Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Estamos a um mês e uma semana das eleições presidenciais de 18 de janeiro e o país sob aviso de que a gripe chegou a sério e deve agravar-se nos próximos dois meses. Quanto a Belém, debates dia sim, dia sim, por estes dias, e esta terça-feira também a entrevista no "Sob Escuta" da Rádio Observador a Luís Marques Mendes. É por aqui que começamos este "E o Vencedor É", com o Pedro Benevides e com a Judite França. Bem-vindos.
Obrigado.
Vamos começar por ti, Judite. Vários temas nesta entrevista a Marques Mendes, desde as ligações a Angola.
Podes-me chamar Beni, depois.
Posso chamar. Portanto, a entrevista a Marques Mendes. Ligações a Angola via Caixa Geral de Depósitos, ligações dos escritórios de advogados de Marques Mendes com Angola também, e com a privatização da TAP. Com esta entrevista, a transparência que o candidato Cotrim Figueiredo pôs em causa no debate com Marques Mendes fica ou não em águas cristalinas?
Eu acho que a insinuação fica em águas de bacalhau, porque objetivamente, a entrevista, se calhar começando pelo início, a entrevista correu muito bem a Marques Mendes. Houve uma primeira parte mais difícil, que foi essa que falaste, em que os últimos 18 anos em que esteve afastado da vida política ativa e que teve uma vida profissional. E é curioso porque Marques Mendes é muito rápido a responder, é muito hábil a responder, é muito fluido em termos de discurso e de retórica. Achei curioso que nestas perguntas fazia uma pausa, claramente fazia uma pausa para responder de uma forma irrepreensível. O que faz diferença. E de fato, essa pequena pausa só para estruturar o pensamento, e fê-lo muito bem. E eu acho que assim não ficam dúvidas sobre Angola, que tinha sido já uma insinuação levantada por André Ventura num debate. André Ventura atirou Angola para cima da mesa, deixando logo ali uma névoa por cima do que poderia ser ou não qualquer intervenção de Marques Mendes no regime angolano, mas também não quis ir muito mais além. Não havia muito mais para dizer. E João Cotrim Figueiredo fez uma insinuação utilizando o livro do Luís Rosa, que vai sair amanhã, dizendo que só dedicavam cinco páginas aos 18 anos de vida, dos últimos 18 anos de vida de Marques Mendes depois da política. E não são só cinco páginas, para começar. Mas o mais importante não é isso, o mais importante é explicar, o livro é um livro-entrevista, nós aliás falamos com o Luís Rosa no Explicador de hoje, e portanto não é sobre a vida de Marques Mendes, é sobre a vida política de Marques Mendes e portanto centra-se na parte política da vida de Marques Mendes. Se houve alguma coisa que correu menos bem na entrevista, se eu tivesse que fazer aquilo que, não sei como é que ia traduzir para português, mas o cherry picking. Se eu tivesse que escolher ali uma coisinha, é a questão do Miguel Albuquerque. Porque é arguido num processo em que um dos crimes é corrupção. Marques Mendes tem a sua bitola, a sua regra muito alta. Está sempre a recordar o que fez nos tempos em que era líder do PSD e que não deixou que Isaltino Morais e Valentim Loureiro fossem candidatos a Câmara do Mar, sabendo à partida que ia perder essas câmaras. O partido não lhe perdoou, portanto, ele fala muito sobre isso. E a verdade é que aqui Miguel Albuquerque faz uma distinção entre ser arguido ou ser acusado. E portanto, isso também se pode, de alguma forma, transpor para o caso do primeiro-ministro.
O problema eu acho é que ele quando fala da questão da corrupção como um assunto grave e que em alguns casos não é preciso ser acusado, às vezes se estiver a ser acusado ou se estiver a ser investigado por casos graves, etc. Eu acho que houve ali talvez o ponto em que ele teve mais dificuldade em encontrar coerência total nas suas linhas vermelhas, que é uma expressão que agora está muito na moda e que se usa muito.
E acho que faz essa distinção entre arguido e acusado.
Certo.
E até explica. As pessoas acham que arguido é muito grave, mas não é. Muito mais grave é ser acusado. Arguido é uma primeira fase do processo em que a pessoa tem até acesso ao processo e de forma a poder defender-se. E eu acho que ele fez essa distinção e fez bem essa distinção, mas lá está, Miguel Albuquerque é ali uma pedra no sapato. Só para explicar, Miguel Albuquerque é apoiante.
Não está acusado, por outro lado, é suspeito de corrupção, que é um dos tais crimes que Marques Mendes tinha dito que só por si, se eram crimes que quando houvesse investigação, seria suficiente.
E Marques Mendes também chegou a dizer que, se for preciso, revela os clientes da empresa que tem.
Eu faço exatamente a mesma leitura que a Judite. Eu acho que esta entrevista correu-lhe bem. Aliás, eu acho que genericamente a campanha tem estado a correr bem a Marques Mendes. Ao princípio, talvez de uma forma um pouquinho tímida, porque foi a altura em que nós estávamos a descobrir quem eram verdadeiramente os candidatos e houve lugar a surpresas positivas e negativas, e Marques Mendes passou ali um bocado entre os pingos da chuva, porque era Marques Mendes e não surpreendeu, nem, diria eu, desiludiu ninguém. Nesta entrevista, tal como no debate com o Cotrim de Figueiredo, que eu acho que ele mostrou, foi uma coisa que se tem falado muito nesta campanha e nas eleições em geral, parece que ser político ou ter experiência política é quase um handicap, e que agora o que interessa é ser independente, é não ter vindo da política, é ser outsider, é não sei o quê, é ser antissistema. E eu acho que o que Marques Mendes tem mostrado, ele está nesta corrida para ganhar, para já, o que é uma grande diferença.
Quer dizer, a experiência política é um trunfo.
Ele tem mostrado que a experiência política pode ser um trunfo e ele, no caso dele, está a usá-la exatamente como um trunfo, quer nos debates, onde ele tem tido prestações onde eu acho que se tem saído sempre muito bem, quer Nesta entrevista, que tinha perguntas muito difíceis e mesmo matérias que houve sempre, quem seguia política, quem fazia política, houve sempre uma espécie de nevoeira à volta de alguns negócios de Marques Mendes e da presença de Marques Mendes nos conselhos de administração de várias empresas. E eu acho que, claro, não foi uma investigação a fundo, mas nalgumas das mais complicadas, foi fácil para quem estava a ouvir perceber exatamente qual era o contexto, o que ele lá esteve a fazer, quando é que deixou de fazer.
E as implicações que pode ou não ter.
Exatamente. A história de revelar os clientes da empresa, etc. Mesmo que ele não o venha a fazer, a forma natural com que ele lidou com isso, sem se sentir acossado, deixa para os eleitores uma certa tranquilidade. E portanto, desse ponto de vista, do ponto de vista estritamente de entrevista de campanha eleitoral, eu acho que esta lhe correu muito bem. E as entrevistas do Observador não são fáceis.
Não são nada fáceis, como se sabe.
Vamos ainda ao debate de ontem, que foi friado entre dois candidatos da esquerda, António Filipe, apoiado pelo PCP, e Jorge Pinto, apoiado pelo LIVRE. Quem é que venceu? Se calhar, vamos dar nota já aqui a este debate e depois vamos à entrevista de Marques Mendes.
Eu acho que António Filipe perdeu o debate contra Jorge Pinto. Se tivesse que pensar numa nota, dava um 12 a António Filipe e um 14 a Jorge Pinto. E se fosse preciso mais, há uma frase que dá a derrota a António Filipe em toda a linha, que é a frase que eu vou citar, quando ele diz que há uma grande diferença entre ele e o Jorge Pinto, a frase é: "Nem Putin, nem Zelensky. É a minha opinião, é a minha posição para a Ucrânia. Esta guerra em 2022 podia ter sido evitada, mas se estenderam uma passadeira vermelha a Zelensky, talvez se venham a arrepender mais tarde." A frase levou o Carlos Daniel, o moderador, a perguntar: "É tão crítico de Putin como de Zelensky?" E António Filipe respondeu claramente.
Colocando em pé de igualdade.
O agressor e o agredido estão no mesmo patamar e se outras coisas não tivessem acontecido, que acho que aconteceram, perdia o debate. Perdeu o debate nessa altura.
Esta frase é fatal.
É muito difícil explicar isto aos eleitores.
É fatal porque até ver, não representa o sentimento da generalidade da população portuguesa e sobretudo dos eleitores. O PCP desde sempre teve problemas com este posicionamento, também nunca o abandonou. Enfim, a coerência, lá está, que tanto se fala do PCP. Nunca o abandonou, sabendo que é profundamente impopular. E depois, nestes debates, cada vez que o assunto é levantado, seja pelo moderador, seja, como foi neste caso, pelo adversário, António Filipe, que até apareceu com uma aura de um candidato, um comunista um pouquinho diferente dos outros, na verdade, tem a mesma cartilha e não vai abandonar essa cartilha.
Até achei um pouquinho mais agreste esta cartilha.
Sim. E, aliás, muito agarrado aos papéis.
Estava com muita esnica, sempre a interromper o outro adversário. E eu acho que isso era uma fuga para frente daquela incompetência.
Talvez quanto mais criticam, mais não sei, pode ser essa a lógica. O que eu acho é que com esta frase e com este posicionamento, é claro que é um debate que está perdido, sendo que era um debate que podia até não ter grande interesse, porque eram dois candidatos da esquerda, que nenhum deles vai chegar a uma segunda volta e que é aquele debate em que a pessoa se perguntava por que estes dois senhores são candidatos. Mas a verdade é que acabou por ser um debate bastante mais interessante do que aquilo que eu estava à espera. E já agora, são dois candidatos que tiveram alguma dificuldade em explicar por que eram candidatos. O do PCP, nós sabemos que o PCP tem sempre. O Jorge Pinto continua sem se perceber muito bem aquela teoria de ir buscar votos ao VM, é uma coisa que não lembra.
Essa não lembra.
Não lembra. Mas a verdade é que há mel nas candidaturas presidenciais, porque eu descobri, eu confesso que não sabia isto até há pouco tempo, nós estamos a preparar uma sondagem, portanto, até há pouco tempo tivemos de olhar para isto. Sabem quantos candidatos presidenciais existem, mesmo que informalmente, não informalmente, mas candidatos que são reconhecidos pelo Ministério da Administração Interna no site das candidaturas presidenciais?
Não faço ideia, mas são quantos?
Querem ter um número?
Não vou. Sei que são muitos. Não vou arriscar.
Vocês são cobardes, não podem, têm que ser corajosas. Não, 45.
45?
45 nomes. Claro que nem todos vão chegar à corrida, mas quer dizer, 45 pessoas querem ser presidentes da República, por carga d'água. É uma coisa que eu não consigo honestamente entender e, portanto, estes dois candidatos que ontem se bateram, enfim, pelo menos deram-nos ali, eu acho, um bom espetáculo de política.
Ainda assim, deixe-me só dizer isto. Eu acho que António Filipe não saiu do eleitorado do PCP, portanto cingiu-se àquele eleitorado. Acho que Jorge Pinto pode ter conseguido alguns votos à esquerda, esta esquerda europeísta. Pode ter ido buscar votos a António José Seguro. Ao almirante, não sei porquê.
Não sei porque é que ele apontou para isso. Nem sei qual é que é a vantagem, mas enfim, é o que é.
Queres dar nota a este debate ou à entrevista de Marques Mendes?
Quero dar um grande 19 para saudar todas as pessoas que, por exemplo, vou tirar aqui um nome, a Ângela Maraia, não sei se vocês sabem quem é. Ângela Maraia, a presidente pioneira, por exemplo, é uma das 45 que estão aqui a querer candidatar-se à presidência. E portanto, eu gosto deste espírito democrático, desta iniciativa, um 19 para essas pessoas.
Eu já pressenti que para Marques Mendes também será uma nota positiva, já agora, há bocado não deram.
Sim, eu vou dar um 16 à entrevista de Marques Mendes.
Eu vou dar um 18 aos entrevistadores do Observador, que fazem entrevistas difíceis mesmo quando o candidato se porta bem.
Tens ainda uma nota final, 30 segundos, sobre a conferência de imprensa de Estado.
Só para dizer, a ministra da Saúde tem estado a fazer com a gripe que aí vem, com a estirpe que parece que é bastante agressiva, aquilo que é suposto fazer. Se nós dizermos muito mal da ministra, tem muitos problemas por resolver, sabemos todos isso, mas neste caso, a seriedade e a gravidade que tem transparecido daquilo que vai acontecer nos próximos dois meses, é aquilo que um governante deve fazer. É mesmo explicar às pessoas: este assunto é sério, tenham cuidado, tenham bom senso, usem máscara, a gripe não é brincadeira e já agora, digo eu, não vão trabalhar com gripe, essas coisas que as pessoas gostam de fazer.
Nota para a ministra?
Uma nota para a ministra, um 16 à ministra para esta questão especificamente.
Ficamos por aqui. Versão compacta hoje de "O Vencedor É", porque temos a emissão especial de futebol já a seguir para acompanhar o Bayern de Munique x Sporting. Amanhã há mais notas, logo nas manhãs 360 da Rádio Observador, depois das 08h30 e depois das 18h, aqui na Tarde Política.