Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o som do Youven Sorê das manhãs 360. Nos próximos minutos damos notas aos principais protagonistas da atualidade e por isso hoje temos casa cheia. Juntam-se ao José Manuel Fernandes e a nós, a Helena Matos e também a Alexandra Machado. Carla.
Todos aqui no estúdio.
Todinhos juntos. A questão do atendimento de estrangeiros no SNS ainda dura, assim como a greve ao lixo, que vai durar, mas vamos começar pelas mensagens de Natal, porque houve várias. Alexandra, vamos pela primeira do atual primeiro-ministro. Como é que te pareceu esta mensagem de Luís Montenegro?
Foi uma mensagem.
Foi uma mensagem.
É o melhor que se pode dizer da mensagem. E de facto, estas mensagens são sempre natalícias, de concórdia. E Montenegro quis dizer muito em muito pouco tempo, mas disse muito pouco. Em termos de mensagem, transmitiu muito pouco.
Aliás, falou expressa. Senti que ele falou muito pressa.
Sim, eu comecei a achar que a cada páginas tantas ia começar a aparecer aquela mensagem do não dispensar consulta de informação pré-contratual e contratual.
A bula.
Porque a cada tantas, eu própria já estava ali um bocadinho ansiosa daquele débito de alta velocidade. De facto, foi um belo tempo de antena de Luís Montenegro.
Eu acho que foi isso. Acho que foi um tempo de antena. Eu não sou especialista em comunicação, mas acho que Montenegro podia ter aproveitado para escolher um assunto, um tema, e centrar-se nisso, porque se dispersou muito. Parecia que estava a fazer uma espécie de balanço.
Eu também acho. Acho que tentou condensar muitos temas em cinco minutos, que é o tempo que dura normalmente a mensagem. Esta durou também pouco mais do que cinco minutos. E eu só me recordava, aquilo deu ideia de tempo de antena e de facto é um espaço de exclusiva responsabilidade do interveniente. Mas estive a rever algumas outras mensagens natalícias de primeiros-ministros e poucos ficaram na história como um marco de comunicação de algum governo. E um novo executivo é sempre também um momento para ouvir a célebre frase do ano, da viragem, e Luís Montenegro também optou por esse ano de viragem, que foi um ano de viragem. Parece que estamos sempre a virar páginas também nestas quadras natalícias e nestas mensagens natalícias. De qualquer forma, Montenegro, acho que em relação à questão da segurança e da imigração, acabou por suavizar um pouco o seu discurso e o discurso que o governo tem tido, o que a meu ver fez bem em tentar suavizar e pôr ali um bocadinho de água na fervura e não deitar mais achas pra fogueira ou mais lenha pro lume, depois de ter, no meu entendimento, feito uma má comunicação sobre a história, sobre as operações policiais, nomeadamente de Martim Moniz. Acho que o governo não comunicou bem sobre essa opção. Claro que a oposição virou para o extremismo, o que também não lhe fica bem, até porque a oposição tem estado a radicalizar o discurso em torno do governo. Mas Luís Montenegro, neste ponto, acho que fez bem em suavizar um pouco o discurso, falar da imigração, da necessidade de regulação, mas por uma questão de humanismo. Não abdicou do tema da segurança, mas acrescentou que temos de salvaguardar esse ativo e promete o combater à criminalidade económica, o tráfico de droga, que eu acho que sim, que vai ser um ponto importante nos próximos tempos, e a criminalidade violenta. Aliás, em relação à droga, João Goulão, do Instituto de Comportamentos Aditivos e Dependências, tem chamado a atenção para o aumento de consumo e de tráfico, também por causa do maior acesso a estes produtos. Portanto, eu acho que este tema vai ser importante. Mas Montenegro não agravou o tom depois de ter sido criticado pela oposição, que vê radicalismo em tudo. Enfim, de resto, um tempo de antena, como já disse, como outros primeiros-ministros vêm vindo a fazer sempre nesta época natalícia. Só não percebi bem, e aqui o Bruno se calhar pode me ajudar, o cenário de Montenegro. Se tinha alguma mensagem subliminar, porque aquele veludo azul atrás só me fez lembrar também o Blue Velvet, que era uma cidade muito pacata, bastante sombria, e eu não sei se ali havia alguma mensagem subliminar.
Já estás a entrar na semiótica do cenário.
Do cenário.
Eu, por acaso, não fiz essa análise, mas surpreende-me um pouco que se desperdicem estas oportunidades, porque parece-me sempre que as coisas são mal escritas. Os discursos e estas mensagens em particular deviam ser inspiradores, deviam ser mais do que um relatório e contas do ano, que é o primeiro ano de governação. Podiam ter outro nervo, podiam ter outra garra e não têm. São sempre coisas um bocadinho chochinhas, escritas sem entusiasmo e que não entusiasmam, na verdade.
É pena de serem só ações de propaganda política, na realidade, porque são quase sempre ações de propaganda.
Devia ser uma visão pessoal, uma coisa mais forte, e não, deixa um pouco indiferente quando, pela altura desta mensagem, que é no Natal, a mensagem de Natal do primeiro-ministro, pedia-se.
As mensagens de Ano Novo do Presidente da República podem ter, e têm tido muitas vezes, um peso político que as mensagens de Natal do chefe de governo não têm. Não têm. Não sei se é por ser pré-gravado também. As do presidente também são. Mas não sei se acham que é uma noite em que as pessoas também não estão- Não estão particularmente atentas ...particularmente a ouvir televisão e atentas a um discurso político, mas acaba sempre por ser muito tempo de antena. E uma oportunidade perdida. Mas eu acho que de facto senti um pouco aquele tempo de antena.
Eu pensei exatamente isso quando estava a ver: "Isto parece um tempo de antena".
Que nota é que vais dar ao primeiro-ministro, Rosário? Eu vou dar uma nota baixinha, aliás, mais pelo discurso. Acho que o Montenegro não esteve nem bem nem mal, antes pelo contrário, como se costuma dizer, mas vou dar uma nota baixa. Mas ainda assim positiva, porque de facto suavizou aqui algum tom, que era importante. Vou dar um 12. Um 12 para a mensagem de Natal do primeiro-ministro. Já o presidente da República tem andado a falar menos, Bruno?
A falar menos, mas teve uma mensagem escrita no jornal de notícias. Parece que é uma tradição recuperada, que tinha sido interrompida nos dois últimos anos, mas nota-se uma certa tristeza. Estamos no Natal, mas o espírito de Marcelo Rebelo de Sousa é quase que calmo.
Para algumas pessoas, o Natal é saudade.
Claro. E na mensagem escrita, eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa tocou nos pontos essenciais. Há muitas pessoas que, de facto, nesta altura não vivem particularmente felizes, seja por memórias de outros tempos, seja porque de facto não têm as possibilidades de viver o Natal com que sonhavam. E eu acho que foi o tom certo. Às vezes é preciso trazer também essa nota para o discurso público, mas eu não consigo desligar este tom um bocadinho mais sombrio de Marcelo com a sua própria forma de viver estes últimos tempos, porque noutros tempos, se calhar, o Marcelo teria sido um bocadinho mais otimista, parece-me. E esse otimismo desvaneceu-se. O otimismo do Marcelo desvaneceu-se nos últimos tempos, ainda que, e sublinho esta ideia, eu acho que às vezes é preciso contrariar, não parecer bota abaixo, mas é preciso contrariar para trazer também para o primeiro plano aqueles que normalmente ficam na sombra e que vivem momentos mais difíceis nesta altura. E acho que o presidente da República pode ter, e deve ter, esse papel de lembrar esses esquecidos, normalmente esses que ficam de fora do quadro natalício. Mas não consigo dissociar esta visão um bocadinho mais sombria de Marcelo da forma como ele está a viver o fim do mandato.
Ainda falta um ano.
Ainda falta um ano, mas eu acho que o tom já está dado para este último ano. E o facto de Marcelo ter-se escusado.
Vai dar tudo no fim do ano.
Pode acontecer, mas parece-me que está tristonho com o que se tem passado, com a relação que não será a sonhada e a idealizável com Luís Montenegro. É possível, e se calhar Marcelo Rebelo de Sousa já não tem muito tempo para se habituar a isso, mas deveria habituar-se a essa relação, que é possível e que tem aspetos positivos do ponto de vista da relação institucional. Eu acho que até é positivo que não haja uma excessiva porosidade entre São Bento e Belém, e Marcelo Rebelo de Sousa podia aproveitar isso, mas nota-se que ele está triste e o fato de se ter escusado a comentar assuntos como a intervenção policial no Martim Moniz e a ameaça dos médicos em relação a uma possível desobediência civil se esta lei for aprovada, eu acho que o fato de Marcelo ter tido esse cuidado revela mais do que cuidado, uma vontade de não entrar em polêmicas.
É um silêncio ruidoso.
É de sentir, parece que foi encostado. De alguma forma, ele sente-se posto de parte e está a moar. Ele dizia que os homens portugueses tinham esta particularidade de moar. E Marcelo Rebelo de Sousa, ao não querer comentar estes assuntos, que são assuntos que normalmente Marcelo Rebelo de Sousa acabaria por comentar, no fundo, o que está a mostrar é que está um bocadinho amuado com toda esta situação. Mas vou mesmo assim, vou dar uma nota positiva por aquilo que escreveu no Jornal de Notícias, na sua mensagem de Natal, porque eu acho que é uma mensagem importante. E mesmo assim vou lhe dar, porque também ainda estamos no Natal, vou lhe dar um 14.
Um 14 para o presidente da República. Helena, entretanto, no SNS há uma contestação e uma ameaça de desobediência civil àquilo que o Parlamento há de votar, a exclusão dos estrangeiros no SNS.
Olha, eu quero dizer uma coisa, eu sou uma defensora da questão do direito à objeção de consciência. E, portanto, tal como vi com grande inquietação, e vejo neste momento com grande inquietação, a vontade de muitos parlamentos europeus, nomeadamente, de votarem contra a objeção de consciência por parte dos médicos e do pessoal de saúde, no caso das interrupções voluntárias de gravidez. Também não vi com grande tranquilidade quando houve até uma recomendação por parte da Igreja Católica para que, em casos da confissão de crimes, e são crimes hediondos, porque eram crimes de abusos sexuais, que não fosse respeitado o segredo de confissão. Também não vejo com tranquilidade, de modo algum, que os médicos e o pessoal de saúde estejam a ferir da condição administrativa das pessoas que estão a atender, tal como também não vejo com tranquilidade, de modo algum, que se deixe ficar para professores resolverem questões como se as alunas, por exemplo, devem ou não estar com niqab ou com hijab nas aulas, e se podem ou se não podem praticar educação física com os colegas. Ou seja, o que eu quero dizer com isso? Acho que deve ser respeitado. Não cabe aos médicos nem ao pessoal de saúde estarem a tratar de questões que são claramente questões de administração interna. Portanto, quando as pessoas entram nos hospitais, é para serem tratadas. O que não quer dizer que eu não defenda que exatamente a montante deve de haver um controle muito rigoroso e muito mais rigoroso do que tem sido das pessoas que entram em Portugal, das pessoas que entram em Portugal mesmo só para irem usufruir do SNS. E alguns países praticam isso e são até muito draconianos em relação, por exemplo, a mulheres grávidas estrangeiras que chegam com a intenção de desembarcar no seu território.
Mas não cabe aos profissionais de saúde fazer essa triagem.
De modo algum. Essa é uma questão de administração interna. Não sei o que estas pessoas estão a querer fazer, mas isso são iniciativas delas, que querem montar coisas para tratar pessoas que chegam a Portugal às suas expensas, é lá uma coisa delas. Agora, quando estão dentro daquilo que são as estruturas públicas de atendimento, acho que não é ali que se deve fazer essa triagem. É sim, antes, muito antes, e é uma questão de administração interna. Portanto, eu acho que nós, até por muitas outras razões, temos de discutir as questões da objeção de consciência. É claro que depois isto tem todos estatutos diferentes. Mas este domínio da consciência, podemos concordar ou não, pode, por exemplo, fazer muita confusão que pessoas que se sabe que confessaram determinados crimes, que depois as pessoas que ouviram essas confissões reportem ou não, mas para os católicos, a questão do segredo de confissão é de fato muito importante, tal como para as pessoas que, trabalhando na área da saúde, se recusam a praticar interrupções voluntárias de gravidez, independentemente da posição que nós tenhamos sobre a interrupção voluntária de gravidez. Portanto, eu acho que temos de perceber que há um domínio, tem de haver nas sociedades livres, um espaço para a consciência e para aquilo que é a objeção de consciência. Portanto, percebo perfeitamente estas pessoas. Agora, acho que é claro que há medidas de administração interna que têm de ser tomadas, como é óbvio, para que isso seja feito no local devido.
Nota, portanto, para os profissionais de saúde.
Sim, que vieram lembrar isso que é tão importante, que é a questão da consciência. E, portanto, vou dar um 14.
Um 14. Isto está a correr tão bem, José Manuel, como é que vais falar da greve do lixo, dos trabalhadores da rolha do lixo em Lisboa? Não vai correr tão bem.
Não vai correr tão bem.
É a nível lixo, não é? É o ranking.
Não pode correr bem, porque isto é um clássico. Eu estive aqui só a recuperar, porque tinha memória, mas não me lembrava das datas. António Costa chegou à Câmara de Lisboa, salvo erro, em 2008. E em 2008, chegou dezembro, greve dos trabalhadores, ameaça de greve dos trabalhadores de lixo. Mas depois tivemos novamente em 2013, depois tivemos nos Santos Populares, em 2014.
Desculpe interromper, essas são aquelas às quais o poder da Câmara Municipal tem mais dificuldade em resistir. Não são as do Natal, por razões óbvias, porque faz calor, porque as pessoas comem sardinhas, que é um cheiro nauseabundo, e António Costa, nas dos Santos Populares, cedia sempre.
Pois, era o que eu ia dizer, se cedeu dessa vez.
No Natal não sei, mas nos Santos Populares, sim.
Cedeu e prometeu contratar mais 150 cantoneiros. Houve também uma ameaça em janeiro de 2019, dezembro de 2013, dezembro de 2008, a tal de 2014, com, de facto, uma cedência da Câmara. Mas na primeira vez, a reação de António Costa era que era uma atitude fora de tempo. Os sindicatos têm um total desprezo pelos lisboetas. E usou mesmo a expressão que era uma greve egoísta. No entanto, no fim, acabou por ceder alguma coisa. Lisboa tem um problema que se tem vindo a agravar. Os dados que eu pude encontrar é que desde que começou o crescimento do turismo, o lixo cresceu cerca de 40%. Haverá mais cantoneiros na Câmara, mas há sucessivamente reuniões de Câmara em que este é o tema central. Houve, por exemplo, uma reunião de Câmara em setembro de 2018, na altura o presidente era Fernando Medina, portanto, isto tocou a todos, em que por causa de umas reportagens que tinha havido precisamente numa época de agosto, setembro, verão, turismo, tinha havido uma acumulação de muitos sacos de lixo fora de sítio. Lá houve novamente esta discussão. Há aqui um problema que, por um lado, a Câmara de Lisboa e outras Câmaras têm tido dificuldade em resolver, que é a recolha do lixo, não está a correr bem em lado nenhum.
Por acaso, não é verdade, há zonas da cidade que não têm turismo e onde está a correr muito bem. Porque como se reforça o lixo, as zonas da cidade que tinham lixo acumulado, passaram a ter muito menos lixo.
Não é homogêneo, porque uma parte disso está nas Juntas de Freguesia. Isso também depende da competência das Juntas de Freguesia. E como nós temos Juntas de Freguesia que acharam que a melhor forma de compensar os trabalhadores era mandá-los todos pra casa nestes dias, que foi o que aconteceu na Junta de Freguesia dos Olivais. Não faço ideia como é que estarão por lá as coisas, apesar de eles dizerem que os trabalhadores do lixo não tenham o mesmo direito que os outros trabalhadores. Mas também é uma coisa que não ajuda muito ao ambiente de trabalho. Agora, esta tendência que têm estes sindicatos para capturarem os momentos críticos, seja as sardinhas do Santo António, seja a papelada que embrulha os presentes no Natal ou que embrulha os doces ou que embrulha os Bolos Reis e as filhoses, são greves egoístas, como diz o próprio António Costa.
Com motivação política, como disse Carlos Moedas.
Pode haver aqui uma motivação política que eu não sei em detalhe, e também já houve greves anteriores por causa disto. Houve greves por causa também da passagem destes serviços da Câmara pras Juntas de Freguesia. Houve greves sempre que se fala em uma parte destes serviços poderem ser privatizados, porque há Câmaras que têm isso privatizado, há Câmaras que entregaram isto a empresas privadas, têm um contrato, e a diferença entre essas Câmaras e muitas vezes Câmaras que têm isto nos seus funcionários é, mais uma vez, a flexibilidade. Por exemplo, uma das formas de António Costa resolver uma destas greves, julgo que foi a de 2014, exatamente, a dos Santos Populares, foi prometer a contratação de 150 trabalhadores. Mas ele não pode fazer isso de um momento pro outro. O que ele prometeu? 150 recibos verdes, o que é uma coisa curiosa pra uma Câmara dizer que resolve um problema com recibos verdes. Sabemos que o Estado é um dos sítios onde às vezes há mais recibos verdes. No setor privado, quer dizer, algumas Câmaras que têm serviços em regimes ou de PPPs ou mesmo privatizados, eu não ouço as mesmas queixas. Bem sei que não têm a dimensão de Lisboa. Lisboa é um caso muito particular. Mas por acaso Lisboa, como a Helena dizia, é mais crítico nos Santos Populares do que até no Natal, porque Lisboa tem muita gente durante os dias de semana, mas hoje está muito vazia. Os habitantes fizeram cá as festas, mas há muito lixo acumulado em Sintra, em Cascais.
Há muitos que foram pra Tróia.
Há muitos que foram pra Tróia.
Isso é outra coisa, está frio, portanto, não cheira mal. Não há arraiais populares espalhados por toda a cidade.
Nem sardinhas.
Nem sardinhas, os carapaus, essas coisas todas. Portanto, não é de modo algum
A questão do lixo e da higiene urbana em Lisboa, desde que Carlos Moedas está na presidência, tem servido de arma política. De uma forma óbvia, não é só em Lisboa, noutras câmaras também é, porque é uma questão muito visível, que é muito sentida pelos habitantes. Não se consegue fugir e os próprios sindicatos e os partidos políticos que têm alguma influência nos sindicatos percebem claramente que a higiene urbana é um instrumento político que podem usar, como não podem usar noutras áreas. E aqui em Lisboa sente-se. Claro, a dimensão é outra.
A dimensão de facto é outra. Isto é típico, como vimos, estamos perante uma espécie de repetição. Não há tantas vezes como as greves na CP, mas a lógica é sempre a mesma, que é capturar, tornar, no caso de Lisboa, os cidadãos de Lisboa, no caso da CP, os utentes como reféns, para conseguir cedências que durante muito tempo, com António Costa, ele acabava sempre por ceder alguma coisa. Carlos Moedas não quer ceder e, aliás, no que diz respeito à privatização, os sindicatos já estão a dizer que ele até já prometeu e não sei se ele sequer pensou nisso. Ele não tem maioria na câmara, dificilmente penso que pudesse fazer um gesto e avançar nessa direção. Portanto, para este método sindical egoísta, dou a nota que António Costa talvez tivesse dado, que é um sete.
Um sete.
É o único negativo do ajustototal de dados positivos. Portanto, peço desculpa, não vim com muito espírito natalício.
Não vieste, mas já temos aqui a promessa. O sindicato destes trabalhadores marcou duas conferências de imprensa para hoje, uma às 7h, que já aconteceu. Haverá outra às 23h. Portanto, vamos ter uma presença mediática deste sindicato, que hoje de manhã já anunciou que estes protestos podem continuar em 2025, a 10 meses das eleições autárquicas.
Pois. Nós não temos ilusões. Isto é um sindicato da CGTP. Penso que é o STAL, Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local. É um sindicato da CGTP, portanto a CGTP tem tido sempre uma agenda política, escuso de dizer ligada com quem. Neste caso concreto, comecei a achar estranho que a greve fosse tão prolongada, porque habitualmente os trabalhadores quando não têm-
Quando fazem greve, não recebem.
Quando fazem greve, não recebem. Afinal, é só as horas extraordinárias. Mas as horas extraordinárias numa altura destas são críticas.
Até ao final do ano havia dois dias de greve.
Hoje e amanhã, creio, são os dias em que é greve.
E depois até ao final do ano há as horas extraordinárias.
Mas há dias mais críticos.
Acho que prometeram continuar a greve às horas extraordinárias no início do ano que vem.
Aliás, eu acho que seria essencial, e acho que os jornalistas aí fazem muito mal o seu trabalho, não apenas nesta greve, mas em muitas outras, que é não perguntar efetivamente o que está a ser reivindicado. Ou seja, nós podemos achar que há razões políticas por trás desta greve, e que é óbvio que a disputa pela Câmara Municipal de Lisboa está extraordinariamente politizada e vai ser determinante até na política nacional. Mas eu creio que é essencial, quando chega a altura das greves, que se pergunte o que está a ser reivindicado, porque muitas vezes os noticiários é a greve, nós estamos muito indignados, depois falam as entidades administrativas ou responsáveis a dizer que a greve é injusta, mas o que está em causa? O que eles estão realmente-
Melhores condições de trabalho.
Mas isso não quer dizer nada.
E tabelas salariais.
Mas isso não quer dizer nada. Na prática.
Na prática. Bom, para já, na prática, é um sete. José Manuel aqui a testuar com os vencedores desta manhã. E o vencedor é... Volta amanhã. Até amanhã.