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Está no ar o Youven Souret da Rádio Observador. Hoje a análise aos protagonistas da atualidade é feita pelo Miguel Pinheiro, pela Alexandra Machado e também pelo Miguel Santos Carrapatoso, que se juntam ao José Manuel Fernandes e ao Júlio Magalhães. Carla, hoje falamos de zangas, máscaras e muitos ajustes de contas, do orçamento aos atrasos na ferrovia. E vamos começar então por aí. Alexandra Machado, bom dia. A CP está a gastar muito mais em combustível por causa desses atrasos. Quer explicar-nos o que é que está a acontecer?
Olá, bom dia a todos. A notícia é do jornal Público, que traz umas contas bastante interessantes, no meu entender, obviamente, sobre o impacto do atraso da Ferrovia 2020, do programa Ferrovia 2020, nos gastos de combustíveis. Portugal teria hoje mais 268 km de vias férreas no Algarve, Oeste e Douro. Obviamente, essas obras estão atrasadas em quatro anos e meio e estima-se que possa chegar a 10 anos de atraso. E estas linhas têm comboios a gasóleo a circular. Gastam mais por isso, por dia, 14 mil litros de gasóleo e 35 toneladas de CO₂. São alguns números, mas isto para ilustrar o quê e por que eu trago isto. Gostava de salientar com isto que se deve olhar para a floresta e não para a árvore. Será que estamos a avançar mesmo na direção certa para a descarbonização? A ferrovia devia ser uma questão prioritária, já aqui se disse várias vezes, várias pessoas dizem isto, mas parece mesmo. Este assunto permite-me também voltar um bocadinho às medidas que ontem foram anunciadas, eram os meus ovos da Páscoa escondidos. Se bem que o Miguel Pinheiro, no bom e mau, e o vilão, já descobriu dois dos ovos que eu trazia aqui por causa das medidas ontem do governo.
Mas podes continuar a partilhar, se forem de chocolate, de preferência.
São de chocolate, mas o Miguel é que os tem que partilhar, que já os descobriu.
Não partilho nada. Ovos de chocolate não partilho com ninguém.
As medidas apresentadas ontem, por causa da crise energética, mais uma vez para se olhar para o todo. Duas notas: já era tempo de se ter reduzido, de facto, o ISP, em vez de estarmos à espera de uma suposta descida, que terá de ser aprovada de IVA pela Comissão Europeia. Já era tempo de se terminar com o autovoucher, que não introduzia qualquer justiça, até porque, como Miguel deu o exemplo das pastilhas, mas qualquer produto que se comprasse nas gasolineiras, automaticamente uma pessoa podia receber dinheiro pelo autovoucher. E o outro ovo que o Miguel também descobriu foi o Costa Silva. De facto, foi a primeira grande derrota. Ainda agora chegou e já está com uma derrota em cima. Primeiro admitiu a tal taxação dos lucros caídos do céu, que já tinha sido parcialmente desmentido no Parlamento, mas ontem teve de dar o mortal atrás dizendo ser em último caso. Isto tudo para quê? Para ilustrar que eu acho que não há uma estratégia conjunta quando se fala destas histórias de descarbonização e de reduzir a dependência de combustíveis fósseis na sociedade. E, portanto, a minha nota vai para o governo, como um todo, se pudermos dizer assim. Um governo como um todo, nomeadamente o ministro Pedro Nuno Santos, que é quem tutela a ferrovia e do ambiente, vou dar-lhes ali um nove, mas também tenho que dar uma nota negativa a Costa Silva, por este mau arranque de mandato.
Portanto, são uns ovos negativos aqui por parte da Alexandra Machado, um nove para o governo no geral, com estes primeiros sinais, mas Miguel Santos Carrapatoso, vem aí um orçamento do Estado e pode ser que Fernando Medina tenha uma nota mais alta, será?
Bom dia, Carla. Eu pegava exatamente nestas duas palavrinhas da Alexandra: estratégia conjunta. E parece-me que o governo mais uma vez deu sinais de que não tem grande estratégia e de que está um bocadinho a navegar ao sabor do vento. Fernando Medina teve ontem as primeiras reuniões com os partidos e com os parceiros sociais. Foram todas reuniões à porta fechada. Nós tivemos a oportunidade de descobrir um bocadinho o que foi dito aos vários partidos e parceiros sociais e Fernando Medina terá admitido que este orçamento é um meio orçamento, ou seja, é o orçamento de João Leão, não é o dele, adaptado aqui e acolá para fazer face aos primeiros efeitos da guerra, mas que lá para setembro, aí sim, haverá um orçamento a sério, feito com pés e cabeça. Nós já sabíamos que este orçamento, em virtude do que aconteceu nos últimos meses, nunca traria uma revolução, seria sempre um orçamento mais ou menos idêntico àquele que tinha sido apresentado e chumbado no Parlamento, mas a sensação com que ficamos, depois de ouvir partidos e parceiros sociais, é de que este orçamento já é passado, ou seja, o mundo mudou, o orçamento é o mesmo e o governo parece ainda estar a preparar uma resposta algures para setembro. Houve um deputado da oposição que comentava em off the record com o Observador que quem se deveria estar a rir era João Leão, que terá percebido que saiu em boa altura, porque isto daqui para frente vai ser bastante pior e bastante mais difícil. Fernando Medina, para já, parece estar bastante cauteloso. Ele próprio terá assumido que 2023 é um ano muito imprevisível E que estão todos um pouco a apalpar terreno. Ser cauteloso e conservador nas previsões não é necessariamente mau, antes disso do que ser excessivamente otimista, mas a sensação com que todos ficamos, depois de falar com partidos e parceiros sociais, é que este orçamento está já esgotado mesmo antes de ser aprovado. Quando se fala em estratégia conjunta, parece mesmo que falta aqui uma visão de médio longo prazo para antecipar os efeitos da guerra que dará para durar, infelizmente. Como ainda não seria justo dar uma nota negativa a Fernando Medina, eu fico por um 10, à espera da prova de algodão do próximo orçamento do Estado, mas já com sinais muito preocupantes em relação ao futuro do ministro das Finanças. Acho que se a estratégia era fazer uma espécie de limpeza da imagem política de Fernando Medina depois do resultado traumático das autárquicas, aqui o tiro pode sair pela culatra de António Costa e de Fernando Medina. Os sinais não são nada encorajadores.
Portanto, um pouco para Fernando Medina, um 10, à espera de ficarmos a conhecer melhor o próximo orçamento do Estado. É próximo, mas é para este ano, atenção, é o orçamento que vai vigorar ainda este ano. Estamos a falar aqui de ministros novos. O Miguel Pinheiro quer falar de uma antiga-ministra, Alexandra Leitão, e da entrevista que dá hoje ao jornal Público. Já deste a entender que não gostaste muito do que leste?
Na entrevista percebe-se que Alexandra Leitão gostava muito de ser ministra e que ficou muito incomodada com o facto de ter deixado de ser ministra. E também já se percebeu como quer voltar a ser ministra, em vez de regressar à sua vida na universidade, porque as pessoas têm uma vida, não estão apenas na política e Alexandra Leitão tem uma carreira universitária. Mas em vez de voltar para sua vida na universidade, mantém-se no Parlamento, onde claramente não quer estar. Há várias pessoas nessa situação, é apenas mais uma, tudo bem. Mas há ali uma enorme confusão e há uma coisa que me incomodou um pouco na entrevista. Todos sabemos que ainda há muito a fazer para uma igualdade entre homens e mulheres numa série de áreas em Portugal. Mas a ministra, em resposta a perguntas sobre a necessidade das mulheres na política hoje em dia simularem uma certa submissão para poderem ter uma carreira, vai por ali adiante a dizer que de fato na política é preciso isso e na vida em geral, quando um homem é assertivo ou mais duro, é porque é alguém com força e depois uma mulher é vista como histérica ou descontrolada. Mas vamos lá ver, vamos lá pôr isto no contexto. Nós estamos a falar deste governo, onde ela não está, porque não foi convidada pelo primeiro-ministro. Nós estamos a falar de um governo paritário? Nós estamos a falar de um primeiro-ministro que teve a preocupação de fazer um governo paritário. Não estamos a falar de um governo onde a segunda pessoa mais importante, com mais poder, que tem um poder enorme, raro até em governos, é uma mulher, é Mariana Vieira da Silva. Que conversa é esta em relação às mulheres e à necessidade de serem vistas como histéricas ou descontroladas a propósito disto? E depois, Alexandra Leitão cai naqueles lugares comuns de sempre. Vem nos lembrar que antes do 25 de abril, as mulheres não podiam ser juízas porque se deixavam levar pela emoção a julgar e, portanto, na política, como em geral na vida, de fato, as coisas são prejudiciais para as mulheres. Ora, juízas? Portugal tem mais mulheres do que homens na magistratura desde 2007. Em 2020, nós temos 1731 juízes, homens são 659, mulheres são 1072. Por que a Alexandra Leitão vai buscar o antes do 25 de abril e as mulheres que não podiam estar na magistratura para falar do Portugal de 2020 e do papel das mulheres na política? Quer dizer, isto na magistratura não existe. Há muito mais mulheres do que homens. Eu achei que se a ex-ministra quer criticar o primeiro-ministro, deve criticar, mas deve criticar frontalmente, porque que eu saiba, a coragem política é admirada em homens e em mulheres, nos dois. Portanto, acho que aquilo que a ex-ministra deve ter é coragem política. Critica o primeiro-ministro, rompa com o primeiro-ministro, se acha que foi mal despedida. Rompa com o primeiro-ministro, diga o que tem a dizer. Agora, este tipo de argumentos para, repito, um governo paritário e onde a segunda pessoa mais importante é uma mulher, que tem um poder enorme neste governo, é que é uma coisa que soa a quem, de fato, não tem coragem de dizer aquilo que quer dizer. E, portanto, dou um seis à ex-ministra e atual deputada.
E atual deputada. Um seis, então.
E que deputada motivada nós aqui temos. Realmente, vamos ter aqui uma deputada que vai andar aqui com isto. Bem.
A carregar aqui o Os problemas que a assertividade lhe trouxe enquanto ministra. Um seis do Miguel Pinheiro para Alexandra Leitao. Nós vamos continuar aqui na alta política. Júlio Magalhães, tu queres falar de uma zanga que está a acontecer, ou pelo menos um braço de ferro entre Rui Moreira e a Associação Nacional de Municípios.
E sobretudo com Luísa Salgueiro, que neste momento é a presidente da Associação Nacional.
É socialista Luísa Salgueiro.
Exatamente, do PS, o que é um problema. Recordo que Luísa Salgueiro, Rui Moreira e o presidente da Câmara Municipal de Gaia criaram um Eixo Atlântico no Porto e tinham projetos comuns. Na altura, outra parte do Norte ficou um bocadinho aborrecida com isto, mas a verdade é que criaram ali uma plataforma de entendimento para um desenvolvimento conjunto, até porque não faz sentido hoje as cidades também crescerem sozinhas, como acontece no resto do país. E tinham ali uma boa relação e remavam ambos para o mesmo lado. Acontece que Luísa Salgueiro foi para presidente da Associação Nacional de Municípios, é do Partido Socialista, é um papel muito difícil para quem vai para lá, sendo do partido que está no governo, ainda por cima com uma maioria absoluta, e tem hoje, claro, um papel mais difícil do que teria como se fosse só e apenas presidente da Câmara Municipal de Matosinhos. Mas o ponto onde eu quero chegar é este: tem sido uma prática ao longo de muitos anos. Eu recordo que aqui há bastantes anos entrevistei um governante e depois, na conversa já fora da entrevista, em conversa informal: "Então, o Norte, como é que vai?". Quando eu entrevistei ele já não era governante, mas tinha sido. Ele disse-me: "Sabe, eu recebia muita gente do Norte, autarcas que vinham pedir coisas, estradas, rotundas, pavilhões, investimentos. Eu dizia que sim a tudo, porque sabia que chegavam lá cima e não se entendiam, porque depois o outro também queria ao lado, depois o outro também queria e acabava por não se fazer nada." Não só o Norte, olhamos também para o Algarve, para o Minho e para o Alentejo, no resto do país foi-se sempre orientando. Cada um quer ter a sua quinta e depois não há um projeto comum, não há consenso e as coisas não avançam. E claro, em Lisboa, os governos vão gerindo também muito o país desta forma. Lembro-me de um autarca nessa altura dizer que sendo socialista, preferia ter no governo alguém do PSD, porque o PSD depois dava-lhe mais do que o próprio partido dele se tivesse no governo, porque queria mostrar alguma independência. Eu também ouvi do PSD dizerem o mesmo do PS, quando o governo PS estava era melhor porque conseguia mais coisas do que se fosse do seu partido, porque no seu partido havia aquela legitimidade para dizerem: "Agora isso não dá jeito nenhum". E, portanto, as coisas não foram desenvolvidas e foi-se crescendo assim, ou seja, sem entendimento, sem estratégia, cada um a tratar da sua quinta. E é isto que vai dando também e vai alimentando muito aqueles que são contra a regionalização, não tanto contra a descentralização, mas contra a regionalização. Vai-se pedindo a regionalização, mas depois vamos tendo atitudes destas que vão minando, de alguma maneira, aquilo que deve ser uma estratégia conjunta e uma estratégia comum de coesão do território. E este é mais um episódio, embora aqui haja até uma queixa conjunta de Lisboa e do Porto, sobretudo para as verbas da educação. A verdade é que estamos aqui perante um problema que é o desentendimento entre dois autarcas. Matosinhos é neste momento também o quarto concelho com maior poder de compra, a seguir a Lisboa, Porto e Oeiras. Portanto, entre dois autarcas, dois concelhos muito importantes.
Mas vês aqui uma zanga política também.
É também uma zanga política, porque fizeram ali um Eixo Atlântico conjunto de estratégia para o desenvolvimento. Acontece é que agora Luísa Salgueiro tem um papel diferente. Rui Moreira percebe que vai ter mais dificuldades com Luísa Salgueiro para conseguir aquilo que quer para o Porto e sobretudo ali para aquela região. E as pessoas vão-se desentendendo elas próprias e vão dando este tipo de sinais, que é: "Pronto, estão a ver, se houvesse regionalização era isso que ia acontecer, cada um a tratar de si, cada um a tratar da sua quinta, cada um a desentender-se." Não é um bom sinal.
É má publicidade para a regionalização.
E sobretudo é algo que vem de longe e que não se consegue ultrapassar, que é, na verdade, nas várias regiões do país, haver uma concertação, haver uma estratégia, em que se percebesse que é tudo uma região, todos estão ligados. O Porto normalmente é o que se diz: Lisboa concentra no país, depois o Porto concentra na região Norte e os outros não querem, ligam-se sobretudo ao governo, vêm a Mazé falar diretamente com o governo, porque não há uma estratégia conjunta. Vocês lembram-se bem até da polêmica que deu, na altura, o facto de Rui Moreira ter feito só esta frente atlântica, porque não queria promover a região com o Galo de Barcelos. Lembram-se um pouco disso. E isto não ajuda nada. Não ajuda nada, não fica bem e dá a sensação de que há aqui uma grande pendência e é por isso que vai uma nota negativa. Não é para este tipo de atitude, porque isto faz parte da política, estes desentendimentos fazem parte daquilo que é a atividade política, daquilo que é a atividade do dia a dia de uma autarquia. Isto acontece lá, acontece aqui, acontece em todo lado. A nota negativa é mesmo para a estratégia, nem é para a atitude.
Para a estratégia do Rui Moreira ou estamos a falar de outros dois?
Para a estratégia de toda uma região. Ou seja, a região dá a sensação que não se entende. E por isso mesmo é que as coisas vão ficando sempre na mesma. É como se dizia há muitos anos, hoje as coisas já não são assim, naturalmente, mas já era o que se dizia. Eles depois ajudam tudo e depois chegam lá e desentendem-se, porque um também quer, se um tem pavilhão, o outro também quer ter, se um tem uma rotunda, o outro também quer ter. E depois acabam por não ter nada. Isto foi há muitos anos, já não é assim. Hoje olhamos para o país inteiro e as autarquias e os autarcas desenvolveram muito aquilo que são as suas terras, as suas cidades, vilas, aldeias. Têm gosto nisso. Há uma competição até saudável de a minha ser melhor que a minha aldeia, a minha vila, a minha cidade ser melhor tratada do que a do lado. Têm orgulho nisso, mas depois tem que haver, de facto, uma estratégia comum. E não há. E este é mais um sinal.
É um caso desses. Qual é a tua nota então, João?
Vai um oito, claramente, para este problema. Eu ainda não li na totalidade, eu vi há pouco aqui no nosso noticiário algumas das explicações, mas não é nada bom sinal de facto dois autarcas que estão em conselhos que são dos que têm maior poder de compra no país e mais desenvolvidos, desentenderem-se, sobretudo vizinhos, porque muita gente do Porto vive em Matosinhos, muita gente de Matosinhos trabalha no Porto e vive no Porto. É uma mistura, não há quase separação entre Porto e Matosinhos e Porto e Gaia, neste caso.
Um oito para esse desentendimento.
Um oito. Está-se a ver que não vai correr bem.
Não vai correr bem. Nós daqui a pouco vamos ouvir também o presidente da Câmara de Coimbra, já falámos também sobre esta questão e ele diz que a Associação Nacional de Municípios também tem de repensar o papel. Vamos ver no que isso dá. José Manuel Fernandes, vamos ao teu vencedor e é um tema sobre o qual tu tens falado muito e que é a máscara nas escolas. Hoje o jornal "Público" diz que as escolas devem ficar com a máscara obrigatória até o final do ano letivo.
Pois, parece que sim. Toda a gente tinha a esperança que esse verdadeiro tormento acabasse, mas não. Eu sugiro que a doutora Graça Freitas compre uma máscara para ela, possa andar de máscara o tempo todo que ela entender, se acha que se sente bem assim, mas deixe as pessoas em paz. Neste momento, Portugal já é praticamente um dos únicos países da Europa onde continua a ser obrigatório o uso de máscaras nas condições em que é conhecido. Isto quando somos também um dos países da Europa que tem mais pessoas vacinadas, vacinamos os miúdos até aos cinco anos, fizemos tudo e as pessoas continuam a ter que andar de máscara. Isto não faz sentido. Para ser franco, isto não faz sentido. Saber se o tal barreira dos não sei quantos mortos há 14 dias para passar abaixo do critério definido não sei quando e por aí adiante. Isto é já completamente burocrático, não tem nada a ver com a realidade, não tem em consideração as consequências que o uso de máscara tem para a saúde mental das crianças, nomeadamente, como ainda há pouco no noticiário, uma psicóloga clínica que chamou a atenção, para as consequências que tem também na aprendizagem, porque não é a mesma coisa ver ou não ver a boca dos alunos e ver ou não ver a boca dos professores, para o convívio, para tudo. Portanto, não há explicação para isto. É mesmo próprio de dirigentes velhos, que olham para um país de velhos e que não se preocupam com as gerações do futuro. Portanto, acho que isto já não faz sentido nenhum, já não tem nada a ver com o que se está a fazer em nenhum outro sítio da Europa, nos países mais desenvolvidos. E reparem, esta questão do terceiro período é uma questão importante. Saber se no dia 18 ainda não se atingiu a tal meta, vai-se atingir no dia 20, 23, 24, 30. Não, isto percebe-se pelo que a doutora Graça Freitas diz: estamos com medo da Páscoa, estamos com medo do convívio da Páscoa. O que ela está com medo? Está com medo que desapareceu dos noticiários, já não pode andar a assustar o país todos os dias e de repente achou que tinha que pôr as pessoas com máscara.
O dia 18 é o dia de regresso à escola depois das férias da Páscoa, havia a expectativa dos alunos de poderem reencontrar-se já noutro modelo.
Exatamente. E ela diz que tem medo da Páscoa e dos convívios da Páscoa e de qualquer coisa desse gênero. E portanto, como agora, por causa da guerra da Ucrânia, já não aparece nos noticiários dia sim, dia sim, arranjam uma forma de voltar aos noticiários atormentando a vida das crianças. Sinceramente, isto não faz sentido. Preparar as escolas para um terceiro período, de que se calhar só dois ou três dias é que ainda se está com o tal índice que leva para esse terceiro período, é psicologicamente, pedagogicamente, o que quiserem, um erro tremendo e portanto para as autoridades que decidiram isto, para mim, vai um zero direto, nem sequer é o segundo, é um zero, porque isto é uma falta de sensibilidade absoluta que eu não consigo compreender.
E então fica aqui o zero do José Manuel Fernandes para esta indicação de que as máscaras vão continuar a ser obrigatórias nas escolas para lá do dia em que a medida vai ser reavaliada, que vai ser daqui a seis dias, no dia 18.