Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Tudo pronto para mais um Diário do Mundial. Estamos nos últimos dias da competição. Este fim de semana realizam-se os dois últimos jogos. Vamos falar com o jornalista Miguel Cordeiro sobre tudo isto. Fala, Miguel, bom dia.
Olá, Maria João.
Miguel, o episódio de hoje é sobre tarjas?
Sim, vai ser sobre isso. É o tema que marca as últimas horas e é o tema que está a marcar o mundial neste momento, porque se formos ler os regulamentos, e nós fomos, já vamos falar disso, e se tivermos em conta o histórico de decisões, que também fomos analisar, também já vamos falar sobre isso. Se tivermos em conta estes dois assuntos, a Argentina está à beira de ter uma punição pesada. Mas, para já, há ainda dúvidas quanto ao que pode acontecer. Por estarmos em período de pausa de jogos, por este ser um tema que marca o dia e porque podem, de fato, surgir punições com impacto na final do mundial, vamos tentar explicar tudo. Vamos explicar os regulamentos, o histórico, o que tem sido dito e o que pode acontecer. Primeiro, vamos ao que aconteceu. Vamos transportar-nos para o final do jogo entre a Argentina e a Inglaterra. Vários jogadores argentinos, durante os festejos, agarraram uma tarja que estava nas bancadas, que tinha sido desenhada por adeptos, e levantaram essa tarja para as bancadas e também procuraram as câmeras. Mostraram e festejaram com esta tarja. Há várias fotografias e vídeos de tudo isto. Nesta tarja podia ler-se: "As Malvinas são argentinas."
E aqui passamos por uma situação política, certo?
Certo, é isso. E é aqui que começa o problema. Para primeiro percebermos a situação política e o sentido desta tarja, também o que significa tudo isto, temos que falar um pouco sobre este território. As Malvinas são um arquipélago ao largo da costa da Argentina. É um território britânico. Estas ilhas têm governo próprio e o Reino Unido assume a responsabilidade pela defesa e também pelas relações internacionais. Historicamente, este arquipélago já teve colonos franceses, britânicos, espanhóis e argentinos. No início do século XIX, há cerca de 200 anos, o Reino Unido passou a assumir o controle sobre este arquipélago, mas a Argentina continua desde sempre, já desde este período, mas mais cedo até, desde sempre que reivindica este território. Durante décadas, desde o início do século XIX até ao final do século passado e até os dias de hoje, mas desde décadas, houve uma luta diplomática quanto a este território. Tem sido sempre assim, mas nos anos 80, o conflito acabou por deixar os gabinetes e passou para o terreno. Estalou uma guerra em 1982, que começou quando as forças argentinas ocuparam temporariamente o território. Deu-se a Guerra das Malvinas, durou dois meses. Em abril de 82, a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas e outros territórios britânicos no Atlântico Sul. Tudo isto durou muito pouco, porque quando chegou uma força britânica, o Reino Unido respondeu de forma militar e recuperou o território. Em junho desse ano de 1982, já tinha retomado o controle o Reino Unido. A partir daí, o Reino Unido reforçou a segurança no território. Números desse conflito: morreram cerca de 650 soldados argentinos, 250 britânicos e há três mortes civis. A nível de feridos, 1657 argentinos, 775 britânicos. Quanto a prisioneiros, mais de 11 mil argentinos feitos prisioneiros, cerca de 115 britânicos. Ainda assim, apesar de tudo isto, até hoje, a Argentina defende que deve ter o controle sobre este território.
Miguel, Scaloni, o selecionador da Argentina, tentou dizer antes do jogo que era apenas futebol, mas há tudo isto a alimentar esta rivalidade e a tarja acaba por mostrar isso mesmo. Mas nas últimas horas, para além da tarja, temos também várias posições políticas.
E para além disso, até já existe uma queixa. O Reino Unido quer que a FIFA abra uma investigação. O ministro da Economia britânico, Peter Kyle, afirmou que esperava que a FIFA abrisse uma investigação. Está à espera que isso aconteça. Ele disse: "É totalmente inapropriado, a política tem de estar separada do futebol". Disse mais, disse também: "Esperamos que a FIFA leve a cabo uma investigação. Acho que vai acontecer, porque foi uma violação tão clara das regras que dizem que a atividade política não pode ser parte do futebol". Depois disto, o gabinete do primeiro-ministro britânico também se manifestou, também deixou uma opinião. Disse que a FIFA deve castigar a Argentina pela tarja sobre as Malvinas. Pode ler-se: "A Taça do Mundial pode não ser nossa, mas as Ilhas Malvinas são. O nosso compromisso com as Malvinas nunca vai fraquejar". Isto foi o que disse um porta-voz do governo britânico. Também já temos posição política da Argentina. Javier Milei falou sobre este assunto. O presidente da Argentina diz: "De fato, as Malvinas são argentinas e vamos recuperá-las, mas vamos fazê-lo no plano diplomático, agindo com inteligência". Milei disse mais coisas, disse também: "É um sentimento que habita todos os argentinos e é perfeitamente legítimo e válido que os jogadores e os argentinos queiram expressá-lo e que o façam". Foi isto que disse Milei. Disse mais: "No entanto "Não creio que isso deva dar origem a más interpretações ou mal-entendidos sobre certas questões". Foi isto que disse o presidente da Argentina.
Mas e o que dizem os regulamentos?
Os regulamentos são muito claros, não deixam qualquer margem para dúvida. Página 52 do regulamento do Mundial de 2026, ponto 34. Basta procurar no índice pelo ponto que se refere a protocolo dos jogos, alínea três. Portanto, ponto 34.3. Passo a citar: "É proibida a exibição de mensagens ou slogans de natureza política, religiosa ou pessoal, em qualquer idioma ou formato, por parte de jogadores e oficiais, a qualquer momento, antes da partida, durante os hinos nacionais, no decorrer da partida e após o final do jogo". A frase é mesmo muito clara, está logo no início: "É proibida a exibição de mensagens ou slogans de natureza política, religiosa ou pessoal".
E o histórico, o que nos diz relativamente a casos semelhantes?
Vou deixar aqui dois casos. Em 2024, Rodri e Morata, jogadores espanhóis, foram suspensos por um jogo por terem dito, na comemoração da conquista do Europeu 2024, que Gibraltar era de Espanha. Isto não foi no relvado, isto não foi no estádio, foi nas comemorações, já na rua. E foram suspensos por um jogo. Um outro caso, 2012, no jogo de atribuição do terceiro e quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Londres, Park Yong-Woo, jogador sul-coreano, festejou a vitória frente ao Japão com um cartaz, aqui ainda mais parecido, que recordava a ocupação sul-coreana dos Ilhos de Liancourt. Por causa disso, o jogador foi punido, não recebeu a medalha de bronze e foi sancionado com dois jogos de castigo.
E tudo isto leva a crer que vamos ter sanções.
Ora aí está. Quem acompanha competições desportivas sabe que a manifestação de posições políticas costuma vir sempre associada a multa ou uma penalização. Já explicámos isto. Portanto, em condições normais, o que teríamos aqui seria uma penalização. A FIFA tem de aplicar uma sanção. Podemos discutir qual, podemos discutir a quem, podemos discutir que jogadores poderiam ser penalizados, se seria a equipa, se seria a federação, mas no fim da conversa, tendo por base os regulamentos e o histórico, teria de existir uma penalização. Portanto, agora vamos ver. A FIFA vai punir os jogadores argentinos? Vai punir a federação? E vão essas possíveis punições aplicar-se ainda neste mundial? Pode algum jogador ficar de fora da final frente à Espanha? Os regulamentos dizem que sim a isto tudo. A história diz-nos também que é assim que acontece. Veremos agora o que faz a FIFA. Em jeito de conclusão, podemos dizer isto: em condições normais, a Argentina tem de ser punida, em condições anormais, também.
Está feito o Diário do Mundial com o jornalista Miguel Cordaro. Estamos de regresso amanhã, nas manhãs de 360º de fim de semana.