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Euvenso Lourenço na Rádio Observador, hoje com a Judite de França, Raquel Abecasis e Nuno Gonçalves Poças. Penúltimo dia de campanha, com sondagens que ajudam a baralhar e a alimentar ainda mais a ideia de grande imprevisibilidade. Cotrim de Figueiredo tem sido confrontado com uma acusação grave e perante isto, Ventura e Seguro, Raquel, podem ser os grandes vencedores da primeira volta.
Talvez, mas eu hoje queria falar de um grupo de pessoas e de uma pessoa que não estão, aparentemente, na primeira linha destas eleições, mas que pra mim são os vencedores de hoje, que são os eleitores e é José Luís Carneiro. Por que eu digo isto? Vou dar-te uma má notícia. Vocês têm um podcast excelente na Rádio Observador, mas lamento dizer-
Qual deles?
Lamento dizer-te que o título está completamente desatualizado e que se chama "A Eleição Mais Louca de Sempre". Já foi destronado.
Não.
Já foi destronado.
Isto é a primeira temporada.
Estamos a viver a eleição mais louca de sempre, portanto, vão ter que fazer uma nova temporada, seguramente interessantíssima, ainda talvez mais interessante do que a primeira. Por que eu digo isto? Porque eu acho que vale a pena falar na resiliência dos eleitores portugueses nestas eleições e na tarefa difícil que eles têm pra cumprir e que seguramente cumprirão com grande brio no próximo domingo, que é fazer uma escolha que desde o início não foi fácil e, portanto, de longe o vencedor nas sondagens até hoje é a indecisão, mas eles vão mesmo ter que escolher no dia 18. E eu percebo que desde o primeiro dia nada disto tem sido fácil. Primeiro, pelo leque de candidatos que se apresentam, depois por tudo o que foi a pré-campanha e agora a campanha eleitoral, que está recheada de elementos que os tornam ainda mais indecisos do que aquilo que eles já estavam quando a campanha eleitoral começou. E, portanto, eu não sei bem dizer quem são, não sou capaz de prever e acho que ninguém é bem capaz de prever quem é que vão ser os vencedores e quem é que são os vencedores neste preciso momento, embora perceba, e aí vou ao segundo personagem deste meu vencedor, que é José Luís Carneiro, que faz uma declaração esta tarde muito oportuna, porque de facto tudo o que se tem passado aumenta muitíssimo as probabilidades de António José Seguro chegar à segunda volta e talvez vencedor na segunda volta, não sabemos, é isso que ele está a pedir. E eu acho que se isso acontecer, não é o Partido Socialista que na noite de domingo pode cantar vitória, é António José Seguro e é José Luís Carneiro, por quem já muita gente cobra pela pele dentro do Partido Socialista e estão a ver quando chega a altura de o poderem substituir, mas acho que ele, sim, tem uma vitória com a forma como decidiu declarar apoio a António José Seguro e com o posicionamento, que está pouco na moda dentro dos socialistas, que ele próprio tem e que se vir chegar um dos seus principais campanheiros ao lugar do mais alto magistrado da nação, sai seguramente vencedor.
Mas achas que isso pode fazer-
E toma pra si essa vitória, muito mais do que pra o Partido Socialista.
Mas isso faz esquecer os meses de hesitação?
Mas José Luís Carneiro não foi responsável por isso, porque ele chegou na última hora, prometeu que logo a seguir às autárquicas tomaria uma decisão.
O apoio vem em outubro, salvo erro.
A seguir às autárquicas, tal como ele tinha prometido. E, portanto, acho que é o único que pode cantar vitória, juntamente com António José Seguro, e apesar do Partido Socialista. Acho que se isso acontecer, será apesar do Partido Socialista e não por causa do Partido Socialista, por muito que a narrativa política venha a ser essa. E, portanto, eu dou um 18 aos eleitores portugueses e dou um 18 a José Luís Carneiro.
Muito bem, notas altíssimas. Nuno, não sei se queres fazer a tua declaração de interesses antes.
Outra vez?
Sabes que o público vai e vem. Nós temos um público fiel, mas como a audiência está sempre a crescer, há sempre pessoas novas.
É verdade. Então, pra não falar nada de fazer declaração de interesses, já fiz isto várias vezes e toda a gente sabe que eu tenho um candidato, que escolhi como quase toda a gente, e que resolvi tornar público bastante cedo.
Que é António José Seguro.
Que é António José Seguro.
Vamos aos teus vencedores e vencidos.
Eu a semana passada tinha dado um 15 à campanha e esta semana baixo aqui um bocadinho pra 12. Ou seja, eu estou entusiasmadíssimo com esta campanha e concordo aqui com a Raquel, com esta ideia da campanha mais louca de sempre. Eu estou a adorar tudo isto, é incrível. É muito difícil explicar a quem não gosta destas coisas, de campanhas eleitorais e de eleições, e não sei o quê, por que se gosta tanto disto. Eu também não consigo explicar muito bem, mas que é tudo magnífico e excitante, quase como um filme de suspense, mas visto porque é real.
É real.
E junta tudo, cômico, burlesco, drama.
E com twists imprevisíveis.
Imprevisível, sim. E a campanha nesse registo tem estado muito viva, há acontecimentos de manhã à noite, tem sido fantástica Mas apesar de tudo, independentemente das considerações mais substantivas que se possam ou não fazer sobre o tema desta semana, eu acho que isto tem que acabar agora. Podemos depois ir à segunda volta e talvez a coisa se recupere um bocadinho em termos de elegância da performance.
Acho que vai ser muito diferente.
Também acho que sim, mas se isto não parasse amanhã, eu temia que para a semana andasse toda a gente a lutar na lama ou qualquer coisa assim do gênero.
Achas que ia?
Acho que sim.
Ia haver patetada.
Desde este episódio todo à volta do Cotrim Figueiredo, as declarações do André Ventura sobre se votaria ou não no André Ventura à segunda volta, aquelas coisas todas, enfim, é substantivo e acho que merece outro tipo de discussão. Hoje o Luís Marques Mendes apareceu a dizer que vai pôr um cão na presidência e que é uma causa fundamental e nós já estamos neste registo. Eu lembro-me que há 10 anos, no último dia de campanha, Marcelo Rebelo de Sousa esteve a cortar cabelo a senhoras no Campo Grande.
É verdade.
E há uma fotografia.
E há uma fotografia.
Estava a fazer uma mise.
Ou isso. Desculpem, eu não sou um conhecedor. Sei que há umas ampolas que deixam o cabelo meio lilás, não sei se ainda se usa.
Há diferenças substanciais.
Sim.
Nenhuma senhora o deixaria cortar o cabelo, agora uma mise, pronto.
Pronto, está bem. Deixaram o Marcelo fazer o que lhe apareceu durante 10 anos, portanto cortar o cabelo seria o menos. Se calhar essa senhora ainda hoje se arrepende de o deixar cortar o cabelo. Mas eu temo que o tom esteja a tornar-se um bocadinho entre o apatetado e o demasiado agressivo. Estivemos a discutir casacos hoje também.
E as campanhas têm sempre esses momentos.
Camuflados.
Sim, mas por isso é que chega, não é? É preciso haver um dia em que agora acabou e depois segunda-feira é outro dia.
Só 15 dias é por causa disso.
Exatamente. Mas estou muito na expectativa de, para o caso de irmos à segunda volta, porque eu neste momento já ponho tudo em causa. Não tenho certezas absolutamente nenhumas.
Mas esse é o bom princípio. Já vários pensadores gregos na Antiguidade Clássica.
Exatamente. Ponho tudo em causa. Há uns cenários que eu acho mais plausíveis do que outros, como quase toda a gente, mas também não me admirava que nós estivéssemos aqui depois na segunda-feira todos a dizer: "Afinal, e era tão evidente."
Estava tudo escrito.
Exatamente, era tão evidente e ninguém percebeu, ou desvalorizámos demasiado aquilo. Acho que há um dado que nós andamos a desvalorizar quase desde o início, que é o potencial resultado que o André Ventura vai ter à primeira volta. Vamos nos enganando aqui um bocadinho com as sondagens, que eu acho que ele tem estado sempre muito subvalorizado. E achava, mesmo antes destas polémicas todas com o Cotrim Figueiredo, que ele estaria um bocadinho sobrevalorizado nas sondagens.
O Cotrim Figueiredo?
Sim.
Mas sabes que eu tenho uma memória prodigiosa para informação inútil. E então lembro-me muito bem quando Marcelo Rebelo de Sousa ganhou, a Força Aérea ofereceu um pastor alemão ao presidente Marcelo, um pastor alemão que se chamava Asa e que o senhor presidente rapidamente recambiou de novo para a Força Aérea. Era um pastor alemão ou um pastor belga.
Era um cãozinho.
Era um cãozão.
E que devolveu gentilmente à Força Aérea. Judite, ainda não te ouvimos.
Sobre o assunto, apraz-me dizer que Marques Mendes está a ter aqui, digamos, pelo menos um balão de oxigénio com aquilo que está a acontecer a Cotrim Figueiredo.
Achas?
Acho que algumas pessoas que poderiam estar hesitantes ou até indecisas, podem levar esta história do Cotrim Figueiredo muito a sério.
Sabes que o meu coração balança aí. Tenho muitas dúvidas. Acho que há muita gente que se pode afastar do voto no Cotrim Figueiredo por causa disto tudo.
E vai para onde?
Pode ir para muitos sítios.
Um deles é que eu acho que pode ir para o Marques Mendes.
Pode ir para aí, sim. Mas também dou todo o barato à possibilidade de muita gente, que talvez até não estivesse ali tão próxima, e naquela lógica do voto útil, que também não se incomoda assim tanto com estas coisas e fidelize mais o voto.
Eu acho que vai ser muito difícil aferir, porque estamos a lidar com as emoções das pessoas. Portanto, é muito difícil aferir como é que pessoas assim se incomodam.
Alguém que não se incomoda.
E não devemos desvalorizar o episódio do Chega.
O episódio sobre o André Ventura.
O episódio sobre a possibilidade de dedicar voto a André Ventura, que desmobilizou, alguns até publicamente, muitas pessoas que tinham decidido votar Cotrim Figueiredo e com aquela declaração se afastaram.
Sim, também é verdade.
Dito isto, eu estava a falar de Marques Mendes, porque nós vamos ter mais apoiantes. Ferreira Leite também vai estar presente para apoiar Marques Mendes. Eu acho que será sempre na expectativa de que isto acrescente. O que eu acho é que, a olhar para as sondagens, e já não sei quem é que perguntava se tinha sido um erro Marques Mendes associar-se a Montenegro. Se isso era um erro.
Tanta proximidade.
Tanta proximidade. E eu acho que é um erro é para o Montenegro aproximar-se de Marques Mendes, porque inevitavelmente, se acontecer o que as sondagens dizem que vai acontecer, ou se acontecer aquilo que as sondagens presumem, Marques Mendes é um dos derrotados da noite e Montenegro também. Com tanto apoio declarado, é inevitavelmente.
E a confirmar-se com uma vitória ruidosa de André Ventura.
E até mesmo a segunda volta, não sei o que será possível. Para André Ventura, neste momento, a segunda volta é quase o seu limite. Se calhar agora menos, mas durante muito tempo toda a gente estava de barato, e eu até também. Quem fosse à segunda volta contra André Ventura tinha uma vitória norte-coreana, uma coisa robusta.
Sim, mas se for esquerda-direita.
Pois, é isso.
E com este-
E daí a eleição mais louca de sempre.
Exatamente. E com este André Ventura sossegado, tranquilo.
Quase moderado.
Quase moderado.
Isto que não entre em picardias.
Meus senhores, por amor de Deus!
Ontem, a segunda vez que ele foi à "Now" com o Pedro Santana Lopes. Voltou outra vez a ser uma entrevista que até dá algum gosto ver, porque é quase a recuperação do André Ventura para há 10 ou 12 anos, com bastante calma e ponderação. Ou seja, sem deixar de se atravessar pelas causas em que acredita, mas num tom muito mais afável, ponderado, moderado, cordato, cordial e consensual, de alguém quase que é capaz de fazer pontes e essas coisas todas. Acho que era mais ou menos evidente que ele tinha entrado na campanha para passar à segunda volta em primeiro, ou pelo menos com grande resultado, e depois ter um resultado digno na segunda. Neste momento, se calhar, passa-lhe pela cabeça: "Pode-se ganhar." E não é assim tão estúpido.
Mas ele, em princípio, não quer.
Neste momento já não sei. Pode não se querer ao início, mas de repente, se as portas se abrem, também é difícil dizer: "Agora não quero."
Agora até começa provando.
Sim, mas pode lhe apetecer e é legítimo.
É novo, não é? Ainda pode querer ser primeiro-ministro depois disto.
Vamos continuar.
Sinto que depois de estar na Presidência da República, não sei se o Chega aguenta. O partido em si.
Vamos continuar a conversar sobre isso na segunda parte de "E o Vencedor É". Vamos continuar a falar sobre presidenciais. Agora estamos em cima das 18h30 e temos de atualizar as notícias. Segunda parte de "E o Vencedor É", com o José de França, Raquel Lucas e o Nuno Gonçalo Poças. Ainda estamos de olhos postos nas presidenciais e na campanha. E agora, 18h30, tivemos notícia de que, Nuno, Jorge Pinto admite de novo a possibilidade de os eleitores escolherem outro candidato que não ele.
Quem fala assim não é gago. Eu acho notável, de facto. A candidatura de Jorge Pinto foi lançada, acho que é mais ou menos indiscutível, para o Livre se manter nas notícias durante este período todo.
Tem sido pelos piores motivos.
Exato, mas se não tivesse este candidato.
Ele avançou, depois parou, depois o Livre perguntou: "É mesmo este que queremos?"
E foi.
E foi.
E agora tem andado por aí. E as coisas eram para levar até o fim, depois podiam não ser, depois podia haver uma desistência a favor de António José Seguro.
Mas o que é o fim?
No dia a seguir.
O que é o fim?
Isso é verdade. Voltemos então ao pensamento divergente.
Agora vamos para os existencialistas. O que é o fim?
A pergunta, se calhar, é mais: o que é o Jorge Pinto? Eu lembro-me, nós temos falado aqui dele na altura quando a candidatura foi lançada. E o Livre podia ter tido aqui, pelo menos, uma boa oportunidade para ter lançado. Podia ter aproveitado até determinada altura. Tinha lançado um bom quadro, era mais um nome que as pessoas podiam conhecer, tornava-se mais uma cara do Livre, alguém a quem as pessoas reconheciam alguma capacidade. Os debates não lhe correram nada mal.
Também está longe de ter sido um estrondo, como eu acho que uma certa bolha-
Sim, é isso. As coisas não foram muito más.
Superou aquilo que eu estava à espera.
Mas superou as expectativas, sim. As expectativas também estavam muito lá embaixo.
Está a valer a inscrever.
Sim. E interpretar, acho eu, também. Estão uns degraus acima.
Prometo aos senhores ouvintes que isto ainda vai melhorar.
Mas não lhe tinha corrido muito mal. E depois andamos aqui neste ziguezague. É mesmo até ao final da campanha. Alguém diz: "Se calhar, estou disponível para não me candidatar e recomendar o voto no António José Seguro." E no dia a seguir: "Não, isto é para levar até ao fim, isso eu vou a votos." E agora, parte dos eleitores já votaram, já não dá sequer para desistir. Ele é candidato, vai estar no boletim de voto.
E não sabemos se o próprio não vai votar seguro.
Se calhar vai. Não sei, parece aquelas candidaturas para o lega de turma, que nunca ninguém vota no próprio. Escolhe-se sempre outro qualquer.
Para não ser.
Para não ser. Ou para administrador de condomínio. E se calhar é isso, ele achou que estava a se candidatar à administração do condomínio português. Não percebo, é de uma infantilidade, de um amadorismo. Se calhar ficávamos só pelo Rui Tavares e estava bom.
Olha, eu acho que todos os partidos com assento parlamentar, à exceção do Chega, tiveram a pior estratégia nestas eleições presidenciais, todos. E o Livre talvez tenha sido o que fez pior, porque o Livre consegue com estas eleições não sair do radar pelos piores motivos. E portanto, o Livre, que apesar de tudo, no score partidário, estava numa posição Boa. Era o maior partido à esquerda do Partido Socialista, é um partido novo que podia dizer que ombreava com os partidos novos à direita. Deitou tudo isso para o caixote do lixo com estas eleições, com esta estratégia, com esta indecisão, com o próprio lançamento da candidatura ser em si próprio uma contradição com aquilo que o LIVRE sempre defendeu e a razão do LIVRE existir, que é combater o sectarismo da esquerda e procurar uma estratégia de conciliação das esquerdas que possa sair vitoriosa. Portanto, fez tudo ao contrário. E nesse sentido, é mais um de todos os partidos. O PSD apostou em Marques Mendes, sabendo que não era um candidato consensual à direita e, se calhar, teria que acabar por apostar em Marques Mendes, mas poderia ter dado mais tempo e mais espaço para outras candidaturas mais consensuais se afirmarem. Não o fez. Cotrim de Figueiredo corre em pista própria, o LIVRE vai atrás e agora não sei se não está arrependido, vamos ver, mas corre em pista própria. Um grande resultado de Cotrim de Figueiredo nunca seria um grande resultado do LIVRE.
Da Iniciativa Liberal.
Da Iniciativa Liberal. O Partido Socialista fez tudo para dinamitar a candidatura do homem que, se calhar, vai ser o próximo presidente da República. Aliás, é uma tradição do Partido Socialista, que só consegue eleger presidentes da República contra o próprio partido.
Que nunca é, exatamente.
Desde Mário Soares, que foi contra tudo e contra todos, a Jorge Sampaio, que teve que antecipar o anúncio para não aparecer outro. Agora é Seguro. O histórico do Partido Socialista em matéria de presidenciais é notável, de facto. E depois o PCI e o Bloco de Esquerda, que eu acho que vão sair destas eleições, eu acho que, por exemplo, Catarina Martins, que eu ouvi hoje em algumas reportagens de campanha, dá vontade de a gente lhe pegar ao colo e a consolar, porque a tristeza, apesar de tudo, António, representa melhor.
Nunca esperei ouvir-te dizer isso.
Eu também nunca esperei ouvir-me dizer isto.
Esta é mesmo a campanha que esperava.
Mas claro que dá vontade. E os partidos todos, no dia seguinte das eleições, nenhum daqueles partidos, à exceção do Chega, repito, consegue arranjar alguma coisa para achar que fez alguma coisa bem nestas eleições presidenciais. E com isso quem ganha, ganha o Chega, obviamente.
E Gouveia e Melo, Judite, conseguiu levar Marques Mendes para baixo, mas ele também foi.
Foi. Eu acho, desde o início, que achei que Gouveia e Melo ia ficar preso na sua própria estratégia. Ou seja, a ideia de denegrir Marques Mendes e depois seguir, ele não conseguiu fazer isso. Ficou lá preso. E isso foi mau para ele também, sendo que eu não acredito que mesmo com outra estratégia tivesse um resultado melhor. Acho que o resultado de Gouveia e Melo é provavelmente aquele que está mais conforme aquilo que Gouveia e Melo vale em termos eleitorais. Houve uma altura em que as pessoas achavam que ele valia muito, que era numa altura em que ele nunca tinha aberto a boca. Aí o rato Mica vale muito. Depois abre a boca e é o rato Mica. Acho que não faz grande diferença o lugar onde está Gouveia e Melo. Acho mesmo. Estou mal lembrado aquela coisa que diz que mais vale...
O Romário.
Não, isso é o que o pele calada é um poeta.
Exato.
Não, como é que é?
Mais vale ser engraçado do que rir.
Mais vale cair em graça.
Do que ser engraçado. Sim, é isso.
E o Gouveia e Melo caiu em graça e caiu cedo demais.
Muito cedo.
E até por causa dessa questão do candidato consensual. O Marques Mendes foi um candidato consensual.
Mesmo dentro do próprio PSD, não foi.
Há um ano ou dois, toda a gente achava que o homem não era que ia ser candidato, é que ia ser presidente da República.
Por acaso. Eu acho que ele achava. Aliás, acho que ele achava até há mais tempo do que isso.
Talvez, sim, mas foi muito feliz com essa ideia. Essa ideia só desapareceu quando Gouveia e Melo aparece e de repente alguém: "Opa, o tipo sabe organizar filas, acho que ele deve ser presidente da República." Ele convenceu-se disso e de repente, enquanto esteve calado, toda a gente achava. Não havia outro consenso, era quem é que...
Vias pelos resultados das sondagens.
Sondagens com um ano antes, ninguém sabia nada do homem.
Exato.
Portanto, o homem ia ter que falar.
Sim, exato.
Isto, no limite, ia ter. Depois todos os outros candidatos foram consensuais no seu próprio partido, tirando o Jorge Pinto, não sei como é que aquilo aconteceu. Mas se calhar, de facto, o único candidato que não foi, e continua a não ser, embora as pessoas hoje em dia sorriam, e algumas até tenham anunciado o voto nele, até o voto antecipado como Augusto Santos Silva, que há um par de meses dizia que António José Seguro não tinha sequer qualidades para ser candidato.
Não cumpria os mínimos.
Não cumpria os mínimos.
Falamos com Augusto Santos Silva.
Agora é o que está mais próximo dos mínimos.
Esta semana, não foi? Segunda-feira.
Mas foi o único candidato que nem no seu partido foi minimamente consensual.
Não, no seu partido foi minado. Pois, por isso é que o Partido Socialista não vai poder cantar vitória. Parece que será um exercício de enorme hipocrisia.
Sim, a Raquel tem toda a razão.
Mas vai cantar vitória, é o PS.
Mas compete-nos a nós relembrar por que é que não podem cantar vitória.
E de certeza que vamos ver um desfilar de nobres socialistas a apoiar Seguro
Sim, mas isso é a política e os partidos são quase todos muito bons nessa abordagem. Quando António Costa ganhou as eleições ao António José Seguro há quase 10 anos, de repente também havia muita gente que gostava imenso de António Costa. Que surpresa!
Os seguristas mais seguristas.
No final, estão lá. E agora vai acontecer mais ou menos a mesma coisa e já têm aparecido as carinhas por trás da campanha, os apoios, aquelas coisas todas. Há alguns que já não podem voltar para trás. Manuel Pizarro, Correia de Campos, Isabel Moreira, há uma série de gente que já não pode voltar para trás porque fez outras escolhas.
Mas tem a segunda volta.
Mas à segunda volta já-
Se passar o Seguro.
À segunda volta aí é tudo válido. Mas eu acho que o António José Seguro, apesar de tudo, tem feito o caminho dele, ou seja, ele apresentou-se antes de o PS ter tomado qualquer tipo de decisão. Foi quase à Jorge Sampaio, avançou sozinho, independentemente de o PS o apoiar ou não. Quando o PS o apoiou, ele agradeceu e seguiu em frente. E acho que continua exatamente a fazer esse caminho. Tem sido uma coisa muito linear. Pode ser que as coisas lhe corram bem, não sei.
E Mendes cometeu um erro ao colar-se tanto ao governo, Raquel?
Ou o governo cometeu um erro ao colar-se tanto a Mendes.
Eu acho que isso é assim: convidas-me para ficar na segunda-feira e eu respondo-te a essa pergunta.
Já estás convidada para ficar no "Dominó" na próxima.
Exatamente. Não é só ironia isto. Eu não estou com isto a dizer que acho que Marques Mendes tem enormes probabilidades de ir à segunda volta, mas também não digo neste momento que Marques Mendes de certeza não vai à segunda volta.
Ninguém pode dizer isso.
Eu estou como o Nuno, eu acho que quase que até uma primeira volta única, eu quase que não descarto. Não porque as sondagens estejam erradas, porque haja alguém que neste momento catalise o entusiasmo dos eleitores, mas porque acho mesmo que nestas eleições, sim, o grosso da decisão vai ser tomado no próprio dia. Vale o que vale a nossa experiência pessoal, mas eu tenho recebido todos os dias, e hoje mesmo recebi, porque nós andamos nestas coisas dos comentários e, portanto, as pessoas perguntam-nos mais, recebi a esta hora umas cinco chamadas de pessoas: "Mas o que é que eu faço?" Não foi por acaso que dei um voto aos eleitores. "O que é que eu faço? Eu tinha pensado isto, mas agora aquilo." E, portanto, eu acho mesmo que há uma decisão fundamental que vai ser feita na secção de voto e acho mesmo que só posso responder a isso quando vir os resultados.
Mas não cobras por esse serviço?
99 cêntimos mais IVA.
Dizes por cada chamada?
Olha, fica aqui.
Então estou a voltar lá segunda-feira.
Isso não é má ideia.
Vamos a notas. Ditas.
Eu vou dar uma boa nota a António José Seguro, porque parece-me continuar crescendo e sem erros, porque os outros têm cometido por ele. Ou seja, os outros têm cometido e ele tem conseguido ganhar com isso. Portanto, vou lhe dar um 14.
Raquel.
Olha, eu já dei notas na primeira parte das principais, mas vou dar um seis ao almirante Gouveia e Melo pela campanha ziguezagueante que tem feito e que hoje teve mais dois ou três episódios com o "não lhe admito que usa farda". Enfim, acho que é como diz o Nuno, isto já chega, porque ouvirmos destas coisas mais do que uma vez por dia, todos os dias, já não está a dar e acho que apostaria que cada vez que ele fala, perde mais uns votos.
E amanhã ainda há mais campanha, ainda temos a sexta-feira.
O que vai acontecer amanhã? Depois no sábado já ninguém pode falar sobre isso.
Não é no sábado, é à meia-noite, às zero horas de sábado, portanto, de sexta para sábado, vamos entrar no limbo noticioso, porque não podemos falar de campanha.
Boa, já tenho tema para entrar no domingo.
Mas há futebol no domingo, não há?
Há futebol no domingo.
Podemos falar de futebol.
Pode. E há futebol amanhã à noite também.
Pronto.
"Sporting em Casa Pia".
As pessoas não vão sentir a falta.
Eu vou dar um cinco ao Jorge Pinto.
E estás a ser generoso.
Estou, porque acho que apesar de tudo, lá está.
Valeu o esforço.
Tornou-se um player e enfim, hoje em dia é uma cara que as pessoas conhecem mais, é deputado e portanto o Livre ganhou ali mais um rosto, um rosto um bocadinho triste, mas é um rosto. Mas é uma nota bastante negativa por tudo isto que nós já aqui falámos, mas o António José Seguro, não sei se já lhe agradeceu ou não.
Ainda hoje lhe perguntaram se alguém desistia e sobre isso o António José Seguro disse: "Se não desisto como?"
Claro, os outros é que sabem. E pelos vistos o Jorge Pinto não sabe muito o que é que há de fazer.
E todos estes senhores e senhoras vão estar cá na noite de domingo.
Com certeza.
Eu também. Emissão especial de eleições.
Vai ser pânico.
Vai ser pânico da boa. Vamos começar às 18h.
Às 18h ainda podemos falar de coisas ou ainda estamos em-
Não, às 18h ainda não podemos.
Da abstenção só.
Não, à 18h podemos falar da abstenção.
Até às 20h só falas da abstenção.
É das 19h às 20h é abstenção.
Depois das 20h temos as projeções das televisões.
Portanto, às 18h vamos estar cá para falar da abstenção.
Ainda não é bem da abstenção, porque não há resultados da abstenção.
Não, há alguma ideia.
Haverá a frequência às urnas, há uma ideia e às 16h, 17h.
Sim, mas é com aqueles dados intermédios. Depois das 19h às 20h dizemos mais ou menos a mesma coisa.
Vamos falar de coisas muito interessantes. Estás a desvalorizar uma emissão incrível.
Cada um dá o que pode.
É que não só vamos estar na rádio, como vamos estar em vídeo também, como este "E o Vencedor É". Bom, o Alberto Gonçalves já está à nossa espera. Há mais "E o Vencedor É" amanhã, a partir das 08h30 da manhã, nas manhãs 360.