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Rádio Observador está com o Decisão Benfica. Muito boa noite, está com o programa dedicado na Rádio Observador às eleições do Sport Lisboa e Benfica. Estamos a realizar esta edição no dia em que se realizam as eleições, numa altura em que já fecharam as urnas, mas em que em alguns casos, em algumas mesas, ainda há pessoas na fila para votar. Tudo vai fechar durante os próximos minutos e nós aqui na Rádio Observador voltámos a convidar todas as candidaturas à presidência do Sport Lisboa e Benfica para debater este ato eleitoral e também para debater o futuro. Neste debate vamos contar com Luís Pinto Melo, candidato a vice-presidente na lista de Luís Filipe Vieira. Também com Nuno Melo, que representa a candidatura de Cristóvão Carvalho, vai-se juntar a nós mais à frente neste debate. Também Nazir Karmali, que faz parte do núcleo duro da candidatura de João Diogo Mantegas, foi até proposto para a comissão de remunerações, algo que acabou por não se concretizar. Pela lista de João Noronha Lopes, João Sílvia, também vice-presidente para Marketing e Marca nesta candidatura e apoiante de Martin Meyer. Contamos com Rogério Celeiro nesta edição do Decisão Benfica. Nos próximos minutos continuamos a falar do Clube da Luz. Muito boa noite, bem-vindos à Rádio Observador. Vamos falar deste ato eleitoral e daquilo que aconteceu hoje nestas eleições. Começo por Luís Pinto Melo, é candidato a vice-presidente nessa lista do Luís Filipe Vieira. O que retira deste dia? Um dia de votação recorde com mais de 85 mil votantes, um dia de grande benfiquismo, podemos dizer isto?

Boa noite. Antes de mais, é um dia de muitas coisas, não é só de grande benfiquismo, de grande mobilização, é de facto um dia que representa na história do nosso clube algo de absolutamente extraordinário e que não é só para os benfiquistas, é algo que de facto deve orgulhar todos os portugueses. Mas é, obviamente, um dia que representa para o Benfica algo de absolutamente extraordinário. Conseguimos uma mobilização incrível de muitos milhares de pessoas. Foi um dia que pautou, e acho que isso é importante realçar, pelo civismo, pela forma como as eleições decorreram em todos os pontos e são de facto muitíssimos. É um espelho daquilo que o benfiquismo e os valores do Benfica abraçam e, portanto, penso que de facto é um dia memorável, um dia de grande benfiquismo, mas de muitas outras coisas que de facto são muito importantes para o nosso clube.

Faltou referir há pouco, nós de facto convidámos todas as candidaturas a estarem presentes, mas que a candidatura de Rui Costa optou por não estar presente neste debate, mais uma vez, como aconteceu anteriormente também noutras edições do Decisão Benfica. Nazir Karmali faz parte desta candidatura de João Diogo Mantegas. O que tem a dizer sobre este dia, sobre este recorde batido e também sobre esta eleição que hoje tivemos?

Boa noite. Primeiro que tudo, dizer, obviamente, o óbvio, que é 85 mil votantes, recorde nacional e mundial. Portanto, acho que é um motivo de orgulho para todos. Segunda nota, a abstenção abaixo dos 50%, é inédito no Benfica, e portanto mostrou uma mobilização muito grande dos sócios. E se me permitir dizer que, não me custa muito dizer, que se calhar nós contribuímos muito para isso, porque nós começámos este percurso desta candidatura há 13 meses.

Quando diz nós, está a falar da candidatura que representa, de João Diogo Mantegas.

Exatamente. Começámos este percurso há 13 meses, ou seja, andámos a ouvir os sócios. Percebemos o que é que os sócios queriam. Percebemos que os sócios queriam uma mudança. E portanto, normalmente quando há esta mobilização toda, isto significa que poderemos estar perante uma mudança. Obviamente que ainda é precoce, as urnas acabaram de fechar, mas estamos confiantes que possamos ter um bom resultado nestas eleições.

João Sílvia, apoiante de João Noronha Lopes, faz parte da lista de João Noronha Lopes. Que opinião tem deste ato eleitoral? Muito se falou de uma eleição em que poderiam ser batidos recordes. O recorde foi batido absolutamente, o recorde que era do Barcelona que estava na casa dos 57 mil. Estamos a falar de mais de 85 mil votantes neste caso. Que avaliação é que faz desse recorde batido, mas também de como correu todo este processo eleitoral, que foi tendo pontualmente alguns problemas.

Boa noite.

Boa noite.

Antes de mais, também reforçar a opinião que já foi aqui ouvida. Acho que foi um recorde incrível. Acho que é uma demonstração da dimensão que tem o nosso clube, que é uma dimensão estratosférica. Acho que estamos todos de parabéns, todas as candidaturas, porque obviamente todos nós contribuímos para esta participação única neste ato eleitoral. E acima de tudo, o que eu queria ressaltar daqui é o quão grande é o Benfica, o quão grande é este clube, o quão grande e incrível é a massa adepta do Benfica, que bate este recorde, que mostra esta força e esta vitalidade e que mostra todo o potencial que tem o nosso clube, se for bem gerido. E portanto, mostra muito aquilo que podemos ser se todos nós quisermos. E portanto, acima disso também acho que correu com um civismo enorme Que mostra a união entre todos os benfiquistas, mostra que o Benfica está acima de qualquer uma das listas e deixou-me muito feliz todo este dia, toda esta participação, todo este civismo, todo este benfiquismo que se viveu hoje, que incluiu uma vitória da equipa B, incluiu uma vitória da equipa principal. Hoje é um grande dia para o Benfica. O Benfica é grande e hoje foi um grande dia e acho que isso é o mais importante de salientar. Relativamente ao ato eleitoral, foi um ato com uma participação histórica e, portanto, é normal e obviamente nem tudo é 100%, nem tudo corre 100%. Obviamente nós temos que apontar aqui alguns factos que não correram da melhor maneira, nomeadamente faltaram botins de voto em algumas mesas, em algumas secções. Mas eu queria também ressalvar outro grande ponto de tudo isto: é que com voto presencial, tivemos mais votantes internacionais do que tivemos na eleição de 2021. A nossa candidatura sempre defendeu o voto presencial e acho que temos aqui o exemplo que se tivemos secções de voto em vários países, conseguimos ter uma votação com uma abstenção muito menor do que alguma vez tivemos e com uma participação como nunca tivemos, mesmo dos votos internacionais e, portanto, gostaria também de realçar essa questão.

Muito bem. Rogério Celeiro, apoiante de Martin Meyer, bem-vindo também ao "Decisão Benfica". O seu balanço deste dia de eleições com tanta gente a votar.

Ok, boa noite. Obrigado por convite. Boa noite a todos que estão aqui no painel. Boa noite aos nossos ouvintes. Penso que depois de tudo o que disseram, eu acho que o Benfica está de parabéns, os sócios do Benfica estão de parabéns. O exemplo que foi dado hoje foi um exemplo extraordinário para o maior clube do mundo. Houve alguns problemas, sim, mas acho que os problemas são quase não materiais em termos da grandiosidade que foi o ato eleitoral, das barreiras que foram batidas em termos de número de votantes. E agora resta-nos esperar pelos primeiros dados para vermos o que é que vai acontecer. É claro que os sócios do Benfica são os grandes decisores deste processo, mas o primeiro passo foi dado. Eles mostraram adesão, vieram em massa. Não sei se todos esperavam que chegássemos a este número. Eu esperava que batêssemos o recorde, mas não esperava que chegasse a este número. Portanto, estou admirado e estou fascinado com a adesão de todo o mundo benfiquista em todo este processo.

Muito bem, já se juntou a nós também Nuno Melo, é apoiante da candidatura de Cristóvão Carvalho. Muito boa noite, obrigado por estar também presente neste debate. Que avaliação faz deste ato eleitoral que hoje aconteceu no Sport Lisboa e Benfica?

Primeiro, muito boa noite a todos. Devemos dar os parabéns a todos os benfiquistas. Foi uma adesão extraordinária e eu acho que também inesperada, esta afluência às urnas. Eu posso dizer, por exemplo, numa secção de voto onde eu fui de manhã a pensar, voto em Mafra, eu vivo em Mafra, em vez de vir para o estádio, votava ali. Tive duas horas à espera. Votaram, pelo que eu vi ali, 1090 pessoas, numa secção de voto pequena, com duas mesas. Penso que correu tudo muito bem. Acho que é preciso também felicitar a própria organização do Benfica, ou seja, independentemente da campanha ou de quem se chegue à presidência deste clube, parece-me que a própria máquina do Benfica, a empresa Benfica e os seus colaboradores também estão de parabéns. Não tenho a mesma certeza sobre o que quer dizer esta quantidade de votos, se é efetivamente por não haver voto eletrónico. Só depois no fim é que vamos ver, dependendo dos resultados, se efetivamente pode ser também uma resposta às pessoas que prefeririam votar online e mesmo com mais dificuldade. Por exemplo, eu ouvi isso na secção de voto onde eu estava.

Ouviu o quê? Que preferiam votar online?

Sim, que algumas pessoas prefeririam votar online, desde que o processo fosse seguro. E por isso não sei porque é que houve esta afluência às urnas. Sei, sim, que é para o Benfica, pelo menos, ser o maior clube do mundo e, portanto, acho que é esta hora de dar os parabéns a todos os benfiquistas.

Muito bem. Olhando aqui para estas eleições e para o que sai deste ato eleitoral, a certeza é que vamos ter a maior eleição de sempre em qualquer clube, a maior eleição de sempre também, incluindo com isso, claro, o Benfica. Luís Pinto Melo, vamos ter certamente um presidente com grande apoio dos sócios, se for eleito à primeira volta ou se acontecer já hoje. Isso poderá dar mais confiança, mais liberdade para arriscar durante o próximo mandato? Claro, há assembleias gerais para aprovar medidas mais criteriosas do clube, mas passa a ser um presidente com maior apoio do que foi anteriormente?

O Benfica caracteriza-se por ser um clube que após as suas eleições se mobiliza em torno dos seus líderes. Portanto, creio que é isso que vai acontecer também neste caso.

Acredita que não vai haver uma cisão, que não vamos entrar numa divisão no Benfica?

Não, isso não é tradição no Benfica, o Benfica não tem essa tradição. E, portanto, estou absolutamente convencido que todos os benfiquistas se vão unir em torno daquele que sair eleito presidente do Benfica esta noite. E, portanto, julgo que não acontecerá nada disso

Esperando que seja Luís Filipe Vieira a ser eleito, ele próprio já tem provas dadas de que consegue agregar todos os benfiquistas em prol de um projeto. Penso que o projeto que foi apresentado e que foi hoje forgado, é um projeto que congrega a vontade de todos os benfiquistas, tem a capacidade de mobilizar todos num objetivo comum. E, portanto, julgo que a partir do dia de hoje, encerrada esta eleição, vamos ver se de fato termina hoje, mas a partir do momento em que for eleito e em que os resultados forem divulgados e forem definitivos, haverá uma mobilização de todos os benfiquistas em torno daquile que for eleito e portanto, creio que esse problema não se colocará, de maneira nenhuma.

Rogério Celorico, vê da mesma forma? O presidente que vencer vai ter essa força, essa legitimação, que nunca teve qualquer outro presidente?

Eu espero que, independentemente se houver hoje presidente ou no dia 8 de novembro, espero que o próximo presidente do Benfica, e espero que seja Martin Mayer, seja um presidente unificador. Se por acaso não for Martin Mayer o presidente, espero que o próximo presidente seja também unificador. E esta prova em massa dos benfiquistas, dos sócios benfiquistas a irem às urnas, acho que o Benfica e os sócios merecem alguém que queira unificar o clube e construir um clube em volta de todos os sócios e trazer os sócios também para mais participação nos atos do clube.

Nazir Carmo, há o risco de divisão no Benfica?

Não creio. Eu acho que o Benfica sai reforçado destas eleições. É um número muito expressivo de votantes. Acho, contudo, que não vai ser decidido à primeira volta. Acho que há muitos votantes, muitas candidaturas. A matemática diz-nos que pode haver uma surpresa, mas dificilmente ficará decidido hoje. Mas sim, se tivermos este número de votantes numa primeira volta ou numa segunda volta, quem sair vencedor sai reforçado e, obviamente, os resultados num estado democrático aceitam-se e nós temos que nos agregar e juntar em prol do Benfica, em torno do presidente que sair eleito. Portanto, acho que sim, o Benfica vai sair reforçado destas eleições.

Muito bem. Nuno Mael, tem a mesma opinião, que o Benfica sai reforçado deste ato eleitoral?

Sim, eu acho que o número histórico que foi, independentemente de quem ganhe, eu também concordo que dificilmente alguém ganhará à primeira volta.

Acha que vamos ter mais duas semanas de campanha?

Eu penso que sim. Mas independentemente de ser agora ou ser no dia 8, quem ganhar estará seguramente mais do que legitimado. E depois, como bons benfiquistas que somos todos e que gostamos é de futebol, tanto damos lenços brancos ao treinador como no jogo a seguir se ganhar. Portanto, o presidente que for, penso que conseguirá agregar todas as vontades e penso que também todas as candidaturas darão espaço para que o presidente que ganhar, tenha esse apoio das restantes candidaturas, penso eu.

João Sílvia, acha que é à primeira?

Pode ser que seja à primeira, eu não tenho que achar, nem deixar de achar, se é à primeira, se é à segunda, os sócios do Benfica é que irão dizer.

Mas aquilo que aconteceu hoje, esta dimensão de votantes para João Noronha Lopes, para o candidato que apoia, é benéfico, não é benéfico, e se acha que pode levar o Benfica à primeira?

É benéfico para o João Noronha Lopes, como é benéfico para todos os candidatos. É um sinal de vitalidade do Benfica. Portanto, mais importante que isso, é que é um sinal de vitalidade do Benfica. E obviamente, como presidente, num clube tão democrático como é o Benfica, sai sempre legitimado das eleições. Sejam estas, sejam as anteriores. É preciso é que o próximo presidente aproxime o clube dos sócios que mostraram hoje que querem fazer parte do clube. E, portanto, é preciso que o próximo presidente pense nos sócios como os donos do clube, explique as decisões que toma a esses mesmos sócios, aproxime a direção do clube aos sócios e, de uma vez por todas, tenhamos um clube que trabalha para os seus sócios e em benefício dos seus sócios, que hoje mostraram que são incríveis e que são realmente uma força única e que só o Benfica tem.

Muito bem, vamos fazer uma curta pausa. Nós já voltamos. Vamos precisamente na segunda parte falar do futuro do Benfica. Vamos fazer uma curta pausa para atualizar toda a informação na Rádio Observador. Retomamos o Decisão Benfica. Estamos na noite eleitoral das eleições do Sport Lisboa e Benfica, numa altura em que já falou o presidente da Mesa da Assembleia Geral e já confirmou o valor recorde junto ao pavilhão do Estádio da Luz, aos pavilhões onde estão a ser contados grande parte dos votos. Carlos Pedro, falou há pouco José Pereira da Costa e deixou-nos esse número recorde.

85.422, o número de sócios benfiquistas que votou hoje. Eram mais de 160 mil os sócios aptos a votar. Votaram, portanto, pouco mais de 85.400 votantes ou sócios do Benfica. José Pereira da Costa anunciou isso há instantes e não quis comentar alegadas mensagens enviadas pela lista F a apelar ao voto na candidatura de João Noronha Lopes. Vamos ouvir essas declarações na íntegra

Mais uma vez agradecer aos sócios do Sport Lisboa e Benfica esta votação extraordinária. Votaram 85.422 sócios. É uma eleição histórica, é uma eleição que marca um momento na história do Sport Lisboa e Benfica e penso que na história do associativismo em Portugal. Volto a dizer, é um número extraordinário. As operações de contagem já tiveram início, estão a correr normalmente, sem nenhuma questão, e à medida que formos tendo os números, eles vão sendo anunciados nos canais oficiais do Sport Lisboa e Benfica. Portanto, só os números que forem anunciados nos canais oficiais do Sport Lisboa e Benfica é que são números reais, que respondem à realidade.

Há candidaturas indignadas com mensagens e e-mails a apelar ao voto em Noronha Lopes.

A mesa não se pronuncia sobre nenhum desses fatores. Só uma nota: todos os sócios que quiseram votar, votaram. É o conhecimento que a mesa tem, todos os sócios que quiseram votar, votaram, os votos entraram todos nas urnas e estão a começar a ser contados. E à medida que formos avançando, é uma operação grande, 85.422 votos votaram para quatro órgãos distintos.

Qual é a previsão?

A previsão é que vai ser um apuramento calmo, sereno, tranquilo, sem nenhum problema, e à medida que formos tendo resultados, vamos anunciando. Não há, neste momento, mais nada a dizer. O que é importante é que vai ser conhecido o número certo. Muito obrigado.

Zero declarações sobre esta polêmica de mensagens enviadas por uma da lista a apelar ao voto pela lista F, neste caso, a lista de João Noronha Lopes. Mas José Pereira da Costa a falar aqui de eleições históricas, com números extraordinários e votos que já estão a ser contados. Admitiu também que, Miguel, avizinha-se uma noite muito longa aqui no Estádio da Luz.

Carlos Pedro, junto aos pavilhões do Estádio da Luz, com essas declarações do presidente da Mesa da Assembleia Geral. Vamos falar um pouco do futuro do Benfica. Nuno Melo, apoiante da candidatura de Cristóvão Carvalho, perante esta eleição e sabendo que podemos ter mais duas semanas ou não de eleição, de campanha e de votação, que Benfica, que perspectiva para o futuro? Ganhe quem ganhar, que Benfica, que perspectiva para daqui a quatro anos, quando pudermos ter novamente eleições?

O Benfica vai continuar sempre a ser um grande clube, independentemente de quem estiver à frente, com projetos mais ambiciosos, projetos mais de continuidade. Mas eu acredito que independentemente da candidatura que ganhar, teremos um Benfica, pelo menos a nível nacional, a lutar para ser campeão. Mas se não tivermos um pouco mais de ambição, se a candidatura que ganhar não imprimir alguma ambição e investimento na equipa de futebol, nomeadamente, podemos ficar como nos últimos anos: ganhamos, vemos os outros adversários a passarem-nos à frente com facilidade. Quem ganhar terá que ter recursos financeiros, terá que ter investimentos, terá que ter uma perspectiva de futuro um pouco diferente daquela que tem sido levada a cabo até aqui.

A candidatura que aqui representa tinha objetivos muito concretos e tinha também planos para o Benfica. Num cenário em que Cristóvão Carvalho não vence, gostaria que alguma medida de Cristóvão Carvalho fosse aproveitada ou vê algo que pudesse ser aproveitado por um futuro presidente do Benfica?

Eu penso que sim. Penso que a componente financeira e de investimento financeiro que a nossa candidatura tinha previsto para o Benfica é vital para potenciar um investimento na equipa de futebol que nos permita ganhar muito mais no futuro.

Muito bem. João Sílvia, aqui representante da candidatura de João Noronha Lopes, faço-lhe a mesma pergunta. Daqui a quatro anos, como é que vê o Sport Lisboa e Benfica, não só a nível de futebol, a nível de clube como um todo, infraestruturas, de toda a dimensão do Benfica. E já agora, também, se João Noronha Lopes não vencer, se acha que há medidas que devem ser aproveitadas.

Eu acho que é muito importante que o que saia destas eleições é uma equipa de direção chefiada por um presidente que tenha a capacidade de estruturar e planear o clube a médio e longo prazo. Aproximar o clube dos sócios, esse é um ponto muito importante e que nós falámos muito durante as últimas semanas, e estruturar todo o clube com capacidade de decisão, com capacidade de planeamento, seja ao nível do futebol, que é super importante, ou seja, ter um plano para o futebol, não andar um bocadinho aqui em mudanças de direção constantes, saber o que queremos, estruturar a equipa e ter uma equipa que trabalha o futebol com plano estratégico para o futebol, e é assim que nos tornamos vencedores mais vezes e de forma mais rápida. E que depois tenha uma equipa por trás que trabalhe todas as outras áreas com capacidade de trabalho, com capacidade de decisão e que torne o Benfica muito maior. Nós hoje vimos mais uma vez, e eu saliento este ponto, todo o potencial que o Benfica tem. E acho que se tivermos uma equipa capaz, com provas dadas, que consiga, no fundo, tomar as decisões que são importantes para o clube e pôr o clube em primeiro lugar, certamente vamos ter, no fundo, um Benfica muito maior, com muito mais receitas, que é capaz de investir muito mais e ter muito mais resultados. E é isso que eu espero para os próximos quatro anos e que também é muito importante Tenha uma proximidade com os seus sócios que os traga mais próximo da direção, de forma a ouvir mais os sócios e a ter mais em consideração aquilo que é o seu pensamento. Portanto, eu acredito que daqui a quatro anos podemos ter um clube mais bem gerido e que obviamente possa ser hegemônico em Portugal e ter muito mais resultados também a nível europeu. Eu acho que acima de tudo é isto, é isto que os benfiquistas querem, sentir que o clube não tem só potencial, tem resultados e tem alguém que olha pelo clube e trabalha pelo clube de forma diária.

Mas acha que há, para esta época, algum trabalho imediato a fazer para garantir algum rumo que, por exemplo, a lista que representa não identifique neste momento?

Sim, eu acho que há trabalho a fazer. Se os resultados das eleições forem hoje já definitivos, há trabalho a fazer a partir de amanhã, em todas as áreas. Há trabalho a fazer na área de marketing do Benfica, certamente muito. Há trabalho a fazer também em planear aquilo que é o futuro da equipe de futebol com o treinador que temos. Há trabalho a fazer em todas as áreas do clube e, portanto, esse trabalho começa imediato, mas tem que ser um trabalho que não é para fazer coisas que tenham impacto amanhã, mas que sejam planeáveis e que tenham impacto contínuo. Há coisas que são mais rápidas e temos coisas que podemos fazer que têm impacto imediato, mas é muito importante planear estes quatro anos e ter uma estratégia que é seguida e que não é abandonada e na qual a direção acredita. Acho que isso é superimportante.

Muito bem. Rogério Celeiro, olhando para este Benfica, neste universo de quatro anos, neste mandato que vamos ter agora pela frente, o que é que perspetiva, que discussão é que prevê que possa existir daqui a quatro anos, a nível de Benfica, que mostre esta dimensão, pelo menos de 85 mil sócios votantes?

Provavelmente vai depender de quem ganhar as eleições e das opções que tomar daqui para frente. Nestas últimas semanas, nestes últimos meses, discutimos muitas áreas diferentes. A Rádio Observador foi uma plataforma interessante para se poder discutir área a área. No entanto, há algo que está acima de tudo isso. O Benfica precisa de ganhar, ganhar e ganhar. Nós trabalhamos para criar um plano, quer na parte do patrimônio, quer na parte desportiva e principalmente na parte do futebol, para tentar planear um futuro e um futuro que pudesse ser integrado, integrado principalmente aqui na parte do futebol, em termos de metodologia de futebol e organização e em termos de metodologia financeira. Acho que é algo que o Benfica vai ter que planear melhor, vai ter que se organizar, porque hoje em dia a forma como está a funcionar a SAD mostra que o Benfica tem receitas voláteis e tem cada vez mais custos fixos maiores e não tão voláteis.

Acha que uma das principais urgências é resolver a questão da tesouraria do Benfica?

Eu não lhe chamo tesouraria. A tesouraria pode ser um problema, não lhe chamo tesouraria. É uma questão de, se não olharmos para isto em termos sustentados, eu chamava-lhe solvabilidade para o futuro.

Muito bem. Nazir Karmali, o que perspetiva para daqui a quatro anos, para este próximo mandato? Que discussão é que prevê que possa existir daqui a quatro anos?

Eu acho que, obviamente, todos nós queremos o Benfica a ganhar. Não há aqui ninguém que queira mal ao Benfica. Portanto, primeiro ponto, obviamente, resultados desportivos. Se nós olharmos para o programa do João Diogo, o programa assenta num projeto desportivo. Aliás, o João até tem dito várias vezes que o primeiro é o desporto. O desporto é que alavanca a parte financeira e não o contrário. Portanto, se nós ganharmos, estamos mais próximos de resolver questões financeiras. Ganha-se com aposta na formação. E acima de tudo, o que eu acho que estas eleições mostraram, e é um dos pilares mais importantes que o João apostou, foi andar um ano a ouvir os sócios. Tem propostas concretas para a área do associativismo. Portanto, o que nós vimos durante estes últimos anos foi direções tratarem os sócios como clientes. E nós hoje vimos que os sócios são os donos do clube. Os sócios decidem os destinos do clube. As direções têm que ouvir os sócios. Portanto, o que eu antevejo é isto, é uma maior ligação dos sócios ao clube e desportivamente, um projeto vencedor no campo, que é para alavancar tudo o resto, finanças e inclusivamente a parte associativa também, porque se ganharmos, também trazemos mais gente. Portanto, eu acho que é isto que está a faltar ao Benfica e é isto que eu prevejo e espero que aconteça nos próximos quatro anos.

Eu vou recuperar aqui também uma outra pergunta que eu tinha feito há pouco sobre medidas que podem ser aproveitadas e sobre a candidatura de João Diogo Mantegas no debate na BTV, ouvimos essa questão do ciclismo, por exemplo, em que João Diogo Mantegas anunciou um acordo, um patrocínio para uma equipe de ciclismo para o Benfica, acabou depois por não concretizar propriamente como é que isso poderia funcionar e que objetivo poderia ter efetivamente essa equipe a nível de objetivo desportivo e em que provas ela poderia competir. Mas essa seria, por exemplo, uma medida que poderia João Diogo Mantegas disponibilizar ao Benfica, esse entendimento que conseguiu para uma equipe de ciclismo?

Sim, e nós temos que pensar que o ciclismo faz parte do ADN do Benfica A roda da bicicleta está no nosso símbolo.

Mas todos aqui falaram em ganhar. Ciclismo só por ter ou ciclismo para ganhar?

Não, o João está muito focado na questão de recuperar a mística, recuperar o associativismo, recuperar a cultura do Benfica, porque recuperando a cultura do Benfica, ganha-se no campo, ganha-se obviamente a seguir na parte financeira, porque nós ligamos o sucesso esportivo ao sucesso econômico ou financeiro. Não é por acaso que o João apresentou um programa com 170 páginas, muito focado no associativismo também. É preciso recuperar o ADN Benfica, é preciso recuperar a mística benfiquista. E o ciclismo faz parte do ADN Benfica. A roda da bicicleta está no símbolo, faz parte do espírito da fundação do Benfica. Portanto, sim, o ciclismo faz parte dessa estratégia de recuperar a mística.

Muito bem. Ainda sobre este plano para quatro anos, Luís Pinto Melo, como é que vê o Benfica no final deste mandato? Imaginando que ganha Luís Filipe Vieira nesse mandato ou outro dos candidatos aqui presentes, como é que gostaria de ver o Benfica?

Eu espero ver o Benfica daqui a quatro anos substancialmente diferente daquilo que temos hoje. O fato de nós termos várias candidaturas e o fato de termos esta adesão massiva dos sócios às urnas, revela que o Benfica que teremos daqui a quatro anos tem que ser um Benfica diferente e substancialmente diferente daquele que temos hoje, em todas as áreas. E Luís Filipe Vieira apresentou-se a estas eleições precisamente com esse objetivo e com esse plano: mudar substancialmente este Benfica, que é um Benfica que não ganha quanto devia ganhar, que não produz aquilo que devia produzir, que não tem a eficiência que devia ter. Portanto, a todos esses níveis tem que haver, de facto, uma intervenção, um trabalho muito profundo, muito grande, para que o Benfica que nós vamos ter daqui a quatro anos seja muito diferente daquele que temos hoje. Penso que, exceto o incumbente, as outras candidaturas revelaram precisamente isso nas suas propostas e naquilo que foram abordando durante esta campanha, foi precisamente essa necessidade de haver uma mudança significativa no Benfica que nós temos, para que ele daqui a quatro anos seja diferente. Em todas as áreas, enfim, já falaram aqui de várias. Eu entendo que Luís Filipe Vieira tem um projeto muito abrangente, que toca todas as áreas do Benfica, das modalidades à organização, à mística, à comunicação, ao marketing. Enfim, é um programa abrangente, que toca de facto nas diferentes vertentes do Benfica, da empresa Benfica, da instituição Benfica, daquilo que é o Benfica enquanto clube, enquanto instituição, enquanto empresa, enquanto local onde trabalham pessoas, onde os desportistas exercem a sua profissão, outros por lazer. Toda esta massa humana, todas estas vertentes têm que, de facto, levar uma intervenção significativa, relevante, para que daqui a quatro anos o Benfica seja diferente daquele que nós temos hoje, que seja, como já aqui foi dito, um Benfica mais ganhador, mais eficiente, mais pujante, mais afirmado no mundo, e que seja, como Luís Filipe Vieira disse, um Benfica hegemônico, que tenha essa capacidade de ganhar mais no mesmo tempo. E, portanto, espero eu, ganhando Luís Filipe Vieira, que daqui a quatro anos estejamos a falar de um Benfica diferente.

Eu vou fazer uma última pergunta a cada sobre um tópico muito específico, porque daqui a quatro anos vamos estar à beira do Mundial de 2030, que se vai realizar em Portugal. O Estádio da Luz é um dos estádios que está envolvido na organização dessa competição. E, portanto, Nazir Karmali, se daqui a quatro anos o Estádio da Luz estiver exatamente como está, isso é um problema na visão da candidatura que representa?

A visão do João é que o foco é em ganhar no campo, é ganhar desportivamente e ganhar com a formação. A prioridade, o João sempre o disse, a prioridade é o Seixal.

Muito bem, mas sobre este tópico.

Em termos de investimento nas infraestruturas. Em relação a este tópico, o que o João disse foi: a primeira coisa a fazer já é tratar da questão do safe standing, porque é uma questão imediata, que se resolve já metendo mais 5 mil lugares no estádio. A UEFA permite-o e tem que se sentar à mesa com o governo para desbloquear o problema da questão legal. E portanto, sim, 5 mil à partida garante-se já, muito rapidamente, sem problema, sem investimento. É só sentar à mesa com o governo e tentar alterar a lei. E a seguir, obviamente, tem que se olhar para os projetos que existem.

Muito bem.

E tem que se olhar para a situação financeira do clube e tomar opções. Sim, mas é possível e temos que olhar para o estádio e temos que ver o que é possível fazer até para o Mundial 2030 e não tanto para o Mundial 2030, mas porque nós estamos preocupados é com os red passes dos sócios. Portanto, o Mundial 2030 é uma candidatura nacional.

Estava a colocar isso como meta por causa do final do mandato.

Exatamente, certo. Mas o Mundial 2030 é uma candidatura nacional, sim, obviamente o Benfica faz parte dessa candidatura nacional, mas a prioridade do Benfica são os sócios. Portanto, nós estamos preocupados é com os red passes.

Muito bem. João Silva, qual é a sua opinião sobre isto? Se o estádio daqui a quatro anos não tiver nenhuma intervenção, isto é um problema?

Eu acho que claramente há um ponto que todos focamos, que é a necessidade de aumentar a capacidade do estádio. Eu acho que o João Noronha Lopes já falou, temos um plano para aumentar para 83 mil lugares o Estádio da Luz. Esse plano, obviamente, é faseado, mas faseado e queremos chegar a 2030 com essa capacidade no estádio.

Você está disponível a ouvir planos de outras candidaturas que foram apresentados também para valores semelhantes?

Estamos sempre disponíveis a ouvir planos de outras candidaturas, obviamente. O que é que também é a nossa opinião? É que o Estádio da Luz é local para os sócios E é um local para o desporto. Portanto, o que nós queremos é dinamizar toda a zona circundante do Estádio da Luz, a pensar nos sócios do clube, a pensar nos adeptos do clube, e não com projetos megalómanos, onde o próprio financiamento do projeto levanta muitas questões e nós acreditamos que não é esse o caminho.

Rogério Salero, o que perspectiva para o estádio daqui a quatro anos?

O Martim apresentou um projeto de aumento de 15 mil lugares no estádio. Foi feito em conjunto com uma das maiores empresas imobiliárias do mundo. O planeamento está feito, os custos, quer da parte de investimento, quer a parte de rentabilidade do próprio projeto está efetuado. É algo que em tudo aquilo que pensamos, tivemos sempre muito cuidado com investimento versus o payout do próprio investimento e também não darmos um passo mais largo que a própria perna. Mas este projeto dos 15 mil lugares é um projeto perfeitamente adaptável àquilo que existe, sem obrigar um investimento louco, é um investimento de 80 milhões, 90 milhões de euros, e que se consegue financiar relativamente bem e que vai ter um payout relativamente rápido.

Luís Pinto de Melo, qual é a sua opinião? Luís Filipe Vieira falou muito de infraestruturas durante esta campanha. O que perspectiva para daqui a quatro anos no Estádio da Luz e na sua envolvência?

A nossa perspectiva, a perspectiva do Luís Filipe Vieira, é precisamente conseguir fazer o investimento que o estádio precisa e que as instalações à sua volta estão neste momento a necessitar.

Mas não vencendo Luís Filipe Vieira, num cenário desses, o que é que gostaria que acontecesse ao estádio? Estou a fazer esta pergunta a todos enquanto benfiquistas, enquanto apoiantes de candidaturas, claro, mas que perspectiva para essa zona?

Eu perspetivo que esta zona seja potenciada e que a meta 2030 seja um horizonte que permita realmente a realização daquilo que interessa ao estádio, aos benfiquistas e, no fundo, a Lisboa e a Portugal. E que seja efetivamente uma meta, um marco que permita projetar uma obra que seja significativa nesse horizonte temporal e que consiga dar aos benfiquistas e a quem utiliza o estádio as condições de conforto, de eficiência, que permita realmente usufruir aquele espaço com outra qualidade, que neste momento não se tem. Teve, de facto, uma degradação que todos nós constatamos quando lá vamos e é necessário esse investimento. 2030 é, de facto, um marco importante e que permite, acho eu, alavancar vontades para conseguir esse objetivo.

Nuno Melo, a sua posição sobre este tema.

Até 2030 não é prioridade, portanto, prioridade é investimento na equipa, consolidação de procedimentos. Não parece responsável para quem entra de novo no Benfica, estar a ambicionar em dois, três anos preparar alguma coisa ou algum investimento que seja responsável e que seja ainda aprovado, porque não há nada aprovado, para estar pronto em 2030. Até por isso pensamos que não é oportuno estar a pensar. Já teria que ter sido pensado para em 2030 estar executado.

Muito bem, obrigado a todos por terem estado esta noite.

Obrigado.

Obrigado.

Obrigado.