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Nesta sessão solene do 25 de Abril, que arranca agora nesta parte mais formal, com a intervenção de Inês de Sousa Real, a porta-voz do PAN.
Assembleia da República, senhor Primeiro-Ministro e demais membros do Governo, ilustres entidades, altas autoridades, distintos convidados, antigos presidentes da República, senhoras e senhores deputados. Ao celebrarmos hoje o 25 de Abril, é incontornável lembrarmos referências que construíram e mudaram o rumo da história. Seja em Portugal, como Maria Teresa Horta, o capitão de Abril, coronel Matos Gomes, ou a nível global, Sua Santidade, o Papa Francisco. E maior justiça não lhes podemos deixar de fazer ao celebrar, aqui no Parlamento e nas ruas, sobretudo quando continuamos a enfrentar global e nacionalmente desafios democráticos, humanitários e até climáticos. É, por isso, urgente celebrar Abril e é urgente a esperança na democracia. Há precisamente 50 anos, o projeto democrático português cimentou-se com as primeiras eleições livres. Neste ano em que somos chamados novamente às urnas, sabemos que os portugueses estão cansados da instabilidade política que tem sido vivida e que tem deixado as suas vidas em suspenso. Mas não podemos permitir que desapareça da memória coletiva um tempo, não assim tão distante, em que vivemos em ditadura e os retrocessos que isso representou e que pode representar para a vida das pessoas. Saibamos, pelo menos, aqueles que acreditamos no Estado de Direito, renovar, por isso, no espírito das pessoas, a esperança na democracia. Mas Abril é também esperança na paz. Se lá fora a Ucrânia continua a lutar contra a invasão russa e pela liberdade, na Palestina continuam a resistir, apesar dos constantes massacres humanitários que continuam a sofrer diariamente. Temos também uma guerra comercial começada por um presidente dos Estados Unidos, que tem mais apreço a ditaduras do que a regimes democráticos. Em Portugal, temos também uma guerra silenciosa que não dá tréguas. Senhoras e senhores, em 2024, foram mais de 30 mil as queixas por violência doméstica. Os crimes de violação aumentaram em 10% e os crimes sexuais contra crianças, nos últimos três anos, 46%. Mais do que números, são casos reais, são mulheres, crianças e jovens a quem faltou a liberdade, em quem falharam os valores de Abril, a segurança e a igualdade que Abril lhes prometeu. E esta, sim, é a verdadeira insegurança nacional que é urgente combater. Assim como também não podemos fechar os olhos à pobreza que afeta, em particular, mães com crianças, idosos remediados e remetidos ao esquecimento e abandono, que têm apenas por companhia, tantas vezes, os seus animais. E 51 anos após a Revolução dos Cravos, é urgente fazer com que a sua promessa, a promessa de Abril, de liberdade e de justiça social, chegue a todas as pessoas, todas sem qualquer exceção, independentemente do seu gênero, da sua orientação sexual, da cor da pele ou da sua situação económica. Porque Abril é também fraternidade. E quando enfrentamos uma crise climática sem precedentes e também a impunidade da crueldade contra outros seres, como os animais, não posso deixar de recordar a mensagem poderosa do Papa Francisco na sua encíclica "Laudato Si". Uma chamada à ação para proteger a nossa casa comum, um apelo para sermos responsáveis não apenas uns pelos outros, todos, todos, todos, sem exceção, mas também pelo planeta que habitamos e pelos animais. Gostaria, por isso, de terminar evocando as suas palavras. Porque o Papa Francisco recordou que quando o coração está verdadeiramente aberto à comunhão universal, nada e ninguém fica excluído desta fraternidade. Portanto, é verdade também que a indiferença ou a crueldade com as outras criaturas deste mundo sempre acabam, de alguma forma, por repercutir-se no tratamento que reservamos aos outros seres humanos. Senhoras e senhores convidados, que mais, senão Abril, pode ser esta mesma fraternidade? Esta fraternidade de esperança e de respeito por todas e todos, pelas pessoas e pelos animais e, sobretudo, pela nossa casa comum. Viva o 25 de Abril, viva a liberdade.