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Olá, seja bem-vindo ao "Convidado Extra", que hoje acolhe Miguel Vale de Figueiredo. Fotógrafo profissional há 34 anos, fundador e editor da revista "Volta ao Mundo" e renovador da "Evasões". Presente em publicações dos Estados Unidos até à China. Ele acaba de lançar o novo ensaio fotográfico da Fundação Francisco Manuel dos Santos, "Cidade Suspensa: Lisboa em Estado de Emergência", com legendas de Bruno Vieira Amaral, desde ontem nas bancas. Olá, Miguel, e bem-hajas por ter aceitado este nosso convite, diretamente do bairro Azul, aqui em Lisboa. Bem-vindo ao "Observador".
Olá, boa noite, João. Muito obrigado eu pelo convite. Sou eu que tenho que agradecer.
Miguel, fotografar é partilhar experiências. É uma frase que te define um bocado ou não?
Eu acho que a fotografia é uma atividade um bocadinho egocêntrica. Não egoísta, mas egocêntrica. E no fundo, é partilhar um bocadinho o nosso próprio ego, a maneira como nós vemos o mundo e o pensamos. Mas sim, é uma partilha, é sempre uma partilha, que é um bom valor.
Tu acabaste por estudar direito, tu licenciaste em direito?
Não, vim-me embora, graças a Deus.
Chegaste a ser colega do nosso primeiro-ministro, pertinho, o António.
E de várias pessoas que têm passado por vários governos. Fomos contemporâneos, realmente, com o António Costa, com o Telmo Correia, com uma série de gente. Aliás, com o atual ministro da Economia, Siza Vieira, o Pedro, e mais uma série de gente. Mas eu estive lá, andava a gastar dinheiro, era público e a entreter-me com outras coisas, entre as quais a fotografia. E de maneira que no meio do moral, de Ciência Política, acho eu, já não me lembro bem. Mas sim, acho que foi isso. Resolvi dar um salto para a câmara escura e sair da faculdade naquele dia. E ao sair naquele dia, eu já não saía e era um desastre para a justiça portuguesa, que não precisa de mim para ter problemas.
Miguel, em 20 segundos, por que direito e não, por exemplo, uma coisa ligada às artes ou de imagem, percebes? Mais na tua área profissional, no fundo.
Porque eu gostava muito de direito e gosto, atenção, não tenho nada contra. Houve uma altura que eu pensei que era um bocadinho o futuro que estava em causa, porque iria fazer coisas que não me apetecia na altura fazer. Tem a ver com a juventude irreverente. Eu queria ser era fotógrafo, de facto, na altura. E hoje ainda quero ser fotógrafo e não quero ser advogado, nem jurista, nem licenciado em Direito, mas continuo a ter um gosto grande pela coisa da Justiça e da Lei, dessas coisas todas. Mas eu acho que era uma questão até mais de estômago do que outra coisa qualquer. Não tinha estômago para defender uma série de coisas e, portanto, foi melhor para todos eu vir-me embora.
Chegaste, aliás, a ser fotógrafo residente da Assembleia da República.
Foi uma passagem fugaz, mas sim, nos idos de 80 e pouco, fiz uns trabalhos lá, estava a correr bem, mas depois, por uma razão qualquer, acabou-se. Eu fui para o Brasil ou fui ao Brasil, já não sei bem como é que foi, se fui para, se fui ao, ou se fui ao e fiquei um bocadinho mais. E depois quando voltei já não tinha lugar na Assembleia da República e também devo dizer que ainda bem para a Assembleia da República.
Talvez da tua carreira, eu quero já falar do ensaio, que é o que nos traz aqui hoje. Mas Miguel, talvez a Volta ao Mundo, que tu és cofundador e foste diretor de fotografia, e que te obrigou também a viajar por mais de meia centena de países, foi talvez a parte do teu currículo que mais gozo te deu?
Pelo menos, talvez a mais exigente, porque foi uma estadia prolongada, foram 10 anos. Foi uma filha minha, não só minha, claro, tinha vários pais, curiosamente.
O Paulo Ferreira, por exemplo.
O Paulo Ferreira.
Exatamente.
Basicamente, o Paulo Ferreira e depois foi chegando mais gente. E, portanto, fomos pais em várias etapas, vamos dizer assim. E foi, de facto, um período extraordinário profissionalmente e que me trouxe imensa noção do resto do mundo. Porque uma coisa é nós viajarmos em férias, outra coisa é viajarmos num trabalho destes, independentemente daquilo que se vai publicar. Portanto, uma questão é o que nós publicamos, outra coisa é aquilo que nós vemos e com quem falamos e o que pensamos das coisas.
Já agora, cumpre dizer, a propósito das viagens, que já depois de largares a Volta ao Mundo, fizeste dois álbuns que eu vou destacar, entre os vários livros que tu tens, por exemplo, o "CCB 25 anos", talvez o mais recente. Mas fizeste estes pela Polígono, com o João Correia Nunes, este "Embaixadas de Portugal", em 2006, e depois em 2011, o "Património Mundial de Origem Portuguesa". Isto também te levou a fazer umas grandes viagens para ver muito do nosso grande património por aí espalhado, quer as embaixadas, quer o património mundial. Uma missão impressionante.
Foram duas missões fotográficas não tão distintas como à primeira vista podem parecer, porque as embaixadas são as casas de Portugal e o resto eram os vestígios, mais ou menos em condições, mais ou menos celebrados, da presença portuguesa no mundo. E foram mais uma quantidade de milhas aéreas, e eu devo dizer que tenho medo de andar de avião, não de helicóptero, nem de aviões pequenos, nem coisa nenhuma, mas de jatos grandes é uma coisa que eu não aprecio mesmo. E, portanto, eu trabalhei com algum sacrifício pessoal, porque não gosto nada de me meter dentro daquela coisa. Gosto muito de sair, mas não gosto de lá estar dentro. Mas foram trabalhos extraordinários, foram oportunidades que eu tive, de facto, um privilégio e a sorte de ter sido eu a fazer e não outro. Espero que tenham gostado sempre do que vou fazendo. Foi um período extraordinário, de facto.
Porque o tempo aperta, não vou por isso falar do teu prazer, da tua paixão pelo Alfa Romeo GTV, nem sequer do jazz. Tu que és um jazz convicto, addict, e que chegaste a estudar piano e tens dois pianos. Como é que é possível tanta gente sem nenhum piano, tu tens dois.
Os vizinhos agradecem. Os vizinhos agradecem muito.
Mas vou te cortar só isto antes de irmos ao ensaio. A tua paixão pela fotografia nasceu com que idade? Com que idade tiveste a primeira máquina? Guardas as primeiras fotos? Sobre isso, sobre as tuas origens nesta arte.
Eu não sei exatamente. Eu tive uma pequena máquina quando era muito miúdo mesmo, que depois foi partindo, ao contrário de outros brinquedos, mas que eu nunca considerei sequer. Depois, talvez aos 10, 11 anos, ofereceram-me uma Kodak Instamatic 33. Eu ainda tenho algumas fotografias desse tempo, muito poucas, foram se perdendo por várias razões, mas a principal foi porque se foram perdendo. E se calhar não tive cuidado com elas, tinha alguma graça de olhar para aquilo estes anos todos depois. Mas não existem e está bom assim. Eu não sei exatamente o que é que me levou. Nunca pensei ser fotógrafo profissional, começo por aí. Eu pensava vir a ser advogado, de preferência ligado ao crime, mas da barra do lado cá.
Do lado bom.
Eu gostava já de fotografia há uns anos, claro. Tinha vários amigos que faziam fotografia, naquele tempo a preto e branco, basicamente, e faziam uns rolos em casa e revelavam, aquela coisa toda. E eu acho que foi um bocado por aí que a coisa começou. E, de facto, como são amigos um bocadinho mais velhos, a gente olha sempre aos mais velhos com alguma-
Admiração.
Admiração, referência, aquelas coisas todas, ou pelo menos antes era assim. E eu comecei a fazer fotografia nessa altura. Com paixão, sim, mas sem grande outro intuito que não fosse o fazer fotografia e o divertir. De repente pensei que Direito estava a ser penalizador, e fazer fotografia eu tinha que pagar. E, portanto, tornei-me profissional um pouco por isso. No fundo, eu sou um amador a quem pagam para fazer fotografia.
Porque tu tinhas uns amigos que também tinham um ampliador, tinham Durst e tinham luzes encarnadas.
Sim.
Muito bem. Vamos falar então deste ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, retratos da fundação, desta coleção que saiu agora, saiu aliás ontem para as bancas, dia sete de julho, "Cidade Suspensa: Lisboa em Estado de Emergência". Isto partiu de uma ideia tua.
Sim, é um facto. Liguei para a fundação com quem trabalho já há alguns anos, propondo uma ideia que fosse fazer um documento fotográfico, um levantamento, um acompanhamento, se quisermos assim, do primeiro estado de emergência, que era suposto terem sido aqueles 15 dias, e acabou por se transformar num mês e meio. E da fundação fui muito bem recebido, a ideia foi muito bem recebida e eu comecei logo a fotografar, mas sem outra coisa que não fosse criar um arquivo destes tempos estranhos, mostrando a cidade, as pessoas que eventualmente andassem na rua a trabalhar ou por outra razão qualquer, as diferenças do que era e do que está. E no fundo, deixar um documento para daqui a 20 ou 30 anos podermos olhar para isto, espero eu, com um olhar mais distante e mais frio e perceber que foi um tempo que passou. Pelo menos essa é a esperança que eu tenho.
Muito bem. Esta foi uma grande tiragem, 5500 nas bancas desde ontem, se não me engano, mais 1000 online, que já estão há alguns dias disponíveis. Cumpre dizer que o valor da venda é uma boa ideia, o valor da venda reverte integralmente para o livreiro, portanto, é uma boa ajuda nestes tempos muito complicados também para tudo o que são livrarias e livreiros, nesta altura. Também cumpre dizer que tem um texto do Bruno Vieira Amaral, o texto de apresentação, uma espécie de prefácio que ele fez e também as legendas. Como tu disseste, e achaste muita piada, na altura quando isto foi proposto, não havia nenhum autor, depois escolheram ele. Ele começa muitas destas legendas por: "naquele tempo", que é uma coisa muito engraçada ilustrar as tuas fotos. E vou ler só, Miguel, a primeira frase que diz: "Albert Camus escreveu em 'A Peste' que uma maneira cômoda de travar conhecimento com uma cidade é descobrir como lá se trabalha, como se ama e como se morre". Miguel, o que é isto? Começou a 19 de março, o primeiro estado de emergência, depois foi renovado duas vezes, acabou em 2 de maio.
Exatamente. Foi decretado a 19, entrou em vigor em 22, eu comecei a fotografar no dia 24.
Estiveste quase um mês e meio a palmilhar a cidade. Que cidade foi esta que tu descobriste, Miguel? Completamente isolada, abandonada, com quase ninguém. Que tempos foram estes para ti?
É um tempo estranho, é um tempo muito esquisito. É fazer uma fotografia extraordinariamente estranha também nisto. Isto é tudo uma repetição de conceitos, mas é assim, porque as pedras da calçada, que eu conheço bem desta cidade, tornaram-se de repente desconhecidas. Eu olhava para os mesmos sítios que tinha visto tantas vezes e às tantas apareciam coisas estranhas. Eu nunca tinha visto a cidade assim. Acho que ninguém tinha visto a cidade assim, nem num domingo de agosto de 1972, quando estava tudo de férias. E é uma coisa muito estranha. Não tenho ainda o distanciamento suficiente para perceber aquilo que vi e senti. Para dizer a verdade, quantos mais dias passam, pior eu fico em relação a isso, porque não sei se são memórias estranhas, se são leituras em cima daquilo que eu vi, que começam a turvar um bocadinho e a deixar menos nítido aquilo que eu fotografei. Mas é um processo todo muito estranho, porque as cidades não vivem sem as pessoas, as cidades têm como missão ter pessoas. Não existem cidades sem pessoas, a não ser que sejam ruínas. Portanto, isso não é antiguidade, isto é os tempos em que nós estamos. Andar pela rua, de sítio ainda para mais que eu conheço, podia ser um outro lugar qualquer, às horas que eu digo, num tom de brincadeira, se quisermos, horas de expediente. Ou seja, não andei fotografar de madrugada para não ter ninguém, nem às onze da noite.
Exatamente. Às horas normais.
Foi às horas normais.
Em dias úteis.
Nem andei sequer à procura da melhor luz, nem coisa nenhuma. Portanto, foi às horas de expediente que eu tentei fotografar e retratar estes tempos que passamos. E que ainda estamos a passar de alguma maneira, mas aqueles estado de emergência espero que não voltem. E é muito estranho, continua sendo estranho. Não digo que foi duro ou que foi difícil. Queria tomar um café e não havia café nenhum aberto.
Exatamente.
Felizmente já não fumo, porque senão tinha deixado de fumar nessa altura, porque não havia onde comprar cigarros.
Exatamente.
E não há ninguém a quem perguntar nada, se fosse preciso perguntar alguma coisa. O máximo que podia perguntar era à estátua do Fernando Pessoa, o que ela achava disto. Isto à estante era um bocadinho surreal, os pensamentos entravam numa linha quase surreal, de tão estranho que isto era. Mas repara, não estou a dizer nada, que foi duro, difícil, "ninguém mais faria", uma coisa. Não é nada disso, é uma coisa só estranha.
Estás a constatar, exatamente. Portanto, ruas vazias, estradas sem carros, comércio fechado, quase ninguém no exterior. A cidade da moda, cheia de vida e de ruído, trabalhadores e turistas deram lugar a uma cidade fantasma, uma cidade suspensa por tempo indeterminado. Daqui a uns anos, isto tudo pode-se ler na introdução, muitos perguntarão que cidade era esta e poucos poderão responder, porque poucos foram aqueles que a viram em estado de emergência nítida e despojada. Estou aqui a ver, por exemplo, uma legenda do Bruno que diz: "Naquele tempo, desobstruíram as artérias da cidade e nesse dia a cidade morreu". Isto é um bocado impressionante. Eu reparo, por exemplo, Miguel, dando aqui um salto para a tua última foto que falta, a foto da manifestação do 1º de Maio, onde tem aquela alameda da Fonte Luminosa, tudo pontilhada por pessoas. As duas fotos antes, essa coreografia ensaiada, exato. As penúltimas fotos, que para mim são das mais impressionantes deste ensaio, mostram o cardeal Manuel Clemente a celebrar na Sé, vazia, e mostram o xeique David Munir, o imã da nossa mesquita em Lisboa, a rezar, também na mesquita, vazia, em pleno Ramadão. Essas fotos têm uma carga brutal. O que é que poder fotografar isto também mexeu contigo? O que te causou também?
Muitas vezes quando estamos, e são fotografias, diria, de reportagem, estes nesses casos. Eu quando estou a fotografar em reportagem, não penso muito naquilo que estou a sentir. Penso mais naquilo que estou a ver. Ou seja, eu afasto-me de mim próprio para poder fotografar com alguma frieza e isenção. Depois, sentimos que é uma coisa muito estranha, porque não é suposto a Catedral de Lisboa, na missa de Páscoa, só ter o seu cardeal patriarca, o bispo auxiliar de Lisboa, os acólitos, um fotógrafo ou outro, porque tinha mais gente a trabalhar, e mais ninguém. Quanto à mesquita, o xeique Munir foi de enorme gentileza aceder ao meu pedido, porque eu penso que eu sou ecumênico fotograficamente falando. Achei que podíamos também mostrar uma religião diferente da católica, que é a matriz nacional, não se pode apagar isso. E é estranhíssimo ver a mesquita, tem a vantagem de ser aqui perto de minha casa. Portanto, eu conheço a mesquita desde os caboclos e a construção. Entrar ali dentro, saber que estamos em pleno Ramadão e que só temos o xeique Munir a orar via internet para os seus fiéis. A mesma coisa na Sé Catedral, eu estive na Sexta-feira Santa e depois estive no domingo de Páscoa, e essa fotografia é já no domingo de Páscoa, portanto, uma missa festiva.
Mas sem fiéis.
E não parecia, sem fiéis.
Exatamente.
Os fiéis fazem muita falta a tudo isto. Depois, acabamos com a fotografia, de facto, da manifestação do 1º de Maio, que mostra que todos juntos fazemos uma sociedade, seja ela qual for e como for, e faz falta à cidade este tipo de coisas. Depois podemos fazer as leituras que quisermos, de ter sido autorizada ou não a manifestação, ter sido mais ou menos segura, ou de não ter sido segura de todo antes e depois. Portanto, podemos fazer as leituras que se quisesse, mas essas são outras leituras. Naquele momento, eu achei que era o fim O fim do estado de emergência acabava no dia seguinte e, portanto, para acabar este livro, eu achei que esta era a última fotografia, de facto, que justificava a esperança em estarmos outra vez todos juntos. Eu não diria que isto é um ensaio, João Paulo, desculpa, porque não foi pensado como ensaio. Não foi nada disto. Isto foi um levantamento fotográfico, o mais extenso que pôde ser, de várias zonas da cidade, de alguns acontecimentos na cidade, de alguns habitantes ou de alguns trabalhadores na cidade, aqueles que mantiveram a cidade viva, se quisermos assim. Porque a cidade teve que continuar a mexer e não foi só dentro de portas. E portanto, houve gente que esteve a trabalhar e que se calhar em risco de saúde, mas continuaram a fazer o que tinham para fazer.
E tu mostras isso também. Mas Miguel, é a última pergunta, nós temos 30 segundos, vou-te perguntar isto. A ideia é ensaio só porque é da coleção dos retratos.
Sim.
Portanto, nesse aspeto é um ensaio. Mas a ideia, quanto a mim, e nós já falámos sobre isto, é daqui a algum tempo poder haver isto numa exposição ou num álbum a sério, uma vez que te sobrou, de certeza, muito material. E o material é muito bom, as fotografias tuas. Um dia, o formato também não era o ideal, nem a dimensão, nem este tipo de papel, nem nada. Portanto, isto foi o que se pôde fazer para chegar a mais gente. E já agora, porque não, e é muito importante, como dissemos, ajudar os livreiros, mas para quando não estás a pensar fazer, se calhar, uma exposição ou um álbum a sério, uma coisa de jeito, com bom papel e boa restituição e tudo?
Eu gostaria muito que este levantamento fotográfico tivesse mais visibilidade, outra visibilidade. E outra dimensão na observação das fotografias. De qualquer modo, eu acho que é de realçar o trabalho da fundação, que em tempo, eu diria quase recorde, pôs um livro, quando faz os três meses decretado o estado de emergência, o livro está cá fora.
Exatamente.
E eu acho isso extraordinário, acho que foi um trabalho extraordinário da fundação e da equipe da fundação, que continuou a trabalhar. É bom que também se perceba que, de facto, há gente que não aparece, mas que trabalha a mesma.
Exatamente.
E, portanto, eu acho que dentro dos limites que há um formato, um tamanho destes, o livro está bem conseguido e cumpre uma função que é deixar um documento.
Exatamente.
Sobre estes tempos.
Sim, senhor. Miguel, infelizmente, é mesmo assim, a rádio o tempo passa a voar. Nós não temos tempo para mais, mas quero agradecer-te pela tua disponibilidade, por estares conosco no Observador. Fica o convite para todos adquirirem on-line ou nas bancas, que já está desde ontem, este belíssimo, eu diria, e perturbador documento. É ao mesmo tempo, acho, muito belo e também muito perturbador, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, este "Cidade Suspensa". E assim também, já agora, ajudarem os nossos livreiros, que bem precisam. Boa noite, Miguel, boas fotos.
Muito obrigado.
Muito obrigado, boa noite.
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