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Todos queriam ouvir Cristiano Ronaldo, mas a sua versão parece não ter atenuado a polêmica. E agora a bola passa de novo para a FPF e para Jorge Jesus. Vamos analisar esta situação com a ajuda do João Castro, João Pinto, Augusto Inácio e Pedro Henriques. São os campeões de hoje para a edição de quarta-feira de "E o Campeão é?". Eu sou o Nelson Ferreira. Sejam bem-vindos, muito boa tarde. Pedro Henriques, começaria por ti para te perguntar se consideras que este documento ontem revelado por Cristiano Ronaldo é mais bélico ou é mais diplomático?

Bom dia a todos. Eu acho que há aqui algumas notas de reflexão. Em primeiro lugar, há um lado mais positivo, porque há o lado positivo e há o lado negativo, que é o pedido de penalização, o pedido de desculpas que ele faz aos portugueses e aos próprios colegas, e o pedido de penalização, porque nós sabemos que há um artigo, é o 160, parágrafo 1, que dá a tal penalização para quem abandona o estágio de €500.000 e o tal mês a seis meses de suspensão. O problema é que, que a gente saiba, a Federação Portuguesa de Futebol, para aplicar um castigo, tem que abrir um processo que ainda não abriu. E, portanto, ele reconhece algo que as tais pessoas que o rodeiam já deviam ter dito, é que não se pode abandonar um estágio, é um erro, por isso ele está a pedir desculpa, e que no Noruega-Portugal, como suplente, a primeira coisa que ele devia ter feito era não ir para dentro do balneário, mas era ir para fora e para dentro das quatro linhas e junto dos colegas, ir agradecer aos portugueses. Ele aí também volta a pedir desculpa. Depois passa a batata quente exatamente para a Federação, por uma razão muito simples, ele diz que a seleção é para competir, quer ser penalizado, eventualmente suspenso, e depois está disponível para competir. Quer dizer, passa de novo para o Jorge Jesus. Ele depois fala deste marcar gols e que esteja bem fisicamente, passa de novo para o Jorge Jesus e para uma convocatória que, eventualmente, o Jorge Jesus, antes deste comunicado, dizia, porque tinha passado a bola para o Cristiano Ronaldo, que ele era convocável, agora passou também a bola para aqui. Ponto três, o erro grave da Federação Portuguesa de Futebol. Aliás, vários erros, que é, em primeiro lugar, há uma reunião JJ, Simão Coutinho e CR7, tal terça à noite, e depois, a seguir, a pedido do próprio selecionador, segundo o comunicado, há uma videoconferência de Simão Coutinho, JJ, Tiago Craveiro, de onde sai o tal documento e onde é produzido os tais oito pontos. E a pergunta que eu faço é: onde está a Federação Portuguesa de Futebol? É impensável que em espaço de seleção não esteja lá. Eu agora vou dar nomes. Se existe o senhor Lourenço Pinto, se existe o João Vieira Pinto, se existe o Toni e toda uma série de diretores, como é que é possível, para além do Pedro Proença, porque iria ao jogo do sub-21, nestas reuniões, não haver ninguém. Isto é, o CR7 está representado com os seus homens fortes, vamos chamar assim, e nas reuniões, nas conferências de imprensa, zero da parte da Federação Portuguesa de Futebol, deixando ali um bocadinho abandonado. E depois, o tal documento que é produzido. E deste documento que é produzido, eu tenho grandes dificuldades em pronunciar palavras que sejam minimamente corretas, porque o documento em si, o seu conteúdo é só ridículo. E portanto, se são estas pessoas, não sei se foi o senhor Tiago Craveiro que produziu o documento, se são estas pessoas que neste momento estão a coadjuvar e a ajudar o Cristiano Ronaldo, é só para perceber que aquilo, nem a pior ferramenta de IA conseguia produzir um texto tão mal produzido e com conteúdo que é só execrável, porque não faz sentido nenhum. Podia-se ter passado uma mensagem qualquer que ela fosse, dentro deste sentido, pedir desculpas, não pedir desculpas, de outra maneira. E pensarem que alguma vez o nosso selecionador iria agarrar naquele documento e iria ler na íntegra aquele documento, é pensar de forma errada quem não conhece o JJ. Mais, o Jorge Jesus, à maneira dele, até tocou em cinco daqueles oito pontos que lá estão produzidos, mas à maneira dele. E portanto, eu acho que é aqui que está a parte completamente negativa e que deixa o Cristiano Ronaldo em maus lençóis, porque este documento é execrável.

Augusto Inácio, há muitos anos treinador de futebol, é admissível um documento com aqueles oito pontos que Cristiano Ronaldo queria que Jesus dissesse naquela conferência de imprensa? Alguma vez te aconteceu alguma coisa do gênero?

Boa tarde. Não, nunca me aconteceu, eu também nunca fui selecionador. Por isso eu estou fora desse filme. Mas deixa-me dizer que isto do comunicado do Cristiano Ronaldo tinha que aparecer, tinha que vir à praça pública, porque só tínhamos ouvido uma versão, que era do Jorge Jesus, faltava ouvir a versão do Cristiano Ronaldo. Diria que aquilo que o Jorge Jesus e o Pedro Proença disseram, que as portas estão abertas para o Cristiano Ronaldo voltar, agora é a vez do Cristiano Ronaldo passar a bola e a batata quente para o lado do Jorge Jesus e da Federação, com isto que acabou de anunciar no seu comunicado. Eu diria que, sinceramente, não há nenhuma possibilidade de coabitarem o Jorge Jesus com o Cristiano Ronaldo, porque o próprio Cristiano Ronaldo diz ali algumas coisas que são sentidas, que é o pedir desculpas, como já foi dito por Pedro Henriques. O dizer que as regras, e é verdade, as regras são iguais para todos e a regra disciplinar é igual para todos. Diz que tem que ser castigado, porque ele tem a noção do ato grave que cometeu ao abandonar a seleção e os seus colegas, mas depois também diz que a partir do momento em que saiu o comunicado, que depois de tudo isto, que está pronto para voltar à seleção. Ora, isto de estar pronto para voltar à seleção, se isto não for esclarecido, se isto não for mais debatido, que eu não estou a ver como, eu não estou a ver como é que pode coabitar o Jorge Jesus com o Cristiano Ronaldo. Por isso, eu acho que está aqui um big dobra bastante grande, em que só pode caber um neste momento na Federação E nesse caso, o Jorge Jesus tem quatro jogos, quatro vitórias, está respaldado sobre isso também, a equipa também joga bem. Eu acho que o Cristiano Ronaldo vai ter que esperar um bocadinho mais para voltar à seleção. E quando eu digo voltar à seleção, é esperar seis, sete a oito ou nove anos. Enquanto o Jorge Jesus estiver na seleção, eu acho que o Cristiano Ronaldo não vai voltar.

E pode voltar também para um ou mais jogos de despedida, é também uma das frases deste comunicado.

Na isso eu acredito enquanto o Jorge Jesus estiver lá. Se vai ter um jogo de despedida ou mais jogos de despedida com a camisa da seleção, quem é o treinador da seleção? É o Jorge Jesus. Por isso eu não estou a ver que possa haver esses jogos particulares.

A ver vamos. João Castro, consegues ler nas entrelinhas deste documento, de facto, uma intenção de Cristiano Ronaldo pedir a saída de Jorge Jesus e assim poder regressar à seleção?

Olha, bom dia a todos. Em termos de comunicado, o que eu consigo ler é que estrategicamente foi bem escrito. E passo a explicar por quê. Primeiro, porque faz aqui um controle de danos sobre a reputação do Ronaldo, com o pedido de desculpas pelos dois momentos. Ter ido para o balneário sem cumprimentar os adeptos e depois a saída do estágio. E, portanto, há aqui realmente esse controle de danos reputacionais do Cristiano Ronaldo.

E pede uma suspensão.

E pede a suspensão, que aí eu acho que ele encrava um bocadinho a Federação Portuguesa de Futebol, porque o Pedro Proença basicamente disse, nas poucas palavras que falou sobre o assunto, é que o Ronaldo podia voltar quando quisesse, sem falar realmente no problema disciplinar. E o Ronaldo passa a batata quente para a Federação, porque tem que abrir, e o Pedro falou bem, tem que abrir um inquérito, o Conselho Disciplina tem que abrir já o processo. E até agora nada o fez, nem nada disseram sobre isso. E depois também, obviamente, atenta sobre o caráter de Jorge Jesus. E passa a batata quente, claramente. Eu acho que já nem passa para o Jorge Jesus, passa mesmo para a Federação, porque a forma como atenta ao caráter de Jorge Jesus, dificilmente o Jorge Jesus volta a convocar o Ronaldo, aí concordo com o Inácio, acho claramente difícil. Portanto, em termos gerais, o comunicado é bom porque claramente faz esses três pontos. Obviamente que aqueles oito pontos é impensável. Não é o Jorge Jesus, é qualquer treinador ler aquilo. É inenarrável o que está ali nos oito pontos. Só faltava lá um ponto em que o Jorge Jesus tinha que dizer que o Cristiano Ronaldo não tem caspa porque usa Linic, porque de resto é inenarrável o que está lá. Nenhum treinador do mundo iria dizer aquilo, e o Jorge Jesus ainda falou ao de leve de alguns pontos. E, portanto, acho que era impossível. Depois a Federação fica mal, obviamente, como o Pedro já disse. É impensável o órgão máximo do futebol português não estar presente nessas reuniões e não se fazer representar quando tem centenas de funcionários. E estavam lá montes de diretores, ex-jogadores, diretores e tudo que são funcionários, ainda agora subiram mais alguns. E, portanto, tudo foi mal gerido e agora, quanto a mim, não há solução possível. O jogo de despedida tinha que ser se a Federação e se o Jorge Jesus aceitassem não ser ele o treinador nesse jogo de despedida, e o Ronaldo fosse buscar o seu primeiro treinador ou fosse buscar um treinador que ele gostasse muito e de forma em homenagem a esse treinador.

Roberto Martínez?

Porque não há hipótese com o Jorge Jesus lá. É quase impensável com o Jorge Jesus lá. Aqui a batata quente está claramente na lapela da Federação. Agora, há aqui também a questão, obviamente, que nós temos que ressalvar isso. Há aqui uma questão de que o Jorge Jesus, e volto a fincar esse ponto, porque é um ponto essencial, o Jorge Jesus não fez nada de errado enquanto treinador. Em termos de que se possa apontar que tinha que pedir desculpas. Não, ele pode ter sentido que realmente teve muito tempo a aquecer e podia ter feito de outra forma e tudo. Agora, o Jorge Jesus, em termos desportivos, em termos de campo, fez tudo o que o treinador devia fazer naquelas circunstâncias, que é a favor do coletivo e não do individual. E Portugal ganhou realmente os jogos todos. E, portanto, nisso ninguém pode apontar o Jorge Jesus. E também acho difícil que o Jorge Jesus ou alguém do staff tenha prometido com as palavras todas que ele iria jogar 30 minutos. Isso é incontrolável durante o jogo, a não ser que ele jogasse de início.

O Cristiano Ronaldo revela no comunicado que sentiu absoluta surpresa quando o selecionador lhe perguntou se estava bem para jogar 30 minutos.

Pronto, e isso é diferente. Se estás bem para jogar 30 minutos é se consegues jogar 30 minutos, não é dizer que tu vais jogar 30 minutos. Portanto, é mais uma avaliação física, consegue jogar 30 minutos, e ele disse que sim. Não é eu prometo que tu vais jogar 30 minutos, que eu acho que é uma coisa completamente diferente. O treinador não está lá de cronômetro.

Sim. O documento acaba lá em algumas incongruências nesse aspecto do prometeu, estava preparado para.

Exatamente. Eu acho que é uma avaliação física. Eu acho que é claramente uma avaliação física. Tens condições para jogar 30 minutos. Não quer dizer que vais jogar nem 30, nem 20, podes jogar três, dois. Acho claramente que é isso.

Por este comunicado também percebemos algumas coisas que poderiam ser mais longínquas para alguns de nós mais leigos. O facto de Cristiano Ronaldo ter assessores, ter conselheiros na comitiva da seleção nacional, a forma como parece que há alguém que serve ali de mediação entre o próprio selecionador e o Cristiano Ronaldo. João Pinto, há de facto situações aqui que parecem surpreendentes, mas alguma destas partes do comunicado te deixou mais surpreendido?

Bom, é a pergunta do milhão. Primeiro, eu queria começar por agradecer ao Observador esta oportunidade de nunca mais poder vir a trabalhar na LiveMode ou no grupo Cofina. Muito obrigado desde já. Eu li o comunicado duas ou três vezes para preparar o programa

E aquilo que mais magoa no comunicado é a forma como se diz uma coisa e o seu contrário em linhas quase-

Muito próximas

...mas a seguir há outras. Portanto, eu respeito as decisões, mas depois decidi ir para dentro. Eu peço desculpa a quem ficou desiludido, mas mandem dizer que ninguém dá mais autógrafos que eu, por isso aprendam a lidar. Eu nunca me intrometia em decisões técnicas, mas mandaram aquecer Deus na Terra sem eu me terem a jogar. E isso é uma decisão técnica que eu não admito. A questão do staff, a questão dele ter pessoas lá dentro. Dizíamos aqui há pouco: "Havia montes de pessoas da federação lá". Eu não sei se eles trabalham para a federação, a dada altura já não percebo de onde é que vêm os cheques. Acho que há toda uma grande confusão aqui dentro, todo um enorme embaraço. Eu lembro-me que o Pedro Henriques e nós todos, quando estava a ver as eleições para a federação, dizíamos: "Aí vem um dia novo, vai voltar a nascer o sol, vai ser uma coisa linda." E não é. Realmente o que se vê é uma coisa muito triste, muito podre. Tudo isto, uma grande amálgama. Eu, se fosse ao Jorge Jesus, vinha-me embora. Eu não estava para aturar isto.

Ok. Parece-me pouco provável que isso aconteça, mas vamos esperar também. Todo este processo tem sido surpreendente. Temos de avançar para os nossos campeões numa edição do programa muito centrada nessa verdade de Cristiano Ronaldo, ontem revelada num documento com seis páginas. Pedro Henriques, para quem envias a nota de hoje de campeão?

Eu vou dar uma nota zero, mas com este preâmbulo: para mim, o Cristiano Ronaldo é o melhor jogador de todos os tempos, português, obviamente. E sou e serei sempre um defensor daquilo que foi a carreira, daquilo que o Cristiano Ronaldo deu e ofereceu e teve na relação com Portugal, com os portugueses, mesmo nos clubes e tudo aquilo que ele representa para o mundo. Mas não posso ficar indiferente, daí a minha nota zero para o conteúdo, para a forma daqueles oito pontos, não do comunicado, daqueles oito pontos. Por isso eu dou nota zero ao nível do QI e do QE, do coeficiente de inteligência e do coeficiente de emocionalidade. Vale zero. Primeiro, o rei das selfies não é o Cristiano Ronaldo, é o professor Marcelo, e aquilo é uma verdadeira obra-prima escrita a azeite. Parece que: "Ó pessoal, deixem lá de beber o vinho de pacote que isto não lhes está a cair nada bem. Por amor de Deus." O comunicado vale zero no que diz respeito aos oito pontos.

Agostinho, o teu campeão de hoje.

Eu vou fugir a este tema do Cristiano Ronaldo, que está a ser falado todos os dias, para falar de um grande gol do Bandjieki ontem na seleção de sub-21, que fez um gol extraordinário para um lateral direito.

E que Jorge Jesus viu ao vivo, não é?

E viu ao vivo, exatamente. Pode ficar com ideias em relação a esse jogador, que tem uma margem de progressão muito grande. Que grande gol, nota 17 para o Bandjieki.

Vamos à nota do João Castro.

Eu vou dar nota 20 à despedida do Messi. Uma festa extremamente bonita, a entrar com os filhos, com a família, os drones, os 80 mil ou 90 mil que estavam lá no estádio, eu nem sei. Foi uma festa bastante bonita e, portanto, em contraste com aquilo que se passa em termos de Cristiano Ronaldo, e depois nota zero para esta toda a situação. Começou mal, e está cada vez mais difícil de remediar e, de emendar acho que já é impossível, mas até mesmo de remediar. Portanto, nota zero para toda esta situação.

João Pinto?

Nota 15 para Jorge Jesus. Desportivamente esteve muito bem, além de ter ganho os quatro jogos. Volto a repetir, se fosse eu, demitia-me. E nota 20 para o Messi. É engraçado que de um lado do mar, um homem baixo sai como um gigante e do outro, um calmeirão prova a todos, preto no branco, que é muito pequenino.

Está feita a edição de hoje de "O Campeão É". Voltamos a falar de desporto amanhã depois da 13h00.