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Rádio Observador, seja bem-vindo à Decisão Benfica. Decisão Benfica é o novo programa da Rádio Observador dedicado às eleições do Sport Lisboa e Benfica, agendadas para o dia 25 de outubro. Eu sou Miguel Cordeiro e ao longo das próximas semanas recebemos, aqui na Rádio Observador, as seis candidaturas que se apresentam a este ato eleitoral. Vamos debater os grandes temas em torno do Clube da Luz: finanças, modalidades, infraestruturas e futebol. A Rádio Observador convidou todos os candidatos a estarem presentes, sendo que abrimos também a hipótese de se fazerem representar por uma outra pessoa da lista. Na mesma mesa, queremos sentar as seis candidaturas à presidência do Sport Lisboa e Benfica. Vamos às apresentações. Neste primeiro episódio contamos com Martim Aier, lidera uma candidatura sob o lema Benfica no Sangue, tem 51 anos, é gestor. Cristóvão Carvalho, lidera uma candidatura sob o lema Pelo Benfica, tem 52 anos e é advogado. Também nesta mesa está Luís Pedro Duarte, é representante da candidatura de João Noronha Lopes, tem como lema O Benfica Acima de Tudo. João Noronha Lopes é gestor e tem 59 anos. Pedro Plácido Pereira é o representante da candidatura de João Diogo Mantegas, que tem como lema Benfica Vencerá. João Diogo Mantegas tem 42 anos e é advogado. Contamos ainda nesta edição com João Antunes, ainda não está presente, mas é representante da candidatura de Luís Filipe Vieira. A candidatura de Rui Costa não se fez representar neste debate. Eu reforço que todas as candidaturas foram convidadas, com o convite dirigido ao líder, mas com a possibilidade também de ser indicado um representante. Martim Aier, Cristóvão Carvalho, Pedro Plácido Pereira e Luís Pedro Duarte, bem-vindos à Rádio Observador. No programa de hoje vamos discutir finanças. Depois de um fim de semana em que se realizou uma assembleia geral em que os sócios chumbaram o relatório de contas do clube, falamos desse relatório e contas. Martim Aier, compreende que seja chumbado um relatório de contas que apresenta 40 milhões de euros de lucro, um dos melhores resultados de sempre da história do Benfica?
Obviamente que o momento por que estamos a atravessar, a um mês das eleições, não é inocente nesse chumbo. Infelizmente, tive que dizer ontem que acho que as assembleias gerais não representam o universo de sócios do Benfica e que estão muito direcionados. Mas eu penso que não é isso que viemos aqui debater e, portanto, olhando única e exclusivamente para os números, o que me parece é que tem que se olhar para o consolidado, para o consolidado daquilo que um presidente e um executivo fizeram durante quatro anos. E assim, de repente, relativamente à SAD, há consistentemente 70 milhões de euros de prejuízo para resolver por ano, se retirarmos da equação a venda dos jogadores de futebol, eminentemente os da formação, que são aqueles que nós não queremos vender. Portanto, independentemente de, de facto, este ano ter composto um bocadinho as coisas, no consolidado e nos quatro anos, fica muitíssimo aquém, porque não se esqueça de uma coisa: o Benfica é uma operação altamente viável, é o maior clube de Portugal. Faz mexer a economia do país.
E chumbar um relatório e contas não prejudica o clube?
Não percebi, desculpe.
Chumbar um relatório e contas com lucros desta dimensão não prejudica o clube?
Com certeza que prejudica, porque prejudica a unidade. Mostra divisão. Mas volto a dizer, estamos aqui para falar de números e eu penso que estarmos a um mês das eleições fez com que essa votação tivesse esse sentido. Não me revejo nisso.
Uma situação eleitoralista, neste caso, então.
Sim, eu não me revejo nisso, mas enfim, sinais dos tempos.
Cristóvão Carvalho, qual é a sua opinião sobre este chumbo do relatório e contas do Benfica?
Muito boa tarde.
Boa tarde.
A minha opinião não diverge do que o Martim acabou de dizer. Como benfiquista, não pode divergir. Ou seja, independentemente das críticas que possamos fazer ao relatório e contas, e teremos muitas a fazer, até porque não se pode analisar um ano só, porque nós sabemos que temos de analisar os últimos quatro anos. E se fizermos um combo dos quatro anos, os resultados serão negativos. Independentemente disso, os resultados foram positivos. E sendo resultados positivos, impelia, e eu fi-lo, votei favoravelmente. Por quê? Pelo Benfica. Obviamente, pelo Benfica. É importante os benfiquistas nesta altura perceberem e entenderem que o voto positivo iria claramente beneficiar o Sport Lisboa e Benfica. Nós estamos acima de interesses pessoais e estamos acima de interesses eleitoralistas. E não foi isso que aconteceu naquela assembleia, como sabemos hoje. Aquela assembleia esteve completamente enviada e os resultados que dali saíram foram um resultado que não foi pensar no Benfica e no positivo que seria para o Sport Lisboa e Benfica. E infelizmente, aconteceu o que aconteceu, como vocês todos sabem, mas não foi bom para o Benfica o que aconteceu e eu não perfilho desse chumbo.
Muito bem. Pedro Plácido Pereira, representante da candidatura de José Diogo Mantegas. O Benfica apresenta lucro, apresenta receitas recorde nas quotas, no merchandising, o passivo também diminuiu. Consegue apontar erros a nível de gestão financeira a esta atual direção do Benfica?
Antes de mais, boa tarde a todos. Quero agradecer o convite à Rádio Observador em nome da candidatura de João Diogo Mantegas, cumprimentar os meus colegas de painel. Respondendo à sua pergunta, eu, de facto, já há uma semana atrás, num podcast em que participei no domingo, tinha referido que não via, do ponto de vista económico, e cingindo apenas ao relatório e contas que estava em discussão, portanto, ao exercício económico 24/25, não veria nenhum motivo para não aprovar esse relatório e contas.
Eu acho que a análise e a avaliação do mandato, que é negativo, como já aqui foi referido pelo Martim e o Cristóvão, devem ser avaliados pelos sócios no dia 25 de outubro, na minha opinião.
Com certeza.
E não numa assembleia geral, na votação de um relatório.
Toda a razão.
Exatamente.
Só para perceber, quando dizemos, como repetiu, que concorda que não é positivo este mandato do Benfica, concorda que não é positivo a nível financeiro ou não é positivo no seu cômputo geral?
Nas duas vertentes mais importantes, financeira e desportiva, sem dúvida que não são positivos. Depois, obviamente, se entrássemos em detalhe no próprio relatório, veríamos.
Já entramos. Luís Pedro Duarte, João Noronha Lopes, o líder da candidatura que aqui representa, é um gestor. Ao olhar para este relatório e contas, que já detalhei aqui um pouco, há espaço para fazer melhor e compreende este chumbo?
Boa tarde a todos. Saudar também os representantes e os próprios candidatos das outras listas e muito obrigado também pelo convite, por estarmos aqui presentes. E lamentar também uma ausência, neste caso, de quem apresentou contas tão espetaculares, porque eu eventualmente era capaz de pensar que com contas tão espetaculares, a motivação para estar aqui presente seria grande e, portanto, até por aqui tenho alguma estranheza, porque nós estamos para debater o Benfica, nunca nos temos furtado ao debate em qualquer circunstância, estamos aqui todos outra vez e, portanto, eu acho que do ponto de vista da saúde democrática do clube, gostávamos de estar aqui todos, seguramente.
Sem qualquer desprimor por si, Pedro, tenho pena que o João não esteja e obviamente que o João Diogo também.
Com certeza. Nós somos uma equipe e sabemos representar devidamente a candidatura, portanto, acho que estamos todos à vontade para estar presente, aliás, penso que é o mais importante. Quem foi eleitoralista foi esta direção. Esta direção apresenta famosos ou não, ou famigerados resultados consolidados com lucros de 40 milhões, quando esse valor não está em nenhum relatório oficial do clube. Há um comunicado véspera da assembleia geral, com resultados consolidados. Sabe o que eu estou a dizer? Porque na assembleia geral, nós vemos resultados consolidados do clube e da SAD à volta dos 30 milhões. São apresentados 40 milhões de resultados consolidados. É sinal que o Benfica consolida contas, e ainda bem, mal seria do ponto de vista técnico, que são utilizados e justificados para pagar 50% de bónus aos funcionários. Isto é que é eleitoralismo.
Está a dizer que houve maquiagem das contas?
Não, não estou a dizer que houve maquiagem. Quando muito, pode haver alguma opacidade de contas que nós gostávamos de saber. Portanto, o que eu estou a querer dizer é, demos um passo atrás, faça a assembleia, já lá vou se quiser. Uma direção apresentar resultados consolidados para justificar 50% de um prêmio aos trabalhadores, que eu não digo que não mereçam, com certeza, mas se queremos falar de eleitoralismo, temos que começar por aí. Depois, é inevitável que isto seja uma análise também do mandato, e já foi dito. Isto parece outra vez um em quatro. Portanto, em quatro anos temos um relatório e contas que é bom. Em quatro campeonatos, ganhamos um. E portanto, um em quatro, para nós não nos serve. Eu sou o sócio 5346. Tenho mais de 50 anos de sócio. Eu habitualmente vejo o Benfica ganhar. Portanto, eu sei bem o que é nós ganharmos e não é uma vez em quatro. E portanto, acho que não serve e acho que é inevitável essa análise dos sócios. Nós não nos podemos queixar das assembleias gerais, porque as assembleias gerais são instrumentos democráticos. Eu sei que alguém se queixava, que não está aqui representado agora, que havia democracia a mais no Benfica. Nunca haverá democracia a mais no Benfica.
Mas você acha que esta assembleia geral não teve problemas relacionados com a democracia e o espírito democrático?
Não, com certeza que não, nem nunca isso acho que nunca seja problema. E deixa-me só terminar.
Com certeza que teve, peço imensa desculpa, mas com certeza que teve, isso aqui não passa. Vimos aqui discutir números, mas não é assim. A assembleia geral é dominada por duas candidaturas e eu direi isso em todos os sítios onde for.
Já vamos ouvir, então.
Eu só estava a aguardar era se estava a falar na assembleia geral de onde eu não estava a contemporizar lá um bocadinho, porque me parece que estará a falar noutra assembleia geral que não aquela que aconteceu há dois dias.
Seguramente.
Já não foi só uma falha das assembleias gerais, já podemos ir a esse assunto.
Luís Pedro Duarte.
Se os resultados fossem espetaculares, nós não tínhamos tido só quatro milhões de lucro corrente. Quer dizer, então, foi tão espetacular. Então, um ano tão espetacular, tivemos que vender o João Neves? Se os resultados fossem espetaculares, a dívida líquida não tinha só diminuído cinco milhões. Nós temos, como nunca, reportado a 30 de junho de 2025, o maior saldo que alguma vez tivemos entre dívidas que temos que pagar a fornecedores e o dinheiro que temos que receber dos recebimentos correntes.
Portanto, aquilo que se espera que aconteça no futuro.
Acho que há muitas preocupações. Acho que é normal que este relatório possa ter sido chumbado dentro também de um ato de cidadania e de análise dos sócios.
Tu também não vê eleitoralismo nesse chumbo?
Ó Miguel, já foi também o tempo onde as pessoas assinavam estas coisas de cruz e não havia o sentido crítico que nós hoje em dia temos que ter, principalmente nesta fase de mudança de ciclo. A herança, seja para quem for, é uma herança que revela preocupações com estes números que às vezes temos que lhes estou aqui a dar.
Vamos ouvir as restantes candidaturas sobre esta questão de houve ou não problemas com a democracia do Benfica durante esta assembleia geral. Martim Maior estava a contestar o que estava a dizer Luís Pedro Duarte.
Eu obviamente que constato que o que quer que a direção do Benfica faça é por duas candidaturas contradito. Portanto, se a direção diz sim, estas duas candidaturas dizem não e se a direção diz não, estas duas candidaturas dizem sim. Noronha Lopes e João Diogo Mantegas estão nas assembleias gerais para destruir e não lhes interessa Os interesses do Benfica. Interessa-lhes os seus próprios interesses.
Mas onde é que vai encontrar fundamentos para explicar essa acusação que está a fazer?
Basta ver como é que as pessoas se comportam na assembleia geral. Basta ver, por exemplo, que numa matéria tão sensível e tão importante para a democracia no Benfica, que temos o diretor das casas dos Estados Unidos e do Canadá a pedir, sem direcionamento, que o voto seja universal e que os candidatos se esforcem por encontrar um formato em que permitam a estes sócios que vivem nestas localizações votar e que não só não consegue chegar ao fim da sua intervenção, como é vaiado por um conjunto de pessoas agrupadas em torno destas duas candidaturas, cada um com as suas, e não sendo isso suficiente, termina a sua intervenção incompleta e é vaiado e chamam-lhe nomes até ao momento em que chega ao seu lugar. Isto é inaceitável e isto não é democrático, tenha paciência, fica bem visível. Eu que sou contra expor o Benfica na praça pública, senti-me obrigado a fazê-lo para informar os restantes sócios. Estão lá 800 ou 1000 sócios. Nós temos 400 mil sócios e eu sei que ninguém se revê naquilo. Mas deixe-me dizer o seguinte, Miguel: há seis candidatos naquela assembleia geral e as primeiras pessoas que são responsáveis por proteger a democracia no Benfica são estes seis candidatos. E, portanto, quando eu vejo que há dois candidatos que fazem exatamente o contrário, que são eles que são antidemocráticos, eu não gosto e tenho que denunciar, não há outra hipótese.
Cristovão Carvalho, qual é a sua posição sobre aquilo que aconteceu este fim de semana?
Foi um dia manifestamente infeliz para todos os benfiquistas e onde a democracia ficou fora daquele pavilhão. Torna-se óbvio e evidente. Ou seja, há efetivamente duas candidaturas que estão perfeitamente alinhadas e que só perfilham de uma verdade, que é: respeitam quem perfilha das suas ideias, abominam quem é contrário às suas ideias. Mas abominar numa assembleia geral com insultos, não permitindo falar, pressão, condicionamento e prepararem-se previamente para que abandonem a assembleia geral.
Mas vê falta de democracia, de capacidade democrática em abandonar uma assembleia geral?
Claro, não.
Vimos acontecer recentemente nas Nações Unidas.
Não. Vamos lá ver. Quem abandonar uma assembleia geral, todo o sócio tem direito. Levanta-se da sua cadeira ordeiramente e sai do pavilhão. Mas não foi isso que aconteceu. Levantaram-se das suas cadeiras, colocaram-se na parte traseira do pavilhão a entoar cânticos e insultos. E isso é outra coisa, isso é que é falta de democracia. E depois colocam-se como se nada disso os molhe, a água absolutamente fora do capote. Não é verdade, isto não pode voltar a acontecer dentro do Sport Lisboa e Benfica.
Pedro Plácido Pereira, já ajustámos aqui também acusações à candidatura José Diogo Mantegas em torno daquilo que aconteceu este fim de semana na assembleia geral. Quer deixar alguma resposta àquilo que eu disse?
Eu queria só dizer que eu, por motivos de doença, não pude estar presente.
Está melhor?
Estou.
Ainda bem.
Obrigado. Acho que os candidatos ontem tiveram a oportunidade de se pronunciar nos meios de comunicação e houve a oportunidade.
Houve comunicados.
Houve comunicados, inclusive. Eu acho que independentemente da opinião de todos os candidatos, a minha opinião, eu acho que dei até aqui na minha primeira intervenção, seria votar favoravelmente ao relatório e contas, porque não veria motivo do ponto de vista económico para o chumbar. Portanto, a democracia foi aquela de quem os sócios são soberanos, os seus votos são soberanos e aqueles que lá tiveram na assembleia votaram contra o relatório e contas e contra o regulamento eleitoral. Como eu já disse, eu próprio votaria a favor.
O João pediu a votação de chumbo do orçamento.
Cristovão, isso tem que perguntar ao João Diogo Mantegas, eu estou lhe a dizer a minha opinião. A mim não pediu nunca, nós sempre fomos livres no sentido de voto nesta candidatura. Portanto, o que eu lhe posso dizer é isto mesmo. No orçamento também o meu voto não foi desfavorável, porque eu acho que não se pode confundir as coisas, é a minha opinião.
Muito bem, Pedro. Já vamos daqui a pouco ouvir o João Tunas, que já está conosco em estúdio. Bem-vindo. Vou terminar esta ronda com o Espinho Duarte, porque já tivemos aqui outras acusações e permitir que responda.
Pois, eu queria ser muito claro, tal e qual o próprio doutor João Noranha Lopes ontem foi e para não dar espaço a equívoco, nem creio que valha a pena nós estarmos aqui a iniciar acusações desta forma de parte a parte.
Porque devíamos discutir contas. Vamos fazê-las.
O doutor está a ganhar e não estamos a discutir as contas, mas o Miguel está dirigido aqui.
Houve acusações e estou a permitir essa resposta.
O doutor João Noranha Lopes ontem foi muito claro em três coisas. Primeiro, todos os sócios, independentemente do seu passado ou discordarmos ou não, têm direito a falar na assembleia geral. Número um. Ele foi muito claro sobre isso e obviamente eu partilho inteiramente isso. Segundo, ninguém levantou, ninguém saiu da sala, nem ninguém saiu do seu lugar, da candidatura daquilo que é conhecido o doutor João Noranha Lopes, muito menos o próprio, que tal e qual ontem disse na televisão, em direto, mesmo tendo sido solicitado ou convidado a fazer o mesmo, ele recusou terminantemente fazê-lo.
Primeiro foi perguntar à sua equipa, depois voltou com a...
Miguel, eu tenho conseguido acabar as frases.
Eu acho que eu posso, eu estava presente. Também estamos com pouco tempo, vamos ter mais tempo na segunda parte.
Estávamos todos presentes. E depois, se queremos falar de combate democrático em 2020
Nós já estávamos a debater com o presidente na altura, Vieira, com um candidato que agora é candidato e vai presidente, que na altura estava protegido, estava embaixo do presidente Vieira. Nós desde 2020 que andamos no combate eleitoral a debater ideias pelo Benfica. Portanto, temos um bocado de dificuldade em aceitar lições e acusações que agora aproveita uma assembleia-geral para fazer.
Pedro Bássio Pereira. Vamos ouvir também João Antunes, bem-vindo a este debate, acho que ligeiramente atrasado. É representante da candidatura de Luís Filipe Vieira. Perguntar-lhe o mesmo que perguntei aos restantes participantes: encontra razões para chumbar este relatório e contas e se tem alguma análise àquilo que aconteceu nesta assembleia-geral deste fim de semana.
Muito obrigado, boa tarde. Eu peço desculpa por ter chegado atrasado, mas disseram-me que isto começava às 15h e foi esse o motivo. Por acaso estava aqui perto e consegui estar aqui rapidamente, mas eu invertia a ordem das respostas, a ordem da pergunta. Infelizmente, aquilo que se passou no sábado foi mais um momento infeliz do Sport Lisboa e Benfica e deixa-nos a todos bastante desanimados e tristes por perceber que se nós não conseguirmos inverter aquela lógica de assembleias, o futuro do Benfica está posto em causa do ponto de vista da sua democraticidade. Ou nós temos a capacidade de alterar alguma coisa ao nível daquelas assembleias, ou fica muito claro que dificilmente a governabilidade do Benfica fica tranquila. E o Benfica precisa de tranquilidade, independentemente de quem seja o presidente. E, portanto, o apelo que eu faço é que as candidaturas tenham a capacidade de entender que aquelas assembleias têm que mudar, e têm que mudar radicalmente o formato, porque aquele formato dificilmente vai servir para o futuro. Portanto, foi um dia muito triste para o Benfica. Relativamente às contas, eu diria que há dois pontos de análise relativamente àquelas contas. Aquelas contas devem ser aprovadas se nós olharmos só para o ano em questão, aquelas contas devem ser chumbadas se nós fizermos um raciocínio de acumulado dos quatro anos. Porque as contas são daquele exercício, portanto, formalmente, nós devíamos só estar a apreciar aquele exercício. Tendo em conta o ato eleitoral, nós temos que fazer um raciocínio de acumulado, porque os ativos e os passivos, o balanço, é uma consequência, uma fotografia de vários anos. Portanto, é consequência, estão ali registados vários anos de mandato e a parte do balanço, não tenho dúvidas nenhumas, que deve ser analisada pelos quatro anos. A parte da demonstração de resultados deve ser analisada pelo ano em questão, independentemente do ano em questão e do resultado positivo ter indicadores que são preocupantes.
Muito bem. E vamos falar na segunda parte daquilo que temos pela frente, o que estes relatórios de contas ditam do Benfica para o futuro, os compromissos que tem para o futuro e também aquilo que, com o investimento que o Benfica fez durante este mandato, deu em resultados desportivos. Já voltamos para a segunda parte desta Decisão Benfica. Segunda parte da Decisão Benfica, o novo programa da Rádio Observador dedicado às eleições do Sport Lisboa e Benfica. Estamos a escutar cinco candidatos, representantes de candidatos. Recordo que a candidatura de Rui Costa não quis estar presente neste debate promovido pela Rádio Observador. Vamos seguir com a análise às finanças do Benfica. Luís Pedro Duarte, representante de João Noronha Lopes. O Benfica é o clube mais despesista em Portugal, no futebol, nas modalidades, há ainda o projeto olímpico, mas não é o que ganha mais em todas estas áreas, principalmente no futebol, nos últimos anos, neste mandato, nem nas modalidades. Há má gestão do investimento que está a ser feito?
Há má gestão do investimento que está a ser feito. Não tem faltado meios ao Benfica em termos de investimento, e nós vimos isso cada ano que passa. Só neste mandato Rui Costa, foram comprados jogadores no valor de 470 milhões, incluindo 46 milhões de comissões. Repito, 470 milhões. Eu acho que de uma forma geral, entre os benfiquistas, nós no fim do dia também somos todos adeptos, também vimos o jogo da bancada. Ninguém se queixa muito, não nos temos queixado muito da falta de qualidade dos plantéis. O que falta é gestão, o que falta é liderança, o que falta é visão e uma equipa que seja capaz de concretizar estes investimentos. Este é um problema, de facto. Até porque, como nós vemos pelas contas, que também já falámos um bocadinho. Nós em termos correntes só tivemos 4 milhões. Os resultados vêm da venda de jogadores. Mas a gestão e a liderança não se vê na venda de jogadores, porque vender o João Neves, quem é que nós não era capaz de vender o João Neves? Todos conseguimos vender o João Neves, vender jogadores, ter resultados à custa da venda dos jogadores, não é assim que se define a gestão de um clube. A gestão de um clube define-se, por exemplo, onde é que a sua direção e a sua gestão têm capacidade de intervir. Nos custos, por exemplo, os FSE não param de aumentar, é um descontrole. Nós estamos a gastar entre o clube e a SAD. Este ano totalizamos 100 milhões
O passivo do clube e da SAD em conjunto aumentou no mandato 100 milhões. Portanto, isto é tudo 100. E também estamos sem títulos neste caso.
Desculpe, eu acho que a pergunta era para as modalidades. Esses números são das modalidades?
É nas duas, futebol e modalidades.
Olha, Martín, não estejas preocupado, está sempre a mudar aquilo que eu estou a dizer. Deixa o Almeidão fazer a sua intervenção.
Não, eu estava a querer seguir o raciocínio, não estava a conseguir.
Eu queria perceber, ganhando as eleições, Júnior Rui Lopes vai cortar essas despesas todas no clube? Vai haver alguma decisão? Há uma prioridade?
Eu acho que vão existir três prioridades, claramente. Primeiro, é um plano estratégico a 10 anos, que é uma coisa que falta ao Benfica. Quer dizer, até a própria formulação da nossa dívida tem que acompanhar isso. Nós vivemos de sucessivos empréstimos obrigacionistas a cada quatro anos, que parece uma espécie de uma renovação de uma conta corrente, e nós não percebemos se empréstimos de quatro anos são para financiar tesouraria de curto prazo ou são para financiar investimentos estratégicos. Investimentos estratégicos que não são de certeza absoluta, porque isso é muito óbvio. Quer dizer, até cá em Portugal, já não preciso de Austin, há clubes nesta altura a contraírem empréstimos a 25 anos, por exemplo, para financiar coisas de longo prazo. E isso nós teremos que pensar seguramente, avançando com a ideia de remodelar o estádio e de ampliar a sua capacidade, de investir na marca a nível internacional e de modernizar tecnologicamente o clube. É evidente que temos que cortar custos. Eu não acredito que os FSEs continuem eternamente a crescer. Nós temos que cortar nos trabalhos especializados e vamos cortar seguramente na manutenção do estádio, porque o projeto de remodelação do estádio vai permitir-me passar a poupar custos de manutenção.
João Antunes, Luís Filipe Vieira tem dito que esta direção prejudicou, deitou ao lixo parte do trabalho que tinha sido feito por Luís Filipe Vieira. Vê isso acontecer também na contabilidade do clube, dado aquilo que já referiu, o Benfica continuar a ser um clube despesista, mas com menos títulos neste mandato?
Claramente, não há muitas dúvidas sobre esse tema, porque acho que há aqui dois momentos muito importantes. Do ponto de vista das contas, atenção, a sustentabilidade do Benfica, o Benfica não pode deixar de vender jogadores. O seu core business é futebol e, portanto, o seu core business principal é futebol.
Nas modalidades, a situação não é muito melhor a nível de títulos e de investimento.
Certo. Não, mas eu ia lá chegar. Portanto, vamos lá ver. Também não podemos diabolizar a venda de jogadores. Quer dizer, a venda de jogadores vai continuar a acontecer. Tem é que ser racionalmente por trás de uma estratégia à volta dessa racionalidade de comprar e de vender jogadores. Portanto, não vamos deixar de, e sempre foi assim no passado, de comprar e de vender.
Não houve irracionalidade na venda de nenhum jogador ou na compra de algum jogador?
Não, bastante. Não era aí que eu queria chegar. O que eu queria chegar é que o seguinte: a sustentabilidade do Benfica e a parte financeira do Benfica serve o propósito de ganhar títulos. E, portanto, a partir daí, nós temos que trabalhar toda a parte de sustentabilidade e temos sucesso ou insucesso em função dos resultados. Como há bocado estavam aqui em off a falar, os dividendos do Benfica são títulos. O core business do Benfica são títulos. O Benfica tem que ser campeão, ponto final, parágrafo. E tem que ser com regularidade, ponto final, parágrafo. Se nós repararmos, nos anos em que Luís Filipe Vieira foi presidente, ele conseguiu inverter toda a tendência económica do Benfica a partir do momento que se estruturou e ganhou títulos. E, portanto, teve uma estratégia, à data, era a mais adequada. Hoje, se calhar, já não tem que ser a mesma estratégia, terá que ser outra adequada aos tempos de hoje, mas depois o Benfica, antes do Covid, tinha uma situação financeira. Aliás, se não fosse essa situação financeira, eu tenho muitas dúvidas como é que nós hoje estaríamos perante o insucesso desportivo que nós estamos a ter. Mesmo com a derrapagem que houve de receitas no ano do Covid, permitiu a esta direção, mesmo sem estratégia, de fazer um desenvolvimento da sua atividade em que o Benfica não tem rácios piores, porque tinha uma base de sustentação de anos anteriores que lhe permitiu estar hoje minimamente capaz dos desafios. Agora, se continuar nesta trajetória, nem títulos, nem contas, e menos Benfica.
Cristovão Carvalho, que análise faz daquilo que é este rácio investimento-títulos, investimento-dividendos, dizendo dividendos-títulos, utilizando esta expressão. Acredito que seja da opinião de que há espaço para fazer muito melhor, por onde é que começaria?
Deixe-me só andar um pouquinho atrás, porque é importante para o tema que estamos aqui a debater hoje. E este debates agora é o primeiro debate onde eu participo e realmente ouvimos aqui coisas que mesmo nós, candidatos, não ouvimos. Eu ouvi aqui agora dizer, da parte da candidatura do Nuno Lopes, tem um plano estratégico a 10 anos. Eu não tinha ouvido isso. Por quê? Porque então começando a falar disto, é que estamos a falar, na realidade, do problema financeiro do Benfica. Eu apresento um projeto para o Benfica há 12 anos. Nunca apresentei um projeto a quatro anos, apresento um projeto a 12 anos. E esse projeto não é só desportivo, como é financeiro a 12 anos. Só que eu gostava de ouvir das outras candidaturas que me respondessem a uma questão. É que andamos todos aqui à volta, sem falar naquilo que é verdadeiramente importante. Eu fui o único candidato que falei sobre isso e apresentei uma solução sobre isso, sobre as contas do Benfica. Todos nós que estamos aqui nesta sala e todos os candidatos sabem quais são os problemas do Benfica. As nossas equipas já nos explicaram quais são os problemas do Benfica. Sabemos que, efetivamente, o Benfica tem muita atração financeira, pode ter muito mais atração financeira, pode aumentar muito mais as suas vendas, pode diminuir as suas receitas. Estamos todos certos sobre isso, com mais ou menos jeito, mais ou menos arte. Mas só uma questão que é muito importante: esta venda extraordinária de jogadores. Não é o que o João Antunes disse aqui, o Benfica claramente tem que comprar e vender jogadores. Não é isso. É a dependência fundamental do Sport Lisboa e Benfica, da venda extraordinária de jogadores para poder acertar as suas contas.
Acha que isso vai ter de acontecer no final desta temporada, dado o relatório e contas que foi apresentado?
Se for qualquer um dos candidatos, sim Se for eu, não.
Como é que faz isso?
Já vou explicar porquê. Nenhum candidato tem a solução e apresenta neste momento a solução para isso, que é: quando chegarmos à presidência do Sport Lisboa e Benfica, todos nós sabemos, e agora viemos a saber, achávamos que era cerca de 80 a 90 milhões de déficit anual do Benfica, chegamos agora a saber que são 100 milhões. Há um déficit de 100 milhões do Benfica todos os anos, por isso é que há venda extraordinária de jogadores.
A quatro anos são 280 milhões.
Pronto. Como é que os candidatos vão resolver-
E eu conheço esse número, por acaso.
Eu fiz as minhas contas. Eu posso dizer que este número já está um bocadinho maior. Mas vamos partir do pressuposto que são 100 milhões. Eu fiz as minhas contas a 100 milhões. E o que é que eu fiz antes de me candidatar a presidente? Fui encontrar a solução financeira para isso. E encontrei a solução financeira para isso, que é uma linha de crédito de 400 milhões de euros para o primeiro mandato, a 100 milhões por cada ano, a uma taxa de juro inferior a 3%. Por quê? Porque se quem chegar ao Benfica não tiver uma solução destas para poder fazer o quê? Pensar então como é que reduz os FSEs, como é que aumenta as suas receitas, como é que potencializa a marca, como é que negocia o naming, como é que negocia os patrocínios, vai estar sistematicamente preocupado em encontrar os 100 milhões. Deixa-me só terminar. E o que é que vai acabar por acontecer no final do mandato? Venda extraordinária dos jogadores. É esse binômio que tem de ser interrompido. Se ele não for interrompido, o Benfica não vai voltar a ganhar. E eu sou o único candidato que tem essa solução para apresentar no dia em que ganhar as eleições ao Sport Lisboa e Benfica.
Pedro Plácido Pereira, representante da candidatura de José Diogo Mantegas, por onde é que começaria?
É João Diogo, desculpe lá.
João Diogo Mantegas, peço desculpa. Eu é que peço desculpa. João Diogo Mantegas começaria por onde, ao vencer as eleições, para resolver problemas que aqui têm sido identificados?
Sim, a nossa estratégia, o Cristóvão estava a dizer que não temos estratégia há mais de quatro anos, não é verdade. Aliás, as contas que temos feito são sempre um horizonte de perto de 10 anos. Portanto, a nossa estratégia passa por primeiro equilibrar, do ponto de vista operacional, a atividade do Benfica. Ela é deficitária anualmente. Tem sido no mandato desta direção. Há um conjunto de medidas que nós acreditamos que resultarão desse conjunto de medidas, uma redução de entre 10% a 20% dos custos operacionais. O Benfica tem que captar novas receitas. Há uma crítica, por exemplo, o naming do estádio. Fala-se muito, o Benfica está a perder dinheiro. E o naming do estádio tem impacto indireto sobre outro tipo de receitas indiretas, nomeadamente o merchandising, nomeadamente a bilhética, nomeadamente os próprios patrocínios. Eu considero vergonhoso, quase.
Tem que haver vergonha desses adeptos que o naming do estádio é algo que deva mesmo ser-
Mas isso coloca-se. Temos é que fazer trabalho e ir à procura de um parceiro interessado. E depois coloca-se, no fundo, a decisão dos sócios do Benfica. Agora o Benfica está a perder dinheiro.
Mas o Benfica já tentou fazer o naming do estádio.
Não sei se tentou ou não. Mas acha que o valor não é correto? Estamos sempre à espera do número correto.
É óbvio que o valor não é correto, mas é impossível que o valor não seja correto, porque se o parceiro que vai negociar o naming sabe que o Benfica precisa de dificuldades, nunca vai oferecer esse valor. Se não colocarmos lá dinheiro vivo dentro do Benfica para estancar aquela hemorragia, não vamos conseguir fazer uma negociação.
Cristóvão, ainda quero ouvir o Martim sobre esta questão.
Aí discordo consigo. As modalidades é o melhor exemplo.
Eu peço encarecidamente que me deixe falar.
Vou deixar falar, claro.
Por favor.
Com certeza.
Vou ser rápido. Aí discordo consigo. Um exemplo prático é as modalidades. O que o Benfica tem feito mais é colocar lá dinheiro e, na realidade, os resultados desportivos não seguem. Agora, há uma coisa que é certa, o Benfica tem que fazer, é verdade, algum trabalho na parte, peço desculpa, não sei se foi o João que disse, mas na parte da vertente financeira, o Cristóvão também tem falado nisso, que no fundo o Benfica tem que, até foi o Luís Pedro, peço desculpa, tem que acabar com estes empréstimos obrigacionistas de curto prazo, porque isso faz uma pressão enorme sobre a tesouraria anual do clube, bem como o peso dos custos com juros de financiamento anualmente. Se os outros clubes conseguem fazer, nós também temos que conseguir, tendo em conta a dimensão e grandeza do Benfica.
Tenho que ouvir o Martim Mayer, só para perceber, estava a tentar corrigir alguma das informações que estavam aqui a deixar.
Não, eu não quero fazer de moderador, com o cálculo do Miguel sempre, só para termos aqui os tempos equitativos. Estávamos a ficar com um debate a dois, quando estamos aqui cinco.
Não estou a tentar promover um debate a dois, acho que todos estão a tentar colocar a sua opinião. Martim Mayer, começaria por onde? Problemas financeiros do Benfica. Que diagnóstico é que faz da situação atual? O que é que seria mais urgente?
Eu ouvi aqui os vários candidatos e, Cristóvão, tenho que dizer que aquilo que propões é uma forma de resolver a tesouraria, não é uma forma sustentada de resolver economicamente o Benfica. Pois ouvi falar de alguns conceitos econômicos que invariavelmente não explicam o como. Falam de aumentar receitas, falam de pôr a dívida a mais longo prazo, falam de reduzir custos. Mas eu pergunto: como? Os sócios querem saber é como.
É assim que se faz nas empresas hoje em dia.
E eu vou dizer como é que eu vou fazer, porque sou o único que diz como é que vai fazer. E eu vou dizer como é que eu vou fazer. Nós temos 70 milhões de euros para resolver de prejuízo por ano. E como é que se resolvem estes 70 milhões de euros? Do lado dos custos, reduzindo 20%, já está identificado como é que isto se faz no lado dos custos, com o Instituto Kaizen, com quem eu já ando a trabalhar há alguns meses, sabe exatamente onde é que se resolve, destes 162 milhões de euros de custos que o Benfica tem na SAD, como é que se resolve 20% de eficiência que dão 32 milhões de euros. Em cima disso, o nosso programa Benfica Global, logo para começar, cartão de sócio Benfica Moçambique, cartão de sócio Benfica Angola, vamos conseguir, através das operações nesses países, ao fim do segundo ano, ir buscar 15 milhões de dólares a cada um destes países. São mais 30 milhões de dólares. Vamos equivaler euro a dólar, não é exatamente igual, mas para já serve. Em cima disso, ouvi falar do projeto do Estádio João de Noronha Lopes, que vai gerar mais receitas. Qual projeto?
Eu tenho um projeto com a Richard Elle e fui o primeiro a apresentá-lo. Digo exatamente como é que vou aumentar 15 mil lugares e qual é que é a receita que ele vai ter.
Muito bem. Nós vamos falar em fecho de dois num debate aqui na Rádio Observador, vamos deixar para esse dia.
E também a receita, isto vai gerar 33 milhões de euros por ano.
Mas isso não é imediato.
Não, numa obra que demora 24 a 36 meses. Mas deixe-me falar. Ao fim de dois a três anos, começamos a ter mais 33 milhões de euros de receita, com o financiamento dedicado para isto, que exige uma amortização de 12 milhões de euros ao ano, ou seja, liberta 21 milhões de euros por ano. Portanto, 32 do Kaizen, mais 30 do Benfica Global, mais 21 do estádio, está resolvido o déficit económico do Benfica. O que é que a partir daí podemos fazer?
Martim, em quantos anos vais fazer isso?
E pegando no que o João Antunes disse.
Martim, em quantos anos vais fazer isso?
E pegando no que o João Antunes disse.
Quantos anos vais fazer isso?
Um a dois anos está tudo feito.
Martim, acredita mesmo que conseguimos enfiar 15 milhões a um país como Angola em três anos? Por amor de Deus.
Isto não é para ser uma empresa que dá dividendos aos sócios em dinheiro. Os dividendos são títulos. E para podermos ter a melhor prática desportiva, para sermos livres de manter o nosso talento, não temos que andar atrás do prejuízo. Temos que estar equilibrados e com isso poderemos reter talento.
Muito bem, eu tenho uma última questão, quero fazer uma ronda muito rápida, 45 segundos a cada um, sei que vai ser difícil, sobre aquilo que é o custo para os sócios do Benfica. Bilhetes, red passe, algo que tem aumentado durante os últimos anos. João Antunes, o Benfica está a pedir demasiado aos sócios para irem ao futebol?
Só esse tema merecia um debate da bilética.
Ou dois.
Ou dois.
Mas vai me permitir que eu diga só uma coisa sobre o tema anterior?
Diga, sim.
Parece-me importante. Uma das razões porque eu apoio Luís Filipe Vieira é porque ele conseguiu provar que é possível encontrar o binômio títulos com saúde financeira. E esse equilíbrio, ele não precisa demonstrar. É aquele corredor de automóveis que chega a uma pista e conhece o carro, conhece a pista e vai ganhar essa corrida. Deixe-me só dar nota do seguinte, porque eu acho que há aqui boas ideias que têm que ser aproveitadas.
Tem que ser rapidamente, João.
Vou ser muito rápido. Os 400 milhões, sejam 400, sejam 200, o candidato que eu defendo ontem apresentou que tem uma linha de 200 milhões para poder fazer face a este problema e, portanto, se for 400, melhor ainda, porque dá mais espaço para realizar e para ir ao encontro disso. E deixe-me dar nota do seguinte, porque acho que nós temos que ser sérios e profissionais. Esta ideia do Kaizen, do Martin, é uma ideia que eu acho fantástica, porque isto equilibra e tem boas práticas de gestão e de controle de custos. E, portanto, o Benfica tem que saber aproveitar os profissionais que estão aqui e as pessoas que são do Benfica.
Aproveitar as ideias.
E as ideias boas para o Benfica. E não há aqui benfiquistas que querem o mal do Benfica.
Sim, as ideias não são nossas, são do Benfica.
Não são do Benfica e, portanto, todos nós temos que valorizar essas ideias e aproveitá-las. Se há um candidato que tem 400 milhões, muito bem. Relativamente à bilética. O red passe. Vamos lá ver uma coisa. O Benfica está, mais uma vez, numa posição que tem um bom problema entre mãos.
Que é a procura.
Que tem uma procura superior à capacidade de oferta. Portanto, quem dera a muitos clubes ter esse problema. Nós temos um bom problema para resolver. Saibamos nós encontrar as soluções certas para cada momento, nós temos essa capacidade. Agora, como é que se resolve um problema? Nós não conseguimos desmultiplicar. Agora, quando se fala amanhã de poder fazer um estádio novo, nós não podemos ser, se fôssemos velhos do Restelo, nunca tínhamos passado para a luz e nós jogávamos no Lumiar ou nas Amoreiras, em campos emprestados. E nós fomos afoitos e fomos para a luz. Portanto, nós temos que olhar para o futuro com confiança e temos que ter capacidade de inovar para poder resolver problemas graves.
Muito bem, João. Martim, o Benfica cobra demasiado aos seus sócios?
É uma realidade do setor. Cada vez mais os adeptos têm que pagar mais para ir aos estádios. Obviamente, a primeira forma de resolver isso no Benfica é aumentar o estádio. 24 a 36 meses é o que eu irei demorar a aumentar o estádio, aliviar os 23 mil red passes em lista de espera para passarem a ser oito. Portanto, com isso, vou trazer cerca de 7 mil novos red passes abaixo dos 300 €. E com isso, obviamente, ir ao encontro de uma coisa que me fala muito ao coração, que é saber que há sócios que querem ter red passe e ver os jogos no estádio e que há muito tempo não conseguem. E se não for feito nada, vai piorar esta situação. O Benfica é muito grande, como nós sabemos. Viva o Benfica.
Pedro Placeiro Pereira, sua opinião sobre aquilo que custa ir ao futebol.
Luís Pedro Duarte, acho eu.
Despeço, desculpa. Luís Pedro Duarte. Já estava a trocar os nomes. Luís Pedro Duarte, sim.
Não se engana ao estar.
Nós sobre isso somos muito claros. Nós somos um clube do povo, nós somos um clube e seremos, espero eu, uma direção que defende que o clube deve continuar nas mãos dos sócios e nós não podemos continuar a sobrecarregar os sócios com custos, porque nós não queremos tornar isto num clube elitista.
Mas vai baixar preços?
Nós já anunciamos que não vamos, durante o mandato, aumentar o preço dos red passe. Isto tem um racional por trás.
Muito bem. Isso é igual aos bónus do Rui Costa.
10% do aumento do red passe seria uma percentagem ínfima no aumento das receitas. Ou nós vamos fazer, Miguel, deixa-me 30 segundos, uma experiência que obviamente todos nós, pela nossa vida profissional, podemos trazer. Eu fui consultor durante 30 anos, eu saberei fazer redução de custos com muita tranquilidade, nem preciso de recorrer a empresas externas, é na internacionalização da marca. O Benfica tem um déficit de presença internacional, tem um potencial como marca global quer nos canais digitais, quer nos canais físicos, que é uma marca subaproveitada.
Não diga que agora também vou limitar isso. Ouça, tenha paciência, fui eu que falei disso pela primeira vez. Não se vai apropriar dessa ideia. Tenha imensa paciência.
Martim, vamos ter tempo para os próximos debates.
Essa parte de bosta é minha, mas eu respondo como é que isso se faz.
Martim, vamos ter tempo nos próximos debates.
Diga aos seus amigos para serem assim na assembleia geral, que era bom.
Martim, eu dispenso essas lições. Essa é uma alavanca.
Não lhe estou a dar uma lição.
Essa é uma lição que nós vemos depois.
Debater consigo é mais difícil do que o João.
Martim, só para terminar o debate. Luís Pedro.
Quero ver essa alavanca em debate.
Essa é uma alavanca que nós pretendemos utilizar, também obviamente tendo muito em conta aquilo que foi a experiência e o percurso profissional do próprio Dr. Norinha Lopes dentro da gestão de marcas.
E é gestor de profissão. Próxima resposta, Pedro Plácido Pereira, agora sim.
Tenha paciência, não se vai apropriar das minhas ideias.
Há espaço para baixar preços nos bilhetes do Benfica e no Red Pass?
Eu acho que é uma tendência, como já aqui foi dito, pagar-se cada vez mais para ir ao futebol. O candidato João Diogo Manteiga já, em diversos fóruns, transmitiu a sua opinião. Do ponto de vista moral, entendemos que não é legítimo, e apenas do ponto de vista moral, como é óbvio, não é legítimo aumentar preços de Red Pass ou bilhetes quando o Benfica perde campeonatos. Portanto, na realidade, faz sentido acompanhar a evolução normal dos preços quando o Benfica é campeão. O que esperamos é que o Benfica esteja sempre a aumentar os preços, tendo em conta a realidade.
Portanto, os preços devem estar indexados só aos títulos.
Sem dúvida.
Mas é mais fácil aumentar os lugares. Tem que se aumentar os lugares. Aí que está a solução para o nosso tempo.
Martim, para terminar, estamos para lá do nosso tempo. Martim, é aí que está a solução.
Eu tenho algumas dúvidas que defendo em pormenor.
Mas eu mostro no nosso projeto.
Temos de terminar este debate.
17 mil lugares vazios nos últimos dois jogos.
Pedro e Martim, vamos ter mais debates aqui na Rádio Observador. Deixe-me só terminar com Cristóvão Carvalho para esta questão também, aquilo que custa ir ao futebol no Benfica.
Eu fico sempre consternado quando ouço candidaturas que defendem o branco e o seu contrário rapidamente e defender que vão congelar os Red Pass, que vão congelar os bilhetes, que os sócios não vão pagar mais valor por isso e que não apresentam uma solução de fundo. Isso custa-me muito.
Portanto, não se compromete com isso.
Não me posso comprometer com uma coisa.
Mas acha que pagam demais ou não?
Se acho que pagam? Demais?
Demais.
Não, pagam o valor justo. Acho que neste momento os preços dos Red Pass são um valor justo, se nós olharmos para clubes da nossa dimensão. Eu não posso querer ter um clube europeu, ganhar títulos europeus, investir numa equipa de futebol, reduzir os custos, aumentar as receitas e depois dizer que vou baixar os Red Pass de forma absolutamente leviana. Tenho de ser sério e honesto para os sócios e dizer: quando lá chegar, vou resolver o problema. Nenhum de nós que está aqui sabe qual é o problema da bilhética no Benfica. Nenhum de nós sabe em rigor. É um problema extremamente complexo. E vir dizer por aqui que se congela durante quatro anos, esta é uma coisa absolutamente populista e que não devia ser dita aos sócios. É por demais estar a dizer com uma leviandade destas. É por demais. Temos de ser sérios e honestos. A bilhética do Benfica é uma problemática complexa e os preços hoje são preços adequados. E, portanto, tem de se analisar em função disso noutra coisa, que é a justiça da distribuição dos bilhetes. É sobre isso que temos de discutir. A justiça da distribuição dos bilhetes. Essa é que não está correta dentro do problema.
E teremos espaço depois para falar disso no programa que vamos dedicar a futebol. Cristóvão Carvalho, Martim Meyer, Pedro Plácido Pereira, Luís Pedro Duarte e João Antunes, obrigado por estarem aqui na Rádio Observador.
Muito obrigado, viva o Benfica!
Muito obrigado, boa tarde.