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Este é o som do "Iuvensore" das manhãs 360. Nos próximos minutos damos notas aos principais protagonistas da atualidade. E para hoje temos uma edição especial. O Carlos já se está a rir.
Este jingle deixou algum gás pronto para tudo.
Juntam-se a nós e à Helena Matos, os autores do novo podcast da Rádio Observador, "Homens de Uma Certa Idade", o António Raminhos, o Luís Filipe Borges e o Marco Horácio. E assim ficam cinco homens de uma certa idade e uma mulher sem idade.
Não, com muita idade.
Helena, vais ter que dar para eles todos. Queres começar? Vais dar nota a quem?
De certa forma, à Mariana Leitão e implicitamente também a Carlos Moedas. Eu já percebi que nós vamos ter uma campanha eleitoral em que uns candidatos ou outras pessoas que os apoiam se vão referir a Gouveia e Melo de uma forma direta e outros de uma forma indireta, ou seja, dizendo: "Prefiro, como Carlos Moedas, um candidato que tenha experiência política." Para não dizer o nome de Gouveia e Melo. Isto vai ser assim, cada um faz como quer, mas em relação à Mariana Leitão, eu acho que há aqui um risco. Quando se diz, e agora estou a citar, que voltar a ter um militar na Presidência da República seria, e agora é que começo mesmo a citar, "até um certo retrocesso civilizacional", fim de citação. Independentemente de todas as questões que se podem colocar sobre a candidatura de uma pessoa cujo pensamento político não conhecemos e que, na minha opinião, só está com estes níveis de popularidade porque o Estado português tem falhado nas coisas mais elementares e, portanto, quando apareceu alguém que conseguia fazer o simples e o óbvio, que era conseguir que as pessoas levassem as vacinas como estava estabelecido, ficou erigido em salvador da pátria. Mas é preciso ter um bocadinho de cuidado em chamar retrocesso civilizacional. Isto, para já, lembra-me sempre o Bloco de Esquerda, que queria sempre avanços civilizacionais, tudo eram avanços civilizacionais. E depois, quem não defendia as ideias do Bloco era um retrocesso civilizacional. Pensava eu que estávamos libertos, por via da questão laboral do Bloco, do retrocesso civilizacional e do avanço civilizacional, porque não sei se despedir grávidas ou mulheres que foram mães há pouco tempo é um retrocesso, se um avanço civilizacional. Vem agora Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, senhores, falar em retrocesso civilizacional. Eu não sei. Eu acho que a Iniciativa Liberal fez muito bem em apresentar uma candidata à presidência. Acho que Mariana Leitão é, sem dúvida, uma boa candidata e pode vir a ser uma boa líder do Bloco de Esquerda.
Do Bloco de Esquerda? Seria uma grande surpresa. Da Iniciativa Liberal.
Teve até aquele presidente, que foi Pedro Nuno Santos, líder do Partido Socialista, não é líder de um partido pequenininho, é líder do Partido Socialista, a dizer que o PS, ao contrário da Iniciativa Liberal, quer dizer, por amor de Deus, veja lá com quem é que se compara, não indica o seu candidato presidencial. Teve essa oferta, mas agora falar de retrocesso civilizacional. A propósito de se ter um militar em Belém, é assim, Portugal tem Forças Armadas, somos uma democracia, os militares são cidadãos como os outros e, portanto, que um militar vá para Belém ou possa ir para Belém, ou seja, visto como possível vencedor da eleição presidencial, não me parece um retrocesso civilizacional.
Desde que seja eleito.
Desde que seja eleito, é a democracia a funcionar. O que me parece já de si estranho, e Mariana Leitão, que até lidera um partido, pode refletir sobre isso, é como é que o nosso Estado chegou a tal grau de ineficácia que um homem conseguir pôr um plano de vacinas a dar vacinas, que é para isso que ele é criado, se tornou numa coisa extraordinária, tipo assim o novo Vasco da Gama.
E a culpa foi dos civis.
Pois, a culpa é mesmo dos civis. Sim, claro. Já das outras vezes também foi.
Sim, sempre.
Podemos depois um dia falar disso. Só mais uma coisa: hoje estava ali sentada na redação e ouvi uma voz que me fez mesmo voltar a quando eu tinha uma outra idade. Pensei: "Era Ramalho Eanes a falar." Há imensos anos que não se ouvia. Isso sim foi uma viagem no tempo. Portanto, para Mariana Leitão, eu dou um 12, que é aquela nota irritante do bom quarto basto.
Mas dispensável.
Mas ela vai mesmo ter de se defender.
Arrumar outros argumentos.
Arranjar outros argumentos e ter muito cuidado. Não se pode disparar assim com este tipo de argumento sobre o candidato que está melhor colocado.
Um 12, então.
Estamos a entrar num quadro político interessante, não acham? Porque Mariana Leitão, Alexandra Leitão, se algum partido arranjar um candidato chamado Bácoro, isto já não são políticos, é uma vara.
Que lindo, Borges, que lindo. Um lindo momento agora.
Obrigado a todos por eu estar aqui a semana toda.
António Raminhos, também queres pontuar Mariana Leitão?
Era bem pior se algum arranjasse um candidato chamado Bairrada, não?
Bairrada? E é mais fácil arranjar Bairrada.
Era bem pior.
Sim, eu também acabei por escolher Mariana Leitão e com a mesma nota.
Não te lembravas desta rubrica, não é?
Não, sim. Aliás, eu tenho aqui duas considerações em relação a duas candidatas. A Mariana Leitão, por ser candidata à Presidência da República pela Iniciativa Liberal, mas sobretudo por ser jogadora federada de bridge.
Isso é chocante.
Isto é chocante.
Há jogadores federados de bridge?
Exatamente. E o bridge é uma espécie de sueca, mas das classes mais altas. O povo joga a sueca.
Eu sou federado na bisca lambida.
Pronto. O povo joga a sueca, classe média alta joga bridge. Portanto, vamos ter Mariana Leitão a fazer campanha em jardins públicos, a tentar convencer os velhos que jogam à sueca a mudar, porque há um lobby.
Portanto, é um avanço civilizacional.
Sim. E depois tenho aqui a Cristina Ferreira, possível candidata à Presidência da República, porque também é melhor para as arruadas em férias, porque ela ainda sabe o lugar das estacas, seria fácil para ela. Mas vocês se puderem imaginar umas eleições com Cristina Ferreira, André Venturi e Joana Amaral Dias, isto parece o início de uma anedota.
É por isso que eu estou a ensinar os meus filhos a serem imigrantes. É esse o meu sonho para eles.
Não sei se viram a entrevista da Cristina Ferreira na CNN.
Tenho a certeza.
Mas devias ter visto. Quando lhe perguntam se ela seria candidata, e ela diz esta frase: "Eu gosto muito de política, tenho muita curiosidade em relação ao que é política e em relação aos políticos do nosso país", que é a coisa mais supergeneralista em relação a qualquer coisa que tu podes dizer.
Claro, pode dizer isso sobre tudo. Eu gosto muito de desporto. Tenho muita curiosidade em relação ao desporto e em relação aos desportistas do nosso país.
Diz isso em relação ao bridge.
Eu gosto muito de bridge, tenho muita curiosidade em relação ao bridge e em relação aos jogadores de bridge do nosso país. Em brumas íntimas, tens alguma posição? Eu gosto muito do Pippi, tenho muita curiosidade em relação ao Pippi e em relação às pessoas que usam o Pippi no nosso país. A tua nota para o Pippi, de zero a 20. Ainda não cheirei. Não sei. Não é Pippi, é Pipi.
É Pipi.
Pipi. Ela diz que é Pipi.
Marco Horácio, gostas muito de Gouveia e Mel? Tens muita curiosidade sobre Gouveia e Mel?
Gosto muito do Gouveia e Mel.
O Horácio não pode ver um homem de farda.
Assumo aqui perante todo este auditório português e não só, que há muita gente na Austrália que está a ver isto neste momento, que gosto muito do Gouveia e Mel. Sou aquele típico português que fiquei embasbacado com a capacidade dele de impor regras e de prometer uma coisa e conseguir cumprir, coisa que eu em 51 anos nunca vi em Portugal.
É muito bom no Excel, que é uma coisa que nós somos fraquíssimos.
Exatamente. Mas para mim, eu desenvolvi um certo carinho por este, agora já não é comandante, este cidadão Gouveia e Mel, desde a pandemia. Parece um homem honesto. Agora acho que só tem que aprender a tirar selfies e tirar férias no Algarve. Porque o Marcelo vai deixar umas saudades.
A não se comparar com Dom João na revista da Armada, sendo que a coisa mais chocante para mim nessa notícia foi a Armada ter uma revista. Mensal.
Mas uma revista tipo à "Férias" ou uma revista revista?
Mensal. Revista revista. Uma revista mensal.
A nota que eu vou dar é 15 e só não dou 20, porque cada vez que ele aparece na televisão, acabo por comer um pirex de douradinhos do Capitão Ignoto e o meu colesterol já subiu à conta disso.
E com uma mulher mais nova é muito arriscado.
Não sei se já tinha dito. Não queria estar aqui a gabar, mas por acaso está namorado de uma miúda de 20 anos.
Nota 20 é que é a idade dela.
Exatamente.
Então vai um 15.
Tu no Carnaval vais-te mascarar de Gouveia e Mel, não é?
Vou, sim, senhor.
Depois a afastar a mascarilha, comprar o fato de almirante.
Luís Filipe Vaz, achas que Marcelo Rebelo de Sousa vai deixar saudades e vai ser termo de comparação para o próximo presidente?
Bom, será sempre termo de comparação. Eu escolhi Marcelo Rebelo de Sousa até para fazer uma viagem down the memory lane, porque eu fui aluno de Marcelo Rebelo de Sousa, foi o meu professor de Ciência Política e Direito Constitucional, era o professor da cátedra, portanto éramos 300 naquele anfiteatro e, honra lhe seja feita, era um professor absolutamente extraordinário.
E não se esquece dos alunos, verdade? Ele sabe quem somos ali.
Eu posso contar esta muito rapidamente, que foi uma coisa que me marcou até hoje. São 300 alunos e eram 300 alunos ali. Ele também ia à Católica e também tinha outros afazeres e tinha pareceres para dar às 04:00 e cobrar 1500 € a quem lhe estava a telefonar. Tinha muitas coisas para fazer. E a única vez em que ele comunicou comigo foi numa tradição que o professor Marcelo tinha, que era no final do ano convidava os alunos para jantar. E esse jantar nesse ano, que foi na Real Fábrica, no Rato, coincidiu com um debate qualquer importante e ele pediu desculpa a toda a gente, mas esteve o tempo todo colado à televisão porque depois tinha que falar para a rádio e para a televisão, etc. Mas à entrada do restaurante cumprimentou os alunos um a um, aqueles 300. E foi o nosso único contacto. Passados não sei quantos anos, eu ainda nem sequer fazia televisão nem nada disso, entro no Monumental, estou a subir as escadas e o professor Marcelo está a descer e ele diz: "Então, Luís, como está?" E eu fiquei: "Bom, que raio de cabeça é esta?" Não, ele chama Luís a toda a gente. Se calhar é isso.
Assim é que se ganham eleições.
Só mais uma história. As aulas de anfiteatro não têm propriamente dialética, o professor fala, nós escutamos e tomamos notas. Ele era excepcional nisso. Mas eu apanhei o período em que ele está a chegar à frente como candidato líder do PSD. E um belo dia, sem dizer nada à turma, a única coisa que ele disse foi: "Daqui a bocadinho é capaz de aparecer aí uma equipa da RTP por causa daquela outra coisa que eu ando a fazer." Ele não nos doutrinava, só disse isto. Nunca se falou do aspecto político em aula. E aparece uma jovem Márcia Rodrigues, mas já então uma estrela em ascensão dentro da RTP e um operador de câmara. E o professor Marcelo, sem combinar nada com a turma e em aulas onde nunca houve diálogo, nem antes nem depois, recua de forma muito orgânica na matéria, mas recua uma coisa que nós sabíamos há não sei quantos meses e começa a falar dos regimes políticos. Então presidencialista, semipresidencialista, parlamentar. "Na Inglaterra, o regime é..." E 300 pessoas respondiam. "E na Alemanha, como é que é? E em Portugal, como é que é?" E toda a gente a responder em coro. E eu lembro-me da expressão elevada de Márcia Rodrigues, deste professor, este maestro tem estes 300 alunos na mão e eles sabem tudo. É um estratega, tem um lado brilhante. Termina muito mal como presidente. Acho que é um homem que se deixou levar pelo ego, pela vaidade, está numa altura muito complicada da vida, porque está a perceber que afinal as pessoas não gostam todas dele. Mas tendo em conta essas memórias simpáticas que eu tenho dele como professor, de zero a 20, 10. E é tão irônico.
Foi a nota que ele te deu.
Ainda bem que eu nunca fui teu aluno.
Podemos chegar ao momento em que um homem que deu notas durante décadas agora leva uma nota de um ex-aluno. E quanto é que ele te deu? Eu era bom aluno, mas atenção, nesses 300 havia 30 que eram com metanfetaminas, cocaína, seja lá o que é que eles faziam, eram inacreditáveis. Eles podiam chegar ao 14. Eu era um bom aluno, 14, 15, o que em Direito é bastante bom.
Grande vingança ao professor. Uma nota mais baixa do que o professor deu.
Ele está à espera disto há anos.
Esta vai a oral.
Vai a oral, sim, senhor.
Pronto, o Luís Filipe Vaz faz já o balanço do mandato do Marcelo. Ainda falta um ano, se calhar ainda pode haver aqui muita surpresa neste último ano.
Não sei. A única coisa que ele vai fazer este ano é tentar evitar tudo por tudo que o teu querido seja eleito, vais ver.
O teu querido Cuca Moreira.
Sim.
O teu querido Almira.
Aliás, Super Bowl tem essa aposta também. Vou apostar nisso.
Estamos aqui a falar de candidatos ou pré-candidatos presidenciais do PS. Nem no sábado vamos saber alguma coisa, afinal, Paulo.
Pois, são as novidades de hoje, o Expresso e o Público dizem-nos que a Comissão Nacional do PS está marcada para sábado, dia 8. O anúncio foi feito por Carlos César, a marcação desta reunião, há cerca de uma semana e meia. Criou-se a expectativa de que o PS ia resolver a sua questão nesta reunião, mas isso não vai acontecer. O Expresso e o Público dizem que a reunião não vai servir para escolher o candidato a Belém, que Pedro Nuno Santos, diz o Expresso, vai chegar à Comissão Nacional sem candidatos presidenciais. E eu acho que a reunião tinha sido marcada com o objetivo ou de pressionar, pelo menos António Vitorino, a dar um sinal de que avançaria, ou então de sair dali um perfil que pudesse, de alguma forma, fazer uma escolha. Arrisca-se a ser mais um momento de cacofonia no Partido Socialista. Nós já temos visto na praça pública as trocas de tiros e a troca de argumentos entre aqueles mais próximos de António José Seguro, se quisermos, e aqueles não podem com António José Seguro.
Mas duríssimos.
Exato. Não tem sido bonito dentro do mesmo partido. E indo para esta reunião da Comissão Nacional neste ponto, isto é, no ponto em que o PS estava há um mês, há dois meses, eu não sei se sairá daqui alguma coisa. E portanto, Pedro Nuno Santos, ao não ter desenhado nenhuma estratégia atempadamente para as presidenciais, vai acabar por ser vítima dela de alguma maneira. Porque não sabemos até quando é que o PS andará nisto e que fraturas internas é que esta questão, esta discussão, depois vai provocar.
Estamos a um ano das presidenciais. Não poderão surgir surpresas, entretanto, o que é que vos parece? Nomes.
Estou à espera do Bairrada.
Do Bairrada. Não vos parece que possa surgir nada entretanto que desbloqueie?
Tempo não falta para isso.
Se calhar o Rui Costa, como ele não vai ganhar no Benfica, se calhar o Rui Costa ainda vai tentar.
Não, eu ia dizer o Jorge Jesus. Se ele fosse candidato, eu votava no Jorge Jesus, só para o ouvir falar.
Só para te ver.
Pelo poder da palavra.
Eu tenho que falar de Jorge Sampaio. Jorge Sampaio, no estrangeiro, era um presidente diferente fora e dentro. Ele tinha aquele inglês absolutamente impecável.
Igual ao do António Costa.
Nós estávamos juntos. Há quantos anos é que o António Guterres está à frente da ONU e continua a falar inglês como Mário Soares falava francês? É uma coisa que eu não consigo perceber.
Só falta a tua nota.
Só falta dar um oito a Pedro Nuno Santos e é um oito, não é mais baixo, porque ainda há três ou quatro dias em que pode sacar um coelho da cartola.
O mercado está quase a fechar.
Está quase a fechar, de facto. Não tarda nada. Portanto, ainda pode recuperar.
Ainda pode recuperar e subir do oito. Bruno, Carlos Moedas fala de presidenciais, mas não fala da sua eventual recandidatura.
Não, mas ontem explicou na CNN porque é que ainda não anunciou a recandidatura e faz sentido aquilo que ele disse. Ele diz que o incumbente, o presidente da Câmara, não tem de anunciar muito cedo a intenção de se recandidatar, porque está a trabalhar. Deu o exemplo até de Fernando Medina, nas últimas eleições autárquicas em Lisboa, que também só anunciou a recandidatura em junho, julho, portanto poucos meses antes das eleições autárquicas. Mas toda a gente também já percebeu que a intenção de Carlos Moedas é de se recandidatar à Câmara de Lisboa, sente que os lisboetas estão com ele, pelo menos ele faz questão de o dizer. E ontem na CNN, num programa de entrevista, de comentário, Carlos Moedas defendeu-se bem das questões sobre a segurança, explicou porque é que a diminuição dos números da criminalidade, que foram apresentados há umas semanas pela PSP, que são números provisórios ainda, não significam que não haja preocupações e não significa, e isso ele também já vinha a dizer há uns meses, que não haja necessidade de mais policiamento e de ter mais polícias municipais, algo que ele tem vindo a exigir ao governo, não só ao governo de António Costa, ao governo do PS, mas também agora ao governo do PSD. Há outra questão, e ele vai insistir muito nisso, e acho que isso o PS, por um lado, deu-lhe um bombom, que é a radicalização do PS e de ter uma adversária nas eleições autárquicas, Alexandra Leitão, que ele acha que encaixa nesse perfil de uma maior radicalização, de um desvio esquerdista do PS.
A Alexandra Leitão parece preparada para esse argumento. Sempre que fala, diz: "Sou acusada de radical, mas eu não sou de nada radical."
E vai ter de insistir nesse argumento. Eu não sei se também Carlos Moedas não corre o risco de exagerar e a certa altura se perceber que esse argumento levado ao extremo também não convence. Até porque ele ontem esteve constantemente a encostar Alexandra Leitão e este PS de Pedro Nuno Santos ao Bloco de Esquerda E o Bloco de Esquerda, neste momento, não entra nestas contas. Já não tem essa capacidade de influência, não tem o poder de arrastar o PS para perto de si. E se ele falasse da esquerda ou de se encostar mais à esquerda, talvez tivesse outro efeito, mas falando do Bloco de Esquerda, sobretudo neste momento que o Bloco de Esquerda está a atravessar, pode ter um efeito de ricochete, porque se insistir demasiado na força do Bloco de Esquerda para influenciar este PS, isso não é tão convincente. E mesmo na questão da radicalização e de Alexandra Leitão ser uma radical, já se percebeu que essa é a estratégia, mas Carlos Moedas vai ter de temperar essa tentação de usar sempre esse argumento. Agora, as sondagens que foram voladas, os estudos que foram volados, dão uma grande vantagem, para já, a Carlos Moedas, e ele também se sente confortável com isto. Curiosamente, um dos comentadores do programa de ontem, o Rui Calafate, lembrou-lhe, e isso eu acho que é de certa forma curioso, que Fernando Medina também partiu para as últimas eleições com uma grande vantagem, uma enorme vantagem nas sondagens.
Chegou a estar 24 pontos acima, e não foi só no início.
Foi mesmo.
O Moedas só está 20 pontos acima, o Medina chegou a estar 24 e não foi no princípio, foi mesmo quase em cima.
E esta sondagem tem muitas limitações, porque só tem dois candidatos.
Claro, tem bastantes limitações e é muito no início, ainda falta muito para o fim e Carlos Moedas pode ter aqui um problema, correr um risco grande, que é o de se sentir demasiado satisfeito consigo mesmo, com o trabalho que tem feito. Pode se sentir orgulhoso do trabalho que tem feito, não o vamos ver a criticar o seu próprio trabalho. Mas esta satisfação e esta ideia de que, de facto, o PS lhe deu um bombom com uma adversária que encaixa bem na narrativa que ele quer ter, pode ser um perigo para Carlos Moedas. Ele não se pode encostar à sombra da bananeira e pensar que isto está ganho, porque ele próprio sabe como é que as coisas funcionam, porque ele ganhou partindo de uma grande desvantagem das sondagens. Portanto, por aquilo que ele disse ontem, eu acho que se esteve bem, genericamente vou lhe dar um 12, mais como alerta para os tempos que aí vêm. Não são favas contadas. A corrida não está ganha, ainda falta muito tempo e às vezes a satisfação excessiva consigo mesmo pode ser um problema para Carlos Moedas.
Ainda não começou sequer a campanha, não estão fechados todos os candidatos, mas para já os sinais, Carlos Moedas tem esta narrativa. Um 12 para a entrevista de ontem do presidente da Câmara de Lisboa. Pois, e o vencedor é histórico. Hoje, pela primeira vez, se calhar pela última, falámos de pipis. Amanhã voltamos.
Pipi.
Amanhã voltamos com outros temas.
E só demos notas positivas.
Houve um oito.
Houve um oito. O Paulo manteve a posição.
As pessoas que fazem sondagens vão para as sondagens quando se fartam da meteorologia, não é? Porque a taxa de acerto é muito semelhante.
Não, a meteorologia é sempre mais.
Só falta a aplicação.
Pois, tens razão.
Mas a expressão é a mesma: eles dizem.
Eles agora não dizem mais nada, dizem daqui a pouco. Amanhã volta mais um "E o Vencedor é".