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Está no ar a edição desta manhã de "E o Vencedor É..." que pode acompanhar também em vídeo, realização do Tiago Couto, está nas redes sociais do Observador. Vamos avaliar e pontuar os protagonistas da atualidade. Está por cá o Paulo Ferreira, o Bruno Vieira Amaral. Junta-se a nós também o José Manuel Fernandes e o Rui Pedro Antunes, hoje muito feliz por mais uma vitória na Liga dos Campeões do seu clube. Fala, obviamente, do Atlético de Madrid. Certo, Rui?

Completamente. Esse mesmo.

Vamos a isso.

Vamos falar de outros vencedores esta manhã. Luís Neves, ao Ministério da Administração Interna, a invasão da RUC, a greve no metro. Mas José Manuel Fernandes, vamos começar por ti. Explica-nos por que queres começar por dar nota à presidente das Mulheres Socialistas, Carla Tavares?

Carla, eu até não queria acreditar no texto que li ontem no Público, publicado por Carla Tavares. Carla Tavares resolveu investir contra Rita Matias por causa daquilo que aconteceu na RUC, na Rádio Universitária de Coimbra. É um tema que tem muitos argumentos, se o Chega podia ou não podia entrar por ali adentro, se a RUC podia ou não podia discriminar o Chega na prática de um debate naquelas circunstâncias. Já agora sobre este problema da discriminação, um dos argumentos de Carla Tavares é que aquela deliberação de proibição do Chega na entrada nas instalações foi aprovada por uma esmagadora maioria. E até diz quantos votos foram: 273 a favor, 30 abstenções e três votos contra. Estamos a falar de uma votação que mobilizou 1% dos estudantes da Academia de Coimbra, porque a Academia de Coimbra tem 30 mil estudantes. Nesta assembleia magna esteve 1% desses estudantes e aprovaram esta deliberação, que é considerada à prova de bala. Feito este pequeno parêntesis, o que é essencial nesse texto da Carla Tavares é basicamente o seguinte: Rita Matias teve uma criança, foi mãe no passado mês de setembro, portanto, está de licença-maternidade, pergunta ela. Pediu a suspensão do mandato? Se o fez, quando é que o fez? E será que tendo feito, podia ter ido a Coimbra? E se foi a Coimbra, será que não está a cumprir o gozo obrigatório de um período de descanso previsto no Código de Trabalho, artigo 41? Eu estava a ler isto e pensei: "Mas esta gente alguma vez foi pai, foi mãe?" Por acaso, curiosamente, até nós percebemos que a Rita Matias não é uma pessoa da minha grande predileção, mas Rita Matias foi a Coimbra e passado um bocadinho já tinha posts nas redes sociais de regresso a Lisboa. E agora, quando se é mãe, quando se é pai, não se pode sair de casa? Fica-se ali sempre fechado? A licença-maternidade é uma espécie de impossibilidade de participar em vida cívica? Isto faz-me imensa confusão. Eu devo dizer já agora, por uma declaração de interesses, que eu levei o meu primeiro filho ao colo para um comício numa campanha eleitoral das presidenciais de 1976. Tinha ele, não sei fazer agora bem as contas, mas acho que não tinha dois meses ainda. Talvez fosse uns dias mais velho que o filho da Rita Matias, que não foi a Coimbra, ficou aparentemente em casa. Mas o que é isto? Agora o ser pai, ser mãe é obrigatório?

Qual era o candidato, José Manuel? Agora estou curioso.

É assim a pergunta que todos estamos a fazer.

Não era o Eanes, ou era o Hotel?

Era o Hotel.

Era o Hotel, parece-me, nessa altura.

Era o Hotel, e o comício foi no Barreiro. Rodeado de PCPs por todo lado. Dito isto, aquilo que eu queria sublinhar sobretudo é isto que me parece uma visão, isto não é para a frontex, isto é para a retrex, um coisa qualquer desse género. Alguém que foi, como é o caso da Carla Tavares, presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, achar que a condição de mãe ou condição de pai recente é motivo para ficar em casa.

Se fosse pai, não havia nenhum problema. O irônico é isso.

Se fosse pai, se calhar não dizia nada. Eu fiquei siderado com este texto. Não vou pronunciar-me sobre a história da RUC.

O Rui Pedro irá falar sobre isso. Aqui o que está subjacente é a ideia de Rita Matias ter liderado aquele movimento das mulheres conservadoras que defendem a primazia da família.

Mas e depois? Mesmo que fosse esse o caso, pelo que percebi, a Rita Matias não é obrigada a suspender o mandato sequer na Assembleia da República. Tem faltas justificadas, como teve a maior parte das sessões desde que foi mãe. Foi lá um dia, porque não está obrigada a ficar fechada em casa.

Como tem qualquer trabalhador, seja pai ou mãe.

Exatamente como qualquer trabalhador. Basicamente, aqui a questão é esta posição da Carla Tavares, que eu fico de boca aberta, como é que alguém que vem contestar a ideia da mulher conservadora, depois tem uma posição que não é conservadora, eu diria que é reacionária. Nem dou um quatro, dou um zero a este texto da Carla Tavares, presidente das Mulheres Socialistas.

Um zero então para Carla Tavares. O artigo foi publicado ontem no jornal Público. Rui Pedro, mas há de facto mais consequências relativamente a esta invasão das duas deputadas à RUC?

Sim, em primeiro lugar, também como uma declaração de interesses, a minha descrição no Observador, aqui no site, desde sempre, ou seja, não mudei, diz assim: "Desde os primeiros passos no jornalismo, ainda como estudante universitário em Coimbra, no jornal A Cabra e na RUC." Acho que tenho alguma propriedade também para falar sobre isto. E se calhar não vai no sentido do que parecia mais óbvio para quem trabalhou ali na rádio escola, etc. Pelo seguinte: em primeiro lugar, concordo com o José Manuel e foi um dos argumentos que eu ouvi nos últimos tempos, é por que ela, a Rita Matias, não está em casa a tomar conta da filha. E, portanto, eu acho que esse argumento é um argumento que não deve, ou do filho ou da filha, nem sequer sei, nem me interessa, porque é um argumento que é absolutamente-

E depois ir para a cozinha já, agora que é o lugar dela.

Não, as pessoas têm direito a ter a gestão da maternidade.

A licença de maternidade não é uma prisão domiciliária.

Exatamente. Esse é o primeiro ponto.

Às vezes pode parecer, nos primeiros tempos, mas não é.

Começando por aí, independentemente, também estava lá outra deputada, pelo menos que eu reconheci nas imagens. Obviamente que o Chega devia ter juízo, porque não tem idade para andar neste tipo de lutas. Enquanto partido, já devia ter uma outra maturidade, ainda para mais dizendo que sendo contra os radicais de esquerda, que vão sempre em protestos e ir contra as regras e a lei. Na verdade, isto foi um ato de direita radical e seguirá os seus termos. Eu vi ontem, por exemplo, que a Direção Geral da Associação Académica de Coimbra apresentou queixa ao Ministério Público. Pronto, eles que investiguem, que vejam o que foi ou não vio . Também vi, por exemplo, o José Eduardo Martins, que é advogado, colocar um artigo da Lei da Rádio a dizer que isto pode dar até dois anos de prisão. Ficamos a saber se alguém terá aqui no estúdio.

E foram todos.

Exato.

Foram todos a pau.

Isso é o primeiro ponto, portanto, o Chega terá que ter as consequências dos seus atos, mas tudo aquilo que foi o contexto que depois foi dado, para mim não são agravantes, são atenuantes do ato. Pelo seguinte: a decisão de fevereiro da Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra é uma decisão profundamente antidemocrática, porque permite a todos os outros partidos entrarem, inclusivamente se um for criado. Vamos imaginar que agora o Reconquista chega ao Tribunal Constitucional, é aceite, pode entrar na AC para fazer política e o Chega não. Depois, o estatuto de sócio da AC é um estatuto automático, ou seja, qualquer aluno da Universidade de Coimbra é automaticamente associado da Associação Académica sem ter que fazer nenhum ato.

O que é logo, enfim...

Por isso é que tem tantos associados.

É evidente. A realidade disso é assim um bocadinho questionável.

E a minha dúvida é: o que é fazer política? Um estudante da Universidade de Coimbra, que seja do Chega, se for com uma T-shirt do Chega, é vedada a entrada na Associação Académica de Coimbra? Isto é grave. Ou seja, logo de partida, a decisão da Assembleia Magna não faz qualquer sentido, porque proíbe um partido de entrar nas instalações da Associação Académica de Coimbra. Este é o primeiro ponto, que acho que é fundamental dizer que não é aceitável, independentemente do histórico de Coimbra e de todas as lutas. Não é o Alberto Martins a pedir a palavra na crise académica de 69 ao Américo Tomás, nem à Polícia nos Mentais. Eu sei que há um grande saudosismo da luta, mas às vezes a luta não se faz com decisões profundamente antidemocráticas. E depois há a Rádio Universidade de Coimbra, que até tentou de alguma forma contornar a situação, convidando o Chega a estar presente naquele programa à distância. Portanto, isto é um atenuante. Não é que o Chega tenha ido a um sítio onde não foi convidado. Foi, mas à distância, ou seja, com outras condições. E aí há um outro problema, porque não está garantida a igualdade jornalística, a igualdade entre a imparcialidade e a igualdade de circunstâncias.

Isso ainda por cima é um disparatice. Eles, já que não podem entrar fisicamente, estão a convidar à distância. Isso é fumar e não inalar.

Porque o órgão é à parte, ou seja, eles não podem desrespeitar, porque senão podiam ter o financiamento cortado.

Mas eles têm que resolver isso. A RUC tem que resolver isso com a Associação Académica.

Exatamente.

A RUC tem obrigações próprias, que a Associação Académica, que é senhoria, não faço ideia, as instalações são da Associação Académica, está a pôr em causa aquilo que são as obrigações legais da RUC.

Sim, o próprio edifício tem um histórico na luta estudantil, que ele começou a ser ocupado.

Claro.

Não sei exatamente a figura jurídica daquilo. Mas o ponto é: a RUC tentou isso, mas isso não é como se o Chega não tivesse sido convidado e tivesse forçado a entrada num programa. Ele tinha sido o partido, uma pessoa, não uma comitiva.

Acho que era a líder da juventude partidária local.

E, portanto, isso não é um agravante, como às vezes se faz crer. É um atenuante, porque não é que o Chega tenha aparecido num sítio a tentar que outros falassem, quando no primeiro momento o Chega é que estava a ser, de alguma forma, discriminado ao não ter a possibilidade de estar lá dentro. E depois também falar da decisão da Assembleia Magna, como se fosse uma coisa que está à frente da liberdade de expressão, da liberdade de opinião, da liberdade de associação partidária.

Qualquer assembleia pode decidir então violar a Constituição, é isso?

Não faz sentido nenhum. Aliás, eu tive muitas horas, noites, madrugadas de assembleia magna e também editei noticiários da RUC, era obrigatório ter espaço de noticiário para aquilo que a Carla está a fazer aqui, eu fiz na RUC. E um dos argumentos que também existe é que não existem lá pessoas com carteira profissional. Mas depois também se diz que é uma rádio escola. As obrigações do dever de imparcialidade, ou seja, não há ninguém que está a infringir.

Também em relação ao verdadeiro estatuto desta rádio.

Sim, ou seja, e portanto, não havendo ninguém com carteira, assim só se pode convidar quem queremos e da forma que queremos. Isso não é verdade. Sendo uma rádio escola, deve-se aprender desde o início o que é o jornalismo. E se o nosso proprietário não nos dá condições para fazer jornalismo Das duas, uma: ou nós tentamos sair disso e defendemos o jornalismo, e sendo escola ainda tem mais importância de o fazer, ou então não se tenta depois, de alguma forma, tomar uma luta, que pode ser uma luta da Associação Académica, isso é com eles, por parte de um órgão de informação. A confusão está muito grande. Agora, como é óbvio, é absolutamente antidemocrático proibir um partido de entrar num edifício da Associação Académica. Tenho muitas dúvidas.

Um partido legalmente constituído.

Se algum dia um estudante da Universidade de Coimbra, que é associado da AC, entrar com a camiseta do Chega, o que vai acontecer? Vão chamar a polícia política? Vão chamar o segurança pra colocar ele fora?

Estatisticamente haverá estudantes na Universidade de Coimbra que votam Chega.

Claro. Se tiver flyers na mão, pode ser expulso? Se tiver uma camiseta do Chega? Isso cria uma confusão que parece-me profundamente inconstitucional.

Por isso o argumento só chega.

Sem dúvida. Agora, isto também não apaga a parvoíce permanente de algumas ações do Chega.

Claro, mas o Chega, ainda por cima, fica com razão quando faz estas coisas.

Podia fazer isso pacificamente, ficar à porta da Associação Académica.

Fez sentido porque nos fez falar disto, porque eu lembro-me de ouvir a notícia sobre esta deliberação da Associação Académica, mas já ninguém falava disto. E é inadmissível que haja esse tipo de proibição. Uma coisa é a Associação Académica, no âmbito das suas atividades, não convidar elementos do Chega, por exemplo, pra conferências ou palestras, pode fazê-lo, tem todo o direito de convidar quem quer. Outra coisa é proibir o acesso às instalações, e nomeadamente da rádio.

Vamos avançar. Rui, rapidamente, a tua nota vai para quem ou o quê?

Olha, dou um oito aos deputados do Chega pela maneira como entraram inopinadamente na Associação Académica, embora me pareça que eles têm ali um ponto e, de alguma forma, com uma grande ilusão minha, também dou um cinco à Associação Académica de Coimbra, porque a decisão, que a mim me tinha escapado, da Assembleia Magna é absolutamente ridícula e antidemocrática.

Bruno, e olhando para a novela Ministério da Administração Interna.

Não é fácil perceber tudo isto.

Todas as camadas que se vão acumulando.

É toda uma novela. Acho que há aqui um lado pessoal, de questões pessoais que vieram agora à tona com esta demissão do agora ex-secretário geral do MAI, mas haverá aqui também algum conteúdo político que merece reflexão e pelo menos escrutínio, que se torna quase obrigatório conhecendo agora estes factos. Mas olhando para aquilo que aconteceu, houve o anúncio da demissão do secretário-geral do MAI, com explicação por parte do ministério, de uma reorganização da Secretaria-Geral, com a preparação de uma nova estrutura orgânica. No fundo, lançou aqui um comunicado politicamente correto para não levantar grandes ondas, só que o demitido quis levantar ondas e parece que estava mesmo à espera daquele momento. Já estava à espera da demissão para depois fazer uma série de acusações, que são acusações muito graves. Quando ele diz logo no artigo publicado no Expresso que "em duas décadas de serviço público de primeira linha, nunca fui alvo de tantas pressões ilegítimas e de uma interferência política tão asfixiante como agora na tutela de Luís Neves." Bastava isto para que o caso já fosse grave e para se tentar perceber aquilo que se passou. Mas depois o Ricardo Carrilho ainda foi mais longe com as acusações em relação à utilização de dinheiros públicos, nomeadamente da SIRESP SA, que segundo Ricardo Carrilho, recebe do Estado uma indenização compensatória média de 26 milhões de euros anuais desde 2021, embora o custo efetivo do funcionamento da rede não passe dos 14,8 milhões de euros. Essa diferença de 11 milhões é justificada por Ricardo Carrilho com ordenados principescos da administração, gastos de depreciações nunca explicitadas, assessorias de comunicação, consultorias técnicas, contratos de aluguel de viaturas. Ou seja, há aqui uma série de acusações que é de fato muito grave e obriga a uma explicação política por parte do ministério. Não sei se essa explicação virá numa comissão parlamentar de inquérito. Ricardo Carrilho já se manifestou completamente disponível para ir à Assembleia da República dar estas justificações. Eu não quero tirar conclusões precipitadas de onde é que está a razão, porque ainda não se percebeu muito bem o que este caso envolve, porque há também aqui um lado de vingança, ou pelo menos de tentativa de reagir a uma demissão que se considera injusta, e poderá haver aqui algum exagero ou pelo menos alguma informação algo distorcida.

O PS já pediu a ida ao Parlamento dos dois.

O PS, a Iniciativa Liberal também já o fez, e eu acho que isso é necessário. É mais uma história que não favorece Luís Neves, embora eu aqui lhe dê o benefício da dúvida, vamos ver o que é que sai O que é que se virá a saber de todo este caso? Eu acho que é preciso um esclarecimento, porque isto prejudica a imagem, uma vez mais, do ministério e a minha nota é para o ministro, porque uma vez mais sai mal. Neste primeiro momento, já sai mal todo este caso, vou lhe dar um sete.

Um sete para Luís Neves. Paulo, greve do Metropolitano de Lisboa.

Novidade, não é? É raríssimo haver greves no metro. Não, mais uma, são recorrentes. Sobretudo esta empresa, a CP também, mostra como há serviços públicos que são absolutamente essenciais, como os transportes públicos, que estão capturados, nem diria por sindicatos, capturados às vezes por grupos de dezenas de profissionais que estão a defender o seu interesse próprio, que estão sindicalizados e que veem nos sindicatos a forma de defender esse seu interesse. Neste caso, por que esta greve surge? Há aqui uma polémica com a administração sobre a organização do trabalho no chamado posto de comando central, basicamente é o coração de controle do metro. Por quê? Porque a administração decidiu reorganizar o serviço, reduzir o recurso a horas extraordinárias, que se verificava desde 2019. E só para termos uma ideia, estes são números da empresa, entre abril e setembro dos dois últimos anos, portanto, 2024 e 2025, o metro pagou por trabalho extra suplementar, horas extraordinárias nesta área, €372 mil. No mesmo período este ano, o valor foi reduzido para €53 mil, ou seja, houve aqui um corte de €320 mil em horas extraordinárias pagas em apenas seis meses. Estamos aqui a falar das pessoas que recebem estas horas extraordinárias, são cerca de 70 trabalhadores no máximo, mas isto é concentrado em 20 ou 30 trabalhadores. Portanto, facilmente, fazendo umas contas, chegamos à conclusão que estes 20 ou 30 trabalhadores tiveram um corte de cerca de €20 mil por ano nas horas extraordinárias que estavam habituados a receber. E obviamente que não se gosta de organizações de trabalho que cortam desta forma as horas extraordinárias que eles próprios iam gerindo uns com os outros, e daí também os trabalhadores estarem contra a auditoria aos serviços que a administração quer fazer, para ver a forma como são geridas as faltas, as folgas, as férias, a organização de turnos e por aí fora. E portanto, são questões subjacentes a umas dezenas pequenas de trabalhadores, numa empresa que tem 1600 trabalhadores e que fazem parar a empresa para 600 mil passageiros. Esta questão da forma de funcionamento do metro de Lisboa não é nova. Aliás, os vários acordos em empresa nas últimas décadas tinham coisas como subsídio de assiduidade, isto é, as pessoas por irem trabalhar ainda recebem mais um subsídio, como se não fosse uma obrigação inerente ao contrato de trabalho. A empresa, não sei se isto ainda está em vigor, mas recentemente pagava, em caso de baixa, o diferencial entre o subsídio da Restauração Social e o salário líquido, e portanto, não havia qualquer diferença salarial em caso de baixa. E ficamos assim, ficamos presos, uma cidade inteira presa pela defesa deste direito próprio, que depois leva pra greve. Não houve serviços mínimos, já agora, decretados.

E isso cabe ao tribunal.

Cabe a um tribunal.

Decisão do tribunal arbitral.

Sim, de uma comissão de três pessoas junto do Conselho Económico e Social. O árbitro presidente, neste caso, foi Joaquim Coelho Dionísio, que é um destacado dirigente da CGTP. E portanto, há aqui um desequilíbrio também claramente na forma como isto é analisado. Eu acho que as novas linhas do metro deviam pensar seriamente em automatizá-las. Aliás, há dezenas de cidades em todo o mundo. O metro é automático, não tem condutor, portanto é controlado por um grupo pequeno de pessoas com muita tecnologia. Há linhas novas que vão sendo feitas já com esses sistemas. Há várias cidades em que ele é 100% automático. Coimbra, por exemplo, há uma cidade espanhola também, não sei se é Barcelona, que já tem o metro todo automático. E como o metro está a construir linhas novas de raiz e a instalar tecnologia nova, eu penso que era uma boa solução, de facto, para não deixar o transporte público dependente de interesses privados e particulares de umas dezenas de pessoas.

Só falta o número de 0 a 20, Paulo.

O número de 0 a 20. Deixa cá ver. Vamos dar um quatro a quem gosta de receber horas extraordinárias e quem faz parar uma empresa inteira por causa disso.

Está dado o número e o vencedor é regresso a mais logo no "Tarde Política".