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E o Vencedor é na Rádio Observador, em vídeo no YouTube e também nas redes sociais do Observador, hoje com a Judite França, Alexandre Borges e Nuno Gonçalo Poças. Nuno, começo por ti. Já ouviu Alexandre e a Judite ontem? Estou a brincar. Já vou ouvir. Ainda por cima agora estava a silenciá-los. Nuno, queres falar do apelo que os patrões fizeram ao governo para não ceder ao eleitoralismo e avançar com a reforma da Segurança Social, o que o governo e também a oposição parece não querer fazer?

Pois. Eu voltei hoje de férias, não estava preparado pra isso, pra ser logo o primeiro. Mas sim, queria dar uma nota positiva à CIP. É uma espécie de lufada de ar fresco, uma pedrada no charco. É um bocado chato que isto venha dos patrões, que causa sempre aquela anátema. Mas parece uma mensagem mais evidente, que é alguém que diga aos partidos que se entendam lá, porque de facto é preciso fazer qualquer coisa. Não tem que ser o fim do mundo. E nós estamos assim há uma semana e tal.

Uma semana e meia, sim.

Uma semana e meia, a dizer que os números são neoliberais ou outra coisa qualquer. A CIP está um passo à frente do que está o resto do debate público, porque o resto do debate público está nem a discutir o diagnóstico, e a discutir se há ou não um diagnóstico, primeiro, que é preciso fazer. O PS e o PSD ambos concordaram em determinadas alturas, nos últimos anos, que era preciso fazer esse estudo, esse diagnóstico, e resolveram os dois ao mesmo tempo por os respectivos diagnósticos na gaveta. Há pouco estávamos a ouvir o Henrique Perneta Dias. Eu vim de férias, eu não sei ao certo o que aquele agora é no PS.

A liderança.

Líder parlamentar.

Da bancada parlamentar.

E percebemos que há, ainda por cima, pontos de contato entre os dois estudos. Fica um bocado incompreensível por que não há um entendimento, se há pontos de contato relativamente ao problema, por que não estamos a dar o passo seguinte? E a CIP está a fazer corretamente o seu papel, como outras entidades, que é pedir precisamente aos partidos que deem esse passo e que façam qualquer coisa. Mas não sei se estão pedindo um pouquinho demais também, não sei se eles estão preparados pra isso.

E fez esse pedido dentro da casa do PSD, foi na universidade de verão.

E acho lindamente, que é assim que se devem fazer as coisas.

Já que me convidaram, também não.

Já agora que aqui estamos, então toma lá. E acho bem, é "in your face", como dizem os estrangeiros. Acho muito bem, tinha aqui um 15 pra dar à CIP, embora é uma daquelas notas que se calhar não conta pra média. Não sei se alguém vai pegar nisto, provavelmente não.

É como Educação Física.

O que eu tenho percebido é que isto vai ficar pro próximo debate eleitoral. E depois no próximo debate eleitoral uns vão querer acusar os outros de quererem privatizar a Segurança Social e os outros a dizer: "Não, nós nem queremos fazer nada." Por princípio, eu não discordo disso, porque é um princípio bastante conservador, que é: "Não vamos fazer rigorosamente nada." Eu até acho que se calhar não era mau que toda a gente se candidatasse com esse princípio, que é: "Não vamos estragar rigorosamente mais nada, vamos deixar o mal como está." O problema é que este debate é um debate pro futuro e esses debates nós normalmente não fazemos, porque está toda mundo muito viciado nisto porque precisam de resultados eleitorais e acham que as pessoas são todas estúpidas o suficiente e que caem nesta conversa. Ou seja, os partidos convenceram-se que as pessoas não são capazes de perceber que esses debates são importantes e que é preciso fazer coisas, ou que confiam ou têm como certo que toda a gente tem imenso medo do futuro e que ninguém quer ouvir falar destes temas. Não sei por quê, se calhar são os próprios partidos que não querem, mas meteram isto na cabeça por alguma razão.

Fala-se sempre muito em Portugal de pactos de regime. O Presidente da República lançou um pra saúde. Este era um assunto que valeria também esse tal pacto de regime ou que o Presidente da República pode também incentivar a que se debata?

Eu acho que andam a fazer patos de regime, que é uma espécie em que todos são patos, e ninguém sabe o que anda ali a fazer, e depois produzem-se essas coisas. É pra justiça também. O pato pra justiça é o meu preferido. A Segurança Social, apesar de tudo, é parecido, porque eu acho que em determinadas alturas, normalmente quando estão no governo, os partidos percebem que de facto há ali qualquer coisa que é preciso fazer, mas é um tema um pouquinho mais sensível do que esse. O pato pra justiça é o melhor de todos, porque é um tema que não aleija ninguém, não causa dano eleitoral e toda a gente sabe o que é que é preciso fazer. Há nuances relativamente a questões penais, porque há posições de princípio ou mais ideológicas, mas de resto, justiça administrativa, justiça fiscal, justiça cível. Como diria Eduardo Catroga, podia usar esta expressão, mas não há isto de discórdia e mesmo assim não se faz rigorosamente nada. É muito fascinante isso, é muito giro.

Nós temos falado aqui da questão da Segurança Social nos últimos dias, mas este alerta surgiu também ontem por parte da CIP, lá está, na universidade de verão. Este é um assunto onde a sociedade civil pode andar um bocadinho desligada dos partidos, ou seja, a sociedade civil pode querer andar mais rápido do que aquilo que os partidos estão a querer andar.

Eu acho que a sociedade civil não é parva e portanto acho que a sociedade civil está bastante preocupada com isto. E o que Armindo Monteiro veio acrescentar, no fundo, foi esta ideia. É evidente que é uma voz livre de responsabilidade governativa, mas veio dizer aquilo que, por exemplo, a ministra do Trabalho não pode dizer, que é fingir que o problema não existe e fingindo que o problema não existe, vamos fazer de conta que ele desaparece por arte mágica. Não acontece.

A ministra ou o primeiro-ministro podem fazer de conta que o problema não existe.

Podem.

Mas não é suposto. Normalmente, a gente elege e depois são escolhidos os membros do governo em função daquilo que nós escolhemos nas eleições legislativas.

O que Armindo Monteiro veio dizer é aquilo que a ministra não pode dizer neste momento.

Mas não pode, por quê? O problema não é não pode, é não quer.

Eu acho que a ministra é não pode. Quem não quer é o primeiro-ministro.

Ok, aí de acordo. Está bem.

Portanto, como o primeiro-ministro disse, isto é para a gaveta, põe-se uma pedra no assunto.

Certo.

Neste momento, ninguém pode dizer nada sobre o tema. E portanto, a ministra está no mesmo barco.

Mas esse é talvez o maior problema que nós tínhamos aqui em cima disto. O governo tem um bom punhado de ministros, eu acho que até gente com vontade, até porque têm um histórico de coisas que escreveram, de coisas que defenderam. E de facto parece que não há liderança política no governo capaz de as promover.

Bem pelo contrário.

Bem pelo contrário, tem muita vontade até de que a coisa ande para trás. E depois o argumento que no fundo serve para justificar tudo isto é que o André Ventura e o Carnés não são assim grande coisa, portanto, tenho que votar neste.

Eu acho que em Portugal a única coisa mais previsível é o calendário eleitoral decidir quando é que finalmente alguém pega a sério na questão da Segurança Social.

Não vai ser o calendário eleitoral, provavelmente vai ser o calendário financeiro.

Eu digo-te o calendário eleitoral porque eu acho que de facto só se houver novas eleições e se tivermos um governo com maioria absoluta é que alguém pega na questão.

A maioria absoluta sim, mas até à maioria absoluta é difícil.

É.

O calendário eleitoral, para já, decidiu que não se discute.

Exato.

Deixa-me só pegar também numa expressão que o Armindo Monteiro utilizou nessa intervenção, que é a história da dicotomia sobre a forma como este debate é feito, que é logo as acusações de um lado de querer privatizar ou não, e depois o debate anda sempre à volta disso, sem que se fale de tudo o resto.

Claro.

Partidariamente ou politicamente, a discussão será sempre essa? Ou seja, nós já sabemos que termos e que argumentos é que vão ser utilizados?

É sempre essa se quiserem, e de facto é um bocado impressionante. Isto é transversal, desde comentadores até responsáveis políticos com bastante responsabilidade. Até jornalistas, que fizeram questão de vir à praça pública dizer coisas que o relatório não dizia. Estou-me a lembrar, por exemplo, da questão do esforço tripartido que consta do relatório e houve jornalistas na televisão que disseram, em comentário, que a proposta do relatório não deixava nada aos patrões. E isso não é verdade. Ainda por cima numa altura em que se fala tanto da crise do jornalismo e das fake news, não deixa de ser também um bocadinho triste isto, que haja uma margem ideológica ou viés ideológico, partidário ou outra coisa qualquer, que passe por cima disso. O relatório é sério, será com certeza muito discutível e podem-lhe apontar todas as falhas e mais algumas, mas o diagnóstico é o diagnóstico e na verdade aquilo que resulta dali é aritmética. E a aritmética é a aritmética, não é neoliberal, as contas não têm preferências ideológicas. Parece que estamos a recuar quase a 2011, em que haver ou não haver dinheiro, os juros estarem demasiado altos ou não e o Estado não ter capacidade para se financiar não é uma opção aritmética. A contabilidade não tem preferências.

É como aquela coisa dos números quando bem espremidos dão aquilo que nós queremos.

Não, a estatística sim. A contabilidade não, a matemática não. O debate torna-se muito difícil porque é preciso, antes de nós passarmos para a segunda fase, que é aquela onde o Armindo Monteiro estava, nós temos de estar a discutir a primeira, que é a viabilidade do diagnóstico. Temos que estar a discutir os números. É preciso explicar primeiro às pessoas que aquilo é certo, não basta os relatórios. E o governo tem claramente grandes responsabilidades nisto. Primeiro que é uma coisa até um bocadinho absurda, que é: isto é como chegar ao café e dizer "quero um copo de água" e depois o senhor traz um copo de água e você dizer "ah, agora não quero".

Eu queria, já não quero. Eles queriam encomendar.

Exatamente.

Ó doutor Jorge Bravo, eu queria um relatoriozinho sobre isso.

Exatamente. O Luís Montenegro disse: "Queria um relatório." E ele chegou e disse: "Queria, já não quero." E afinal é isso. Este e outros debates tornam-se muito difíceis por causa disso, porque primeiro nós temos que discutir a realidade E depois vamos discutir as opções políticas em função dessa realidade, mas nós parece que não passamos da primeira etapa, que é discutir a realidade, se ela é verdade ou se não é. Inventa-se imensa coisa em cima disto, é frustrante.

Cansa, chega a cansar.

Cansa, ainda agora aqui cheguei.

O Rui Correia Antunes disse que a discussão ficou inquinada desde o início.

Por quê?

Por haver uma junção entre o que a Caixa Geral de Aposentações e a Segurança Social.

E no final do dia, quem é que terá que pagar?

Claro.

Sim, o Rui Correia diz até que-

Mas é matemática! "Ah, não, porque o dinheiro não vem, não sei o quê, é o Estado que tem que..." E o Estado é quem? Já não sei quem é que dizia que não há buraco nenhum. Isto é o estudo que inventou o buraco pra depois se vender à seguradora, não sei o quê, porque ele tem interesse. Mas o buraco que existe é da Caixa Geral de Aposentações, não tem nada a ver com a Segurança Social. Então mas há buraco ou não há buraco? E quem é que vai tapar esse buraco da Caixa Geral de Aposentações? Não são os contribuintes? São! Então não há realidade nenhuma pra se discutir isto. E voltarmos estes passos todos pra trás das invenções, dos interesses, de que cada vez que aparece qualquer coisa deste gênero, quando não é liberal, normalmente é sempre alguém que tem um interesse mágico por trás disso, que normalmente é pra favorecer um fundo abutre, um privado não sei o quê, uma companhia de seguros, etc. Hospitais privados, colégios, aquelas coisas todas que nós sabemos. De fato, isto é encantador.

Estavas com saudades, não é?

Imensas, estava.

Também não podia chegar à espera que isto se resolvesse durante o teu tempo de férias.

Não, não era que se resolvesse, eu não quero que isso se resolva no meu tempo de férias, mas gostava pelo menos que não se tivesse perdido o meu tempo de férias a discutir. Não é o sexo dos anjos, é muito pior do que isto.

É antes disso.

É antes disso, sim.

Fica o teu 15 para Armindo Monteiro, aí pra cima pelo alerta. Judite França, queres nos falar de um tema novo também? A existência de boys do PSD no Instituto de Emprego e Formação Profissional do Centro, com um conjunto de nomeações de militantes do PSD pra este organismo.

É uma notícia da Revista Sábado, que revela que entre os novos diretores há uma fisioterapeuta, um ex-deputado e um autarca do PSD. Toda gente com muita experiência na área, como se vê. E todos, curiosamente, em regime de substituição.

Claro.

O que quer dizer, em bom português, que sem CRESAP, sem concurso público, sem crivo, substituem-se uns aos outros e substituem também a ideia de que estas nomeações deviam obedecer a critérios técnicos. Não obedecem. Podíamos ir ao currículo, mas não temos tempo. Podíamos ir ao currículo de-

Mas podemos ir e se for preciso continuamos na segunda parte.

Na segunda parte.

Exato, o currículo é assim tão vasto?

A fisioterapeuta, por exemplo, trabalha no hospital, tem um mestrado em envelhecimento ativo e agora gere três centros de emprego.

A fisioterapeuta trabalha, ponto, acaba aí. Tem competência.

É isso, é verdade. Também foi candidata do PSD à Assembleia de Freguesia do Pombal.

De Pombal.

Como é que se diz?

De Pombal.

Participação cívica, isso também conta.

Exatamente.

Eu disse do Pombal, queria dizer de Pombal, pelo amor de Deus. Há outro currículo, que é ter sido deputado do PSD com Ferreira Leite, Passos Coelho e com Rui Rio, presidente da junta, candidato à Câmara da Guarda, perdeu as eleições em outubro e em agosto ganhou dois centros de emprego.

Primeiro é alguém que mostra que é consensual, porque está com o Ferreira Leite, Passos Coelho e Rui Rio. Sim, senhor. Portanto, é uma pessoa que é capaz de fazer pontes.

Pronto.

Não sei quem é, já agora.

Há um padrão. No fundo, são três nomeações, três acumulações de centros e três ligações públicas ao PSD. E isto é uma constatação factual.

Mas é pra isso que eles lá estão.

Está no nome, são centros de emprego.

Exato.

Primeiro, são centros de emprego e é pra isso que as pessoas vão pro PSD e pro PS. Se quisessem não ter, iam pros mais pequenos.

O Partido Socialista fala de vaga de substituições em curso e pede explicações à ministra Palma Ramalho, que é uma acusação legítima, política e legítima, mas também convém lembrar que o PS fez exatamente a mesma coisa.

Não.

Nomeou, no seu tempo, vários dirigentes com ligações partidárias. Aliás, o Observador dava conta de 15 dos 18 diretores distritais nomeados por António Costa foram substituídos por militantes do PSD, tal como antes tinham substituído nomeados anteriores. Eu acho que o regime de substituição é cada vez mais um vencedor aqui nesta história. É uma figura administrativa que permite pôr gente de confiança em lugares de gestão sem ter que justificar essa confiança com concurso. Não é ilegal, mas é um expediente e, portanto, é uma forma muito eficiente de branquear aquilo que normalmente se costuma chamar de jobs for the boys.

E que nota é que dás?

Ao regime de substituição, dou uma ótima nota, porque tem sido muito utilizado.

Porque funciona muito bem.

Funciona muito bem. Dou-lhe um 14.

Fica assim, um 14 para este regime de substituição encontrado na lei para estas nomeações. Alexandre, queres nos trazer um novo movimento nacionalista de direita, que André Ventura diz que não conhece bem e que vai ter na direção Rita Matias, que é uma figura próxima de André Ventura.

Exatamente. A notícia era dada pela Sic Notícias, é aquela que traz mais alguns detalhes sobre o assunto. A declaração de André Ventura ouvimos em vários sítios. Depois a notícia da Sic contactou algumas fontes dentro do Chega. Portanto, aquilo que sabemos é que há dois dias que há um pôster de um evento de lançamento deste novo movimento a circular, que se chama Futuro Português. Está anunciado para 6 de outubro, data certamente não casual, mas a gente percebe que provavelmente tentaram marcar pra dia cinco, mas como era feriado, estava fechado. É na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras, em Lisboa. Esse cartaz apresenta, aliás, já existe uma página de Instagram, pelo menos, e apresenta como direção pelo menos duas pessoas: Alexandre Sousa, que por sua vez se apresenta como comentador político e tem na sua página de Instagram 17 mil seguidores e uma quantidade de conteúdos já de facto de comentário político, e Rita Matias. E depois apresenta esse cartaz uma terceira pessoa, não como membro da direção, mas com o mesmo destaque na foto, mas que será aparentemente um orador convidado, que é o nosso, passe a expressão, Jaime Nogueira Pinto. André Ventura diz que, de facto, não conhece muito bem, não sabe muito bem ainda em que é que consiste esta estrutura, mas garante que não representa nenhuma dissidência dentro do Chega, que está tudo bem com Rita Matias, que respeita imenso estas pessoas. Não se refere, tanto quanto eu sei, a Alexandre Sousa, mas aparentemente ele é, ou pelo menos já foi, militante do Chega também. André Ventura diz que isto está relacionado com temas que sempre foram temas de Rita Matias, a natalidade, a defesa da nacionalidade. A natalidade não sei bem do que vi deste movimento, não encontro bem isto lá, mas admito que venha secundariamente relacionado com qualquer questão. A peça da Sic Notícias fala que esta é a posição oficial do Chega, mas depois diz que fontes dentro do partido referem que pode haver um afastamento de Rita Matias e da direção desde março, desde que ela e, de resto, também Manuel Matias, o seu pai, pediram o afastamento de Bruno Mascarenhas, vereador na Câmara de Lisboa, e que essa posição foi completamente em contracorrente com aquela que era a decisão da restante direção, nomeadamente André Ventura, e que a partir daí, Rita Matias teria vindo a perder espaço lá dentro e que isto será parte de um trilhar de um novo caminho e que até poderá estar em causa a liderança da juventude do Chega e com a hipótese de ela ser substituída por Ricardo Reis.

O poeta.

O poeta. Eu gosto, eu aprecio. Já não é assim tão jovem, mas também, olha, o que é isso? É idadismo. Vão pôr-se agora com o idadismo. Agora, sobre este movimento. Fui ver, tem como claim, e que tem graça dizeres isso, porque qual é o grande bordão, o grande refrão deste movimento? É que falta cumprir-se Portugal. Não é de Ricardo Reis, mas é do Ortónimo. E pronto, a pessoa teve esse azar. Se ele tivesse tido filhos, isto em royalties, estavam garantidos. Ele não se dedicou à constituição de família, mas tinha o futuro assegurado. Era dos poucos poetas que teria conseguido assegurar uma vida tranquila para a sua prole. Depois, também já há um vídeo de lançamento sobre este movimento, em que Rita Matias, particularmente, tem um discurso mais circunscrito a certas áreas, em que diz que isto tem a ver com a educação, que diz que mudar Portugal não se faz só na política, que mudar mentalidades é uma questão de gerações e que se faz sobretudo na educação e na cultura. Mas a parte mais dominante, que ocupa o maior tempo de antena, que é de Alexandre Sousa, é um discurso bastante mais agressivo e bastante mais político. Dizem que está na hora de passar à ação, que este movimento nasce daqueles que se recusam a deixar de existir, contra a imigração, contra a subserviência à Europa, contra os líderes globalistas. Mas depois também diz que não é para comentar a atualidade, que é para pensar o futuro da nação a 50, 60, 70 anos. De algum modo, ainda ontem aqui comentávamos o nascimento também do Instituto Progresso. E não há dúvida de que estamos numa época de nascimento. Está bom para os think tanks. Têm aparecido muito, têm se multiplicado. Eu pesquisando sobre o assunto, até para o nosso programa de hoje, apercebi-me de que ainda há dias tinha aparecido outro que eu não sei se comentáramos, é a associação Juntos pelo Futuro, liderada por Filipe Lobo d'Ávila, antigo vice-presidente do CDS e secretário de Estado.

Que, entretanto, se aproximou um bocadinho do Partido Socialista.

Filipe Lobo d'Ávila?

Sim.

Faz parte, salvo erro, do Conselho Estratégico de José Luís Carneiro. Pronto, olha, as interseções que há, coisas que acontecem nos think tanks. Digo eu, não sei. Mas esta Juntos pelo Futuro terá nascido em fevereiro, mas a notícia aparecia em julho, aparecia no fim de julho, porque foi quando atingiu o número de 100 associados e o objetivo também era pensar o país, neste caso, repensar o país a partir do Porto, também com gente de CDS, PSD, PS, ali mais ao centro, tal como o Instituto de Progresso ontem, por exemplo, defendendo a economia de mercado e rejeitando os extremos, contra as políticas estatizantes, mas também contra as visões neoliberais. Portanto, há muita gente aqui sempre no centro. E nós não sabemos bem, continuando a conversa que tínhamos ontem, o que é que, por um lado, podemos sempre suspeitar um pouco destes movimentos quando nascem alguns em que parecem parte de uma deside-- suspeitar neste sentido, isto é, nascem supostamente como autónomos dos partidos, mas muitas vezes parecem confundir-se com agendas dentro dos partidos de correntes que não têm espaço momentaneamente sobre aquela direção. Por outro lado, a verdade é que também quando assim não é, é difícil perceber exatamente onde é que chegam estes movimentos.

Como é que se materializam.

Exatamente. Ou seja, que longevidade é que consegues assegurar a um movimento que se diz que quer pensar o país, mas que, na verdade, não tem depois uma estratégia de ação ou uma estrutura que materialize isso, financiadores que terão uma determinada agenda. Depois, o que é que acontece realmente aqui?

Desculpe interromper. Se calhar, o CEDES é o único que me estou a lembrar, que não é um think tank porque apareceu antes da expressão think tank. Mas que tem alguma durabilidade.

O IDL, o Instituto Amar da Costa, tem um tracking longo também.

Mas é muito CDS.

Sim, mas produz acima de tudo conteúdo.

E o Mais Liberdade também.

E o Mais Liberdade também, exatamente.

Mas lá está, é desligadíssimos a partidos. O Mais Liberdade à IL, o Instituto Amar da Costa ao CDS, o Francisco Sá Carneiro, porque isto às vezes parece como futebol, tens o José Bica, eu faço o Troféu Cinco Violinos.

Sim, mas o Sá Carneiro, apesar de tudo, hoje em dia, acho que estão a tentar renovar de alguma maneira, mas pelo menos comparativamente com o IDL e com o Mais Liberdade.

Menor atividade.

Menos produtivo, sim, mais intrinsecamente ligado ao partido do que propriamente à produção de ideias ou conferências, ou seja lá o que for.

Certo, porque de facto provavelmente ficam sempre à sombra de um partido maior.

O IDL sempre teve maior autonomia mesmo relativamente ao CDS.

Exatamente.

Enfim, e acho que o Mais Liberdade também relativamente à IL.

Exatamente, sim, também creio que sim. Mas não sei depois na prática, não queria só estar a repetir algumas coisas que já disse ontem, mas no caso do Mais Liberdade, por exemplo, que serve de inspiração ao Instituto de Progresso, nasceu cedo num partido pequeno. Foi também relevante para a afirmação do próprio partido e como uma forma também de divulgação das ideias liberais no plano económico. Teve muito esse lado.

Que era muito ligado à divulgação de factos também.

Era, exatamente.

Era e é.

Era e é. É isso mesmo.

E temos o movimento de João Cotrim Figueiredo.

Pois, depois isto confunde-se, é difícil saber o que é que é movimento, plataforma cívica. O que é que é plataforma cívica, o que é que é laboratório de ideias, que é outra expressão também muito associada a isto. Como é que se chama o de Cotrim? Política? Não, 2030, Portugal 2030.

31.

2031, casualmente.

Movimento 2031, acho eu. É isso.

Exatamente, que é o ano das próximas presidenciais. Mas, por exemplo, esses estão claramente vinculados a uma intenção política. Até há depois coisas assim um pouco surpreendentes, fazendo uma história recente da política portuguesa, a própria Iniciativa Liberal começa na sua primeira página de Facebook, recordam-se da polémica, a página original de Facebook da Iniciativa Liberal chamava-se António Costa 2015. E foi, na verdade, isto que levaria ao afastamento do seu primeiro líder, à demissão do seu primeiro líder, Miguel Ferreira da Silva. Portanto, inicialmente também tinha nascido como um movimento de cidadãos que achava que António Costa, neste caso, era alguém que vinha liberalizar o país. Capacitar Portugal, chamava-se, se não me engano, era António Costa 2015 - Capacitar Portugal. Portanto, fora isso, podemos ficar sempre todos a pensar imenso. Não há dúvida que o think tank é praticamente o novo podcast. Queres fazer um podcast agora?

O que eram os blogs.

O que eram os blogs, foi o que eu pensei primeiro, Miguel. Não trouxe para não me denunciar na idade.

Olha, Alexandre, uma nota ou para esta amálgama de think tanks ou para esta possível dissonância de Rita Matias.

É isso, sobre o Futuro Português, como se chama o think tank, ainda não vou dar nota, mas a Rita Matias e pelo também desenhar do seu percurso próprio, dou a mesma nota que dava ontem ao Instituto Progresso, que é um 12.

Fica por aqui. E o vencedor é desta tarde política mais cedo hoje. Amanhã, de regresso à hora habitual.