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O apito está dado, vamos a isto. Esta manhã preparámos um E o Campeão é especial sobre a saída de Fernando Santos, depois de oito anos e dois títulos conquistados. O engenheiro deixa a seleção para comentar tudo sobre o tema. Estão comigo e com o Júlio Magalhães, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Bom dia aos dois.
Bom dia.
Bom dia.
Augusto Inácio, começo por ti. O que está por trás desta saída? Fernando Santos tinha contrato até 2024. Fernando Gomes ainda o tentou convencer, mas sem sucesso. A federação portou-se bem com o selecionador. Assim que o Mundial acabou, começou logo a falar sobre uma saída de Fernando Santos.
Bom dia a todos.
Bom dia.
Eu creio que isto é um somatório de várias coisas que aconteceram principalmente durante este mundial e mesmo antes do estágio que foi em Portugal, antes de ir para o Qatar. Depois, é uma geração de jogadores em que toda a gente perspetivava e o próprio selecionador também provocou isso mesmo, entre aspas, a dizer que Portugal tinha capacidade para ser campeão do mundo e que ia lá para ser campeão do mundo. Tudo isso também criou expectativas muito grandes na nação portuguesa e, por isso, ficou tudo na expectativa. O que é que ia dar a nossa seleção? Se realmente iria ter um título ou se pelo menos ia à final deste mundial. O que é certo é que depois, com os problemas que houve internamente, as coisas não começaram a correr bem. Portugal nunca apresentou um grande futebol. O único jogo em que os portugueses ficaram realmente muito orgulhosos foi no jogo com a Suíça e o jogo esse que também se perspetivava que fosse muito complicado, que a Suíça também é uma excelente equipa. Só que Portugal marcou cedo e os suíços abriram espaços. A magia dos jogadores portugueses fizeram a diferença no jogo e depois sem a presença de Cristiano Ronaldo, como toda a gente sabe, deu um burão muito grande naquele jogo em que foi para o banco. E depois, claro, no outro jogo havia uma pressão também muito acrescentada que era: joga Cristiano outra vez, não joga Cristiano.
Se entra de início, se não entra. Exatamente.
Nisto não vai bem. Isso também especulou-se muito e foi desgastando também um pouco a imagem do Fernando Santos, que culminou depois com a derrota com Marrocos, que toda a gente sabia que ia ser um jogo muito complicado, muito difícil, mas Portugal também não apresentou um futebol que fosse realmente eficaz e que Portugal pudesse chegar às meias-finais. Tudo isto somado e depois de tudo o que se passou, eu diria, sinceramente, que Fernando Santos fez um bom trabalho na seleção, deu dois títulos à seleção nacional.
Faz um balanço positivo, não é?
Muito positivo, sim. E acho que se tiveram essa decisão é porque acho eu que nada tem a ver com os resultados desportivos.
Pedro Henriques, no vídeo de despedida, Fernando Santos diz ter noção que muitas vezes não fez as escolhas que mais agradaram aos jogadores, mas isso significa que a maioria dos que fizeram parte e fazem parte da seleção pretendem ou pretendiam a saída?
Muito bom dia, uma vez mais.
Bom dia, Pedro.
Vamos lá ver. Eu acho que aqui os jogadores que saíram ou que estiveram com o Fernando Santos ontem, na hora da despedida, eu estive a fazer um programa de televisão à meia-noite, 18 deles já tinham se manifestado de forma claramente positiva, no sentido de um despedimento sentido. Não é palavra circunstância. O que significa que aquilo que talvez era o ponto forte do mister Fernando Santos, e foi assim quando veio no pós Paulo Bento, foi a reconciliação, a boa relação, a boa ligação. Até mesmo no caso Rafa, percebendo-se que havia a insatisfação do Rafa, talvez por não jogar, o mister Fernando Santos até o tinha convocado e mais do que isso, até tinha deixado as portas abertas. Portanto, talvez o caso mais gritante de que as relações interpessoais possam ter sido afetadas, foi exatamente esta questão com o Cristiano Ronaldo, porque tudo aquilo que foi a panóplia de críticas feitas, sobretudo pela parte da sua família, só o fazem porque o Cristiano Ronaldo, de alguma maneira, ou passou essa ideia para a família e permitiu que a família o fizesse, porque qualquer jogador que tivesse uma circunstância como essas, diria: "Ó minha querida esposa, ó minha querida irmã, não escrevas mais que eu não quero". Portanto, digamos que há aqui um consentimento. E mais, até ontem, eu ainda não vi as notícias, até ontem, Cristiano Ronaldo não se tinha manifestado, ao contrário dos outros jogadores. E como diz o ditado: o silêncio diz muita coisa, basta prestar atenção. E diz exatamente essa conflitualidade. De qualquer maneira, há aqui um aspecto que eu gostava de tentar também complementar, que é o seguinte: é óbvio que fizemos um grande jogo contra a Suíça. É óbvio que temos dois resultados que são históricos, o Euro 2016, a jogar mal, obviamente, e a Liga das Nações em 2019. Mas eu também não me esqueço de todo este processo, e acho que é isso que faz um bocadinho o cansaço e o esgotamento de toda esta relação que acabou por culminar agora com esta saída, na maneira como saímos com o Uruguai, a maneira como saímos com a Bélgica, a maneira como saímos com Marrocos, a maneira como há três meses, que era relativamente acessível, ficamos na Liga das Nações, perdemos em casa com a Espanha, a maneira como fomos ao Mundial, graças a Deus que a Macedônia fez uma gracinha à Itália, senão sequer estávamos no Mundial. E portanto, houve aqui um conjunto de maus resultados, mas sobretudo de más exibições. E acho que este processo e o que nós dizíamos é que em 2016, mesmo a jogar mal, tínhamos uma seleção que era mais limitada, no meu ponto de vista, e hoje temos muito talento e ficamos sempre com aquela sensação que há qualquer coisa que não funciona.
E que podíamos ser feitos mais.
Exatamente, e que estamos de alguma maneira a desperdiçar o talento. E portanto, eu acho que o próprio mister Fernando Santos percebeu, e se quisermos acrescentar então nesta parte final, o caso Rafa e o caso Cristiano Ronaldo. As expectativas altas, como disse o Augusto Inácio. E há um outro aspecto que não é um pormenor, que é um pormaior. Eu sei que as pessoas sentem-se pouco confortáveis para o fazer, mas eu não. Essas coisas, que é a relação que aconteceu nesta parte contratual entre o mister Fernando Santos e a federação, que eu, como cidadão, e quando se trata de dinheiros públicos, tenho o direito de saber. Porque ficamos com a ideia que o processo não correu bem e que ainda vai continuar a não correr bem.
Sim, e tudo isso vai haver desgaste, claro.
Isso desgastou. Exatamente, desgasta a imagem, porque um selecionador tem que ter também essa imagem de credibilidade, que acaba por ser desgastada independente de quem tenha razão, mas desgasta. E, portanto, eu acho que esta rutura, vamos dizer assim Acaba por acontecer de uma forma natural e numa sequência de todos estes acontecimentos, que o Agostinho Inácio também falou e que eu tentei comentar, porque acho que é um bocadinho isso. E o ministro Fernando Santos, como pessoa inteligente que é, também percebeu isso e percebeu que era a altura de sair. E eu, muito honestamente, preferia que o mandato fosse até ao fim, digamos assim, e o seu contrato fosse até ao fim de 2024, pós-Europeu, mas dadas as circunstâncias, acho que é o melhor, sobretudo para a seleção.
Julião Magalhães, o Pedro acabou de falar nisso. Como é que devemos interpretar o silêncio do Ronaldo sobre a saída de um homem que sempre o apoiou e defendeu até em várias ocasiões?
Olha, é curioso isso, porque este campeonato foi muito minado, primeiro pela pré-época do Cristiano Ronaldo, depois pela entrevista que o Cristiano Ronaldo dá a começar o estágio ou os 10 dias anteriores à competição. Depois do litígio do golo com o Bruno Fernandes, depois com as substituições, depois com o Cristiano Ronaldo a fazer aquela declaração no Correia, depois de ter ficado no banco, depois de ter saído do campo sozinho e não ter ficado no campo. E hoje toda a gente acha que Cristiano Ronaldo é enigmático, o facto de Cristiano Ronaldo não ter dito nada nas redes sociais, mas ainda ninguém falou de um pormenor. É que também nenhum jogador da seleção, durante o Mundial, se pôs ao lado de Cristiano Ronaldo. A verdade é essa. A partir do momento em que Cristiano Ronaldo foi para o banco e houve aqueles problemas, não vimos os jogadores da seleção ficarem muito incomodados com isso, nem virem dizer: "É o nosso capitão, vai jogar, tem que jogar". Mesmo ter interferência no treinador, que o Cristiano Ronaldo tinha que jogar. Ou seja, as coisas não estavam a correr bem no Campeonato do Mundo no balneário, com toda a certeza. E por isso não era um campeonato fácil para gerir e Fernando Santos viu-se confrontado, de facto, com uma gestão muito difícil neste campeonato e teve que tomar decisões difíceis e a mais difícil, como ele disse, foi de facto Cristiano Ronaldo. E por isso, nós somos excessivos em tudo no futebol aqui em Portugal e achamos que podíamos ser campeões do mundo quando há seleções melhores que a nossa. Pronto, esta geração é muito boa. Eu continuo a achar que não é a melhor geração de sempre, mas isso é a minha opinião, não interessa para nada. Mas há seleções melhores que a nossa. Achamos que podíamos ser campeões do mundo, depois achamos que já éramos os piores do mundo. E isto é tão excessivo, porque o que aconteceu ontem foi aquilo que é natural no futebol, que acontece a todos os treinadores do mundo. Até aconteceu ao Inácio e já aconteceu aos melhores treinadores. E acontece a todos, que é: quando não se cumprem objetivos, sai. Pronto, ponto final. É tão simples como isto o futebol. Nós é que estamos a fazer disto um drama gigantesco à volta de uma saída do Fernando Santos, que disse numa entrevista que no dia em que não cumprisse o objetivo, saía. E pelo que eu leio hoje na comunicação social, ele pediu para sair. Agora, eu acho que Fernando Santos, para já, há muito tempo que nenhum treinador estava tanto tempo à frente de uma seleção nacional.
Oito anos.
Oito anos. Fernando Santos arranjou o modelo certo para o futebol português. Nós temos que ter em conta que o Benfica, o Porto e o Sporting, quando vão à Liga dos Campeões, o objetivo é chegar o mais longe possível. E chegar ali aos quartos-final ou eventualmente às meias-finais é um grande feito. E quando jogam contra as grandes equipas, os jogos não são para jogar bem, são para jogar cá atrás o mais possível ou controlar o jogo. E num campeonato do mundo, a sete jogos, qual é o objetivo? O que é que a França faz e fazem as equipas que chegam lá? Primeira coisa é não sofrerem gols. E depois é ganharem os jogos, se puderem. É o que fazem. Num campeonato de sete jogos seguidos, no menos de um mês, este é o objetivo das equipas. E vimos neste campeonato como é que as equipas jogaram. A França apanhou-se a ganhar com Marrocos.
Sim, houve muitas surpresas neste mundial, não é?
Certo. A França apanhou-se a ganhar com Marrocos e deixou Marrocos, e foi cá para trás. Cá para trás, não foi meter-se à defesa, mas foi o controlar o jogo. A Sérvia jogou assim, Marrocos jogou assim, quando sofreu um gol, teve que ir para o ataque, porque se jogava lá atrás sempre fechada. Portanto, este modelo que levou Portugal a ter dois títulos, eu duvido que nós voltemos a ter um treinador que nos leve a estas conquistas. Duvido mesmo, porque Portugal não tem esta dimensão. A França, por exemplo, está neste campeonato sem o Pogba, sem o Kanté e sem o Benzema. Isto é quase o mesmo que Portugal não ter o Lima Carvalho ou o Danilo, não ter o Bruno Fernandes e não ter o Cristiano Ronaldo. E, no entanto, tem uma panóplia de jogadores, tem uma seleção muito mais forte, muitas mais escolhas, enfim, tem lastro, tem títulos. O Deschamps já passou momentos muito mais difíceis na França que este e ainda lá está.
Vamos então olhar para o futuro.
Isto é o futebol, é normal, é natural e, portanto, faz parte do futebol. Não é preciso dramatizar tanto como se tem dramatizado e, sobretudo, queria deixar aqui a referência.
Estamos a fazer um balanço.
Estamos a fazer um balanço, claro. E deixar aqui a elegância, o cavalheirismo e a seriedade com que Fernando Santos saiu nas suas declarações finais, que foi aquilo que o marcou sempre ao longo da carreira dele.
Vamos então ao futuro. Quanto ao sucessor, a imprensa de hoje diz que a Federação quer José Mourinho já em março, na fase de apuramento para o Campeonato da Europa. Mourinho, por coincidência, está em Portugal num estágio de preparação da Roma. À chegada ao aeroporto, recusou fazer qualquer comentário quanto à possibilidade de assumir o cargo, mas há aqui outros nomes em cima da mesa: Rui Jorge, o selecionador do sub-21, Abel Ferreira, do Palmeiras, Rui Vitória, que está agora à frente da seleção do Egito, Jorge Jesus, Paulo Sousa, Luís Castro, Leonardo Jardim. Há algum que vos pareça mais óbvio? Uma coisa é quem vocês acham que vai ser, mas quem é que gostariam de ver à frente da seleção e com capacidade para isso, Inácio? A pergunta é difícil.
Antes de responder a essa pergunta, eu vou tocar num tema que vai ser muito polémico, mas é a minha opinião e vale o que vale. Eu acho que o Fernando Santos não pediu para sair. Eu acho que houve um acordo para o Fernando Santos sair, mas isso é a minha opinião
Porque Fernando Santos, antes-
Inácio, desculpe, eu também não sei. Eu li hoje na imprensa
Eu sei que leste. Aliás, até foi um comunicado também que a Federação deu. Mas Júlio, isto é um bocadinho a minha experiência, aquilo que sinto cá no vestiário, porque o Fernando Santos, quando saiu, tinha contrato até 2024. E aquilo, de certeza absoluta, foi o presidente da Federação dizer: "Ó Fernando, é melhor tu saíres, saís-te bem", e a gente manda um comunicado assim, porque nós vamos ver depois o relatório de contas se não houve uma indemnização, mas só mais tarde é que isso se vai saber. Porque se uma pessoa quer sair, não tem direito a indemnização. Se pede para sair. Agora, se houve algum acordo e se houve dinheiro que se recebeu e que tinha todo o direito para isso, vamos ver depois mais tarde, mas isto vale o que vale, fica no ar. Pronto, o Inácio foi polémico agora, mas tudo bem, eu aguento porque fiz pesos e tenho uma musculatura muito grande para aguentar depois algumas críticas.
Vamos então ao sucessor, Inácio.
Em relação ao sucessor, é muito complicado. É muito complicado porque eu acho que o Fernando Gomes tem o plano A e tem o plano B. Plano A: José Mourinho é o seu treinador. Não pode vir agora para assumir estes dois jogos que temos que fazer em março. O Rui Jorge avança. E depois, com o tempo, quando tiver a oportunidade de falar com o Mourinho e ter a certeza que o Mourinho vem, vem o Mourinho na próxima época e depois vai sair o Rui Jorge, vai continuar a estar nos sub-21. Esta é a minha ideia. Agora, se me disseres assim: "Mas o Mourinho tem perfil?" O Mourinho, claro, é um grande treinador do futebol mundial, tem perfil, mas atenção uma coisa: uma coisa é treinar a seleção, outra coisa é treinar clubes. Ali não há dias e dias para treinar e rotinar os jogadores, ali é complicar, jogar e ganhar. E vamos ver depois as capacidades dos treinadores. Uma coisa é os clubes, outra coisa são as seleções. Agora, Mourinho, claro que era um nome que agradaria a todos os portugueses, acho eu.
Pedro Henriques, és da mesma opinião?
Sim. Vamos lá ver uma coisa. Nós temos uma situação que pode ser de ponderar. Esta federação sai em setembro de 2024. Para fazer um contrato com alguém como o José Mourinho ou esses nomes que tu disseste, não vai fazer por um ano ou por um ano e meio. Tem de fazer por mais, senão eles não aceitam. Do ponto de vista ético, eu sou presidente, saio da presidência daqui a um ano e pouco e vou deixar no próximo presidente o presidente que eu escolhi. Não parece ético, não parece correto, porque vêm outras pessoas com outras ideias e que podem ter outros projetos. E dentro desse ponto de vista, é preciso ter algum cuidado exatamente com esta fase. Por isso, não me choca nada, porque o tempo ainda corre a nosso favor, porque nós temos dois jogos, 23 e 26, e depois só mais tarde temos jogos, e esses jogos são de grau de dificuldade mínimo, Liechtenstein e Luxemburgo, e portanto há que fazer com o tempo, não me choca nada que haja aqui um processo de transição, que poderia ser por alguém da casa, como é o caso do Rui Jorge, para depois fazer-se um contrato um bocadinho mais definitivo. Agora, o Mourinho também termina o contrato 16 dias depois do Campeonato Europeu terminar, ou seja, dia 30/06/2024. E há aqui esta questão que é: quem é que vai assumir realmente aqui um contrato de tão curto tempo? É lógico que o próximo presidente da Federação, porque o doutor Fernando Gomes já não o pode ser por estatuto, se receber o Mourinho, de certeza que não vai ser muito complicado, porque realmente é um nome maior, mas receber outro nome, se calhar, pode ser mais complicado em relação às suas ideias. Portanto, isto exige alguma ponderação e alguma capacidade de decisão, sim, mas também com a tal ponderação. E o tempo, neste momento, no meu ponto de vista, corre a nosso favor nesta perspetiva. Estes dois jogos são de grau de dificuldade mínimo. Se for o Rui Jorge a assumir, tudo tranquilo, devem é fazer as coisas como é preciso. Também não acredito que hoje, que estamos a falar, o José Mourinho abandone hoje ou em março a Roma. Se me disseres que, rescinde um ano de contrato e acerta as coisas para no final de maio, junho, terminando a época desportiva, possa então rumar a uma seleção, acredito que sim. Agora, neste momento, acho que não. Para terminar, concordo exatamente. Qual a característica de um selecionador neste momento que a gente quer? Não é para ir treinar, porque eles não treinam, eles selecionam. Eu quero é alguém que perceba, e eles percebem melhor do que eu, obviamente, que isto são competições curtas de sete jogos, que é isso que nós queremos, é ganhar um Campeonato Europeu, é ganhar um Campeonato do Mundo. E ali, tão importante como a técnica ou a tática, é fazer aquilo que foi o sucesso de Marrocos e outras equipas: mexer com a cabeça dos jogadores e pôr aquela rapaziada toda a remar para o mesmo lado. Isso é que é o mais importante. E dentro desse aspeto, temos exatamente o José Mourinho com essas características. Desde que não levem o Augusto Inácio, isso é que não, porque faz parte aqui da Rádio Observador.
Não podemos chegar a essa altura.
Não, faz parte aqui da Rádio Observador, está tudo ok.
Júlio, estamos a chegar ao fim no minuto. Qual será o grande desafio do próximo treinador? Tendo em conta a vontade de Ronaldo continuar na seleção. Por exemplo, se for Mourinho, sabemos do passado que a relação não é a mais pacífica.
Nem com Ronaldo, nem com Pepe. Eu acho que esse é o sentimento e o desejo da Federação. Eu não acredito que Mourinho venha antes de dois anos, antes de Fernando Gomes terminar. Primeiro, Mourinho já disse que estava neste projeto da Roma por três anos e acho que vai continuar. Segundo, há este problema que o Pedro Henriques falou bem, que é o presidente da Federação não pode contratar um treinador, depois vai sair. Há este problema ético e de contratos que também fazem parte. Mourinho é de facto uma figura. Tirando Cristiano Ronaldo, Mourinho era aquele que depois na seleção podia dar o lastro que Cristiano Ronaldo deu à seleção ao longo destes anos. Mas há aqui um pormenor que é importante, que é: se é para jogar bem futebol, se o problema da seleção é que não se joga muito bem à bola, não é o Mourinho que vai pôr a seleção, o Mourinho não está lá para pôr as equipas a jogar muito bem à bola. O Mourinho é treinador, como se tem visto nestes últimos anos, para pôr as equipas a ganhar. É um resultadista e consegue pôr. E por isso, esta geração com o Mourinho vai ter que perceber que o futebol não é para tecnicamente brilhar. Nesse aspeto dos nomes todos que estão em cima da mesa, aquele que teria a ambição que toda a gente tem de ver a seleção a praticar um grande futebol e a dar espetáculo, seria o Jorge Jesus, porque os outros todos têm um perfil de resultadistas.
A ver vamos.
E portanto, eu acho bem, o Mourinho é de facto uma figura incontornável e virá para a seleção daqui a dois anos, quando acabar o Europeu e quando souber que esta geração de Cristiano Ronaldo, Pepe e tal acabou.
Mas não já em março para o Europeu.
Não, nem em março, nem no fim deste ano, acredito.
Augusto Inácio e o Pedro Henriques mais logo estão de volta a Atenas, juntam-se ao Luís Pinto Coelho a comentar o jogo desta noite para a Taça da Liga, entre Porto e Vizela. A emissão especial da Rádio Observador arranca logo a seguir ao Jornal das 8. Obrigada por terem estado connosco. Bom dia para todos. Júlio, até já.