da casa também é bom, por vezes.
É, porque aquilo fica tudo com ar muito informal, muito pouco aquele formalismo que as pessoas pensam que existe nos fados, aquela coisa muito séria. Não é. Na realidade, é quando se toca e se canta, mas à volta é um ambiente bastante informal e divertido. E eu acho que isso é mais aquilo que as pessoas pretendem hoje em dia, porque isto já está tão cheio de tristezas, não é? Que é bom expurgar essas tristezas ouvindo fado, mas à volta, depois disso, é necessário estar em alegria e estar bem-disposto.
Eu achava que o fado era uma música triste.
Não, o fado não é uma música triste. O fado é uma música extremamente contemporânea, pelas letras que se vão modernizando ao longo dos tempos e que representam a vida. E a vida é tudo isso: é a tristeza, é a alegria, é os amores, os desamores, as partidas, as chegadas, é tudo isso. São as histórias, simplesmente. E é isso que representam os fados. Agora, obviamente que a tristeza deixa sempre uma marca. Por exemplo, eu tenho uma semana toda muito boa. Há uma tarde em que perdi uma pessoa. Essa semana foi péssima. Não é verdade, foi um momento péssimo, mas para nós é mais marcante a tristeza do que muitas das vezes as alegrias. Por isso é que às vezes ouve-se quatro ou cinco fados relativamente alegres e depois ouve-se um fado triste e a pessoa diz: "Isto dos fados é mesmo uma coisa triste", mas não é verdade.
O Pedro de Castro é responsável pelo Mesa de Frades, uma das mais conhecidas casas de fado de Lisboa e, permita-me dizer, uma das mais bonitas e que continua fechada por causa da pandemia. Pedro, como é que têm sido estes últimos meses?
Confinados e com alguma reflexão de como é que serão os fados daqui para frente, o que é que será essa nova normalidade. A minha casa é muito dirigida a uma geração muito nova, mas em bom rigor é transversal a todas as gerações. E as gerações de mais risco a esta pandemia, o distanciamento, ou seja, tudo aquilo que nós queremos e que defendíamos um bocadinho na Mesa, que é altas horas, noitadas, tudo muito em cima uns dos outros, intimista, de repente, nada disso é possível. Há casas muito direcionadas para turistas, mas nós, além disso, somos muito direcionados para o português, para o lisboeta, para o cotidiano, para aquele que vai várias vezes. E eu sei que é possível, é normal que agora as pessoas tenham outras preocupações do que ir sair à noite ou do que poder gastar dinheiro num jantar.
E tem, no entanto, também diferença na forma como os turistas, os estrangeiros ou os portugueses reagem a esta dificuldade da Casa da Mesa de Frades ser como era aqui há uns meses? O que é que lhe têm dito, quer de um lado, quer de outro?
Nada, porque não há turistas, nem há portugueses, ainda não há ninguém.
Não há dois ou três para amostra.
Não. Alguns eu tenho recebido chamadas, só que, em bom rigor, é como tentar fazer uma rave na sala de casa com duas lanternas na mão e um shot de vodka. Não vai funcionar, chega a ser deprimente. E nós tentarmos fazer uma noite de fados com aqueles ambientes da Mesa, que são dezenas de fadistas, noitadas até às 500, sempre um ambiente de folia e de reflexão com os poemas que se cantam, de receber maltas de outras áreas que também se juntam a nós e tocam. E de repente, não podermos ter proximidade, não podermos vender álcool, não podermos estar até a partir de uma determinada hora com a questão de baterem à porta, tocarmos de máscara. Tudo isto é tão diferente que eu confesso que nós ainda não nos conseguimos habituar a esta nova realidade e, como tal, ainda não abrimos. Mas eu estou convencido que das duas, uma: ou a situação volta a alguma normalidade, já nossa conhecida, rapidamente, ou vamos ter que nos reinventar todos e criar um novo formato de ouvir fado, de poder ter essas tertúlias fadistas.
E que ideias é que já tem, Pedro de Castro, em relação a isso? Já pensou aqui em algumas possibilidades?
Já! Uma delas é esta iniciativa. Esta iniciativa é precisamente num espaço diferente, deslocalizar a nossa casa para um sítio em que não tenha as mesmas condicionantes, juntar uma quantidade de artistas num dia só para ser mais apelativo e tentar chegar ao outro e juntar várias mais-valias ao mesmo tempo. Ora a comida gourmet feita por um chef, ora um espaço diferente. No fundo, é uma nova sala de espetáculo com um novo conceito. E eu acho que essa nova dinâmica vai nos ajudar a todos: à restauração, aos fados, ao próprio espetáculo, aos próprios artistas. E eu acho que é esse reinventar, como está esta casa a fazer de uma forma absolutamente única e a reinventar-se numa altura dificílima, eu acho que é uma das formas de resiliência.
Está a falar do espaço Espelho d'Água?
Do Espelho d'Água, exactamente.
Um restaurante que fica ali na zona de Belém, em Lisboa. Pedro, as atuais circunstâncias são especiais para toda a gente, mas como é que um fadista canta e atua nestas circunstâncias da pandemia de Covid-19?
Bem.
Sente a coisa de outra maneira ou não?
Uma coisa facilita-nos, aquela tal tristeza que falava há pouco, não é necessário andarmos à procura.
É mais fácil de evocar, não é?
É facílimo, basta olhar para a conta bancária e cantar. Essa parte é fácil. Ou para as cartas que chegam de contas para pagar e é facílimo. E então a gente copiosamente canta um fado tristíssimo. E toda a gente compreende, vai ser acessível a todos. Mas eu acho que nesta altura, o que nos custa mais é habituamo-nos, nos fados, a ser muito egoístas, por um lado.
Por quê?
Porque cantamos aquilo que queremos. Já não estou a falar do caso específico da Mesa de Frades. O fadista quando lá vai, não vai montar um espetáculo para ninguém. Ele vai cantar aquilo que lhe apetece, aquilo que sente cantar. Mas está muito habituado a que haja um público que também não vai lá para ver um espetáculo, vai lá para exorcizar-se e ver um artista a dar tudo o que tem, toda a sua arte, independentemente se é alegre, se é triste e qual é o gênero desse artista que lá vai. Portanto, é um palco de emoções.
O que é que muda a partir de agora, então?
A partir do momento em que esse palco de emoções passa a estar muito confinado à distância, nós próprios estarmos mascarados, a haver um certo medo constante de contágio Tudo isto limita um bocadinho o nosso à vontade.
Perdeu-se uma certa fleuma na noite fadista, é isso?
Neste momento perdeu, porque a noite fadista ainda não está recomposta. Ou seja, muitas das pessoas andam a cantar porque precisam, sempre à espera que haja uma pessoa que entre pela porta adentro. Ou seja, o nosso lado comercial, que muitas das vezes não era assim tão importante. Eu vou falar no meu caso pessoal, não posso falar por mais ninguém. Eu a partir do momento em que tenho uma casa cheia e composta, que é um sucesso, e graças a Deus que o é há 15 anos, eu de noite pra noite não estou na expectativa, às 21h15, que me diga: "Epá, será que entra um casal? Será que vou faturar hoje X?" Não é essa a minha preocupação. A minha preocupação é: "Como é que vai ser esta noite? Vai correr bem, vai correr mal? Epá, apareceu esta pessoa pra tocar, esta pra cantar. Que giro que foi! Epá, o público era tão giro. Aqueles senhores tinham que apanhar o avião às 7h30 da manhã, ficaram cá até às 16h, foram a correr fazer as malas e depois mandaram uma mensagem dia seguinte a dizer que perderam o avião. Epá, que giro!" "Epá, que giro aquele casal, o homem pediu-nos pra fazer um silêncio entre um fado e outro, pediu a mulher em casamento".
Isso aconteceu?
Já aconteceu. Aliás, já houve lá um casamento dentro. Já houve dois pedidos de casamento e já houve um casamento.
Mas era um casamento planeado ou aconteceu?
Não, o casamento foi planeado. E os dois pedidos de casamento, um foi avisado com antecedência e o outro não. O outro foi simplesmente espontâneo.
Uau! Pedro, deixa eu perguntar-lhe aqui também uma coisa.
Também já aconteceram alguns divórcios.
É normal também. Pedro de Castro. O Pedro, além de dirigir há muito tempo a Mesa de Frades, é também guitarrista. Falava agora dessas circunstâncias que estamos todos a viver. Isto pode ser também uma ameaça ao fado? Ou seja, este momento que estamos a viver e falámos aqui do fado como um momento também em que há essa proximidade dos artistas com quem está a ver, há esse à vontade nas casas de fado, há todo o cerimonial. Isto pode pôr em risco alguns futuros talentos do fado que possam não aparecer nos próximos tempos?
Sem dúvida. Há muitas coisas em risco neste momento. Primeiro, do que já existe e segundo, do que poderá vir a existir. Do que já existe, os fados têm uma componente profissional, mas têm uma grande componente amadora. E os amadores, apesar de serem amadores, têm algum rendimento, alguns a irem cantar a umas casas. Vão cantar aqui, vendem uns tiquitos ali, são chamados para ir substituir um outro fadista profissional numa casa e ganham mais €60 acolá. E parece que não, isso é uma forma de vida que existe real no meio fadista. E é isso, muitas das vezes, que torna o fado tão espontâneo. Isso a nível semiprofissional amador. Do lado profissional, as casas habituaram-se a ter elencos bons, com fadistas que recebem bem, músicos que recebem bem e um serviço pronto a receber toda a gente. Ou seja, a pessoa que tem um ordenado mínimo cá, mas o neozelandês cheio de dinheiro que também vem a Portugal. O turista, porque a nossa cidade virou-se completamente pro turismo nos últimos anos. E de repente, tirar este manancial de clientes vai pôr em causa toda a estrutura que essas casas criaram. A nível de pessoal, de cozinha, de sala, de músicos, de fadistas. Ora, isso que vai acontecer é que vão reduzir a oferta. Vão reduzir a oferta, vão reduzir a qualidade. Portanto, vão mais fadistas pro desemprego, vão menos pessoas achar que a Liciane fica tá fado, porque de repente os pequenos retiros não vão continuar a poder dar fado e isso, de repente, vai ser uma crise pro fado e fadistas. Por outro lado, pras gerações mais novas, como toda mundo sabe, desde que o fado foi considerado Patrimônio da Humanidade, desde que a Amália faleceu e que apareceu toda esta geração extraordinária de fadistas que começaram a correr os palcos do mundo todo, já se fazia, mas agora com uma dinâmica e uma dimensão extraordinária e assombrosa, que é muito aliciante para as camadas mais novas. Se eu perguntar a qualquer miúdo o que ele quer fazer, é normal que ele queira ser como o Ronaldo, porque vê o Ronaldo cheio de vulgaridades, a ganhar e a ser famoso. E de repente, também, se alguém tiver um jeitinho pra cantar, quer ser como? Quer ser como a Marisa, como o Camané. É normal. São as pessoas que andam a correr mundo, são as pessoas que têm sucesso.
Já agora falou de referências e de Amália, o fato do centenário do nascimento de Amália ter sido um bocadinho apagado pela pandemia, acha que isso pode ter reflexos no futuro do fado?
Não. A Amália é uma situação tão à parte, é tão incontornável, o talento é tão gigantesco que eu realmente tenho pena que nesta altura não se consiga dar mais visibilidade àquilo que a Amália foi, que muitas das pessoas não têm sequer noção, nomeadamente as gerações mais novas, que já estão praticamente há 21 anos sem a presença da própria. Mas o legado é tão grande que eu acho que não corre riscos. Agora, que eu não tenho dúvida nenhuma que se não existisse esta pandemia Que estaria a haver muito mais festividades.
Poderia ser um ano de ouro para o fado.
Claro que sim, não tenho dúvida em relação a isso. E agora o meu lado lírico. Também acho que esta pandemia a passar ou a estabilizar rapidamente, eu acho que é precisamente a Amália que nos vai ser um bocadinho a tábua de salvação e de repente começarmos todos a comemorar e a falar a Amália e a ver a dimensão da Amália que nos vai dar força para estar mais 100 anos em frente. Ou seja, se não houvesse este centenário da Amália, se calhar não havia tanta justificação pra se falar de fado como vamos falar durante o próximo ano.
Pedro, estamos na reta final desta nossa conversa. O Pedro de Castro é o responsável pela Mesa de Frades, uma das mais conhecidas casas de fado de Lisboa. É tão conhecida que numa certa noite de um dia de semana, recebeu a visita nada mais, nada menos do que Madonna. Estava lá nessa noite, Pedro?
Estava.
Acho que ainda não falou publicamente sobre isso ou já?
Não, não falei. A história dela lá ir é uma história engraçada, porque ela primeiro foi à minha outra casa. Eu tenho outra casa de fados que se chama a Associação do Fado Castro. Castro puro, castiço. E disseram-me que eventualmente ela iria lá e eu curiosamente nesse dia tinha a casa com 80 pessoas de um coro de Berlim, da Sinfônica de Berlim, que estavam cá, que tinham vindo atuar à Gulbenkian e que estava lá. E por coincidência, nessa noite, ela foi lá. A Madonna foi lá a esta minha outra casa, a Associação do Fado Castro. E ouviu o coro de Berlim a cantar, ouviu uma ata de fadistas e ouviu a Dona Celeste Rodrigues a cantar. Ficou encantada com ela, absolutamente apaixonada com a Celeste, porque era normal, porque ela era apaixonante. E passado uns poucos tempos, uma pessoa que trabalhava com ela ligou a saber se a Celeste poderia ir, e entraram em contacto comigo, se poderia ir cantar pra Madonna. Eu disse: "Não é comigo que tem que tratar isso, tudo bem", só que era mais engraçado era a Madonna vir ouvir a Celeste. Porque é no habitat natural em que as pessoas das casas de fado estão mais à vontade. E a Madonna, muito gentilmente, não fez mais nada. Foi efetivamente à Mesa de Frades e há um dia em que marcaram uma mesa e apareceram todos. Aliás, ela foi lá mais do que uma vez. Foi várias vezes. Mas esta primeira vez em que lá foi, foi geríssima, estava ela, o Dino Santiago. Dava uma tertúlia muito gira, depois cantaram todos.
Mas o Pedro sabia que ela ia lá?
Nesta noite em específico, sabia. Não divulguei a ninguém, mas nesta noite sabia. Porque foi assim, na primeira noite da outra vez, da primeira vez não sabia. Na Associação não sabia.
Muito bem.
E ela depois criou esta amizade incrível com a Celeste, que depois foi convidada a passar a passagem de ano na casa dela, em Nova York, e foi. Portanto, ficaram ali uma amizade até o fim de vida da Celeste, muito extrema.
Fantástico. Quem diria? Pedro de Castro, muito obrigado por se ter juntado a nós nesta tarde em direto, numa conversa de fim de tarde. Pedro de Castro, da Casa de Fados Mesa de Frados, que nas noites de 22 de agosto e 4 de setembro vai servir fado no espaço Espelho de Água, em Belém, em Lisboa.
Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM. Na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada.