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Eu falava de Bernardino Soares, que vai intervir também esta manhã. É com ele que estou agora aqui na Rádio Observador. Muito obrigada, Bernardino Soares, pela disponibilidade de vir até aqui. Começava por lhe perguntar, o momento alto de hoje é inevitavelmente o primeiro discurso de Paulo Raimundo como novo líder comunista. Perguntava-lhe, antes de mais, o que espera desse que vai ser, de alguma forma, o primeiro cartão de visita para o comum eleitor?
Penso que vai ser um discurso muito mobilizador e capaz de abordar temas importantes para a vida do país e para a intervenção do PCP nos tempos próximos, que vai sair reforçada desta conferência nacional, como bem precisa o país e os portugueses com a situação que estamos a viver.
Eu já ontem tive a oportunidade de falar com a Paula Santos, com o líder parlamentar comunista. Perguntava-lhe também no mesmo sentido, em relação à escolha de Paulo Raimundo, tem sido criticado pela falta de notoriedade. O próprio Bernardino Soares chegou a ser apontado à liderança do PCP, à semelhança de João Ferreira, também de João Oliveira. Pergunto-lhe se é uma escolha que o satisfaz, já foi eleito ontem em comitê central, mas pergunto-lhe se causou surpresa no próprio comitê central, mas pergunto-lhe se o satisfaz ou se preferia, por exemplo, que fosse João Oliveira, João Ferreira. Como é que olha para essa escolha?
É uma escolha que me deixa muitíssimo satisfeito e penso que corresponde ao que o partido precisa neste momento. Substituiu Jerónimo de Sousa, que deu um contributo inestimável à vida do PCP, à sua intervenção e também à democracia portuguesa, que foi capaz de aproximar muitas pessoas da política, da vida política e da intervenção política pela sua maneira de ser, pela sua forma simples e direta de abordar os problemas do país. E estou certo que o Paulo Raimundo vai continuar esse trabalho com grande brilho, grande competência, que lhe é bem reconhecida, e com um profundo conhecimento dos problemas do país e daquilo que é preciso fazer para resolver esses problemas.
A eleição do líder no PCP é um pouco diferente daquilo que estamos habituados noutros partidos. Ainda assim, pergunto-lhe se Bernardino Soares, tendo sido já apontado várias vezes como eventual ou futuro secretário-geral do PCP, sonha algum dia poder ocupar esse cargo.
Não. Um dos outros aspectos positivos destas decisões que tomamos ontem é que essa pergunta não vai ser feita mais e, portanto, esse assunto que nunca existiu, também fica arrumado.
Falava aqui da questão das eleições, houve também críticas em relação à suposta falta de democracia interna pela questão de, por exemplo, os militantes não elegerem diretamente aquele que seria o seu representante. Como é que olha para essas críticas? Obviamente que são os estatutos do PCP, mas entende que deveria de alguma forma ser mudado o processo de votação e de eleição do secretário-geral comunista?
Não, este processo de eleição é profundamente democrático, porque não se resume, como acontece noutros partidos, e temos que respeitar essa opção, cada um organiza-se como entende, a um combate entre duas fações com dois chefes ou três fações com três chefes, independentemente da auscultação verdadeira que se fez neste processo e sempre se faz de todos os militantes e, em particular, dos membros do Comitê Central. Por isso é que a escolha surge depois como natural, como bem aceito e é possível obter esta coesão. Esta coesão só é possível porque há forte participação no processo de escolha, porque se não houvesse, não havia coesão.