Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora a edição deste domingo de "E o Vencedor É..." É aqui que diariamente damos notas de 0 a 20 aos protagonistas da atualidade e hoje para escolher os vencedores, Miguel Vieira, temos a Rita Tavares, grande repórter do Observador, e José Manuel Mestre, jornalista da SIC. A condução é contigo, Miguel Vieira.
E para este "E o Vencedor É..." vamos abordar alguns dos temas que vão marcando a atualidade com muitas perguntas sobre o desfecho de alguns desses casos e face à impossibilidade de encontrar respostas no terreno dos humanos, o José Manuel Mestre, bom dia, propõe que recorramos ao divino. José Manuel Mestre, começo precisamente por ti e pelas autárquicas e do oráculo de Benfica?
Eu converti-me de uma forma tardia a videntes e a oráculos. Já aqui trouxe um oráculo de que falarei mais adiante, novamente, o Oráculo do Rossio. E agora, imagina, Miguel, há um oráculo a nascer em Benfica.
Então?
Se estás a perguntar que oráculo é, nem eu sei, mas a minha dúvida é se é o oráculo das autárquicas ou que oráculo é, sendo que terá seguramente a ver, ao contrário do outro, com alguém que ainda não existe, porque de si próprio não será, e veio aqui defender políticas que tomou no passado, nos anos 90, quando era presidente da Federação Urbana de Lisboa do Partido Socialista, embora sem o dizer, mas está lá. Obviamente que estou a falar de António Costa e do seu reaparecimento a dias de tomar a presidência do Conselho Europeu, que causou uma espécie de terramoto no Partido Socialista, do Lar do Rato a muitas zonas por aí. E a pergunta é com esse artigo que escreveu no jornal Público a meias com Pedro Silva Pereira e com José Leitão, que foi alto comissário para as Migrações, que também foi líder há muitos anos da Juventude Socialista. A pergunta é: o que é que levou António Costa a vir ao terreno, a descer ao mundo terreno, porque ele já está nesse campo dos deuses do Conselho Europeu, para tomar posição sobre o seu partido? Ainda por cima, quando ele fala muito e se manifesta descontente com a política para as migrações, quando o presidente da Câmara de Loures aprovou uma moção do Chega que não falava de migrações, mas falava de pessoas que teriam que ser condenadas também pela Câmara. E dizia que havia um oportunismo taticista, numa referência clara a Pedro Nunes Santos, por não ter conseguido distanciar-se o suficiente da matéria. A pergunta é: o que é que traz aqui António Costa? Para que tenha sido usada a bomba atómica, que é o recurso a António Costa, parece estranho o pouco que o presidente da Câmara de Loures disse. O muito que fez foi votar a favor de uma moção ou de uma proposta do Chega em Loures, e isso não é pouco, mas para que António Costa, que tinha prometido, e publicamente fê-lo, mante-se completamente à distância da sucessão, passados uns meses ter decidido quebrar tudo isso e tomar uma posição que atinge Pedro Nunes Santos, algo mais se passa.
Achas que serviu mais para atingir a nova liderança do Partido Socialista e Pedro Nunes Santos em particular, do que defender a honra do Partido Socialista como invocado pelo ex-primeiro-ministro?
Atingir, atingiu, mas eu acho que não foi isso que o trouxe aqui. Mas que atingiu, atingiu. Eu acho que o que o trouxe aqui é a questão das autárquicas. E só o vamos perceber no dia em que soubermos três ou quatro coisas. Quem é que Ricardo Leão queria para candidato do PS à Câmara de Lisboa? Porque ao matar Ricardo Leão, que se demitiu do PS de Lisboa, da área metropolitana de Lisboa, o que tens aqui, evidentemente, é que quem Ricardo Leão quisesse patrocinar para a Câmara de Lisboa pode ter a vida mais dificultada. Quando percebermos quem era, percebermos uma parte da história. Também é preciso perceber quem é que queria, por exemplo, para Sintra, uma câmara do PS, mas que se vier por aí outro vidente, neste caso Pedro Santana Lopes, a candidatar-se como independente pelo PSD à Câmara de Sintra, pode complicar a vida se o PS não tiver um candidato muito forte ou se perder quem é que vai lá. E também é preciso perceber isso. E depois, e aí o ataque que atinge Pedro Nunes Santos, é preciso perceber quem é que Pedro Nunes Santos quer, por exemplo, para a Câmara do Porto, para a Câmara de Gaia, para a Câmara de Setúbal, para a Câmara de Braga. E eu acho que só quando se perceber isto tudo é que se vai perceber a realidade, sendo que fica aqui a ideia que António Costa está a ser o oráculo de alguém. De quem? De Fernando Medina? De José Luís Carneiro? Da outra facção diferente, ele que não esteve ao lado de Pedro Nuno Santos. O que é certo é que o que se passou em Loures, por mais que seja um episódio, é o primeiro, e não se usa a bomba atômica, é um primeiro episódio de cedência ao Chega. Portanto, algo mais se passa para justificar isto e era sobre isso que eu queria deixar essa nota.
Ficam aqui algumas dúvidas que aqui lanças e seguramente vamos ter que recorrer de novo a um oráculo para responder essas mesmas dúvidas que aqui plasmaste. Rita Tavares, tu vais recorrer ao divino, vais falar no terreno do homem?
Para o divino já está cá os Abel Gomes.
Que tema é que traz este evening, Sorel?
Eu acho que Pedro Nuno Santos está com um pouco de azar nesta manhã de domingo, porque juntaram-se aqui dois jornalistas que cobrem mais, estão mais atentos à área do Partido Socialista no terreno e portanto, fica um bocadinho exposto neste momento, até porque esta semana era uma semana em que ele facilmente poderia ter sido o vencedor, Pedro Nuno Santos, mas acaba sempre por correr tudo mal. É uma espécie de vertigem que está a acontecer com o líder socialista, que começou até a tentar ganhar a semana e a ganhar a dianteira também em relação ao primeiro-ministro com aquelas visitas aos bairros sociais, que estiveram na origem dos tumultos daquelas semanas de incêndios. Mas depois levava ali uma pedra gigante no sapato, que era o presidente da Câmara de Loures e líder da federação do PS em Lisboa, que tinha feito aquelas declarações polêmicas que o Mestre já falou aqui, e aquilo tornou-se um problema gigante no Partido Socialista, e para Pedro Nuno Santos, que passou aquele dia, aquele primeiro dia em que estava de facto no terreno e a querer dizer: "Eu estou aqui quando o primeiro-ministro não vem aqui", a ter de explicar por que é que mantinha a confiança numa pessoa que tinha tido declarações que dentro do partido estavam a ser muito criticadas. E ele segurou Ricardo Leão. E depois quando vem na quarta-feira fazer o balanço desse périplo que fez pelos bairros sociais e os contactos que tinha tido também com a polícia, o que é que aconteceu? Apareceu um artigo de opinião assinado por o ex-líder do Partido Socialista, e quando ele foi falar aos jornalistas, ali pelo meio, Ricardo Leão demitiu-se. Portanto, sempre que Pedro Nuno está a tentar aqui de alguma forma marcar o terreno da oposição com temas ou com propostas ou o que seja, há sempre problemas internos, e neste caso até grandes. Porque ter um antigo líder a entrar na política interna, mais interna do que isto não podia ser, para dar uma reprimenda pública, que foi daquilo que se tratou ao líder em funções, achando que é preciso vir ele fazer a defesa da honra do Partido Socialista, só pode ser porque achava que a honra do Partido Socialista não estava a ser devidamente defendida. E isso foi de facto uma coisa que Pedro Nuno Santos sentiu, tanto que disse: "A defesa da honra está a ser feita". E depois há outro tema aqui, quando há um problema bicudo para o PSD, e volta a haver na Madeira. E já agora também com esta gestão da greve do INEM, e Pedro Nuno Santos está a tentar a todo o custo pôr isso na agenda. E todos os dias faz declarações ou um tweet a dizer que Luís Montenegro e a ministra da Saúde, e sobretudo Luís Montenegro, deviam ter gerido tudo isto de forma diferente e que houve tempo suficiente para acionar serviços mínimos e garantir que não havia uma greve com o impacto que aconteceu. E de repente aparece aqui uma moção de censura do Chega na Madeira e o PS Madeira não pode fazer outra coisa senão juntar-se à moção de censura do Chega, quando no território continental, o discurso do Partido Socialista ao nível nacional é: não passarão. E isto tem se tornado mesmo muito difícil. Ontem o Partido Socialista fez uma declaração através de uma fonte oficial à Lusa, dizendo que a autonomia regional, que é de facto uma boa almofada para este problema, mas de facto o governo Miguel Albuquerque não tinha condições para continuar. Aliás, nós dissemos logo de início que nem sequer havia condições para ele se estabelecer. Mas a questão aqui é, afinal, e o PS foi o primeiro a dar um não é não ao Chega, que traçar esse não passarão, essa linha de não convívio e de não colaboração com nada que viesse do Chega, e agora na Madeira preparam-se para se juntarem para mandar um governo abaixo, o governo do PSD. Portanto, eu diria que foi uma semana que podia ter corrido muito mal ao governo, e correu, porque a questão do INEM é uma questão que ainda vai dar água pela barba. Há vários inquéritos a decorrer sobre mortes que aconteceram esta semana por uma resposta pouco rápida do INEM a situações de emergência. E Luís Montenegro tem esse problema. Já percebeu-se ontem por um texto de Miguel Santos Carrapato aqui no Observador que há uma ofensiva em termos de comunicação e de gestão do que estas ministras, nomeadamente a ministra da Saúde e a ministra da Administração Interna, que são eles que têm dado aqui mais problemas ao governo nos últimos tempos. Portanto, Luís Montenegro está a reagir, porque o problema existe e está a tentar com isso passar adiante de uma questão que vamos lá ver se o Partido Socialista terá forças para contrariar, na medida em que ele próprio tem vindo a fragilizar-se, até é uma coisa autofágica. O próprio Partido Socialista a fragilizar-se na oposição e não conseguindo então empurrar o governo de Luís Montenegro para onde quer e para onde tem tentado, aparecendo sempre aqui um ou outro problema que o puxam para trás.
As dificuldades de oposição de Pedro Nuno Santos e do Partido Socialista em função destes casos que a Rita Tavares aqui elencou. E agora, senhor Manuel Mestre, vamos recorrer a outro oráculo, desta feita o oráculo de Belém. Isto a propósito de regionais da Madeira, é a Madeira que queres falar?
Aliás, é curioso porque se António Costa, eu ainda não lhe dei a nota e já vou dar a seguir, veio aqui incomodar-se com a aproximação ao Chega, quem agora viabiliza a moção de censura é Paulo Cafôfo, nem mais nem menos que o homem que levou António Costa a ter uma paixão pela Madeira, convencido de que ganharia as eleições regionais, as primeiras a que Paulo Cafôfo concorreu. Mas para falar desse oráculo, porque na Madeira as coisas são mais ou menos óbvias, é que se houver uma crise política, já sabem que Marcelo dissolve, porque a coerência presidencial desde que quis despachar António Costa, que agradeceu para ir para o Conselho Europeu, faz com que ele, à primeira crise política, marque eleições. E de seis em seis meses temos eleições na Madeira. Eu diria que se fosse no tempo dos reis, Marcelo já tinha perdido o cognome com que estava aparentemente condenado a ter, que era o afetuoso, e agora iria ficar para a história como Marcelo, o dissolvente. E a Madeira vai confirmar uma vez mais que esse é cada vez mais o cognome que ele, para sua infelicidade, porque preferia ser o afetuoso e tudo fez para isso, mas está condenado a fazê-lo. E na Madeira, o PS, como dizia a Rita, não tem outra alternativa chegado aqui, sabendo que vai para eleições, que é não desperdiçar esta oportunidade, porque a cada crise política e a cada seis meses em que nada pode acontecer, depois há novas eleições. Portanto, aqui é uma palavra para Marcelo. A nota anterior e também para esta, por estar nisto tudo, é para António Costa. Claramente é uma nota boa. É um 18 que eu vou dar a António Costa, porque ele ainda não perdeu o hábito de deitar abaixo antigos líderes. Foi mesmo assim antes de umas autárquicas que começou a deitar abaixo António José Seguro, curiosamente, que tinha como principal ponta de lança um homem que tinha ido buscar às tropas adversárias, Pedro Nuno Santos. Pedro Nuno Santos que queria que nesse primeiro ato antes das autárquicas, estava convencido que António Costa iria avançar, só avançou depois. Mas este é o primeiro ato antes de autárquicas para um pós-autárquicas e em que agora António Costa, mostrando que esta é uma sua clara aptidão, está a dar um passo decisivo. Portanto, 18 por ainda não ter perdido, apesar de já ter chegado ao Conselho Europeu, a capacidade de pôr em causa líderes eleitos.
As voltas e contravoltas da nobre arte política. Rita Tavares, queres também deixar aqui uma nota relativamente a esta crise política na Madeira, que já o é.
Sim, é engraçado porque este programa podia tornar-se os perdedores são, não é? Porque esta semana foi mais disso que se tratou. E de facto, o Mestre falou aqui num elemento que tem sido muito relevante em todas as crises políticas, que é Marcelo Rebelo de Sousa e como as coisas lhe estão a correr francamente mal neste final de mandato. Porque há esta crise na Madeira. É mesmo, é eleições de seis em seis meses. Aliás, nós estamos à espera do dia 20 e qualquer coisa de novembro para ele ter outra vez o poder de poder dissolver a Assembleia Legislativa Regional. Portanto, andamos sempre à espera, na Madeira, do momento em que Marcelo vai poder dissolver. E na Assembleia da República não parece que seja muito diferente. Pelo menos agora ainda tem esse poder intacto. Vamos lá ver se usará até ao limite em que o pode usar, que é algures em setembro do próximo ano, em que vamos ver se Marcelo Rebelo de Sousa se safa até lá sem ter que também recorrer à bomba atómica para resolver qualquer problema político que se crie também ao nível da República. E se de repente há aqui não a crise orçamental, que parece que pode já estar ultrapassada, se bem que é sempre difícil dizer isto como se estivéssemos em terreno muito firme, mas só o facto de não podermos dizer isto como se estivesse em terreno firme, mostra como nos próximos meses tudo pode a qualquer momento ir por aí abaixo e Marcelo sair da Presidência da República com um longo currículo de dissoluções, que é para aí o pesadelo maior que poderia ter para deixar nestes 10 anos.
E antes de passarmos para o último oráculo deste "E o Vencedor É?", diz-me o oráculo João Costa e Silva que temos três minutos para fechar esta edição. José Manuel Mestre, o último oráculo, oráculo do Poçolo, a propósito da saúde.
Isto anda tudo ligado quando há um oráculo, Belém é o oráculo de eleições na Madeira e aqui vamos chegar ao oráculo original. Luís Montenegro acorda, vai à janela e do outro lado da rua tem o seu oráculo que lhe disse que se fizesse um conjunto de coisas, era possível que tivesse mais umas eleições já no ano que vem. E têm estado a governar um bocado a contar para essa realidade e como disse a Rita, ainda está para saber como é que acaba o orçamento. E Luís Montenegro tem seguido à risca esse oráculo. A questão é que há aqui uma crise. É que de facto esta era a semana negra do governo, foi a semana negra quando um polícia matou sem causa aparente um cidadão, é a semana negra quando já há mais de 10 mortos na saúde. E isto vai recorrer lá para trás, quando Leonor Beleza era ministra e começou a morrer gente devido a problemas com sangue contaminado e houve um problema sério que ela não tinha, e isso foi mais do que apurado, qualquer responsabilidade. E o que fez Marcelo Rebelo de Sousa, não, o então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva, na altura, foi deixar cair Leonor Beleza, como deixava cair qualquer ministro que pusesse em causa a estabilidade do governo. E aqui Luís Montenegro ou segue o oráculo do Poçolo e chega e percebe que é a altura de mexer no governo para não ser ele próprio atingido, ou como diz Pedro Nuno Santos, será ele atingido. Falta saber a força que terá Pedro Nuno Santos para ajudar nesse processo, mas o oráculo aqui aconselha a uma inevitabilidade. Para já, a ministra da Saúde não tem como ter condições, por mais competente que seja, e voltamos a Leonor Beleza, que agora é vice-presidente do PSD, ela não tem condições para continuar ministra, a não ser que Luís Montenegro queira fazer o contrário do que fez o oráculo Cavaco nessa altura, não parece que esteja para aí virado.
Há um artigo hoje, Rita Tavares já aqui fez referência, é assinado pelo editor adjunto de política do Observador, o Miguel Santos Carrapotoso, e dá conta que Luís Montenegro, o primeiro-ministro, precisamente chamou Cunha Vaz para blindar as duas ministras que têm estado debaixo de fogo, precisamente Ana Paula Martins e também a ministra da Administração Interna, Margarida Blasco. José Manuel Mestre, Rita Tavares, muito obrigado pela vossa presença e participação nesta edição de "E o Vencedor É?"