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"E o Vencedor É", hoje com Judite França, Anselmo Crespo e a Raquel Abbacabis. É uma das notícias do dia, o acordo que permitirá desbloquear o impasse sobre a nomeação de juízes em falta para o Tribunal Constitucional. Muito resumidamente, com o passar do tempo, passaram de três para quatro as vagas. Agora em maio haverá quatro vagas e isso abre a porta a uma solução. No fundo, cada um dos três partidos, PSD, PS e Chega, vão apresentar uma proposta de um juiz para o Tribunal Constitucional e depois o PSD apresentará um quarto nome e o PS irá votar esse nome. Anselmo Crespo, isto resolve o problema? Há pouco ouvimos o Hugo Soares aqui, nunca vi ele assim contente.
Pois, imagino. Resolve uma parte do problema, já vem tarde. Eu diria que finalmente, ainda pago para ver o que vai acontecer com o Tribunal Constitucional até maio. Mas talvez agora nos possamos focar em problemas verdadeiramente importantes do país, já que andamos aqui há semanas, meses. Parecia que andávamos a debater a nomeação e as escolhas para estes órgãos, mas na verdade andámos a debater a fragilidade dos partidos políticos que temos hoje em dia na Assembleia da República, por um lado, e por outro lado, também andámos a debater o cinismo de um partido em concreto, que é o Chega. Eu abstemo-me de dizer que caiu a máscara do Chega, mas eu acho que a frase já começa a estar estafada relativamente ao Chega, o partido contra tachos e tachinhos, o partido que não se preocupa com cargos, não fez outra coisa este tempo todo que não fosse preocupar-se com cargos. Nem lhes chamo tachos, porque no caso do Tribunal Constitucional, nem sequer se aplica. Mas enfim, noutras nomeações, por acaso até se podia aplicar. O país político e mediático, já agora, porque nós jornalistas não definimos a atualidade. As pessoas acham que sim, mas não é verdade. Nós andámos este tempo todo a debater este assunto, quando na verdade nós temos problemas muito mais graves com que nos preocupar e com que eu acho que os partidos deviam estar preocupados. Eu não nego, nem desvalorizo a importância do Tribunal Constitucional, nem da Provedoria de Justiça, nem do Conselho de Estado, apesar de eu achar que é um órgão com muito pouca influência. Tudo isso é importante, mas não me parece que o Parlamento e que estes três partidos em concreto tenham passado propriamente uma imagem muito positiva para o país na forma como geriram tudo isto. Eu, apesar de tudo, acho, pelo menos da informação que tenho, e que é só aquela que é pública, acho que o PSD andou, de facto, mais ou menos bem no meio deste processo todo, porque andou a tentar manter aqui um equilíbrio e tentar chegar a um consenso, não deixando nem o Partido Socialista de fora, nem o Chega de fora. Eu não sou, nem nunca fui daqueles que defende que no caso do Tribunal Constitucional, o Chega não deve sugerir um nome. Eu acho que de facto o Parlamento tem que retratar esta realidade, mas também seria absolutamente contra que o PS não pudesse nomear alguém para o Tribunal Constitucional. Portanto, eu acho que o PSD andou bem e se conseguir levar este processo a bom porto, no sentido de se conseguir que PS e Chega tenham a possibilidade de nomear alguém, acho que é uma solução positiva, apesar de tudo. Claro, depois dependerá dos nomes que estão em cima da mesa, mas apesar de tudo, não me parece que se esteja a tentar propriamente colocar um militante do Chega no Tribunal Constitucional, pelo menos não foram esses os nomes que vieram a público. Mas acho que era desnecessário termos andado este tempo todo com isto. Acho que os partidos, de facto, não deram uma boa imagem deles próprios, não deram uma boa imagem do Parlamento e perderam demasiado tempo, demasiado esforço concentrados num tema que se podia ter resolvido em muito menos tempo, quando havia coisas mais importantes.
Raquel.
Eu concordo com o Anselmo, que isto, de facto, não é um tema que preocupe os portugueses em si, embora nesta lista de nomeações, o que está em causa é garantir o regular funcionamento das instituições, porque ter o Tribunal Constitucional completo é isso que é, os membros para o Conselho Superior de Magistratura é isso que é, e muitos outros, o Provedor de Justiça é isso que é. Portanto, de facto, nós deixámos as instituições a funcionar irregularmente tempo demais, e isso é culpa dos partidos. A discussão do tricô, como estes organismos são compostos, é politiquice. Eu acho que, por um lado, o PSD portou-se com o recato que era obrigação de um partido que está no governo portar-se durante este tempo todo. Agora, eu não percebo por que levamos este tempo todo para chegar à conclusão que se chegou hoje, porque toda a gente sabia que o José João Abrantes ia sair.
Será que sabiam? Se calhar já não se lembravam.
Não, toda a gente sabia.
É uma saída antecipada.
Mas eu que não sou especialista nesta matéria, já li esta notícia seguramente há mais de um mês. Portanto, se a chave da solução para o problema era que havendo mais um juiz pra escolher, isso dava pra encaixar toda a gente, isso já se podia ter decidido lá atrás, que seria em maio, mas que a solução era esta. Francamente, não percebo por que levaram tanto tempo a tomar esta decisão, que era uma decisão aparentemente fácil. Onde eu também não estou completamente de acordo com o que o Anselmo disse, é que acho que mesmo que acontecesse o Partido Socialista não ter direito a uma designação desta vez, a atual composição do Tribunal Constitucional garante o equilíbrio das forças com assento parlamentar dos principais partidos. O Partido Socialista, junto com esta nomeação, se não continuar a ser majoritário, pelo menos está ex aequo com o PSD. Eu, de facto, acho que há uma coisa útil que esta discussão toda trouxe, que é perceber-se que num quadro político que está radicalmente diferente daquilo que sempre foi, estas contas também têm que ser feitas de forma diferente, por mais que isso custe a quem sempre esteve em posição de poder fazer essas escolhas. Porque teoricamente, a semana passada ouvimos aqui a entrevista do Jorge Miranda, que foi aliás muito badalada pelas coisas que ele disse e em que ele afirma que acha que em circunstância nenhuma estas decisões podem ser tomadas fora do quadro dos dois grandes partidos. Mas a pergunta que se faz é a seguinte: e se acontecer ao PS ou ao PSD aquilo que tem acontecido por toda a Europa, que é estes partidos ficarem residuais no Parlamento, continuam a ser eles a escolher? Não faz qualquer sentido. Talvez a única coisa de bom que esta discussão tenha trazido foi pôr à evidência que uma mudança do cenário político conduza a mudanças de coisas que sempre foram da mesma maneira ao longo de 50 anos de democracia, mas que é a vida da democracia. As escolhas mudam e estas opções também têm que mudar.
Judite de França.
Eu acho que o PSD ajudou aqui o PS a salvar a face, porque objetivamente o PS podia, como diz a Raquel, não ter direito a outro juiz do Tribunal Constitucional. E eu acho que o PSD encetou aqui as negociações para o orçamento de Estado e acho que o Partido Socialista vai ficar aqui a dever uma ao PSD, porque a grande dificuldade aqui era de facto encaixar o Partido Socialista. O Chega parecia-me que à partida, pela leitura do PSD, teria direito. E é a velha história, são três agora, é preciso fazer outras contas, as contas são diferentes de quando são a dividir por dois. Mas parece-me que o facto de PS e PSD terem chegado a este entendimento significa que o PSD deu aqui uma ajuda ao Partido Socialista a encaminhar a bola até à baliza, fez aqui uma assistência e essa assistência vai ser paga mais cedo ou mais tarde, e o mais cedo será com o orçamento do Estado, não sei se é mais cedo, se é mais tarde, mas o mais importante será com o orçamento do Estado. E eu acho que o júbilo de Hugo Soares hoje tinha mais a ver com isto, ou seja, com o futuro muito breve, com o dia seguinte, do que propriamente com esta questão, porque de facto fechar esta questão era importante, mas já foi adiada tantas vezes que se andassem aqui mais um bocado a empurrar com a barriga, não seria de estranhar. Acho, de facto, que foi importante para o Partido Socialista e acho que foi importante para o PSD, e o Chega acaba por, neste momento, conseguir aquilo que quer e também pode cantar vitória. No fundo, todos podem cantar vitória no final disto, que era aquilo que desejavam.
Mas pegando uma coisa que o Anselmo Crespo dizia há pouco. A imagem das instituições e da democracia também não sai bem disto.
Eu acho que não.
Quando nós passamos esta ideia de que faltam três juízes, mais uns anos, três anos, não há problema.
A gente consegue fazer um acordo.
Ou seja, as instituições a funcionar de forma coxa durante tanto tempo, isso acaba ou não acaba por ser desvalorizado também pelos partidos?
Eu acho que sim, eu acho que é desvalorizado. Eu acho que os partidos usam isto mais como uma forma de se organizarem de forma tentacular, de alguma forma. Não negativamente, isto tentacular parece negativo, mas ramificar.
Capilar.
Capilar, era mesmo isso que eu precisava. E eu acho que isso é uma forma dos partidos se organizarem junto das instituições. O facto de terem deixado o Tribunal Constitucional coxo, como tu dizes, o facto de terem deixado a Provedoria de Justiça vaga há um ano.
Deste saiu Maria Lúcia Amaral, então.
Eu acho que isso é um sintoma de que as instituições parece que não são assim tão precisas. Parece que não são assim tão necessárias.
E isso não nos devia preocupar a todos?
Eu acho que isso nos devia preocupar a todos, sobretudo quando olhamos para a Provedoria de Justiça, por exemplo, e ficamos com a sensação de que aquilo que é uma defesa básica do cidadão está sem funcionamento, por um lado. Por outro, olhamos para o Tribunal Constitucional e aquilo que deveria parecer o Tribunal Constitucional, parece, neste momento, o órgão mais partidarizado que há.
Esse é o problema desta discussão.
E isso arrastou-se.
Aquilo que devia ser um órgão absolutamente independente, apesar de político, absolutamente independente dos partidos.
Mas não parece assim.
O que resulta na percepção das pessoas não pode ser outra coisa que não seja o Tribunal Constitucional está a ser instrumentalizado
Pelos partidos, do Chega ao PSD, acabando no Partido Socialista, que fez este fincapé todo, para precisamente conseguirem ter um ascendente nas decisões futuras que o Tribunal Constitucional vai tomar.
Esdite, queres dar nota?
Eu vou dar nota ao contentamento do Hugo Soares na entrevista aqui à Rádio Observador.
Pode ser ouvida no Explicador.
Pode ser ouvida no Explicador. Porque eu acho que esse contentamento tem uma carta na manga, como disse há pouco, que é a questão do orçamento do Estado e, portanto, vou lhe dar um 13.
Um 13. Raquel?
Olha, eu dou um seis a este processo todo e sobretudo à solução, que acho que já poderia ter sido encontrada mais cedo. Ia só dizer mais uma coisa.
Diz.
Como esta decisão ficou adiada para maio, é possível que haja diplomas importantes a terem que ser decididos pelo Tribunal Constitucional, que está amputado, neste momento, de três juízes. E uma dessas decisões é a lei da nacionalidade.
Pode ser decidido mais à esquerda, não é?
Pois, exatamente.
Na atual composição.
Sendo que, como é a segunda vez que vai ao Tribunal Constitucional, aparentemente uma maioria de dois terços na Assembleia da República pode ignorar essa decisão e o presidente fica impedido de voltar a recorrer ao Tribunal Constitucional.
É adiar, é não mandar para lá antes. Não mandar para Belém, neste caso. Se manda para Belém.
Já deste nota?
Dei, dei um seis.
Deu um seis, desculpa.
Eu dou um sete, subo aqui um ponto só porque primeiro chegaram aqui a metade do acordo, chegaram ao meio do balde, já não é mau. E é um sete na esperança de que possam fazer melhoria de nota e chegarem mesmo a um acordo em maio.
Vamos falar também de um outro acordo. Não, ainda não há acordo. Há o fim das negociações sobre o Código Laboral.
Queria os dois no mesmo dia.
Vamos ver se é o fim.
Falta saber o que a UGT vai decidir. A UGT só vai decidir na quinta ou na sexta-feira, tem reuniões internas para tomar uma posição. Isto também é um assunto arrumado, não é, Raquel? Como é que olhas para, ao fim de 53 reuniões...
Ao fim de 53 reuniões, que a UGT tenha saído desta reunião sem declarações à comunicação social e com a necessidade de ir pensar com os órgãos sociais da central sindical, deixa-me com a vaga ideia de que se não vai no fim disto tudo borregar, vai talvez pedir para adiar. E eu acho que isto é um processo que daqui a bocado arrasta-se há um ano.
Tudo demora um ano a decidir.
Houve 53 reuniões e portanto parece-me que agora ou vai ou racha. Sinceramente, eu acho que se a UGT, apesar de estar quase irredutível aqui há uns meses, decidiu voltar à mesa das negociações e prolongar este processo por todo este tempo mais, se vai chegar ao fim e dizer que não há acordo, não me parece que fique em muito boa posição e acho que provavelmente quem ficará em melhor posição no meio disto tudo é o governo, que vai poder afeiçoar a proposta final que levará ao Parlamento de acordo com aquilo que entender que deve fazer entre aquilo que era a proposta inicial e aquilo que decorreu durante todo este processo, mas não tem qualquer tipo de obrigação. E se a reforma passar no Parlamento com o apoio do Chega, tem uma vitória. Se a reforma não passar no Parlamento sem o apoio do Chega, tem também uma vitória, porque lhe permite dizer: "Vejam lá como estes senhores são tão reformistas e tão de direita que ficam ao lado da esquerda numa decisão como estas e são incapazes de fazer reformas." Percebo que esta seja uma decisão difícil para a UGT, mas se reentrou no processo quando aparentemente já não havia nada a fazer.
Depois de uma greve geral.
Depois de uma greve geral e prolongou o processo durante estes meses, parece-me que fica mais como uma central que tem medo de tomar decisões e sobretudo tem medo de se dissociar da CGTP. Apesar de tudo, essa sempre foi a mais-valia da UGT no nosso regime democrático, foi ser uma central sindical com quem se pode negociar.
E a ministra sai vencedora disto?
Neste sentido do que a Raquel estava a dizer, porque o processo começa mal, começa torto. A ministra, eu já disse várias vezes, portou-se como um elefante numa loja de porcelanas no meio desta história. E portanto, o ônus do falhanço desta reforma estava do lado do governo, estava totalmente do lado do governo. Até à greve geral e depois durante a campanha das presidenciais, pela pressão que todos os candidatos, com exceção talvez de Marques Mendes, foi o que fez menos pressão, mas todos os candidatos estavam a fazer sobre este pacote. Não era sobre a forma só como ele estava a ser negociado, que era completamente uma cambúzia. Era o pacote em si, era pronunciarem-se sobre o pacote. E eu não estou a dizer que concordo com essas críticas. Ou seja, eu acho que muitas das críticas são legítimas, naturalmente, mas eu não concordo com muitas dessas críticas. Agora, é inegável que o processo foi mal gerido, mal comunicado. Nós começamos a debater as mães e os pais e as licenças das mães e dos pais.
A nameação.
Mas a verdade é que a UGT acantonou-se de tal maneira e encostou-se de tal maneira às cordas que, neste momento, eu acho que a ministra ainda pode sair por cima precisamente pela forma como a UGT depois também geriu o processo. Primeiro, aderiu a uma greve geral em plena fase negocial.
Inicial.
Inicial.
E até ponderou fazer dois dias.
Dois dias, colou-se completamente à CGTP, que estava de fora. A CGTP mesmo quando está dentro, está fora. Mas enfim, lá está, é a democracia a funcionar, é legítimo. E depois andou neste chove não molha permanente, em que todas as declarações públicas da UGT eram: "Nós não concordamos com o essencial desta reforma laboral." É legítimo. Mais uma vez, a UGT não é governo, portanto, o governo também tem toda a legitimidade para apresentar a reforma que entende que é a mais correta, depois o resto tem que chegar a acordo, se não é na concertação social, é no Parlamento. Mas a UGT a tentar passar entre os pingos da chuva para agradar internamente às várias fações, mas também politicamente ao próprio Partido Socialista, e agora está numa posição que eu acho que é absolutamente impossível. Eu não faço a menor ideia o que a UGT vai decidir, mas não me espantaria nada que no fim disto tudo a UGT ou venha fazer mais pedidos e reivindicações para ver se prolonga isto mais um pouquinho, ou então pura e simplesmente acabe por dizer que fica de fora e isto vai acabar no Parlamento, que é onde nós já tínhamos visto que isto ia acabar.
E não é despiciendo uma coisa. O Mário Mourão, líder da UGT, que prolongou o seu mandato, foi agora eleito para os órgãos dirigentes do Partido Socialista neste último congresso. E portanto, a tese de que possa querer prolongar este processo, ou tentar prolongar este processo para lá à frente, na tal negociação do orçamento, conseguir aqui alguns ganhos em troca, não é completamente impossível e torna a UGT, de facto, muito refém das posições do Partido Socialista.
Eu acho sinceramente que a UGT precisa agora de dois ganhos de causa com duas medidas que sejam emblemáticas. Aparentemente, a questão do outsourcing está neste momento em 12 meses, passa para seis meses, ou seja, passa a haver um período de nojo entre um despedimento coletivo e a contratação de outsourcing. Ou seja, é um ganho de causa, não sei se vai ter outro. Precisa de duas ou três medidas emblemáticas para dizer: "Nós conseguimos negociar e conseguimos isto. Foram precisas 53 reuniões, mas nós conseguimos isto." E eu acho que é isso que a UGT precisa para não sair por baixo nesta negociação, neste processo todo. Se conseguir isso e se conseguir usar como bandeira, nós conseguimos isto para os trabalhadores, eu acho que então pode salvar a face e sair também em bom, digamos, desta negociação.
Queres dar uma nota? Já vamos a outro tema.
Eu se calhar esta passo a nota.
Raquel, tens uma nota?
Eu dou um 10 à UGT.
Celmo, queres dar alguma nota?
Sim, eu deixo aqui um ponto, mas também com o benefício da dúvida, dou um nove e digo só que saudades, João Proença. Que saudades.
A Judite de França quer falar de um estudo.
Até de Carlos Silva.
Até de Carlos Silva.
Quer falar de um estudo que demonstra que os portugueses continuam a enfrentar um problema com as despesas de saúde, o peso das despesas de saúde no orçamento familiar. E há muitos a adiar, por exemplo, dentistas, oftalmologistas, compra de óculos, troca de lentes, porque não há dinheiro.
Com impactos na saúde grave. 27% dos que interromperam ou desistiram de cuidados de saúde por falta de dinheiro, metade desses dizem que isso teve impactos sérios na sua saúde e na sua qualidade de vida. Mas só aqui um breve resumo para quem não viu o estudo e para termos noção. Isto é excluindo seguros. Em média, cada família gastou 1.400 € em saúde no último ano, excluindo seguros. Portanto, excluindo seguros e excluindo SNS, ou seja, do seu próprio bolso gastou 1.400 €. É um inquérito que foi realizado em Portugal, Bélgica, Itália e Espanha, e nós somos os que estamos pior. É onde as famílias têm mais dificuldades em suportar os encargos, em que admitem que os medicamentos são a maior fatia. Depois temos óculos, lentes, mas antes disso temos cuidados dentários, e aí nós sabemos que não há SNS que nos salve. E estamos a falar de uma despesa individual que chega aos 520 € por ano. E, portanto, em comparação europeia com estes países, nós temos o cenário mais preocupante. O que o estudo aponta também? Aponta que há limitações graves na resposta do SNS. Não cobre todas as necessidades e obriga as pessoas a suportar custos muito elevados, enfrentar dificuldades de acesso, tempos de espera, etc. E eu acho que isto mostra uma tendência muito preocupante, que é, em Portugal, com o Serviço Nacional de Saúde público e universal, o acesso à saúde está condicionado pela capacidade financeira das pessoas. E isto reforça a necessidade de melhorar a resposta pública, necessariamente, e evitar que alguém tenha de escolher entre tratar da sua saúde e pagar outras despesas essenciais. E, portanto À imagem que este estudo retrata, ao cenário que este estudo retrata, eu só posso dar o chamado retundo negativo, o retundo chumbo.
Chumbo direto.
Chumbo direto, é isso, do José Manuel Fernandes. Isto é um quatro, porque de facto ter concidadãos que têm que escolher o acesso à saúde em virtude de outra despesa qualquer fundamental, parece-me extremamente grave quando nós temos um serviço nacional de saúde.
E o Anselmo ainda quer falar do Dia da Defesa Nacional ou da proposta do Chega de dia para passar a semana, não é?
Sim, é uma coisa muito rápida e fazendo aqui já um disclaimer, eu sou insuspeito, primeiro de me identificar com muitas das propostas que o Chega faz, esta é uma exceção, e sou também insuspeito de ter uma grande apetência para fardas. Eu fiquei muito feliz no dia em que soube que não ia à tropa.
É a única altura em que as pessoas dizem: "Inapto? Ah, que bom!"
Eu passei à reserva, atenção, ainda posso lá ir.
Mas estavas apto.
Eu estava apto. Apesar dos meus esforços para inapto, fiquei apto.
Eu fui duas vezes à inspeção e fiquei apto das duas vezes.
Sim, eu bem me esforcei para ficar inapto, mas não consegui. Mas por uma razão simples: a proposta do Chega é uma coisa ainda vaga, mas eu acho que ela tem um pressuposto que é correto. Eu acho que o que se está a passar no mundo e na Europa é suficientemente grave, e eu tenho a clara ideia de que nós aqui neste cantinho ainda estamos muito distantes, ainda não estamos a ver o filme. E eu concordo com este debate, que eu acho que no fundo a proposta do Chega pode gerar, mais do que a proposta em si, porque a ideia do Chega, tanto quanto eu percebi, é passar de um dia da Defesa Nacional para cinco dias, em que há um conjunto de ações de sensibilização dos jovens para os temas da defesa.
O que os jovens podem experimentar, etc.
Exatamente. E eu acho que isso é relevante, por um lado, porque aproxima o tema da defesa e da soberania nacional de uma geração que eu acho que precisa se aproximar desse tema. E em segundo lugar, porque pode gerar pelo menos um debate público. O debate desta proposta pode gerar um debate público que eu acho que é importante nós termos. Houve uma notícia que passou relativamente despercebida esta semana. A Alemanha está a obrigar os homens até aos 45 anos a pedir autorização militar para saídas para o estrangeiro superiores a três meses. Portanto, quem na Alemanha quiser ir para o estrangeiro, um homem, não é um militar, é um cidadão alemão que tenha até 45 anos, queira estar no estrangeiro mais do que três meses, tem que pedir autorização militar. Portanto, eu acho que a Alemanha está a levar este tema, o que se passa no mundo a sério. Acho que a França, e Macron já deu um passo também muito significativo, nomeadamente naquilo que diz respeito à capacidade nuclear da França, está a levar o que se está a passar no mundo muito a sério. E eu acho que nós em Portugal continuamos a não levar isto muito a sério, até naquilo que diz respeito ao investimento na defesa e aos célebres 5%. Nós estamos muito contentes porque chegamos aos 2%, fazendo aquela mistura entre coisas que podem ter utilização militar e que também podem ter utilização civil. E estamos muito contentes porque achamos que contornamos aqui. Eu acho mesmo que o país e sobretudo a opinião pública não está ainda muito sensibilizada, está muito impressionada quando olha para as televisões e vê bombas por todo lado noutras partes do mundo, mas é lá longe. Portanto, eu acho que o facto de o Chega trazer este tema para cima da mesa é importante e é relevante e pode gerar aqui um debate que me parece útil. Queres que eu dê uma nota?
Quero.
Vou dar uma positiva ao Chega, só isso é digno de nota.
Bravíssimo.
Eu neste caso dou mesmo um 15 à iniciativa do Chega, porque eu acho que a iniciativa é relevante e espero que o debate exista, é mais útil do que andarmos aqui à mesa a debater.
Eu digo só uma coisinha rápida em relação a isto. No essencial, concordo com o que diz o Anselmo e acrescento uma coisa: eu tenho um filho, e uma filha daqui a uns meses, que foram chamados para essa coisa.
O Dia da Defesa Nacional.
O Dia da Defesa Nacional.
Eu perguntei-lhe no fim daquele dia o que é que foi. "Ah, mãe, não sei, foi umas coisas, estivemos lá." Portanto, de facto, o que existe é uma chatice de se ter que ir, que ninguém liga nenhuma e vem embora e está arrumado. Portanto, nem noção de defesa, nem noção dos ramos das Forças Armadas. Quer dizer, de facto, aquilo que nós obrigamos os nossos jovens a ir não é nada.
E isso pode ter depois consequências também na identidade nacional.
Sim, nos tempos que correm. Vamos ver amanhã a esta hora como é que está o mundo.
Judite, queres acrescentar alguma coisa?
Se calhar já não existe o mundo.
Eu queria acrescentar esta questão, que é se for para acrescentar dias e acrescentar interesse.
Claro.
Nomeadamente ganhar essa consciência, como a Raquel estava a dizer, que não é passada aos jovens, essa consciência de necessidade de defesa nacional, como diz o nome, acho que vale a pena. Se de facto for apenas mais dias para nada, acho que então não vale.
E amanhã há mais, "E o Vencedor É...".