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Eu vivi para a minha filha. Vivi de corpo e alma para a minha filha. Para mim, a maternidade foi a descoberta do amor incondicional, porque nós amamos o nosso marido, os nossos amigos, mas o amor incondicional de tu estares exausto e teres de amar, e teres de cuidar, e teres de alimentar na exaustão, no cansaço, na privação do sono, foi para mim uma descoberta e um mergulho muito profundo de que ser mãe é viver para o outro, que é termos essa verdadeira disposição. E eu vivi nessa condição, eu esqueci de mim porque nem sequer dava para me lembrar muito de mim.

Quando aparece, há sempre um cuidado no gesto, na palavra e no tom. Uma vida que começou com mais perguntas do que respostas, com recomeços e decisões difíceis. Tem na maternidade um lugar sagrado e nos gestos do dia a dia uma forma de criar sentido. É empreendedora de si mesma, com olhar estético que vai muito além do que se vê. Ao longo dos anos construiu muito mais do que uma presença, construiu-se a si própria. Hoje é voz para muitas mulheres, é mãe, empreendedora, atriz, uma das maiores influenciadoras digitais do país, Catarina Gouveia, em "40 Minutos". Sê muito bem-vinda.

Muito obrigada.

Aqui à Rádio Observador. É um gosto receber-te.

Obrigada, é um gosto também estar aqui. Obrigada pela apresentação tão simpática.

Vês, acho que estávamos a falar sobre isso, sobre a tua voz, sobre a calma que ela transmite. É uma coisa que também acho que é muito elogiada pelas pessoas que te seguem ao longo destes anos. A calma que tu consegues impor naquilo que fazes, o tom, a doçura.

Sim, e que acaba por me caracterizar depois de tantos anos. Estava a confidenciar-te que muitas vezes surgiam até alguns complexos desta minha forma de me expressar, até porque quando comecei a trabalhar publicamente foi como atriz e, portanto, as pessoas não nos conhecem a nós.

Na sua essência, conhecem a personagem.

Sim. E entretanto, com o surgimento das redes sociais, tive a oportunidade de me apresentar como pessoa, que acabava sempre por me distanciar muito das personagens. E ainda bem, porque isso é que tornava o meu trabalho mais desafiante. Havia realmente uma distância muito grande no meu perfil, Catarina, e das personagens que me eram entregues e confiadas. E portanto, acaba por acentuar ainda mais estes meus traços, que eu acho que são já muito característicos e facilmente reconhecidos.

E quem te segue há muito tempo sabe que é pautado por isso mesmo.

Sim. E estava a confidenciar também que tenho este meu registro já desde miúda. Lembro-me na escola, não era nomeada, mas talvez nomeada seja o verbo certo, pela calmaria, pela doçura. E é bom manter até aos dias de hoje. Acho que continuo muito fiel à essência da menina que sempre fui.

E para alguém com uma presença tão forte nas redes sociais como tu, em que por vezes há muito ruído desnecessário e que se cria à volta de qualquer coisa que tu faças ou que promovas ou que estejas a publicar, como é que são os momentos de silêncio na tua vida?

São muito necessários. O silêncio é muito necessário. Aliás, em todos os campos da minha vida, nas minhas relações pessoais, nos meus espaços. Em minha casa há muito silêncio. Agora que sou mãe, entre a minha filha, é um momento que eu privilegio muito, o silêncio entre nós e que ele se mantenha confortável sempre, tanto para mim como para ela. E é um registro absolutamente necessário em tudo, porque é o silêncio que cria espaço, o espaço que é importante para respirarmos, para colocarmos lá todos os assuntos que precisam de ser pensados. É muitas vezes no silêncio que eu encontro as minhas respostas.

E sempre te sentiste confortável nesse silêncio ou houve em alguma altura que o silêncio era, como é que eu hei de dizer isto, uma forma de tu tentares também fugir dos teus problemas?

Não, por acaso sinto-me muito confortável no silêncio e tenho uma tendência também que me acompanha há muito, que é aquele silêncio que surge da solitude ou solitude, neste caso, que é o conforto que eu tenho e a necessidade que eu tenho em estar muitas vezes sozinha na minha própria companhia. Neste silêncio, de só estar com a minha própria voz para

Para te encontrares também, de certo.

Para me encontrar, sim. E naqueles momentos mais desafiantes das nossas vidas, que fazem parte, naturalmente, refugio-me muito neste silêncio. É mesmo muito importante.

Catarina Gouveia, nós já vamos falar aqui do teu percurso enquanto influenciadora digital, também como atriz, porque há aqui muitos trabalhos que fizeste e estavas a falar há bocadinho, e é muito engraçado pensar nisso, que é as personagens que tu fazias distanciam-se muito daquilo que tu és na realidade e nas redes sociais. Portanto, é sempre um trabalho ainda de se louvar, claro. Mas vamos aqui até às tuas memórias. Memórias divididas entre duas cidades: o Porto e Santa Maria da Feira, que foi a partir dos 10 anos. Quando pensas em infância, as memórias transportam-te mais para qual das cidades? Mais para o Porto ou mais para Santa Maria da Feira?

Mais para Santa Maria da Feira, sem dúvida.

É a que está mais presente.

Sim. E porque coincidiu também com momentos muito marcantes da minha vida, com o nascimento do meu irmão mais novo. Eu tenho só um irmão e também uma mudança de uma casa, que para nós foi importante. Passamos de um apartamento para uma casa.

Foi em que idade essa mudança do Porto para Santa Maria da Feira?

Nove, 10 anos. Entre os nove e os 10 anos. E mudei também de escola. Foi a passagem ali do quarto ano do ensino básico para a preparatória e foram mudanças que foram marcantes e que coincidiram, sobretudo, com uma mudança de cidade. Acaba por tornar a experiência muito memorável e as minhas grandes recordações estão em Santa Maria da Feira. Até porque depois também foi em Santa Maria da Feira que a minha grande paixão foi levada a sério e ganhou um bocadinho de espaço com a oportunidade que me foi dada pelos meus pais ali na época da Feira Medieval, que é uma época festiva.

Que está quase a começar. É agora em agosto, portanto, está quase a chegar.

É, sim, o grande emblema de Santa Maria da Feira. Foi-me dada a oportunidade de integrar um grupo de teatro amador e comecei então a trabalhar pela primeira vez como atriz.

Ou seja, fizeste parte da experiência em si, porque a Feira Medieval é conhecida por ter muitos teatros, muitas representações.

Teatros de rua.

Exato, que acontecem ao longo de vários dias e tu estiveste presente.

Sim, foi a minha primeira experiência, que entretanto ganhou uma continuidade, porque o grupo, na altura que eu integrava, fazia várias cidades, fazíamos vários espetáculos em registros muito diferentes e foi uma experiência que eu nunca mais vou esquecer. E a minha primeira experiência enquanto atriz.

E foi em Santa Maria da Feira. Então podemos assumir que estas memórias de infância são felizes. Nós sabemos que tiveste aqui um episódio um bocadinho difícil para ti e para a tua família, quando os teus pais ficaram sem casa. Eu queria tentar perceber, para ti, enquanto jovem adolescente, ter esta perda na tua vida, para alguém que se calhar já tinha objetivos, falamos aqui da representação, já tinha objetivos, já queria sonhar mais à frente, como é que se lida nesta altura e nesta idade com uma perda destas e também sentir a dor dos teus pais ao ter de lidar com tudo isto?

Eu acho que nós tínhamos sempre uma grande base, e a mais importante, que era a nossa união. E isso é o que se mantém até hoje. E quando aquilo que se perde ou aquilo que se desmembra na altura é um plano financeiro, mas estamos todos muito alinhados com aquilo que realmente era importante para nós, que era estarmos todos bem, estávamos todos bem de saúde, estávamos todos unidos e focados naquilo que iria ser um futuro, que ia ser um futuro muito mais limitado financeiramente, com bastantes desafios e dificuldades, mas essa visão e essa forma de encarar e interpretar a situação, acho que aliviou muito o peso que poderia ter sido dado naquela fase. E demos também uma vontade, tanto a mim como ao meu irmão mais novo, de enfrentar.

Sentes que cresceste mais rápido também, por conta dessa situação?

Cresci muito mais rápido, até porque na altura tinha acabado de ingressar na Universidade de Coimbra, no meu curso, e todos os desafios que se associam, custos de casa.

Propinas.

Propinas, do próprio curso, alimentação, deslocação. Deu-me uma vontade de me superar e foi sempre nesse registro de escalar mais um passo e dar mais um passo e escalar os desafios. E hoje acredito que foi uma prova superada com bastante sucesso.

A tua mãe tem aqui um papel muito importante no teu crescimento, dado que não tens momento de relação com o teu pai biológico. É uma pessoa muito importante e uma figura central naquilo que é Catarina Gouveia hoje. Ao nível dos ensinamentos, o que é que tu ainda guardas desses primeiros tempos, dessa adolescência, e que a tua mãe acredito que te tenha ensinado muita coisa, que tu se calhar ainda hoje aplicas quase de forma involuntária?

Completamente. Aliás, eu acho que teve um grande peso nessa fase, a forma prática, leve e forte que ela agarrou o momento. Eu acho que depois de uma vida de trabalho, finalizares ou dares quase um desfecho de perderes tudo aquilo que tu conquistaste, é um peso demasiado duro de se suportar. E eu ainda era uma miúda, o meu irmão também, aquela forma de vamos arregaçar as mangas e vamos continuar a viver, porque nós estamos bem e isso é realmente o que é importante. Deu-me uma frescura na minha visão e na minha forma de estar. Eu acho que nós temos muito, eu pelo menos tenho este grande privilégio de ter a minha mãe como uma referência e sempre foi uma referência. Talvez a ausência do pai nos primeiros anos da minha vida tenham dado esta intensidade a uma relação muito mais umbilical. Tenho os olhos muito mais postos na minha mãe, porque não se dividem entre uma mãe e um pai. E a minha grande referência sempre foi muito pautada por esta força desde mãe solteira, depois mais um desafio a atravessar. E esta garra Eu não tinha outra forma de ser.

Essa é a característica que mais destacas na tua mãe: a garra e a força.

Sim, e que eu acho que é hereditária, de todas as formas.

Tu acreditas que também conseguiste tirar dela essa característica para a tua personalidade, para a tua pessoa?

Sem dúvida. E que se estende até aos dias de hoje. Vinte anos passaram desde esse tormento, mas a mulher continua a mesma e eu própria, apesar de passar desafios diferentes. A vida é precisamente bonita e mágica por nos trazer estas pinceladas de momentos desafiantes, que nos colocam à prova. E eu gosto sempre de ter esta veia da minha mãe, que é arregaçar as mangas e fazer aquilo que tem que ser feito.

Tu, por exemplo, na escola, no contacto com outras crianças, ias sentindo a ausência de uma figura paterna ou isso desde muito cedo, e talvez pela força da tua mãe e por aquilo que ela te incutiu, foi uma questão que ficou resolvida muito cedo na tua vida?

Sempre ficou muito bem resolvida, até porque houve sempre um diálogo muito claro, muito transparente e mesmo assertivo, em relação a toda a situação. Apenas tenho esta memória de quando, em tempos de estudante universitária, que dividia quarto com colegas.

O clássico.

O clássico. E sentir que algumas colegas tinham aquela relação de menina do papá com os pais. Os pais surpreendiam: "Hoje eu vou almoçar com meu pai, que meu pai veio cá fazer não sei quantos quilômetros para vir almoçar comigo". E eu lembro-me que aí os gatilhos começaram a disparar, os meus primeiros gatilhos.

Mas quebravas?

Quebrava.

E, por exemplo, falavas disso com a tua mãe ou guardavas para ti?

Não, não era a minha mãe que eu achava que na altura sentia que depositava. Falava mesmo entre amigas. Sou muito expressiva e muito espontânea na minha-

Na tua forma de partilhar as coisas.

Sim, no meu estado emocional. E portanto sempre foi muito, quase até como: "Que bom que tens essa relação na tua vida, eu não tenho, acho isso incrível", mas havia sempre uma dor de: eu também gostava de ter e não tenho, e por quê? Por que nunca houve esse interesse? Mas hoje considero uma mulher muito bem resolvida, considerava-me exatamente por perceber aquilo que eu sentia nesses momentos da minha vida e por expressar de uma forma tão clara para mim mesma, isso ajudava-me a ultrapassar a dor, a aceitá-la e a perceber que aquilo que eu não controlo e que não depende de mim, só me resta aceitar e saber conviver com a situação.

Podemos sempre apreciar o amor de uma outra forma, mesmo que não seja diretamente conosco. Ou seja, aquilo que estás a dizer é que ainda assim conseguias ver beleza e amor.

Claro que sim.

Naquilo que é a relação de uma filha com o pai.

E era precisamente por contemplar essa relação, que despertava em mim uma curiosidade que não vinha acompanhada por nenhum rancor, mágoa, era mesmo uma curiosidade de por quê? O que leva uma pessoa, e hoje que acompanho uma relação que nasceu desde o momento em que fiquei grávida, do meu marido com a minha filha, o que é que leva uma pessoa a não nutrir este amor que é tão visceral, que é tão intrínseco, é animal, é natural, a não querer saber, a nunca querer cuidar, a não se preocupar em proteger. E isso era a questão para mim. E se havia dor, era daí. Mas nunca uma dor rancorosa, nunca uma dor amargurada. Não, é uma dor, e acho que isso é que me faz viver de forma bem resolvida com o tema, porque sou muito bem resolvida e mais importante para nós resolvermos as situações é sabermos perdoar e saber que nós não conseguimos explicar tudo, não conseguimos ter respostas para tudo.

Por mais que às vezes estejamos a procurar uma vida toda.

Sim, e que não exista uma compreensão, algo que sustente ou justifique determinadas escolhas de outra pessoa, mas temos que aceitar e seguir em frente.

A psicologia veio ajudar aqui de alguma forma, porque foi o curso que tu escolheste na faculdade, ainda antes da representação se tornar aqui uma realidade.

Sim, eu considero sempre a representação a minha grande paixão, mas a psicologia foi também e continua a ser, uma paixão muito grande na minha vida. Descobrir, explorar a arte do comportamento humano, da forma como se relaciona, a forma como se comporta, é um universo que me fascina e que me continua a fascinar até os dias de hoje, apesar de não ter terminado o curso, porque entretanto comecei a trabalhar como atriz. Sou muito fascinada pelo comportamento humano.

Tu deixaste Coimbra para depois seguir o sonho da representação em Lisboa?

Sim.

Ou houve ainda antes algumas coisas que foste fazendo pontualmente para alimentar esse desejo?

Eu na altura, em Coimbra, comecei então a trabalhar por necessidade. Como coincidiu com este colapso financeiro da minha família, comecei a trabalhar e muitos dos trabalhos que acabavam por surgir eram situações muito pontuais, não como atriz, mas como dar presença em anúncios publicitários, mas que no fundo, seria sempre necessária alguma expressividade, alguma interpretação. E mais tarde fui encaminhada, depois de um anúncio, para o casting dos Morangos com Açúcar, e foi então quando interrompi o curso de Psicologia para, pelo menos foi com essa promessa, só me dedicar durante três meses à representação.

Três meses.

Três meses que se estenderam durante alguns anos. Sim, felizmente.

Catarina Gouveia, vamos fazer aqui uma curta pausa, porque a primeira parte já passou.

Maravilha.

Já voltamos para a segunda parte do Em 40 Minutos. Esta semana estamos à conversa com a Catarina Gouveia. Até já.

Até já

Segunda parte do "Em 40 Minutos", esta semana com Catarina Gouveia. Já abrimos aqui o livro de memórias, já falamos de muita coisa que diz respeito à tua infância. Santa Maria da Feira. Percebemos que somos vizinhos, porque eu sou natural de São João da Madeira, tu és de Santa Maria da Feira e já temos algumas coisas em comum. Também estive em Coimbra, portanto, estamos em sintonia em muitas coisas. Entretanto, aqui na primeira parte falaste dos Merengues com Açúcar, foi a tua primeira oportunidade que achaste que ia durar três meses, não é?

Exato.

Acreditaste nessa .

Acreditei. Aliás, foi precisamente para isso que foi feito o casting, para recrutar atores para três meses, que correspondia, na altura, à série de verão dos Merengues com Açúcar. E assim foi. Só que três meses depois estava eu de regresso a Santa Maria da Feira, de malas e bagagens, à porta da casa dos meus pais. Porque o término das gravações não coincidia com o início do ano letivo do curso, e eu iria ficar sempre ali um ano em pausa. Quando, duas semanas depois, o telefone toca com um novo convite para ingressar um projeto, desta vez em horário nobre. E foi engraçado, porque eu lembro-me que nos Merengues com Açúcar, a minha personagem tinha uma irmã, e a atriz era também Catarina. Ao que eu respondi ao meu agente: "Deve ser engano, de certeza que é a outra Catarina e devem ter confundido". E lembro-me, na altura, foi uma satisfação muito grande perceber que não foi engano nenhum.

Que eras mesmo tu.

Que era mesmo eu. E lá voltei eu. Neste caso, para nove meses. Era um projeto em horário nobre, muito ambicionado na altura para quem fazia os Merengues com Açúcar, porque esta transição-

Ter logo esta oportunidade, não é?

Sim.

Porque tivemos muitos atores que eventualmente não conseguiram depois dar continuidade à carreira ou com tanta regularidade no ecrã.

Certo. E eu acho que esta transição não era a confirmação, mas era uma ótima oportunidade que nos estava a ser dada e se a soubéssemos agarrar, as coisas podiam correr bem. Sim, e foi isso que eu fiz. Porque, entretanto, eu tinha feito os Merengues com Açúcar sempre com a promessa de regressar ao curso, com a promessa entregue , olhos nos olhos aos meus pais, de eu vou voltar, vou só ali divertir-me um bocadinho e quero muito experimentar e entretanto voltei para Lisboa.

Passaram-se três meses, passaram-se nove meses e depois acabaste por ficar em Lisboa.

Sim, acabei por ficar em Lisboa, na altura em casa de uma tia, irmã da minha mãe, que me acolheu muito bem e que foi também um ponto muito importante nesta minha fase inicial em Lisboa, porque eu vinha de Santa Maria da Feira, um meio muito mais pequeno, e fui assim dada à capital, mas correu muito bem.

A questão da representação, tu neste momento estás muito presente nas redes sociais enquanto criadora, tens uma marca, partilhas muitas receitas, livros também. A questão da representação, como é que ela está neste momento na tua vida? Está arrumada, está em standby? Onde é que ela se arruma neste momento?

Eu acho que talvez seja justo dar um enquadramento, uma forma muito resumida. A verdade é que depois desse projeto em horário nobre, que foi o meu primeiro, o Espírito Indomável, comecei a trabalhar de uma forma muito mais consistente e regular.

Fizeste muitos projetos ao longo de vários anos.

Fui fazendo, entretanto transitei para outra estação, para a SIC, voltei depois para a TVI, só que há aí uma altura em que sinto que fiquei mais em standby. E foi precisamente nesse momento que surgem as redes sociais e eu comecei a ter algum encanto com a partilha dos meus hábitos, de partilhar desta forma tão espontânea, porque foi o surgimento mesmo do Instagram.

Sim. Ou seja, tu começaste diretamente com o Instagram, nem sequer foi com o Facebook.

Por acaso foi com o Facebook. Na altura das páginas do Facebook, mas não da mesma forma, a dinâmica é completamente diferente. Esta espontaneidade que o Instagram nos traz e que se mantém até os dias de hoje, na altura cativou-me. Aquilo cativou-me, o poder partilhar tão momentaneamente aquilo que eu estava a viver. E partilhava já os bastidores das novelas e acabo por ser pioneira no sentido de haver uma atriz que partilha o guarda-roupa, partilha todo o backstage, a equipa técnica, makeup, cabelos, e acabo por começar a ganhar lhe o gosto. Entretanto, as redes sociais começam a crescer, algumas marcas começam a profissionalizar-se no digital e eu começo a ter uma fonte de rendimento paralela ao meu trabalho de atriz e encontrei ali um momento que eu considerei favorável para fazer uma pausa, até porque eu queria engravidar e eu queria ser mãe e depois quando me tornei mãe, tinha esta consciência já bem limada e muito bem definida de que queria dedicar-me aos primeiros anos de vida da minha filha e daí deixei mesmo em pausa a representação para me dedicar àquele que é para mim o grande projeto, que é a nossa filha, a Esperança.

E neste momento a Esperança tem três anos. Se eventualmente surgisse um convite daqui a dois Qual seria a resposta?

Eu acho que há-

Não se projeta assim a vida?

Eu acho que há muitos aspectos hoje que têm de ser bem avaliados. Independentemente da minha situação, eu acho que quando nós queremos desafios, percebemos se o personagem é interessante.

Claro.

Quanto tempo, formato. Eu acho que há formatos hoje que eu considero que já estão um bocadinho ultrapassados e, portanto, nós precisamos também de nos reinventar nesse sentido.

E é preciso ter esse aspecto crítico também sobre as coisas.

Sim, em tudo. E acho que é mesmo importante nós fazermos este questionamento constante de não aceitar só por aceitar, perceber se nos vai acrescentar e seria essa a minha grande reflexão.

Eu quero aqui falar de um momento e vou te pôr à vontade para falar sobre aquilo que tu quiseres e bem entenderes sobre isto. Na altura, partilhaste no "Alta Definição" com o Daniel Oliveira, que chegou a dizer que foi das entrevistas mais brutais que teve naquele formato. Um momento que te deixou sem chão, que não se vê e que muitas mulheres conhecem. Como é que se vive um silêncio destes? Já falamos aqui de silêncio, mas acima de tudo, uma perda gestacional.

Vive-se precisamente em silêncio, porque acho que é um momento pelo qual a maior parte das mulheres passa e que agora fala-se mais, mas que não se falava há uns sete anos. Nós também não tínhamos esta acessibilidade às redes, aos temas, como temos hoje. Mas nem de propósito, começamos esta conversa com o silêncio, e o silêncio é tão importante, porque é uma dor tão nossa que por mais que a expressemos, que por mais que a tentemos partilhar para que ela fique um bocadinho mais leve, é tarefa impossível. É nossa e é uma ferida que cura com o tempo e que as respostas também vêm com o tempo. Mas é curioso, porque eu quase todas as semanas recebo uma partilha de uma mulher.

Ia te perguntar precisamente isso. Porque eu percebi que na altura, quando fiz essa partilha, tenhas recebido muitos relatos de mulheres igualmente na mesma situação, ou que já tenham passado ou que estejam a passar, porque é isso que tu dizes. Se calhar há sete anos não se falava tanto disto.

Sim.

E até mesmo as próprias mulheres não sabiam como falar disto.

Certo. Não sabiam como falar, porque quando tu não falas no tema, tu achas que és a única pessoa a passar pela situação, estás sozinha, só te acontece a ti. É quase como tudo. E ainda bem que agora os temas mais sensíveis ganham palco, ganham voz, ganham partilhas, ganham visão, tal qual como a violência. Se nós vivermos dentro das quatro paredes, casos de violência doméstica, que hoje ganhou uma projeção diferente, mas que há uns 20 anos atrás, vivemos ali num meio isolado entre quatro paredes e só aquelas quatro paredes é que sabem todas as histórias e portanto achamos que só nos acontece a nós e no fundo é preciso darmos os primeiros passos e darmos voz e darmos palco para que consigamos perceber que no final todas passamos por isto.

Sobre a questão da violência doméstica, continua a ser um tema na ordem do dia.

Exatamente.

E com mais e mais testemunhos, infelizmente.

Sim, mas começa com um rasgo de coragem de uma mulher que denuncia, que expõe. Claro que são temas diferentes, mas é preciso trazermos esta leveza aos temas, esta honestidade. Nós temos de saber que nós não estamos sozinhas, nós temos de estar unidas mais do que nunca, até porque nós temos um papel, socialmente falando, tão importante e ainda tão subestimado. Mas para voltar ao core da questão, é uma dor, realmente há uma solidão, é um caminho solitário, porque eu sei que mesmo pessoas que já tenham passado pela experiência, é reconfortante sentir que alguém passou e que afinal não é uma situação tão isolada assim, mas mesmo assim, há uma culpa a carregar, há um constante questionamento de: "Será que naquele dia eu subi as escadas demasiado depressa e não devia ter subido? Será que eu não descansei o suficiente?" Há essa culpa que nós carregamos e que é importante, e voltamos ao perdão, de nos perdoarmos e de nós acreditarmos que tudo tem uma razão de ser, tudo tem um tempo para ser e, portanto, é confiarmos nesse processo. Isso seria sempre o que eu diria, muito embrulhado num abraço a uma mulher que esteja a passar por isso, que é confiar, porque há uma razão para tudo. Eu acredito profundamente nisto.

E às vezes há palavras que não amenizam a dor e às vezes um abraço ajuda.

Até porque nós não encontramos palavras muitas vezes e só queremos dar um abraço.

A tua visibilidade nas redes sociais, tu és uma pessoa que qualquer coisa que tu digas, que tu faças, que tu promovas, gera notícia. E eu fiz esse exercício, pesquisei Catarina Gouveia notícias e há sempre coisas todas as semanas sobre ti. As mulheres também estão talvez mais expostas a isto, e também à possibilidade que têm nas redes sociais. Põem-se em causa muitas vezes condutas, aparência, comentários sobre o corpo e às vezes também vem à baila a questão dos filhos, que chega até a ser comentada Como é que tu lidas com este lado, podemos lhe chamar mais sombrio, das redes sociais?

Eu confesso que estou a aprender a lidar.

Aos poucos.

Sim, aos poucos. Até porque nos últimos anos, eu acho que é muito contrastante as redes sociais de quando eu comecei e as redes sociais agora. Eu acho que agora nós temos um fluxo de comentários, um fluxo de observações muito mais acelerado, muito mais rápido e muito mais duro, porque também somos muito mais lá presentes, ou seja, utilizadores. Para mim, foi um confronto que eu não estava tão familiarizada, com esta falta de bom senso, de respeito. Eu aceito críticas, aceito opiniões, desde que não venham camufladas numa tentativa de destruir, de magoar, de causar dor, de causar inibição, que muitas vezes acontece. E portanto, isso foi aquilo que mais me surpreendeu. A falta de muitas vezes de educação na forma como nós nos dirigimos ao outro. E para mim é muito importante esta capacidade de dirigirmos, de acrescentarmos com uma opinião, mas como deve ser feito.

Houve algo que realmente te tenha magoado ao longo destes anos, por aquilo que tu fizeste nas redes sociais e se tenha gerado aqui um buzz muito desnecessário à volta dessa questão? Eu vi que há uns dias fizeste uma publicação em que davas conta disso mesmo, de pedir mais empatia e que as pessoas tivessem respeito por aquilo que escrevem nas redes sociais. Houve assim algum momento?

Eu reconheço que desde que me tornei mãe, e não é por mim, eu acho que quando nós nos tornamos mães, não somos só mães das nossas crianças. Eu acho que nós vemos as outras crianças quase como a nossa responsabilidade.

Queremos protegê-las.

Sim, porque crianças não têm voz, alguém tem de dirigi-las e, portanto, de as proteger. E eu aquilo que eu faço é, e agora que sou mãe e que vou passando por tantas etapas tão diferentes e que todas as etapas são muito acompanhadas por determinadas eixos culturais, por determinadas crenças, sinto necessidade muitas vezes de desconstruir, de trazer o tema para cima da mesa pelas crianças. Pelas crianças e porque muitas vezes eu sinto que, e tenho realmente esta paixão, esta sede de informação. Cada fase que eu estou a viver, eu entrego-me ao saber, àquilo que eu posso tornar melhor naquele momento. Neste momento, sou mãe e tornei-me mãe há três anos. Não, há quatro, porque a partir do momento em que a mulher engravida, é mãe e a partir do momento em que eu engravidei, eu estou naquela busca incessante de informação para saber se posso passar melhor aquela fase. E, portanto, se eu posso e tenho esta oportunidade também, eu tenho a oportunidade de ter tempo para ler, tenho a oportunidade de validar informação, tenho esta janela na minha vida, que realmente eu dedico precisamente a estes temas. Eu aproveito o meu alcance, aproveito a minha projeção para, quem sabe, de uma forma despretensiosa, poder fazer chegar informação que é útil a uma mãe que tem uma vida muito mais corrida do que a minha, que provavelmente não terá tempo para se debruçar e que pode, de uma forma quase resumida, e daí surge o meu primeiro livro no registo da maternidade, o "Ser Mãe com Esperança", e foi muito com essa intenção, uma intenção despojada, mas de tudo aquilo que eu li, tudo aquilo que eu achei útil para mim, eu vou resumir e vou escrever um livro desde a gravidez, não, da preconceção até, portanto, o momento da preconceção, gravidez, parto, pós-parto e primeiro ano de vida do bebê, toda a informação que eu acho que realmente deve ser partilhada, útil, evidenciada, que é o mais importante, toda a informação está bem sustentada, com profissionais de saúde. Eu vou então formar e entregar aqui quase uma forma sintetizada, mas que seja útil, no sentido prático, para as mulheres. E vou fazendo isso de uma forma quase necessária em certos temas e que vai acompanhando, neste caso, o desenvolvimento da minha filha, que está agora com três anos e que, por exemplo, coincide com o desfralde, que muitas vezes há culturalmente, agora esta etapa, ideias associadas ao desfralde que são completamente ultrapassadas, desrespeitosas para com a criança.

As coisas evoluem, entretanto.

Evoluem, sim, e é tão importante.

E é possível também fazer a paternidade e a maternidade de uma forma diferente que já não se fazia há 10, 20 anos.

Muito mais informada. E aquilo que eu sinto é: eu vou expressar o meu ponto de vista, e vou expressar o meu ponto de vista e se esse ponto de vista tiver de ser mais polêmico, porque acabas por ser polêmico quando te opões àquilo que sempre foi feito. Sempre, durante muitos anos, foi feito os treinamentos de sono dos bebês e agora começa a oposição e isso cria sempre um confronto. E eu não gosto de estar nessa posição de confronto. Eu não gosto de confronto.

Eu ia te perguntar precisamente isso, como é que tu lidas quando se cria uma polêmica em que tu, às vezes Não querendo, estás lá só porque emitiste uma opinião.

Sim, eu não gosto mesmo. Honestamente, eu não gosto do confronto, em nada. Eu tenho imensas dificuldades. É uma área que eu trabalho muito em psicoterapia.

É uma zona de desconforto.

É a capacidade de me confrontar, de dizer não. Mas voltando ao início da questão, quando me tornei mãe, não tenho como não falar pelas crianças, porque penso: às vezes uma mãe que, num ritmo acelerado, não consegue debruçar-se sobre determinadas matérias, pode ser mal orientada, mal direcionada e depois acaba por projetar a indicação, a orientação na criança e quem sofre é a criança. Então se eu posso, mesmo criando algum momento difícil, até para mim, eu prefiro para despertar consciências do que deixar passar. Prefiro, sim. Apesar de que sou muito mais contida do que sei que seria há uns anos atrás, porque eu era muito mais espontânea e agora as redes sociais

Quem te conhece e já te conhece, se calhar desde o início, sabe isso mesmo. Entretanto, estamos aqui a falar muito da maternidade, da Esperança. Já falaste também de um livro. Como é que tu achavas que ias ser mãe e como é que és na realidade? É à imagem daquilo que tu achavas?

Não. É completamente diferente. Até porque ser mãe sempre foi um sonho que me acompanhou desde muito miúda. O meu maior sonho, a minha maior ambição. Só que nunca imaginei que eu fosse ser mãe num momento da minha vida tão, e ainda bem, sinto-me muito feliz e muito privilegiada, repleto de oportunidades profissionais como aquelas que estou agora a ter. Algumas criadas por mim mesma, mas aquelas que me levam grande fatia de tempo são as que me surgem. Quando me imaginava a ser mãe, imaginava-me com muito mais tempo, mas tempo de qualidade, porque até aos dias de hoje eu escolhi estar sempre com a Esperança. Ela está comigo ao meu cuidado, 24 horas desde que nasceu e portanto, quando me imaginava a ser mãe, imaginava-me a ter mais disponibilidade, tempo de qualidade, porque não aconteceu desta vez, mas muitas vezes ela vem comigo, mas eu estou ocupada a trabalhar ou estou numa reunião e não consigo estar tanto tempo como gostaria só a viver para ela. E foi essa a mãe que eu imaginava ser nos inícios dos anos de vida dos meus filhos. Mas está a ser maravilhoso. Estou a dar-me este privilégio de poder estar com ela e foi uma escolha muito ponderada, tanto por mim como pelo Pedro, que para nós foi importante.

E se calhar faz sentido nesta tua fase da vida.

Sim, faz sentido, só que é um enorme desafio. Trabalhar com uma criança ao lado é um enorme desafio. Só que foi precisamente com essa consciência: eu sabia aquilo que estes tempos, principalmente os três primeiros anos, que são superexigentes no sentido até físico, emocional, muito colo, não há autonomia para nada, para comer, para dormir. Hoje tem três anos, ainda adormece ao colo e portanto são escolhas minhas, mas são escolhas que eu acredito muito nisto e aplico em todas as áreas da minha vida e acho que é muito aplicável na vida, que é: escolhas difíceis hoje para uma vida mais fácil amanhã. E o inverso é exatamente o mesmo, que é escolhas fáceis hoje, estamos só a fazer com que a vida amanhã fique mais difícil. Eu prefiro que seja difícil agora para amanhã ter tudo muito mais facilitado.

Catarina Gouveia, tu dizes que estes três primeiros anos da tua filha foram de entrega total e estamos aqui a falar disso. Em algum momento esqueceste de ti nesse processo de aprendizagem com a tua filha?

Eu acho que acontece isso quer queiramos ou não, o esquecimento. Acho que é tão natural. Eu acho que o nosso próprio corpo se esquece de nós, porque para mim, os três primeiros anos de vida e durante muito tempo eu achava que eram só os três primeiros meses e depois fui alargando que seriam só os seis, depois um ano, depois fiquei ansiosa pelos dois, e agora sim, aos três anos, eu acho que nos três primeiros anos, pela minha experiência, eu vivi para a minha filha, vivi de corpo e alma para a minha filha. Para mim, a maternidade foi a descoberta mesmo do amor incondicional, porque nós amamos o nosso marido, os nossos amigos, mas o amor incondicional de tu estares exausto e teres de amar e teres de cuidar e teres de alimentar na exaustão, no cansaço, na privação do sono, foi para mim uma descoberta e um mergulho muito profundo de que ser mãe é viver para o outro, que é termos essa verdadeira disposição. E eu vivi nessa condição, eu esqueci-me de mim porque nem sequer dava para me lembrar muito de mim. Eu tinha certos momentos que eu privilegio sempre no meu dia, como o tomar o banho. Para mim é básico, porque muitas vezes pode não ser, mas para mim sempre foi o banho, o autocuidado. O meu pensamento, e isso é algo que eu digo sempre à minha filha, por exemplo, eu agora vou voltar a casa e vou lhe dizer: "A mamã esteve sempre a pensar em ti". E ela diz: "A sério, mamãe, em que é que pensas?"

Aliás, estive a falar sobre ti.

Sim, mas a verdade é que quando eles são recém-nascidos, é visceral. Nós somos animais, nós somos mamíferos, nós estamos sempre há um cordão invisível que nos liga. E eu respeitei sempre também este meu instinto, mas foi uma descoberta muito profunda, muito complexa, que é saber viver para o outro, saber doar-se de forma total a alguém, a um ser que precisa de ti e só de ti. Eu quis me considerar insubstituível. Eu acredito que a mãe é insubstituível e tendo eu o privilégio de ser uma mãe que pode lá estar, foi essa a minha escolha até aos dias de hoje e nos próximos filhos vai ser assim também.

E é muito bonito ver esta forma de amor. Estavas aqui a emocionar-te e é de fato muito bonito ver esta forma de amar. Catarina Gouveia, vamos chegar ao fim. Tenho só mais uma última pergunta para fechar esta conversa. Sabendo tudo aquilo que sabes hoje sobre ti, o que é que tu gostavas de saber há 10 anos para trás?

Gostava de saber que sou muito mais forte do que eu imagino. Muito mais forte. E a maternidade trouxe-me esta luz sobre a minha força. A maternidade, o meu casamento, o meu marido, que me desafia e me mostra muitas vezes que eu sou muito mais capaz do que eu achava que era. E acho que essa foi a principal descoberta dos meus últimos 10 anos. É interessante, porque nós vamos voltar ao tema inicial desta conversa.

Está aqui sempre presente, o silêncio.

Sim, o silêncio e a força, porque eu sempre tive força para abraçar os projetos, abraçar os desafios e encará-los com ânimo e entusiasmo e esperança, sempre. Eu sempre acreditei que aquilo que vem é sempre melhor do que aquilo que foi. Mas nunca imaginei, há 10 anos atrás, ter conseguido superar-me em tantas frentes. Muitas vezes por falta de confiança. Quando nós não acreditamos na nossa própria voz, mas vamos fazendo. E alguém até acredita naquilo que nós dizemos ou naquilo que temos a acrescentar, porque podemos pensar diferente e às vezes pensar diferente pode ser polêmico, pode criar confronto, uma zona pouco confortável para se estar, mas depois pode levar a sítios incríveis. E eu nunca imaginei, se há 10 anos visse agora a minha vida, o que eu conquistei, eu ia surpreender-me muito, porque é preciso realmente força, foco e perseverança.

E esperança.

E esperança.

Esteve sempre aqui, ao longo desta conversa. Catarina Gouveia, foi uma conversa cheia de amor.

Obrigada.

Também falamos muito sobre silêncio, esteve aqui patente ao longo desta conversa. Muito obrigado por teres vindo aqui à Rádio Observador. Desejo-te muito sucesso.

E igualmente. Obrigada.