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Rádio Observador, bem-vindo ao Decisão Benfica. O Sport Lisboa e Benfica vai a eleições no próximo sábado. Os sócios vão escolher uma nova direção e os restantes órgãos sociais do clube. Este é o Decisão Benfica, o programa em que medimos o pulso à campanha, em que avaliamos quem está a ganhar e quem está a perder votos e em que recuperamos a história de antigos presidentes do Benfica. Eu sou o Miguel Cordeiro e nos próximos minutos vou estar à conversa com o Bruno Roseiro, editor de desporto do Observador. Bem-vindo, Bruno.

Olá, Miguel.

O dia de hoje fica marcado, isto é garantido, pelo debate de logo à noite na BTV.

O dia, a tarde, a noite, deixa-me dizer que, para teres noção, foi provavelmente o único momento onde, acompanhando todos os candidatos, nos pediram mais reserva, percebendo também a importância que isso pode ter. Vi candidatos a preparar mensagens, vi candidatos a estudarem estratégias do que seria melhor seguir. Vi também candidatos que tinham um desafio, para eles quase hercúleo, de aproveitar os dois minutos para cada resposta, porque é isso que está previsto: oito temas, sendo que o primeiro vai ser futebol e vai ter duas perguntas. As respostas são dois minutos para cada, tudo cronometrado, mais um minuto de réplica. E o grande desafio ali foi sempre como é que se conseguia passar o máximo de mensagens com qualidade e com validade apenas em dois minutos. E isso acaba por ser uma coisa complicada, porque se calhar numa entrevista de uma hora é fácil qualquer candidato passar aquelas que são as suas principais ideias do programa, mas condensar isso em dois minutos e sobretudo sabendo o tipo de eleitorado para o qual está a falar, acaba por se tornar um pouco complicado. Portanto, aquilo que eu fiz foi basicamente resumir um pouquinho aquilo que foi a campanha e as ideias de cada um, para tentar também desmontar um pouco o que é que nós podemos esperar de cada um.

Ok.

Algumas ideias aqui. Em relação ao Rui Costa, parece-me que será clara a tentativa de passar uma mensagem de confiança para o futuro. Ou seja, no início da campanha, se nós repararmos, Rui Costa aquilo que fez foi basicamente justificar o porquê do insucesso desportivo, colocando muitas vezes a tecla de: "nós fomos até o final, nós discutimos o campeonato até a última jornada, nós em relação à Taça de Portugal aos 90 mais 10 tínhamos a taça na mão, participamos pela primeira vez no Mundial de Clubes". Portanto, ele foi tendo muito esse discurso. A partir daí, depois virou e começou a olhar mais para o futuro. Falou muito na questão de em 2021 ter acordado um dia como administrador com determinadas funções e ter acabado o dia como presidente, sem ter propriamente uma preparação. Ou seja, não é impreparado como alguns candidatos lhe começaram a chamar, mas sem ter aquela preparação normal para alguém que deixa de ter exclusivamente um determinado pelouro do futebol e passa basicamente a ter tudo, e o Benfica é um barco grande. Parece-me que a mensagem será muito nesse sentido, ou seja, existem projetos como o Benfica District, o clube foi preparado para estar mais próximo das vitórias e o próprio Rui Costa sente-se nesta altura mais preparado para liderar o clube do que há quatro anos quando isso aconteceu.

Sim.

Depois, João Noronha Lopes, acho que haverá muita tendência de Rui Costa e Noronha Lopes de tornarem esta eleição muito centrada num despica dois. E por quê? Essa percepção, em princípio, poderá garantir uma primeira volta a um e a outro, e depois a partir daí as estratégias provavelmente vão mudar. No caso de Noronha Lopes, parece-me claro que a ideia vai sempre passar por: "Eu sou o rosto da mudança, eu sou aquele candidato que as novas gerações andavam à procura". E não esquecer que estas novas gerações, sócios que têm se calhar menos anos de filiação, passaram de um para três votos ou de cinco para 10. E isso depois em termos de peso eleitoral pode fazer a sua diferença. Apresentar também a sua equipe e o seu programa colocando muita tônica na questão do ADN Benfica e também no currículo da sua equipe, ou seja, José Teotónio, além de Nuno Gomes, que é o mais conhecido. Mas José Teotónio, ficando nas finanças, é um daqueles pesos pesados que para determinados nichos que irão assistir ao debate, poderá também ter o seu peso. Passando essa mensagem, referindo que passou por mais de 60 casas, colocando sempre também muita tônica na preocupação que teve de ouvir os sócios, irá sempre tentar corporizar o rosto da mudança, para bipolarizar, digamos assim, o sentido de voto entre continuidade de Rui Costa ou mudança com João Noronha Lopes. Este aqui deverá ser um dos principais duelos. Depois, surge aqui um candidato, que é aquele que eu tenho mais curiosidade em perceber o que é que fará, que se chama Luís Filipe Vieira Luís Filipe Vieira.

A tua dúvida é se vai estar ao ataque ou se vai estar à defesa?

Não me parece que ele esteja muito ao ataque desde que também não mexam com ele.

Pois.

Se ninguém mexer em Luís Filipe Vieira e se ninguém fizer acusações diretas, aquilo que ele vai tentar provavelmente fazer é recordar toda a obra que fez desde o início do século, quando estava com Manuel Vilarim e depois a partir de 2003 como presidente. Recordar onde é que estava o clube e onde é que ele foi parar e onde é que ele está agora. Recordar também que a década 10, 20 é a segunda década com mais títulos do Benfica no futebol, também foi algo que ele foi repetindo várias vezes. Falar também dos projetos que ele tem. Luís Filipe Vieira é aquele que mais abertamente colocou em causa a possibilidade de aumentar o Estádio da Luz. E por quê? Porque ele considera que muito provavelmente é um investimento que depois é complicado de amortizar e que mais vale o Benfica começar a pensar numa solução a médio e longo prazo, que neste caso envolveria a tal cidade desportiva, que sendo em Lisboa, ele não me confirmou diretamente na entrevista, mas todos conseguimos perceber que pelo menos aquela zona da alta de Lisboa e onde fica o atual aeroporto seria sempre uma zona desejável para esse projeto. O que é que ele terá sempre de fugir? Qualquer caso que tenha a ver com a justiça.

Pois.

Esse é o seu grande handicap. Além de handicap, isso é também aquilo que promove uma taxa de rejeição, que me parece cada vez mais óbvio que ele tem, sobretudo na zona de Lisboa ou quase toda na zona de Lisboa, mas é uma taxa de rejeição. Os outros candidatos não têm taxa de rejeição. Podem ou não ser escolhas, mas não existe este fenômeno. Luís Filipe Vieira tem, sobretudo aqui em Lisboa, e a única maneira que ele tem é dizer aquilo que tem dito nas entrevistas. "Até agora eu não fui acusado de nada, portanto, deixem a justiça ter o seu tempo e depois a partir daí, se houver alguma condenação, falamos". João Diogo Mantegas também pode ser aqui um player importante. Por quê? Porque vai tentar tirar a Nuno Rui Galopas a questão de ser o rosto da mudança. E o que João Diogo Mantegas tem a favor? Tem a favor o facto de conhecer melhor, parece-me, o Benfica. Benfica, ou seja, aquele Benfica de assembleias gerais, o Benfica das modalidades, porque é alguém que acompanha mais, é alguém que conseguiu perceber desde cedo as idiossincrasias muito próprias que existem em termos do universo benfiquista, alguém que se mexe bem nos fóruns e nos grupos de adeptos. E parece-me que tentando sempre manter uma postura presidenciável ou presidencial como fez, por exemplo, no debate que teve com Martin Mayer no podcast da Visão Vermelha.

Sim.

Parece-me que pode ganhar pontos porque é alguém que tem ideias muito bem definidas para o futebol. Parece-me que houve apenas um nome que ele não pode apresentar, que já tem certo, mas não pode apresentar, que é o do diretor para o futebol, mas apresentou, por exemplo, Rúlan Guerrero para a formação, que eu acho que é uma opção extremamente válida, olhando para o percurso que ele teve depois de deixar de ser jogador do Athletic Bilbao. E há aqui um outro ponto que muito provavelmente João Diogo Mantegas vai tentar explorar, que é o fato de conhecer bem o clube e isso permitir que nunca se caia numa situação de ingovernabilidade. E isso é algo que os candidatos têm falado, não só à luz dos novos estatutos, que podem mandar abaixo uma direção com dois relatórios e contas chumbados, mas também por haver demasiada divisão numa luta a seis. É normal, ou seja, mesmo que não se queira contar com aquilo que poderá representar, por exemplo, Cristóvão Carvalho, é sempre uma luta a seis.

Claro.

São sempre demasiadas fações. E é complicado unir, a não ser: um, a bola começa a entrar, e isso aí é remédio santo para todos, ou dois, que se perceba como é que o clube se mexe nos seus bastidores em termos internos e por aí João Diogo Mantegas também poderá ter alguns pontos a favor. Resta Martin Mayer e Cristóvão Carvalho. Em relação a Martin Mayer.

Ele tem sempre uma posição muito interventiva nos debates.

Interventiva. Está a ser simpático. Parece-me que Martin Mayer será provavelmente aquele que terá mais tendência a quebrar uma rotina de um debate sem que ele se torne um monólogo. Ou seja, porque existe um bocado isso. Se cada um tem dois minutos para falar, provavelmente não quer ser interrompido, tem as ideias pensadas para dizer o máximo possível em dois minutos. Martin Mayer pode ser esse candidato que, caso ouça alguma coisa que não goste, tenha mais tendência a participar, e isso tem acontecido aqui nos debates da Rádio Observador. Para mim, Martin Mayer tem duas coisas importantes: uma, o fato de ele poder fazer uma ligação, e ele já falou também disso na entrevista que nos deu, ligação ao avô Duarte Borges Coutinho, pode ser mais fácil para puxar para si. Ou seja, não é para votar, é para olharem para ele com outros olhos, um eleitorado um pouco mais velho do Benfica. Ou seja, porque é inevitável pessoas um bocadinho mais velhas não se recordarem de Borges Coutinho e dos tempos áureos que foi aquele Benfica. Não é normal ganhar sete campeonatos em oito anos e ser um clube absolutamente avassalador em termos nacionais, como foi naquela altura. Por outro, para mim, é o que tem o projeto mais estruturado no sentido de explicar em pouco tempo. E por quê? Ele em relação ao futebol explicou muito bem e apresentou os nomes que quer. Depois pode-se gostar ou não do modelo ou da filosofia, mas explicou aquilo que quer, com quem é que quer e como é que vai fazer O aumento do estádio explicou quanto é que vai custar, onde é que os lugares vão ser a mais, como é que consegue amortizar esse investimento. Em relação às modalidades, explicou que mais do que amortizar o investimento, vai deixar de ter alguns custos, que funciona quase como se fosse uma amortização do investimento. Tem, nessa perspectiva, um projeto sólido que poderá ser mais fácil de passar em tão pouco tempo. Finalmente, Cristóvão Carvalho. O único caminho que eu vejo para Cristóvão Carvalho brilhar no debate é tentar provar que ele é que tem o plano disruptivo.

Que a mudança está do lado dele.

É mais do que mudança, isto é mesmo disruptivo e todos os outros programas pensam pequeno. O grande problema aqui de Cristóvão Carvalho é: ele pensa demasiado grande quando as pessoas ainda olham para ele como um candidato pequeno. E ele a certa altura da entrevista que nos dá, para certa altura e diz: "Mas quem é que tem mais títulos? É o Klopp ou o Mourinho?" Depois eu contestei isso, porque fomos ver nos últimos anos como é que seria, mas de fato aquilo que ele diz faz sentido. Se Mourinho tem mais títulos do que Klopp, se a única diferença entre eles é que Mourinho costuma estar dois anos num clube e Klopp quando está, está cinco ou seis, eu quando falo numa figura como Klopp, seja ou não ele, é porque eu quero um treinador de projeto e um treinador que consiga montar as coisas à sua maneira, tal como ele fez no Dortmund e depois no Liverpool. E o grande problema de Cristóvão Carvalho é fazer vingar essas ideias, seja na parte desportiva, seja na parte do futebol, nas finanças.

É a adesão à realidade, à realidade que se tornou normal no futebol português e no Benfica também.

É conseguir transformar algo que ele sente que é: se fosse um outro candidato a dizer isso, se calhar as pessoas acreditavam. Como sou eu, as pessoas não acreditam. E o grande desafio que ele teve hoje durante o dia é: como é que eu consigo explicar às pessoas que aquilo que eu digo é possível de realizar? Como é que eu explico às pessoas quando eu digo que tenho um financiamento de 100 milhões ao ano, 400 milhões num mandato, como é que eu faço acreditar que isto é mesmo verdade? Ainda para mais com uma taxa de juro que é metade da taxa de juro normal, segundo ele me diz. Este vai ser o grande problema dele. Se conseguisse superar isso, poderia capitalizar de alguma forma algum tipo de eleitorado. Ainda assim, mais uma vez e em resumo disto tudo, foco sempre muito concentrado em Rui Costa e João Nuno Lopes. Haverá uma surpresa entre Vieira, Mantegas e Mayer, e depois cada um falar para o seu eleitorado, por um lado para consolidá-lo e para um eleitorado que possa aparecer, que seja roubado a um adversário direto.

Muito bem. É o debate na BTV, acontece esta noite. Vamos seguir para o Caça ao Votos. Bruno, eu aqui costumo perguntar se alguém está a ganhar ou perder votos, mas eu diria, ou pelo menos é o que parece, estamos numa situação de standby, tudo à espera do debate.

Sim, hoje está tudo à espera. É quase como se houvesse um combate de boxe, mas a luz apagou-se e agora está tudo à espera que se acenda, à espera do debate. Um bocadinho à semelhança do que acontece com a bola que entra ou não no futebol, acho que aqui também muito passará por Rui Costa e pela capacidade que ele terá de defender-se de uma postura que será naturalmente ofensiva da parte de Nuno Lopes e João Diogo Mantegas, e de uma postura que será também muito crítica do antecessor Luís Filipe Vieira. Quer se queira, quer não, ele será o alvo.

E até porque não esteve noutros debates, não esteve nesta situação até aqui.

Nunca esteve. Quando falou de Vieira ou de Nuno Lopes, foi sempre em entrevistas, e ele acaba por estar aqui quase entalado entre as críticas que vêm do antecessor e as críticas que vão chover dos principais candidatos que querem ser o seu sucessor. Onde é que poderá haver aqui uma tábua de salvação? É na capacidade que João Diogo Mantegas possa ter para tentar projetar-se mais para o eleitorado de Nuno Lopes e assim desviar tanto o foco de Rui Costa. Parece-me que essa aí será a grande questão e na ótica do Rui Costa, claramente o atual presidente do Benfica iria agradecer isso.

Muito bem, vamos então para a Farmácia Franco. Vasculhamos os arquivos, contamos a história de antigos presidentes do Benfica e hoje, Bruno, vamos falar de Adolfo Vieira de Brito, presidente em um dos períodos entre 1964 e 1965, e depois foi também presidente entre 1967 e 1969.

Sim, isto tem uma justificação. Nós já aqui falámos de Maurício Vieira de Brito, e já lá irei e já explico porque é que escolhi hoje Adolfo Vieira de Brito. Ele teve uma missão que, parecendo simples, era complicada, que era como é que se consegue manter um período de conquistas e de sucesso que permitiu ao Benfica ganhar duas Taças dos Campeões Europeus e chegar a uma terceira final logo de seguida, que foi aquela que perdeu em 63. Adolfo Vieira de Brito conseguiu dar a melhor resposta, ou seja, vai à final europeia de 65 em San Siro com o Inter, que é perdida por 1 x 0, num jogo onde Costa Pereira teve um erro na baliza e depois acabou por lesionar-se e é o Germano é que termina essa final à baliza, porque estávamos na altura ainda que não havia substituições. Consegue ir a mais uma final europeia em 68, curiosamente também em Wembley, jogando sempre quase como visitante. Neste caso não era diretamente visitante, mas Wembley, normal estádio com muito mais ingleses. O Benfica acaba por perder também no prolongamento com o United por 4-1. Em termos nacionais ganha dois campeonatos, uma taça e três taças de honra e tem como outro dos grandes pontos fundamentais destes dois períodos, o facto de ter inaugurado o pavilhão, que na altura ainda era dentro do estádio, e que para nós é a coisa mais banal do mundo, naquela altura, foi importante até para fomentar cada vez mais a prática desportiva e o ecletismo que acabou por ficar como marca do Benfica. Por que eu escolho hoje Adolfo Vieira de Brito? Porque nas eleições que ele ganha nas primeiras de 64, ele acaba por defrontar exatamente o irmão, Mário Silva Vieira de Brito. Coincidência, hoje é a primeira vez, e é ele que está a passar um bocadinho ao lado, é a primeira vez que Rui Costa e Luís Filipe Vieira se voltam a encontrar. Eles desde que Luís Filipe Vieira saiu, cruzaram-se uma vez no tribunal e pelo que sei foi bom dia, boa tarde e nada mais. Hoje não, hoje vão se cruzar num debate a seis, mas será a primeira vez que estarão frente a frente, pelo menos três horas, e esse será outro ponto curioso. O que aconteceu em 64? Maurício Vieira de Brito, que foi o presidente do Benfica, chamado o pai do Benfica europeu, acaba por sair em 62, também devido ao ultramar e para defender os seus pertences, mas em 1964 consegue ser convencido por um grupo de sócios a regressar e a fazer parte das listas. Houve uma tentativa de concílio, ou seja, uma lista que poderia ter um presidente e depois juntar Maurício Vieira de Brito no Conselho Fiscal e Adolfo Vieira de Brito numa assembleia geral. Os apoiantes de Adolfo Vieira de Brito não concordaram com a situação e isso acabou por nunca passar à prática. Maurício Vieira de Brito integrou mesmo a lista que foi contra o irmão, neste caso como líder do Conselho Fiscal, mas ainda assim, rezam as crónicas da altura, que fez um comunicado aos sócios onde disse, e passo a citar: "Não risquem o nome do meu irmão para o substituírem pelo de quem quer que seja. Votem livremente, mas numa ou noutra lista, o que mais interessa é que tenha triunfado no final o Benfica". Isto foi aquilo que nunca aconteceu entre Vieira e Rui Costa e isto é aquilo que promove esta sensação que existe no ar de que o Benfica vai mudar a partir de sábado. Neste caso, os irmãos, apesar de estarem em lados diferentes, conseguiram colocar o Benfica acima de todas essas lutas.

Está contada a história na Farmácia Franco e está tudo contado nesta Decisão Benfica. Estamos de regresso amanhã, no último dia de campanha.